PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Olhos ternos azuis, humildes, inocentes,
Orvalhados de dor, da lágrima sentida…
Chorais, e com razão, os amores ausentes,
Que são a vossa luz na estrada desta vida.

Chorais como dois lagos calmos, transparentes,
Refletindo a amplidão de uma tela estendida…
Olhos ternos azuis, desmaiados, dormentes,
Vejo em vós o sofrer de uma monja sentida.

Chorai, olhos azuis, que a lágrima divina
Vale mais do que rir de boca pequenina
Que comece a falar, mil beijos implorando…

Prefiro a vossa luz inundada na mágoa…
Olhos ternos azuis, ao ver-vos cheios d’água,
Eu padeço também… mas vos amo, chorando.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, Recife-PE, (1889-1958)

Um comentário em “OLHOS TERNOS – Olegário Mariano

  1. Olegário fala dos olhos azuis com um certo desdém da soberba.

    Seria um amigo a consolar, porém com um desejo embutido?

    Não vejo compaixão nestes versos.

    Saudades da minha querida Flor, a Bela.

    Essa era poesia pura e falava apenas de suas dores.

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