Olhos ternos azuis, humildes, inocentes,
Orvalhados de dor, da lágrima sentida…
Chorais, e com razão, os amores ausentes,
Que são a vossa luz na estrada desta vida.
Chorais como dois lagos calmos, transparentes,
Refletindo a amplidão de uma tela estendida…
Olhos ternos azuis, desmaiados, dormentes,
Vejo em vós o sofrer de uma monja sentida.
Chorai, olhos azuis, que a lágrima divina
Vale mais do que rir de boca pequenina
Que comece a falar, mil beijos implorando…
Prefiro a vossa luz inundada na mágoa…
Olhos ternos azuis, ao ver-vos cheios d’água,
Eu padeço também… mas vos amo, chorando.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, Recife-PE, (1889-1958)
Olegário fala dos olhos azuis com um certo desdém da soberba.
Seria um amigo a consolar, porém com um desejo embutido?
Não vejo compaixão nestes versos.
Saudades da minha querida Flor, a Bela.
Essa era poesia pura e falava apenas de suas dores.