CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Caríssimo Berto,

Semana cheia. Deputado cassado, dura decisão contra o Maurício Souza e outras tantas notícias que fazem até o editor sentir vontade de vomitar.

Resolvi girar nos calcanhares, me vestir de luz e mergulhar na escuridão da saudade.

Século passado como diz Berto. Me vi vestida de avental de pregas branco de doer nos olhos (as mães alvejavam e engomavam os mesmos) indo para a escola. Uma época em que os professores eram respeitados. Onde com orgulho cantávamos o Hino Nacional, onde as matérias ensinadas eram as matérias que deveriam ser ensinadas.

Onde não existia e nem se sonhava em ter um Haddad como ministro da educação que colocou tudo a perder. Recuperar e corrigir os danos levará muito tempo ou será quase impossível.

Naquele tempo não se falava em bullying, homofobia, LGBT, racismo, desobediência as leis e a constituição, etc, etc, etc.

Um amigo me perguntou onde vamos parar diante de tudo que vemos e vivemos hoje. Não sei. Quem começou a frequentar “escola” primária nos idos de 1960 (anos dourados) teve uma formação completa. De caráter, de valores, de moral, de saber discernir o certo do errado. Fomos abençoados.

E gastei todo esse palavrório para dizer que naqueles tempos as crianças tinham Álbum de Recordações onde pedíamos que nossos colegas escrevessem poesias para guardarmos de lembrança.

Nesse giro nos calcanhares encontrei os meus e em um deles minha querida professora de matemática que se chamava Marília Matos escreveu o que gostaria de compartilhar com vocês pois foi um ensinamento que trago até hoje.

“Para Schirley.

Que seu longo caminho seja sempre pontilhado de bondade, paz e esperança e que seu coração seja sempre uma porta aberta para todos aqueles que de você precisarem.

Só pelo coração e pelo amor poderemos ser úteis a alguém.

Sua professora e amiga,

Marília”

Relendo esta mensagem percebo o quanto o ser humano deixou de SER humano.

Talvez seja esta a reposta para a pergunta de meu amigo.

Boa domingo para todos

4 pensou em “SCHIRLEY – CURITIBA-PR

  1. Fiat lux

    “Resolvi girar nos calcanhares, me vestir de luz e mergulhar na escuridão da saudade.” Schirley, aqui no JBF.

    Tenho o interessante hábito de colecionar frases e aqui neste JBF as encontro jorrando aos borbotões. Quem ousaria dizer que a frase acima não merece constar em meus alfarrábios?

    Um ótimo domingo à “moça” curitibana, que a cada intervenção neste gazeta, me faz lembrar dos momentos maravilhosos que sempre passo quando “aterriso” na terra das araucárias para vender cocos ou simplesmente rever os amigos que por aí deixei.

  2. Fiquei envaidecida com seu comentário Sancho. Ontem mesmo comentei com o Berto que dentro do álbum de recordações encontrei algumas frases que escrevi ainda muito nova. Se criar coragem te mando algumas para análise.
    Abraços

    • Se criar coragem…

      Schirley,

      Como o elástico, nossa coragem estica à medida que precisamos dela; pelo teor de seus comentários e postagens nesta gazeta que alguns chamam de escrota e outros de Disney do JMB, creio que CORAGEM não seja algo que anda em falta em sua vida, muito pelo contrário.

      Quanto a criar, ainda jovem, Sancho recebeu um filhotinho de juizo e resolvi cuidar do pequenino, que não vingou,infelizmente…

      Hoje crio cães e textos semanais, sempre às sextas, nesta gazeta (SANCHO PANZA – LAS BIENAVENTURANZAS), o que me leva a sugerir que VOCÊ pegue seus alfarrábios e os transforme em coluna neste JBF de todos nós, acrescentando notícias da maravilhosa Curitiba, para que os nordestinos (imensa maioria dos leitores do JBF) quando forem de férias, descendo o mapa, gastem alguns caraminguás na terra das araucárias, a belíssima cidade que abriga um FURACÃO e que no Alto da Glória se veste de VERDE.

      Está Sancho com saudade da turma da Boca Maldita, mas (matador mas), saudade é coisa para se matar quando há tempo suficiente a nos levar para perto do que nos atrai e, nesta temporada cocoleira, não ando tendo tempo para a diversão.

      Abração sanchiano e um beijo em vosso coração.

  3. Schirley, eu fui professor no século passado, continuo sendo até o dia que a sala escurecer. Eu 8 turmas de ensino fundamental, foi escolhido conselheiro de classe por todas elas, mas fiquei com 7 porque o filho da diretora não foi escolhido por nenhuma turma e ela me tirou o 8o B. Sempre tive uma relação de amizade com meus alunos e ainda é assim hoje. Quinta, teve colação de grau e eu estava como patrono da turma. Tenho 6 graduandos sob minha orientação. Eu nunca vi a escola/educação numa situação tão complicada. O Brasil se fode no exame do PISA porque os alunos não sabem matemática e uma universidade abre uma disciplina chamada afroetnomatematica.
    Nunca foi ameaçado em saia de aula, mas hoje sou criticado porque não ensino aluno meu a odiar o mercado, o produtor, etc….
    Se tivesse sua leveza giraria nos calcanhares….. abraços e lamentei bastante sua “estada no cabaré” ter sido tão curta. Nós temos uma reunião toda sexta às 19h30. Apareça pra conhecer as caretas mais feias da face da terra, começando por Berto…

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