DEU NO X

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

CÃO FEROZ E CORAJOSO!

E falando em animais…

Um dia deu de aparecer em Acari um circo, desses grandes, de dois mastros. Armou ali onde Dr. Juarez construiu sua casa, na Rua Manoel Esteves, por trás da prefeitura, bem ao lado do Cruzeiro.

Como todo circo grande, tinha seu leão. Lembro que esse pobre animal vinha desde Natal, adentrando o interior, limpando as cidades de gatos, comendo tudo quanto era miau que se jogasse dentro de sua jaula. E quem me contou a história foi Vevé, o meu bom amigo Everaldo. Ele me disse que com quinze dias de acampamento em nossa terrinha, o pobre leão já tinha comido tanto bichano que, ao jogarem um gato na jaula, o leão se arripunava todinho e fazia uma careta danada. Só faltava vomitar, se tremendo todo de tanto se repugnar.

Bom, o dono do circo inventou uma atração à parte, desafiando a população: o cão que chegasse perto do leão e não se urinasse depois de um urro do bicho, ganhava um negócio lá, prêmio não lembrado mais por Vevé.

Primeiro foi Antão Filho, nosso Lopinho, que levou seu cachorro para enfrentar a fera. A coisa se dava com o cão fora da jaula, claro.

Antão foi se aproximando com seu cão pequenez na coleira, farejando o chão, levantando a perna numa ou noutra pedra, num poste, rabo levantado e atento, orelhas para cima, naquele andar ligeirinho dos cães de sua raça.

A molecada ali, na espera, torcendo pelo animal de casa, claro. Quem deixaria de torcer pela representação de Acari, contra um leão fedorento que ninguém sequer sabia de qual savana teria saído.

E Antão foi se aproximando, se aproximando, e o povo abrindo o caminho. De repente chegou bem próximo da jaula. O cãozinho pequenez olhou para o leão. O bicho lá deitado. O cachorro achou de latir. Entre a molecada se ouviu sussurros de “é valente, é valente, vai ganhar”. E o cãozinho latindo alto, ciscando as duas patinhas traseiras, jogando terra para trás. Aí o leão se levantou, deu uma volta impaciente na jaula, bocejou como se estivesse com sono e, parece, só então percebeu o latido do cachorro. Olhou para baixo e viu o cãozinho todo afoito.

Ora, mais bastou o leão bramir e o cachorro de Lopinho paralisou. Vevé disse que o bicho ficou lá parado, estático… Até pensaram que encarava o leão.

Foi aí que Antão resolveu reivindicar o prêmio, ao que o dono respondeu que ele puxasse o cachorro, e quando Antão deu um leve toque na corda dizendo “rambora”, o bichinho caiu duro de lado. Havia morrido em pé.

Depois de Antão, muitos donos sofreram decepção vendo seus cães se borrarem todo diante de um rugido do leão.

Aí, entra o velho e bom Droli, cachorro de Nego de Seu Emídio, caçador afamado em nossas terras, cão corajoso, vira-lata de fama quase internacional no ramo de farejar, emboscar e trazer caças ao seu dono. Uma lenda! Um mito canino!

Droli, cujo nome eu não sei o que significa e nem quem foi a alma vivente capaz de criar tal expressão, tinha a pelagem avermelhada, era tipo médio, orelhas alertas, faro dos bons…

Nego foi incentivado por seus amigos e resolveu levar seu cão para enfrentar o leão.

Havia até torcida com o nome Droli pintado em bandeiras. Acreditem, ou não, até criaram uma música, cuja letra era assim:

“Pra enfrentar o grande campeão,
O cão coragem da cidade do Acari
Pode vim elefante ou leão
Mas nenhum derrota nosso Droli”.

E depois todo mundo gritava a uma só voz “é campeão, é campeão! Droli, Droli, Droli…”

E no dia acordado entre as partes, lá vinha Nego com Droli na coleira. Droli até parecia saber que estava em alta, que era afamado, respeitado e ídolo. Como a cadela Baleia de Graciliano, teria sentimentos quase humanos? Pois nem se portava como cão, não cheirava nada, também não se detinha levantando pata. De cabeça altiva vinha mais marchando, garboso, do que propriamente andando como um cão comum, apesar da condição de vira-lata.

Os meninos começaram a cantar a quadrinha, agitaram bandeiras, soltavam altos assobios, alguns jogavam inclusive areia para cima, formando uma fumaça de poeira sobre os outros.

Abriram espaço e Nego passou com Droli. A jaula havia até sido limpa naquele dia. Lá no fundo, deitado e dormindo, o leão nem se importava com a algazarra que se formara.

Nego parou, olhou para os lados, segurou a corrente com força, encheu os pulmões de ar e…

– Pega, Droli, pega! – gritou Nego.

O cão então latiu alto, ergueu as patas dianteiras e quase derrubou Nego puxando-o para frente. Latia rasgando a garganta, com força, disposição e coragem.

Nego de Seu Emídio, segurando com firmeza a corrente presa à coleira, tinha o tronco voltado para trás. No esforço que fazia, tinha os braços esticados, mãos firmes no ferro da corrente, os pés deslizando na areia do terreno, os dedões saindo para fora das alpercatas que usava. E Droli? Droli querendo ir para cima do leão.

Nisso o dono do circo apareceu com uma vara na mão, rodeou a jaula e cutucou o leão, que acordou. O bicho pôs a língua para fora, lambeu os beiços como se estivesse degustando algum resto de doce, balançou a cauda batendo-a duas vezes com força no chão da jaula e levantou as patas dianteiras, ficando meio corpo de pé. Observou o ambiente sem interesse.

Droli, incansável, corajoso, determinado, latindo forte e Nego, coitado, quase sem conseguir segurar a corrente, se esforçando muito para conter o cão.

– Droli é demais – gritou um dos presentes. – Ele ‘tá querendo ir para dentro da jaula. E se for, dá um surra nesse leão.

Então, a molecada começou a gritar “vai pra jaula, vai pra jaula” e, depois de alguns minutos o nome Droli foi gritado em conjunto.

O leão, nem aí para a gritaria, sem importar-se com os latidos de Droli, resolveu levantar as duas patas traseiras. Ficou de pé. Foi num resto de carne que já cheirava mal no fundo da prisão, aplicou o olfato ali, lambeu-se de novo, agitou a cauda, foi na água e bebeu um pouco e, parece, depois de saciada a sede, atentou para o latido do cachorro. Olhou direitinho para a cena. Vevé disse que acredita que só aí ele compreendeu tudo, veio para perto da grade, como quem queria se certificar do que estava vendo, arregalou os olhos, encarou o cachorro, deu duas voltas no corpo e rugiu. Ah, rugiu! Rugiu sim, alto e forte, balançando a juba e jogando a cabeça para trás.

Depois, tudo aconteceu tão rápido… Ninguém viu direito quando Droli passou com o corpo todo por dentro da coleira. Já Nego, caindo para trás, se viu com a corrente na mão. A coleira, ainda fechada, repousava no chão. Droli fugira pela frente da coleira e desaparecera numa carreira danada.

Vevé me disse que dois dias depois, Seu Cícero Cigano apanhava imbu no começo da chã da Serra do Pai Pedro, quando avistou Droli, de pé, parado sob a sombra de um imbuzeiro. Olhava para os lados da cidade, tinha as pernas meio abertas, o rabo levantado, os olhos bem atentos, o focinho em vigília. Parecia estar acuando algo de longe. Mas bastou seu Cícero mexer no bichinho e seu corpo quedou duro. Estava mortinho da silva!

– Acho que, depois do medo, a gasolina só deu pra chegar até ali – me confidenciou Vevé entre uma boa gargalhada e outra.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

DEU NO JORNAL

PARCERIA COM O CRIME

Os Correios acharam uma boa ideia lançar “selo comemorativo” em parceria com o MST, grupo de amigos do alheio que invade propriedade privada.

A oposição cobra explicações do Ministério das Comunicações.

* * *

Acreditem, é isso mesmo:

A empresa dirigida pelo gunverno petralha vai lançar um selo em parceria com o grupo terrorista e ilegal chamado MST.

Quando a gente pensa que o bando chegou no limite, eles conseguem sempre ultrapassar.

É pra arrombar!!!

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Rachel de Queiroz

Rachel de Queiroz nasceu em 17/11/1910, em Fortaleza, CE. Escritora, tradutora, jornalista, cronista, dramaturga e uma das mais destacadas romancistas da literatura brasileira. Foi a primeira mulher a ingressar na ABL-Academia Brasileira de Letras e primeira a receber o Prêmio Camões, a maior premiação literária da Língua Portuguesa, concedido numa parceria entre Portugal e Brasil.

Sua mãe -Clotilde Franklin de Queiroz- era professora (descendente de José de Alencar) e o pai -Daniel de Queiroz- era advogado. Aos 5 anos, a grande seca do Nordeste de 1915 expulsou a família para o Rio de Janeiro e pouco depois para Belém do Pará. Mas acabaram voltando para Fortaleza, onde ela concluiu o curso normal no Colégio Imaculada Conceição, em 1925. Após escrever uma carta para o jornal “O Ceará” ridicularizando o concurso “Rainha dos Estudantes”, recebeu convite de seu diretor para colaborar no jornal, e passou a escrever crônicas e poemas (com o pseudônimo Rita de Queluz) e publicou seu primeiro romance na forma de folhetim: História de um nome.

Passou a colaborar em outros jornais na década de 1920, quando Mario de Andrade alardeava sua campanha de “abrasileiramento do Brasil”. Influenciada pelo clamor do líder modernista, entrou no irreverente grupo do suplemento literário “Maracajá”, do jornal “O Povo”. Aos 19 anos publicou o romance O Quinze (1930), contando a tragédia da grande seca vivida na infância. O livro deu-lhe projeção nacional e tornou-se sua obra mais conhecida. No ano seguinte, o livro recebeu o prestigiado Prêmio Graça Aranha e tornou-se um clássico da literatura brasileira. Pouco antes passou a se interessar pela política social e ingressou no Bloco Operário Camponês, tornando-se um núcleo do PCB-Partido Comunista Brasileiro.

Em 1932 casou-se com o poeta José Auto da Cruz Oliveira e publicou o segundo romance: João Miguel. Uma dupla tragédia ocorreu em 1933 com a perda da única filha, vitimada por uma meningite com apenas 1 ano e 5 meses, seguida pela morte de seu irmão predileto 3 meses depois. Foi um golpe sobre o qual ela se referiu poucas vezes na vida: “Eu a amei apaixonadamente e nunca me recuperei do golpe que foi perdê-la, assim tão novinha”. Por essa época tem início suas divergências e rompimento com a direção do Partido e uma aproximação com Lívio Xavier e seu grupo em São Paulo, para onde mudou-se em 1933. Junto com Mário Pedrosa, Aristides Lobo e Plínio Mello passou a integrar um grupo de “trotskistas”, dissidentes do “Partidão”. Perseguida pela polícia de Getúlio Vargas, mudou-se para Maceió, em 1935, e viu seu livro na fogueira junto com os de Jorge Amado, Graciliano e José Lins do Rego queimados sob acusação de serem subversivos. Pouco depois foi presa em Fortaleza, cuja experiência resultou no romance Caminho das Pedras (1937).

Já consagrada como escritora, mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1939, e no mesmo ano recebeu o Prêmio Felipe d’Oliveira, com o livro As três marias, um romance intimista, quase autobiográfico. Na ocasião se separou do marido e no ano seguinte casou-se com o médico Oyama de Macedo. Iniciou na crônica jornalística no “Diário de Notícias,” passa pela “Última Hora” e “Jornal do Commércio” e chega a revista “O Cruzeiro”, onde publicou o folhetim O Galo de Ouro (1950). Escreveu mais de 2 mil crônicas semanais na revista O Cruzeiro durante 30 anos, até seu fim em 1975, quando passou a publicá-las no jornal O Estado de São Paulo. Incursionou no gênero dramático e publicou a peça Lampião (1953), garantindo-lhe o Prêmio Saci. Em 1957 recebeu outro prêmio com a peça Maria do Egito, consolidando a carreira de dramaturga.

Além do prestígio literário, tinha livre trânsito na política. Em 1961 foi convidada pelo presidente Jânio Quadros para ocupar o Ministério da Educação, mas declinou: “Sou apenas jornalista e gostaria de continuar sendo apenas jornalista”. No entanto não recusou o convite para integrar o Conselho Federal de Cultura, onde permaneceu de 1967 até 1989. Como ela mesmo disse, era mais jornalista do que escritora, com suas crônicas publicadas quase diariamente nos jornais e revistas e, depois, reunidas em livros: Cem crônicas escolhidas (1958), O brasileiro perplexo (1964), O caçador de tatu (1967) entre outras coletâneas. Retornou ao romance em 1975 com Dora Doralina e dois anos depois torna-se a 1ª mulher a ingressar na ABL. Anos depois voltou a ficar mais conhecida do grande público com a publicação do Memorial de Maria Moura (1993) romance que foi adaptado para a TV. No mesmo ano recebeu o Prêmio Camões, o mais cobiçado da língua portuguesa.

Aos 86 anos, uniu-se a irmã Maria Luiza de Queiroz Salek e, juntas, passaram a escrever textos memorialísticos e autobiográficos: Nosso Ceará (1996), Tantos anos (1998) e Não me deixes: suas histórias e sua cozinha (2000), seu último livro. “Não me deixes” é o nome da fazenda de sua família no Ceará, que ela transformou numa RPPN-Reserva Particular do Patrimônio Natural. Em 2000 foi eleita como uma dos “20 Brasileiros empreendedores do Século XX”, numa pesquisa realizada pela PPE-Personalidades Patrióticas Empreendedoras. As premiações, comendas e homenagens foram constantes em sua vida. Além dos prêmios citados, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da ABL (1958), Prêmio Teatro, do INL – Instituto Nacional do Livro (1959), Prêmio Nacional de Literatura de Brasília (1980), Prêmio Moinho Santista (1996) entre outros, e títulos de ”Doutora Honoris Causa” de diversas universidades.

Em termos biográficos, temos um ensaio publicado poucos meses antes de sua morte: No alpendre com Rachel, de José Luís Lira, seguido de um perfil biográfico – Rachel de Queiroz -, publicado por Socorro Acioli no mês seguinte ao seu falecimento pelas Edições Demócrito Rocha, sem contar com autobiografia Tantos anos (1998). Rachel de Queiroz faleceu em 4/11/2003 e foi sepultada envolta numa rede, seu lugar preferido para descanso.

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

VOLÚPIA – Florbela Espanca

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frêmito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade…
A nuvem que arrastou o vento norte…
– Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço…
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO JORNAL

MAIS UM ESTRAGO

Aconteceu o que o mercado temia: os estragos do governo Lula (PT) na economia contaminaram o Banco do Brasil, que, ao contrário da concorrência, teve desempenho sofrível no primeiro trimestre de 2025, com a queda de R$ 20,7% no lucro liquido, derrubando suas ações.

O Bradesco, que enfrentou enormes dificuldades, registrou crescimento espetacular de 39% em seu resultado positivo, a exemplo do Santander, cujo lucro líquido cresceu 27,8% no primeiro trimestre: R$ 3.861 bilhões.

Transformando-se no maior do País, o Itaú continuou dando show: seu lucro líquido foi de R$ 11,1 bilhões nos três primeiros meses do ano.

A “gordura de credibilidade” do BB faz o mercado aguardar resultados do segundo trimestre para decidir se recomendará venda das ações.

Comparado aos demais bancões, a redução de 20,1% faz do lucro líquido Banco do Brasil um lucrinho, apesar dos valores expressivos.

* * *

É de lascar!!!

Onde esse bando se mete, o estrago é coisa certa.

Deixo os comentários e análises por conta dos especialistas fubânicos.

Uma dica: a presidente do BB, Tarciana Medeiros, disse que o balanço chinfrim é “questão de perspectiva”.

Para ela, “vai muito além dos números”.