DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

ANISTIA

Lisboa. Início dos anos (19)70, na mais dura fase da Ditadura Militar (de 1964), comprei um pequeno veleiro e fui registrar na Capitania dos Portos (era, e continua sendo, obrigatório). O nome que escolhi foi “Ann’s Tear”. Traduzindo, a “Lágrima de Ana”. Só que lia-se Anistia. Para que da praia se pudesse vê-lo, todo branco, nas águas de um mar com mais fraternidade.

Na véspera do registro, por precaução, fui conferir no dicionário. E só então percebi que “tear”, além de “lágrima”, também pode ser traduzido por “buraco”. Assim, dependendo de quem lesse, poderia ser “Lágrima de Ana” ou “Buraco de Ana”. Para evitar esse risco registrei só como “Ann’s Tia”. Mistura sem muita inspiração de inglês e português, a “Tia de Ana”. Mas, na praia, todos entendiam a mensagem. E apreciavam o navegar doce daquele Anistia.

Voltemos ao presente. Segundo o senador Eduardo Girão (Novo-CE), desde 1822, nossa História registra mais de oitenta anistias no Brasil. Entre elas de sequestradores, assaltantes e assassinos. Lembro de uma. O caso se deu de 2 a 4/12/1959, passando a ser conhecido como a Revolta de Aragarças. Uma tentativa de golpe feita por oficiais da Aeronáutica e do Exército para derrubar o governo JK. Foi quando tivemos o primeiro sequestro de avião no Brasil, um Constellation de Panair, que decolou do Santos Dumond (Rio) na direção de Manaus e sobrevoava Barreiros (na Bahia). Levava 46 pessoas (38 passageiros). A revolta deu em nada. Que nem a ONU, nem o Exército, nem a opinião pública, ninguém apoiou, levando os revoltosos a fugir para países vizinhos.

Sufocado o movimento, mais tarde, JK tratou de providenciar anistia para os revoltosos. Nosso padrinho de casamento, encontrávamos com ele sempre em seu apartamento no Rio. E, um dia, conversei sobre esse episódio. Então relatou fato curioso. Disse que, quando foi assinar o documento da anistia, os cabelos de seu braço levantaram. Como o pelo dos gatos, quando têm medo. Como se fosse um prenúncio. Não assinou e devolveu a caneta à mesa. Os cabelos voltaram ao normal. Pegou de novo a caneta e, novamente, os cabelos levantaram. Era como uma antevisão do futuro.

Assinou, assim mesmo, por pressão dos amigos. Para poucos anos depois, logo ao início da Ditadura de 1964, ver seu mandato de Senador ser cassado e perder os direitos políticos (em 08/06/1964). Por mãos de alguns dos anistiados por ele, em Aragarças, que foram voz ativa nessa violência. Perguntei se estava arrependido de ter assinado a tal anistia, respondeu que não. Segundo ele, o Brasil precisava mesmo se reconciliar.

Esse tema da anistia voltou a debate quando estávamos na Comissão Nacional da Verdade. Durante os trabalhos, discutimos a questão de punir os responsáveis por torturas, mortes e desaparecimentos forçados de 1964. Antes de seguir, bom lembrar que precederam no mundo, a nossa Comissão Nacional da Verdade brasileira, outras 40 comissões semelhantes. Mais notória sendo a da África do Sul, criada em 1994 por Nelson Mandela e sob direção de Desmond Tutu ‒ um arcebispo da Igreja Anglicana que foi prêmio Nobel da Paz dez anos antes.

E nenhuma dessas 40 comissões anteriores foi criada com o fim específico de fazer justiça. Ou de por, na cadeia, os responsáveis por torturas e mortes. A ideia era, basicamente, só recontar a história do que se passou; e, também, preparar as bases para uma transição menos traumática, em cada país, entre os horrores de antes e os novos tempos.

Tanto que a já referida Comissão da África do Sul tinha só três subcomissões: violação a direitos, reparação e anistia. O que se buscava, sobretudo, era o conhecimento da verdade. Aquilo que aconteceu, de fato, naquele passado triste.. Para quem confessasse o que fez, sendo garantida anistia automática. Valendo notar que não houve uma única prisão, no curso ou por conta (depois) de todas essas outras comissões, em nenhum país.

Com relação à anistia ampla e recíproca, concedida no Brasil aos dois lados naquele tempo (permitindo voltar ao Brasil Arraes, Brizola e outros), é comum dizer que a Lei da Anistia (nº 6.683) foi votada, em 28 de agosto de 1979, por pressão dos militares. Sobretudo para proteção deles próprios. Com certeza foi assim. Ocorre que houve outra Lei da Anistia, posterior no tempo, da qual pouco se fala. Como se nunca tivesse existido.

Foi a única exigência feita pelos militares, nas negociações da transição. Para beneficiar os responsáveis pelo RioCentro, que se deu na noite de 30 de abril de 1981. Posterior, portanto, à primeira lei (que é de 1979). Tancredo concordou. Por ser algo necessário, para o país. Morto, coube a Sarney honrar seu compromisso. O que foi feito com a Emenda Constitucional nº 26, de 27 de novembro de 1985 (art. 4º, com sete parágrafos). Votada por um Congresso livre de quaisquer pressões. O mesmo que elegeu Tancredo, opositor civil ao Regime Militar. Uma regra não apenas mais recente, no tempo, como também de nível superior ao das leis ordinárias, posto que passou a constar da própria Constituição.

Membros de nossa Comissão (menos eu) pretenderam recusar dita anistia, para que todos os responsáveis ainda vivos (bem poucos) fossem julgados, condenados e presos. Na votação das “Recomendações”, na Comissão Nacional da Verdade, votei a favor dela. Textualmente, assim ficou registrado: “Baseado nas mesmas razões que, em 29 de abril de 2010, levaram o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 153, e com fundamento em cláusulas pétreas da Constituição brasileira, a recusar, por larga maioria (sete votos a dois), essa tese”. Em razão do que nenhum dos envolvidos, de parte a parte, poderá mais ser punido. A menos que o Supremo modifique seu entendimento. A reação da imprensa foi de amplo apoio a essa posição de reconhecer e validar a anistia. Com Editoriais de todos os grandes jornais do país, a favor.

Essa minha posição, a favor da anistia, não é portanto nova. Vem de bem antes. O Brasil, hoje, é outro. Nossas prioridades, outras. Mas somos um país conturbado. E, sobretudo, precisamos de paz. Algo cada vez mais difícil de acontecer. Que o governo politiza a questão, como um meio de impedir que adversários sejam candidatos. E aqueles que deveriam responder por isso mais que todos, no Supremo, são os que mais promovem a radicalização e o confronto. Como se tivessem um ódio ancestral, no coração; sangue, nos olhos; e falta de qualquer piedade, roendo seus corpos. O que é muito ruim.

Por isso, amigo leitor, reitero aqui uma ideia simples. A de que num país fraturado, como o nosso, nada é mais importante, necessário e urgente, que promover a paz social entre os brasileiros. Com uma grande anistia. Política, claro, e não da roubalheira que hoje se espraia. Deixo aqui minha opinião. Cada um pense como quiser, tem direito, afinal vivemos numa Democracia. Será? Para encerrar, lembro poema recente (Exílio) do amigo português Manuel Alegre que diz:

Havia uma casa.
Havia uma pátria.
Éramos vinte ou trinta nas margens do Sena
Onde o vento cantava
Uma canção estrangeira.

É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.

DEU NO JORNAL

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

CINTURA FINA

Inspirados em moças elegantes, de cintura fina, as chamadas “cintura de pilão”, os compositores Luiz Gonzaga e Zé Dantas, compuseram a música “CINTURA FINA”, lançado em 1950, que fez estrondoso sucesso e continua fazendo até os dias atuais, principalmente nas festas juninas.

Antigamente, a moça bem feita de corpo e de cintura naturalmente fina era comparada a um pilão.

A cintura de pilão era o “protótipo” da moça bonita, numa época em que a beleza era natural, dada por Deus.

Nos dias atuais, tendo dinheiro para pagar aos cirurgiões plásticos, a cintura de pilão é opcional.

Minha saudosa mãe, Lia, contava que quando era criança, já órfã de mãe, achava que Isabel, uma moça, irmã da sua madrasta, era um pilão. Ouvia dizer que ela tinha cintura de pilão e era uma pessoa muito boa. Resolvia tudo sobre o cardápio da casa da irmã, casada com um viúvo, seu cunhado, e com seis enteados (inclusive Lia) ainda crianças.

Até que um dia, minha mãe, com pouco mais de quatro anos, por curiosidade, começou a tocar nos braços de Isabel, como quem a estava examinando. A moça estranhou e perguntou por que ela estava fazendo aquilo. E a menina, assustada, perguntou: Você é um pilão, mas não é feita de pau? A decepção da minha mãe foi grande, quando Isabel disse que não era um pilão. Era uma pessoa normal. Minha mãe, muito criança, ouvia os elogios que as pessoas faziam a Isabel, chamando-a de cintura de pilão, e botou na cabeça que a moça, literalmente, era um pilão.

Minha mãe sempre relembrava essa história e nós ríamos muito. Ela disse que seria capaz de jurar que Isabel era um pilão, pois ela tinha a cintura fina, cintura de pilão, e diziam que era uma pessoa muito boa e prestativa.

Sempre que ouço “Cintura Fina”, me lembro desse equívoco da minha mãe, órfã de mãe aos quatro anos de idade.

Pois bem. O Pilão teve origem na África. É um utensílio culinário, indispensável na cozinha da gastronomia africana, com as mesmas funções de um almofariz, ou seja, usado para moer grãos, triturar ou macerar, para preparar alimentos, como cuscuz, café, farinha de mandioca, gergelim ou castanha, etc. A utilidade de um pilão é imensa.

A mão do pilão é tão importante quanto o pilão propriamente dito.

Para fazer pilão são usados troncos de jaqueiras, pequizeiro (nativo da Amazônia, que produzem frutos chamados de pequi). Artesãos também utilizam árvores caídas, de tronco grosso, para produzir pilões de vários tamanhos, que são vendidos em feiras.

O Pilão é utilizado há centenas de anos, para triturar, amassar e moer, ou seja, para pilar alimentos e transformá-los em algo novo.

Um dos maiores exemplos de iguaria, que não dispensa um pilão, é a paçoca nordestina, com carne de sol bem assada, pilada com cebola roxa, socada com um pouco de farinha de mandioca e esquentada com manteiga de garrafa. Por cima, coentro e cebolinha verde.

Historicamente, os pilões da África são grandes e podem ser utilizados por várias pessoas ao mesmo tempo, com o intuito de moer grãos, mas de tamanho muito maior.

O Pilão é feito de um tronco escavado, geralmente de uma madeira macia, com dimensões que variam entre 30 e 70 cm de altura. Utiliza-se colocando dentro o material a moer, batendo-lhe com um pau de 60 cm a 12 cm, dependendo da quantidade, e do tamanho do pilão, que pode ser de uma madeira mais rija e pode ter uma das extremidades arredondadas, chamado de “mão de pilão. Uma mãozada com uma mão de pilão é capaz de causar danos mortíferos. Uma mão de pilão na mão de uma pessoa enraivecida, é crime à vista.

O belíssimo Xote ‘Cintura Fina’, interpretado pelo nosso eterno Rei Luiz Gonzaga, é uma homenagem à dança e ao encanto feminino. Um ritmo nordestino que convida ao aconchego e ao balanço a dois. A letra descreve a atração de um homem por uma mulher bonita e de “cintura fina, cintura de pilão”. A expressão remete à forma física esbelta e atraente, comum na descrição de belezas femininas, na cultura popular brasileira.

Esse Xote é um convite carinhoso para que a mulher se aconchegue ao homem para dançar agarradinho. A música transmite a sensação de alegria e satisfação que o homem apaixonado sente ao dançar com sua amada, criando uma atmosfera de intimidade e cumplicidade. A referência ao ‘cangote’ (parte baixa do pescoço), palavra muito usada pelo nordestino, sugere um contato físico íntimo e confortável durante o Xote.

O imenso talento de Luiz Gonzaga fazia com que ele transformasse elementos culturais em poesia cantada, celebrando a beleza e a sensualidade da mulher nordestina.

O amor simples e sincero foi valorizado por Luiz Gonzaga, estando sempre presente em suas composições. “Cintura Fina” é mais uma prova do seu grande talento e da sua paixão pela cultura nordestina.

Minha morena, venha pra cá
Pra dançar xote, se deita em meu cangote
E pode cochilar
Tu és muié pra homem nenhum
Botar defeito, por isso satisfeito
Com você vou dançar

Vem cá, cintura fina, cintura de pilão
Cintura de menina, vem cá meu coração

Quando eu abarco essa cintura de pilão
Fico frio, arrepiado, quase morro de paixão
E fecho os olhos quando sinto o teu calor
Pois teu corpo só foi feito pros cochilos do amor

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

UM PAÍS DE ENDIVIDADOS

Editorial Gazeta do Povo

Ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva proclame aos quatro ventos que a economia brasileira está cada vez melhor, a realidade é bem diferente. Entre os inúmeros recordes negativos que o país acumula, o Brasil acaba de alcançar mais uma marca histórica: nunca houve tantas empresas e consumidores com contas em atraso. Os dados divulgados recentemente pela Serasa são contundentes: 76,6 milhões de brasileiros estão inadimplentes – o equivalente a quase metade da população em idade ativa. Trata-se do maior número desde o início da série histórica, em 2016, com dívidas que somam R$ 457,4 bilhões. Somos um país de endividados.

O endividamento, por si só, não é necessariamente um problema – quando bem gerido, pode ser ferramenta de alavancagem e desenvolvimento. No entanto, o que se observa atualmente é um endividamento crônico e prolongado, que compromete a saúde financeira das famílias. O percentual daquelas que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas voltou a crescer, alcançando 12,4% – alta em relação ao mesmo período do ano passado. O cartão de crédito permanece como o principal vilão, seguido pelo empréstimo pessoal, modalidade igualmente marcada por taxas elevadas.

No setor empresarial, o cenário não é menos grave. Já são 7,3 milhões de empresas negativadas, o equivalente a 31,9% das registradas no país, com um total de R$ 180 bilhões em dívidas – recorde desde o início da série histórica, em janeiro de 2016. Como de costume, as pequenas e médias empresas são as mais vulneráveis. Com menor capital de giro, forte dependência do crédito bancário e pouca margem para repassar aumentos de custos ao consumidor final, esses negócios enfrentam sérias dificuldades para continuar operando. Nesse segmento, a inadimplência chega a R$ 146,2 bilhões.

Entre famílias e empresas, a inadimplência elevada não pode ser explicada apenas por desorganização ou irresponsabilidade. Ela é, sobretudo, o reflexo de um ciclo perverso: a alta de juros, embora necessária para conter a inflação, agrava a situação dos endividados ao tornar mais caro o crédito e mais difícil o pagamento das dívidas. Diante da inflação persistente, os preços sobem, o poder de compra diminui e os gastos essenciais pressionam ainda mais os orçamentos. Com isso, muitas famílias recorrem ao crédito para manter o básico – e pagam caro por isso. Para as empresas, especialmente as menores, o custo elevado do financiamento representa uma barreira quase intransponível à sobrevivência.

Apesar desse quadro, a política monetária segue travada. Com a Selic em 14,75% ao ano – o maior nível em quase duas décadas – o crédito segue restrito, caro e desestimulante para qualquer tentativa de recuperação econômica. As previsões indicam que essa situação não deve se alterar antes do fim de 2025, o que impõe mais um longo período de sufoco àqueles que empreendem, consomem ou tentam reorganizar suas finanças.

As taxas de juros poderiam começar a cair – e aliviar o bolso dos endividados – se o país adotasse uma política fiscal séria e responsável. Hoje, o Banco Central atua quase isoladamente na tentativa de conter a inflação, recorrendo à única ferramenta disponível: o amargo remédio dos juros altos. O governo federal, por sua vez, em vez de contribuir com austeridade e reformas, opta por aumentar a arrecadação para manter e expandir os gastos. Prova disso é o mais recente pacote fiscal, anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cuja principal medida foi, como já se tornou regra, um novo aumento de impostos – desta vez sobre o IOF.

O resultado de políticas irresponsáveis como as do governo federal não poderia ser outro, a não ser a combinação mortal de inflação, resultado da desvalorização da moeda causada pela sandice fiscal, e juros altos, que são a reação do Banco Central para frear o processo inflacionário, já que o governo não faz sua parte. Foi esse cenário perfeito que criou a multidão de endividados do país, que, se tudo continuar como está, vai aumentar ainda mais.

O país está, hoje, à beira de um sufoco financeiro generalizado. Famílias endividadas, empresas sufocadas e um governo que, ao invés de oferecer alívio, aperta ainda mais o torniquete. Se a responsabilidade fiscal continuar sendo tratada como inimiga do “projeto político”, o país pagará um preço ainda mais alto – e por muito tempo.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

RODRIGO CONSTANTINO

A PREMISSA TOTALITÁRIA

O advogado lulista, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

O advogado lulista, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay

Na cena final do filme FormiguinhaZ, o vilão, ao cair num enorme buraco, grita: “Eu sou a colônia!”. Tudo que ele fazia, todo abuso de poder, todo arbítrio, os meios nefastos que justificavam seus “nobres” fins, tudo tinha em mente o “bem-estar” coletivo. Ele era a incorporação da própria colônia, o “bem geral” rousseauniano. E não é sempre assim com tiranos totalitários? Lembrei da cena ao ver um vídeo do advogado petista Kakay, com fala mansa e um lenço vermelho no pescoço, concluindo que Eduardo Bolsonaro atacou as instituições brasileiras.

Ele até entende, pelo desespero de saber que o pai será preso em alguns meses. Mas confessa um crime, segundo aquele que despacha de bermuda no STF. Ele fez algo “inadmissível”, “lamentável”: ele se insurgiu contra os interesses do país! Que interesses do país são esses? Ataque à soberania nacional?

O jurista Andre Marsiglia desmontou essa narrativa ridícula de Kakay e sua turma num debate na CNN Brasil. A esquerda sempre articulou pedindo ajuda internacional. Barroso confessa que solicitou intervenção direta do governo Biden. Cortes internacionais existem para um propósito. Mas eis que, de repente, um deputado licenciado não pode articular com congressistas americanos justamente para ajudar a mostrar os abusos de poder do nosso STF!

Toda a narrativa petista, em essência, consiste em confundir deliberadamente Alexandre de Moraes com o STF em si. Qualquer crítica a essa postura autoritária e criminosa de Moraes passa a ser tratada como “atentado às instituições democráticas”. É exatamente o que já acontece na Venezuela ou em Cuba: quem criticar os ditadores está “atacando as instituições” e é suspeito de ser agente da CIA infiltrado.

Somente em ditaduras totalitárias existe essa malandragem de tratar o líder e o Estado e o povo como uma só coisa. Se você condena a opressão do Partido Comunista Chinês ao povo chinês, então você tem preconceito contra… o povo chinês! Afinal, está atacando o próprio povo, na ótica distorcida dos comunistas. E tudo isso de forma bem seletiva e hipócrita: eles podem detonar Trump, chamá-lo até de nazista, sem que isso seja sinônimo de “ataque às instituições americanas”.

Comunistas são sempre cínicos, oportunistas e mentirosos. Sempre. Quem não partir dessa premissa verdadeira será facilmente sua vítima. Kakay é um sujeito podre de rico e podre de alma. Navega bem nesse sistema corrompido. A conclusão de Kakay, de que Eduardo virou um “traidor da pátria” ao denunciar justamente aquele que vem perseguindo patriotas, não engana ninguém de verdade. Mas o sistema nem liga: precisa só manter a narrativa para justificar seus abusos. É puro jogo de poder. O Brasil já está Maduro.

DEU NO JORNAL