A PALAVRA DO EDITOR

NO DENTISTA

Nesta quarta-feira, logo no começo do expediente, este desdentado Editor estará sentado na cadeira do Dr. Emílio, meu competente dentista.

Está sendo programado um novo sorriso para este meu belo fucinho.

De modo que a edição de hoje desta gazeta escrota será oportunamente atualizada, quando eu voltar da consulta.

Tenham calma, não se desesperem, nada de crise abstinência.

Abraços e um excelente dia para toda a comunidade fubânica!

DEU NO JORNAL

PREFEITO CRIATIVO

Viralizou campanha do município de Prata (MG) para tentar combater descarte de entulho pela cidade.

O prefeito Xexéu (PP) mandou instalar placa “Aqui só joga lixo quem é corno assumido!”.

Tem dado certo.

* * *

Prefeito criativo da porra!

Deu certo a medida dele.

Os cornos tão se escondendo e a cidade ficou limpa!!

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

SE BRASIL FOR HÁBIL, CONSEGUIRÁ REVERTER SOBRETAXA DO AÇO E DO ALUMÍNIO

Trump sobretaxa do aço e do alumínio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante assinatura de atos oficiais na Casa Branca em 10 de fevereiro

Eu vou falar de Donald Trump, porque tudo que ele faz lá na Casa Branca tem reflexos aqui. É como o Big Bang, a explosão que deu origem ao universo: há uma explosão nos Estados Unidos e as ondas de choque chegam aqui. A primeira delas é essa sobretaxa no aço e no alumínio que os americanos importam, e que teoricamente afeta o Brasil.

Mas o Brasil tem chances de mudar isso, porque não temos superávit comercial sobre os Estados Unidos; é o contrário. Não é como a China. O aço brasileiro vai para a indústria de eletrodomésticos, a indústria automobilística, e os produtos vão ficar mais caros. Eles mesmos vão pressionar o governo norte-americano para fazer um acordo com o Brasil.

Além disso, há uma siderúrgica genuinamente brasileira, a Gerdau, que está produzindo aço nos Estados Unidos. Se o aço se valorizar por lá, se o preço subir por causa da lei da oferta e da procura, essa empresa brasileira vai ganhar, terá mais demanda para fornecer aço para os Estados Unidos. Por outro lado, aqui temos a Companhia Siderúrgica Nacional, a ArcelorMittal, que vão sofrer. Metade da nossa exportação de aço vai para os Estados Unidos.

O Brasil não precisa bater em Trump, como tem feito o presidente Lula. É melhor ficar quieto. O Itamaraty está quieto porque sabe que pode fazer um acordo. O Canadá e o México já prometeram proteger a fronteira. O México disse que não entrarão nem imigrantes ilegais nem drogas nos Estados Unidos; o Canadá também garantiu que não haverá mais droga entrando nos EUA. Os americanos, então, deram um mês para os dois países demonstrarem isso.

* * *

Terras raras, que causam guerra na África, podem ser chave para paz na Ucrânia

Acabei de mencionar que Canadá e México já concordaram com os pedidos de Trump. Pois até Vladimir Putin está falando de paz com Trump toda hora, assim como o presidente da Ucrânia. Volodymyr Zelensky lembrou que os americanos botaram tanto dinheiro para ajudar a Ucrânia a se defender, e disse que o país tem as chamadas “terras raras”, minerais raros; então, vamos conversar, fazer um acordo e conseguir a paz.

A respeito de terras raras, há uma grande e terrível guerra matando gente na África, e ninguém dá bola. Grupos guerrilheiros ligados ao exército de Ruanda invadiram regiões do Congo, atrás de minerais. Há certos minerais que Ruanda exporta, mas que não é ela quem produz; quem produz é o Congo. E esses interesses de mineração se aproveitam da rivalidade secular entre etnias como hutus e tutsis, por exemplo, que se matam por lá.

Enfim, estão todos correndo atrás desses minerais por causa de baterias de carros elétricos, de celulares, de computadores. O coltan, por exemplo, é um mineral usado em computadores e celulares. Tântalo, lítio, nióbio, tudo isso temos aqui. O Brasil tem 18% desses minerais raros do mundo, mas nós não nos mexemos. Parece que sai só 1% só. Poderíamos estar ganhando com isso.

* * *

Trump não quer dinheiro americano bancando segurança da Europa ou grupos terroristas

O presidente francês, Emmanuel Macron, está dizendo que vai aumentar a verba para defesa, porque Trump criticou o fato de os EUA estarem gastando o dinheiro do contribuinte americano para garantir a segurança da Europa. Agora estão descobrindo que recursos da Usaid foram até para grupos terroristas, para o Hamas, por exemplo. Bilhões de dólares dos pagadores de impostos dos Estados Unidos vão para inimigos dos Estados Unidos. É isso que Trump está interrompendo.

* * *

Hugo Motta fez “exoneraço” na Câmara
 
O novo presidente da Câmara está mostrando serviço mesmo, não são apenas palavras ao vento. Ele já exonerou 465 funcionários que estavam recebendo o dinheiro dos nossos impostos e certamente eram dispensáveis, não tinham nenhuma utilidade para a Câmara, estavam lá pendurados num cabide de emprego.

* * *

Ministro da Defesa volta a dizer que 8 de janeiro não foi golpe e critica condenações

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, foi ao Roda Viva e confirmou o que já havia dito: que o que aconteceu no 8 de janeiro não tem os ingredientes de um golpe. Falou em senhoras que não jogaram uma pedra sequer sendo condenadas a 17 anos de prisão. Ou seja, ele deu força para o movimento de anistia que está circulando no Congresso. Ao mesmo tempo, o ministro reforçou a teoria de que houve bagunça, sim. Eu gostaria muito de ver condenados aqueles que estavam no destacamento precursor, que abriu as portas do Palácio do Planalto e começou o quebra-quebra lá dentro, e não aqueles que entraram depois, fugindo da fumaça das bombas de gás lacrimogêneo.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA GLOSA

Sou trocista e faço graça
Dos versos sou alquimista.

Mote desta colunista

Eu sei que o mundo não é
Só graça, só alegria,
Mas por nada eu perderia
No bom Deus a minha fé
E por isso estou de pé
Não sou mulher pessimista
Sou poeta cordelista
Não dou aval a desgraça
Sou trocista e faço graça
Dos versos sou alquimista.

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

RODRIGO CONSTANTINO

A VACA FOI PRO BREJO!

No combate ao câncer é fundamental manter o otimismo e alguma leveza. Temos que ter o foco no resultado, na cura. Mas perdoem-me os leitores: em alguns dias teremos mau humor, quando aquela sensação de enjoo demora a desaparecer, quando tomamos consciência da magnitude da travessia no deserto que ainda enfrentaremos para finalmente chegar lá. Hoje é dia de azedume, portanto.

Muita gente esperançosa com a visita da turma da OEA ao Brasil, para “avaliar a situação”. O relator Pedro Vaca ficou quase duas horas reunido com ministros supremos. Com pinta de Jean Wyllys, Vaca já chegou a escrever no passado recente: “Discurso de ódio aumenta no Twitter em seus maiores mercados após aquisição de Musk”. E citou o Brasil em particular: “Musk cortou praticamente todos os funcionários no Brasil, permitindo um aumento descontrolado de desinformação que ajudou a alimentar os ataques deste mês ao centro de governo do país”.

Dá para confiar? Lamento ser o estraga-prazeres, mas acho que essa Vaca já foi para o brejo! Sim, o relator da OEA vai ter que enfrentar Musk e Trump se insistir na palhaçada, fingindo que acredita nas ladainhas dos ministros. Pode ter a verba cortada, e vai entrar em tempos de… Vacas magras! Mas será que Pedro Vaca vai mesmo fazer o trabalho de forma minimamente séria e imparcial?

Pergunto isso pois era tão óbvio e fácil desmascarar a narrativa dos verdadeiros golpistas. Bastava fazer uma perguntinha ao relator: “Señor Vaca, ¿qué piensa usted de un juez que celebra la derrota de un candidato?”. Pode um juiz torcer para a derrota de um candidato e depois comemora-la, vangloriando-se de que foi responsável por ela, isso tudo ao lado de comunistas? Que piada, gente!

Enquanto isso, um ministro do próprio governo lulista diz novamente que as penas aos presos do 8 de janeiro são abusivas, mas a militante Vera Magalhães, no programa bancado com recursos do estado de SP do governador Tarcísio, insiste na premissa falsa. Quando um ministro lulista tem mais bom senso do que “jornalistas” mainstream, é porque a coisa está feia mesmo! O consórcio golpista está aí para quem quiser ver, e inclui velha imprensa, petistas e ministros supremos.

Por fim, Brasil tem a pior colocação da história em ranking de percepção de corrupção. Puxa vida! Quem poderia imaginar que colocar o ladrão de volta à cena do crime, como alertava seu próprio vice, produziria esse efeito?! São coisas realmente espantosas! Peço perdão ao leitor pelo tom de desabafo, mas é que precisamos dos dias ruins também para lembrar que não é moleza enfrentar o câncer. Vamos vencer no final, tenho fé. Mas é preciso ser realista: a bandidolatria tomou conta de tudo e estamos em situação de metástase. Preparem-se para o enjoo profundo da quimioterapia, meus caros…

DEU NO JORNAL

UMA VISITA CRUCIAL PARA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO BRASIL

Editorial Gazeta do Povo

Visita do relator da CIDH

Reunião de parlamentares com o relator da CIDH, Pedro Vaca, em Brasília

A situação catastrófica da liberdade de expressão no Brasil pode finalmente ganhar a repercussão internacional que tem faltado até agora. Pedro Vaca Villareal, relator especial para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), está no Brasil desde o último domingo, dia 9, e deve ouvir tanto autoridades dos três poderes quanto representantes da academia, da imprensa e de plataformas digitais, sem falar em algumas das inúmeras pessoas que foram censuradas em algum momento desde a instauração do inquérito das fake news no STF, em abril de 2019. Até onde se sabe, não deve haver nenhum tipo de pronunciamento durante a visita: o relator vem apenas para ouvir, e só depois deve expor sua avaliação em um relatório.

Em Brasília, Vaca Villareal já se encontrou, na segunda-feira, com o presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, que chamou seu colega Alexandre de Moraes, o censor-mor da República. A julgar pela nota publicada pelo STF após a reunião, já que o relator não deu declarações ou entrevistas, os ministros fizeram o seu melhor para convencer Vaca Villareal que está tudo na mais perfeita ordem; que, se foi preciso censurar, foi apenas em nome da “defesa da democracia”; e que nada foi feito às escondidas. Obviamente, se o relator tiver um mínimo de desconfiômetro, haverá de se perguntar como é que se “defende a democracia” agredindo a liberdade de expressão de forma tão escancarada. E temos tudo para crer que os ministros não lhe disseram que a suspensão sumária de perfis não tem amparo no Marco Civil da Internet, e é inclusive inconstitucional, por configurar um tipo de censura prévia inaceitável em uma democracia.

Mas, ainda que o relator não tenha estudado a lei brasileira antes de sua viagem para descobrir que o Marco Civil da Internet só permite a remoção de publicações específicas, e não a censura de perfis, os parlamentares de oposição que ele encontrou nesta terça-feira certamente terão explicado a Vaca Villareal onde residem as ilegalidades e os abusos cometidos pelas cortes superiores ao longo de todos esses anos, a começar pela censura da revista Crusoé, em 2019, um dos primeiros episódios do inquérito das fake news, e que deu o tom de tudo o que viria a seguir. Foram esses parlamentares que deram início ao processo que terminaria com a vinda do relator ao Brasil: em novembro de 2024, eles foram a Washington para uma reunião que acabou cancelada de última hora (e substituída por uma audiência a portas fechadas), sob a alegação de que o governo brasileiro havia convidado o relator especial para vir ao país – é esta visita que está em andamento agora.

O relator da CIDH ainda terá muito mais a ouvir. Ele poderá conhecer, em primeiríssima mão, as histórias de brasileiros censurados arbitrariamente pelas cortes supremas (alguns desses relatos já lhe haviam sido enviados por escrito); e saberá que, ao contrário do que lhe disseram Barroso e Moraes, as decisões de censura costumam ser sigilosas, a ponto de muitas das vítimas nem sequer saberem quais publicações as colocaram na mira do STF ou do Tribunal Superior Eleitoral. Ainda ouvirá juristas especializados em liberdade de expressão, que dirão a Vaca Villareal que não apenas o ato de censura em si é uma violação grotesca da Constituição brasileira e da Convenção Americana de Direitos Humanos, mas também que brasileiros são censurados por publicações que nem sequer constituem crime, pois nem “fake news”, nem “desinformação”, nem “discurso de ódio” são categorias definidas na lei brasileira.

Que Vaca Villareal tenha a disposição de ouvir com verdadeira abertura os relatos sobre nossa mistura de O Processo, 1984 e Fahrenheit 451; a honestidade intelectual de perceber quão maltratada tem sido a liberdade de expressão no Brasil; e a coragem de, em seu relatório, chamar as coisas pelo que são e mostrar como o Judiciário brasileiro, com o apoio do atual Executivo e de seus aliados na sociedade civil, tem solapado sistematicamente as garantias democráticas no Brasil. Neste momento, é impossível garantir que será de fato assim, mas, se isso acontecer, estaremos diante de uma grande vitória. Independentemente de haver ou não consequências formais (por exemplo, uma condenação), a mera exposição, com a chancela da Organização dos Estados Americanos (OEA, à qual a CIDH é vinculada), do regime censor instaurado pelo STF já terá o poder de chamar a atenção do mundo para o que ocorre no Brasil – e isso não é pouca coisa.