DEU NO JORNAL

TUDO NORMAL

É esquisito Lula esconder o que faz e com quem anda.

Decretar sigilo de 100 anos, impunemente, para o pouso do Aerolula em São Paulo a fim de pegar Janja ou tornar a agenda dela secreta o autoriza a esconder fatos mais graves, ofendendo a LAI, lei federal de acesso à informação.

* * *

Não tem nada de esquisito neste comportamento do Descondenado, conforme diz a nota aí de cima.

Normal, normal, normal.

Decretar sigilo para esconder o esbanjanjamento do dinheiro público é uma medida perfeitamente coerente com a gunvernança do Brasil atual.

Tá tudo dentro dos conformes.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

AS FACES DA CHUVA

Quando a chuva esperada
Chega molhando o nordeste
Uma alegria inconteste
Não demora é espalhada
O povo cai na risada
Vendo a água em profusão
Aflora na multidão
Clima de felicidade
Chuva na grande cidade
Não é igual ao sertão.

Quando a chuva chega forte
Inunda a cidade grande
O aguaceiro se expande
Causa dano, causa morte,
O povo fica sem norte
Com tanta destruição
A chuva sem compaixão
Exibe sua crueldade
Chuva na grande cidade
Não é igual ao sertão.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

LULA GANHA PASSE LIVRE NO CÍRIO DE NAZARÉ

Marcio Antonio Campos

O presidente Lula no Círio de Nazaré, em 12 de outubro de 2024.

Lula segura a imagem de Nossa Senhora de Nazaré antes de colocá-la no nicho de vidro para a procissão fluvial do Círio de Nazaré

“Cabe ao arcebispo de Belém a condução da Imagem Peregrina em todas as etapas de embarque e desembarque do Garnier Sampaio.” São palavras de dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Belém (PA), em nota datada de 7 de outubro de 2022 a respeito da participação do presidente da República na romaria fluvial do dia 8, um dos eventos mais icônicos do Círio de Nazaré – Garnier Sampaio é o nome da corveta da Marinha que leva a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré. O tom da nota é bem seco, uma espécie de “não temos absolutamente nada a ver com isso”, em relação à presença do chefe do Executivo federal na embarcação.

Corta para 2024, e lá está o presidente da República participando do Círio de Nazaré, colocando a Imagem Peregrina na redoma de vidro que a protege durante no trajeto de quase 20 quilômetros pela Baía do Guajará. A Agência Brasil, órgão oficial do governo federal, diz que o presidente “deu início ao cortejo e realizou o ato litúrgico de colocar a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré em nicho de vidro no navio Garnier Sampaio, da Marinha” – ou seja, fez aquilo que em 2022 o arcebispo havia dito expressamente que cabia única e exclusivamente a ele. Mas, desta vez, sem notinha, nem mesmo um esclarecimento no site ou nas mídias sociais da arquidiocese.

Qual a diferença? A resposta é muito simples: em um dos episódios, temos um presidente abortista, que afirma que “quando quero conversar com Deus, não preciso de padre ou de pastores”, que defendia até pouco tempo atrás ditador que promove uma perseguição feroz contra a Igreja Católica (hoje estão meio brigados, aparentemente): Luiz Inácio Lula da Silva. No outro, temos Jair Bolsonaro. Ainda que eu não tivesse colocado data nenhuma, nem a foto que abre esta coluna, o leitor saberia muito bem de qual presidente o arcebispo queria máxima distância (e Deus o livre de colocar a mão na santa!), e qual presidente ganhou passe livre para tomar o lugar do arcebispo no ato litúrgico – e não foi só ele, já que a imagem antes passou pelas mãos da primeira-dama também.

Se os pastores querem levar a sério o “não desejamos e nem permitimos qualquer utilização de caráter político ou partidário das atividades do Círio”, como dizia a nota de 2022, podiam começar aplicando o mesmo critério a todos os casos em que um presidente da República quiser participar do evento, em vez de praticamente dizer a um deles que não é bem-vindo, enquanto o outro recebe liberação para violar o protocolo. Para piorar a situação, dom Alberto Taveira foi um dos 152 bispos e arcebispos que, em 2020, assinaram uma carta com várias críticas a Bolsonaro; o ex-presidente está longe de ser perfeito, obviamente, mas quando o tratamento dado a um líder político é ditado mais pelas simpatias pessoais que pela correspondência desse líder aos valores do Evangelho, são a credibilidade e o respeito do bispo que ficam em xeque.

A coluna entrou em contato com a Arquidiocese de Belém na manhã de segunda-feira para entender melhor o que aconteceu nesta participação de Lula no Círio de Nazaré: se as regras mudam de acordo com o presidente de plantão; se não mudaram, mas o arcebispo fez vista grossa porque, afinal, é o Lula, nosso “homem sem pecado”; ou se tudo aquilo aconteceu à revelia da vontade do arcebispo, sabe Deus como. Até agora, nada de resposta, mas o espaço continua aberto.

DEU NO JORNAL

DÓLARES EM FUGA

Editorial Gazeta do Povo

Fuga de dólares na conta financeira deve ser recorde em 2024.

No início de outubro, a agência de classificação de risco Moody’s surpreendeu o mercado financeiro ao elevar a nota da dívida brasileira, deixando o país a apenas um nível de recuperar o “grau de investimento”, o desejado selo de bom pagador. A surpresa derivou tanto do timing do anúncio, após um encontro com Lula e Fernando Haddad em Nova York, quanto dos fundamentos invocados para a decisão, considerados frágeis – tão frágeis que, ato contínuo, as outras duas grandes agências, Fitch e Standard and Poor’s, vieram a público avisar que não viam razão alguma para elevar a nota brasileira, nem sequer mudando a perspectiva da nota atual de estável para positiva. Aos poucos, os dados vão mostrando que os investidores sabem quem está com a razão.

Há fortes chances de o Brasil terminar 2024 com mais um “nunca antes na história deste país” – no caso, nunca antes tantos dólares saíram do Brasil por meio da chamada “conta financeira”. No fim de setembro, a retirada somava US$ 52,4 bilhões, faltando apenas US$ 2 bilhões para bater o recorde de 2020, ano em que estourou a pandemia de Covid-19. O retrospecto é preocupante, já que tradicionalmente o último trimestre é época de mais fuga de dólares por esse meio: a média histórica medida pelo Banco Central desde 1982 é de uma saída de US$ 5,2 bilhões, mas nos últimos três anos ela subiu para R$ 11,2 bilhões. O que vem salvando a pátria e impedindo uma depreciação ainda maior do real é a conta comercial, com uma entrada de dólares que compensa e supera a fuga da conta financeira.

A fuga de dólares em 2024 tem um fator novo, é verdade: segundo o jornal Valor Econômico, criptoativos e “serviços recreativos” (rubrica que inclui desde sites de apostas, as “bets”, até o pagamento de streamings) respondiam por uma saída de US$ 14,7 bilhões de janeiro a agosto deste ano. No entanto, isso equivale a apenas 30% da fuga total de dólares pela conta financeira. As razões mais profundas do fenômeno estão em outro lugar, e nem são muito difíceis de encontrar: basta olhar para a forma como o governo trata a questão fiscal, o que leva a indicadores como o aumento da dívida pública e a inflação, que segue rondando o limite máximo de tolerância da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente, vinculada ao Senado, afirmou, em entrevista publicada na segunda-feira, que o governo Lula “está sinalizando que já abandonou perseguir o centro da meta”, em referência ao objetivo de zerar o déficit fiscal este ano, previsto no arcabouço elaborado pelo próprio governo. O déficit primário acumulado de janeiro a agosto de 2024 já estourou os R$ 100 bilhões, e Pestana acredita que o buraco real em 2024 será de 0,8% do PIB – no papel, será menor porque várias despesas têm sido excluídas dos cálculos para efeito de cumprimento da meta. Nesta terça-feira, foi a vez de o ministro Haddad reconhecer que, da forma como as contas públicas estão sendo tratadas, o arcabouço não se sustenta. Mas o discurso do ministro ainda dá a entender que, para ele, o verdadeiro problema estaria no fato de o governo estar arrecadando pouco, e não gastando demais – um exemplo é a mania de culpar o Congresso pela falta de “equilíbrio fiscal” devido ao imbróglio da reoneração da folha de pagamento de empresas e pequenos municípios.

O investidor enxerga essa insistência do governo em seguir arrancando mais e mais dinheiro dos brasileiros e do setor produtivo, enquanto gasta cada vez mais e também incentiva a sociedade a gastar, e responde reduzindo sua confiança nos ativos brasileiros. O Banco Central enxerga essa política fiscal expansionista e responde com a única ferramenta que tem: uma política monetária contracionista, elevando os juros. Não surpreende que, hoje, os papéis brasileiros mais atrativos incluam os títulos da dívida pública atrelados ao IPCA, pagando juros reais que se aproximam dos 7% ao ano.

E pensar que o Brasil estava em uma posição privilegiada para atrair capital. Com outros emergentes fora do jogo pelos mais diversos problemas – como a instabilidade institucional mexicana, a superinflação turca e a exclusão da Rússia devido à sua guerra de agressão contra a Ucrânia –, bastaria ao Brasil fazer a lição de casa com um capricho mínimo para se beneficiar, mesmo com os juros norte-americanos ainda altos. Mas nem isso Lula, Haddad e o PT foram capazes de entregar.

PENINHA - DICA MUSICAL

TEMAS DE FAROESTE – 3

Quero homenagear, durante esta semana, o nosso colega Cícero Tavares, o formidável crítico de cinema desta nossa gazeta.

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1973 – Knockin’ on Heaven’s Door – Hanaway Band

Fez parte da trilha sonora do filme ” Pat Garrett & Billy the Kid ” estrelado por James Coburn, Kris Kristofferson, Bob Dylan, Jason Robards e outros.