ALEXANDRE GARCIA

TUTELADOS

Lula com Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso no desfile de 7 de Setembro em Brasília: após evento, ministros foram para almoço no Alvorada.

Lula com Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso no desfile de 7 de Setembro em Brasília: poderes acreditam que a população é facilmente tutelável

Mais uma eleição se aproxima e chega a hora decisiva de escolher o número a ser digitado. Não pode ser por sorteio. Decidir futuro é vital. Ou fatal. Um em cada cinco eleitores prefere não fazer escolha alguma, assustado com os candidatos arranjados pelos partidos. Avaliam-se as escolhas pelos resultados. E aí vemos que não houve boas escolhas. Peguemos a escolha do presidente da República como referência. No início do século, foi eleito o candidato do PT, prometendo acabar com a fome. Convenceu o Brasil e o mundo. Virou celebridade no mundo por acabar com a fome no Brasil. O candidato e seu partido ficaram no poder pela maior parte desses 21 anos, e eles próprios se queixam de que o Brasil tem 33 milhões de famintos. Passam atestado, eles mesmos, de que foi só discurso para continuarem no poder.

Por essa atitude ingênua de eleitores é que os poderosos da política julgam que somos todos tuteláveis. Massa de manobra que não pensa, não reflete e é fácil de ser conduzida. Enquanto forem carentes, serão atendidos com Bolsa Família e auxílios afins. O governo é o pai bonzinho. Nem sequer lhes passa pela cabeça perguntar de onde vem o dinheiro. Os tutores, para reforçar o vínculo (“vínculo” vem de corrente, em latim), usam a instrução, o ensino escolar, para catequizar as crianças em sua religião ateísta e materialista. Já tomaram os votos de hoje; querem tomar também as mentes de amanhã.

Aquilo que o poder político faz desde Cabral, o Poder Judiciário percebeu que também pode fazer, “empoderando-se”. Testou na pandemia, cancelando direitos e garantias fundamentais, e todo mundo obedeceu. Passou a investigar seus ofensores, bloquear seus canais e contas, cassar-lhes os passaportes e prendê-los. O direito de manifestação ficou sob censura; deputados e senadores passaram a ser violáveis por suas palavras. E todo mundo ficou quieto. A tutela já vem dos três poderes. E o poder original, o povo, foi achando que é natural, se tiver Bolsa Família e afins. Alimente-os e domine-os. E vão nos domesticando.

Não é chocante, tudo isso? Estamos nesse processo de domínio. Parece 1984, de Orwell, e temos de evitar que o futuro seja o de A Máquina do Tempo, a ficção de H.G.Wells em que os Morlocks acabam por dominar os Elois, os ingênuos bonzinhos que não perceberam enquanto cediam suas liberdades. No dia 7 de setembro, uma parte desses Elois saiu para as ruas, mobilizados pela voz digital libertadora. Vivemos dias de resistência. A verdade que liberta carece de vozes que saibam argumentar, além de gritar. O poder inflado e ilegal não cede e reforça seu espírito-de-corpo. A rede digital que deu voz a todos também estimulou o conforto de muito dizer e pouco fazer. E assim vamos, coerentes à nossa história, cheia de enganos e engodos, enquanto se usa a falta de conhecimento para exercer a tutela.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

BEM CREDENCIADA

A deputada estadual mineira Macaé Evaristo (PT), convidada pelo presidente Lula (PT) para assumir o comando do Ministério dos Direitos Humanos, em substituição a Silvio Almeida, que caiu em meio a um escândalo sexual, tem ficha suja na política.

A deputada é ré na Justiça, onde responde pela acusação de superfaturar R$ 6,5 milhões em uniformes escolares, no período em que foi secretária estadual de Educação do governo Fernando Pimentel (PT), de 2015 a 2018.

Além disso, ela assinou em 2022 um acordo de R$ 10,4 mil com o Ministério Público de Minas Gerais para encerrar várias ações de improbidade administrativa.

Há pelo menos 13 processos do gênero, incluindo superfaturamento de carteiras escolares.

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Ela tá no gunverno certo.

Tem todas as credenciais para ser ministreira do maior corrupto que a história deste pais já registrou.

Possui todas as cacaracterísticas ladroatíferas petralheiras pra ocupar um cargo no gunverno do ladrão descondenado.

Deputada estadual mineira Macaé Evaristo (PT) foi convidada pelo presidente Lula (PT) para assumir o comando do Ministério dos Direitos Humanos (Foto: Agência Brasil)

Uma linda parelha. Uma perfeita dupla corruptícia

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ARGILA – Raul de Leoni

Nascemos um para o outro, dessa argila
De que são feitas as criaturas raras;
Tens legendas pagãs nas carnes claras
E eu tenho a alma dos faunos na pupila…

Às belezas heroicas te comparas
E em mim a luz olímpica cintila,
Gritam em nós todas as nobres taras
Daquela Grécia esplêndida e tranquila…

É tanta a glória que nos encaminha
Em nosso amor de seleção, profundo,
Que (ouço ao longe o oráculo de Elêusis)

Se um dia eu fosse teu e fosses minha,
O nosso amor conceberia um mundo
E do teu ventre nasceriam deuses…

Raul de Leoni, Petrópolis-RJ (1895-1926)

DEU NO JORNAL

SACANAGEM ASSEDIATÓRIA

Obedecem uma lógica petista de poder os 920 casos de assédio sexual no primeiro ano do atual governo Lula registrados só em 2023, segundo dados da Controladoria Geral da União citados pelo jornal O Globo.

A maioria esquerdista que ocupa cargos de confiança, no governo Lula, são os principais acusados de assédio sexual, usando cargo de chefia para obter favores sexuais.

Já são 557 só de janeiro a agosto de 2024.

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Estou perplexo com este número: 920 casos de assedio de bacurinhas no primeiro ano do gunverno vermêio-istrelado.

E mais 557 até agosto de 2024.

Não acredito!

Um número muito pequeno, baixíssimo, em se tratando do bando de tarados que atualmente está no comando da nação.

Desconfio que o órgão apurarador amenizou muito a situação.

A PALAVRA DO EDITOR

LUA BRASIL

Para enriquecer e abrilhantar nosso dia, uma composição do meu querido amigo Xico Bizerra, colunista desta gazeta.

Um bela e sensível homenagem a Luiz Gonzaga, Luiz Lua Gonzaga, o Rei do Baião.

A interpretação é do saudoso Dominguinhos, grande nome da música nordestina, que muito andou por estes mundos sertenejos ao lado de Gonzagão.

Esta belíssima música-poema é mais uma das geniais criações do inspirado e talentoso Xico Bizerra.

COMENTÁRIO DO LEITOR

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

ALEXANDRE GARCIA

INFLAÇÃO PRESSIONA E SELIC PODE SUBIR NA PRÓXIMA SEMANA

Juros inflação

Sede do Banco Central, em Brasília: Copom define taxa Selic na próxima semana

Há indicações de que a taxa básica de juros, a Selic, vai aumentar na semana que vem, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), porque há muita pressão inflacionária em cima. A Selic está em 10,5% e pode ir para 10,75%. E até o fim do ano pode subir mais ainda, porque depois virão as pressões inflacionárias naturais de fim de ano.

O Banco Central está de olho porque a meta da inflação é 3%, mas admite até 4,5%, e já está chegando perto disso. Então é preciso dar uma “arrochada”, porque o BC ganhou autonomia e independência para proteger a moeda e o crédito. Se não protege a moeda, ela se desvaloriza no nosso bolso. Recebemos 100 no início do mês, mas quando chega o fim do mês temos 95 e perdemos 5 para a inflação. É assim que funciona.

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Mais um pedido de impeachment no Senado 

Tivemos a entrega de mais um pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ele é o campeão desses pedidos. Mas o presidente do Senado não tem prazo para botar isso em exame, não tem nenhuma exigência a esse respeito, isso é um problema. Se ele puser em discussão, aí começam a correr os prazos: uma comissão de 21 senadores tem dez dias para fazer ou não o indiciamento. Depois, o plenário decide se aceita ou não o indiciamento. Aceitando, o processo volta para a comissão, que tem mais dez dias para fazer a denúncia e convoca o indiciado para falar. Só depois ocorre o julgamento, que é presidido pelo presidente do Supremo. Isso é estranho: o presidente de um tribunal preside o julgamento de um integrante do mesmo tribunal.

E temos um problema, do qual eu já falei: artigo 52 versus artigo 102 da Constituição. O artigo 52 diz que compete privativamente ao Senado, aos senadores, julgar e processar os ministros do Supremo. E o artigo 102 diz que compete ao Supremo julgar os senadores. Temos um empate aí, duas forças que se neutralizam, se imaginarmos as leis de física. Eu já chamei atenção para disso. A estátua da Justiça que está na frente do Supremo não tem a balança, só tem a espada.

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Esquerda promete trabalhar contra anistia aos perseguidos políticos 

Nesta terça-feira a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados vai tentar votar um projeto de lei de anistia. A esquerda, como diz o deputado do PCdoB Orlando Silva, vai tentar obstruir a votação para não dar anistia a ninguém. E nem é questão de anistia, mas de anular o que começou nulo. Esse inquérito, que já tem 2 mil dias, começou no Supremo na mão de um juiz quando deveria ter começado por iniciativa do Ministério Público, na primeira instância. Mas o Supremo é o queixoso que abriu o inquérito e está investigando. Não faz sentido. É muito mais fácil, muito mais justo, muito mais condizente com o devido processo legal anular esses inquéritos todos.

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Com que dinheiro as Forças Armadas vão ajudar nas eleições? 

O presidente Lula está dizendo que assinou um decreto autorizando a Justiça Eleitoral a usar as Forças Armadas para proteger as urnas e as eleições. Mas isso custa dinheiro, e as Forças Armadas estão tão carentes de recursos que em muitos lugares está proibido até usar ar-condicionado, o elevador foi desativado, coisas assim. Ainda bem que nós não temos nenhum inimigo potencial, a não ser as incomodações com Nicolás Maduro – que não são nem incomodações, mas são preocupações sérias. Ainda bem que ele aliviou o cerco na embaixada argentina que está sob custódia do Brasil, porque o assunto estava muito sério, muito perigoso, muito sensível. Estava em cima do fio da navalha.

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

FRANCISCO FÉLIX DE SOUZA, O MAIOR TRAFICANTE DE ESCRAVOS DO SÉCULO XVII

O maior traficante de carne humana do século XVII

No genial romance Quincas Borba (1891), Machado de Assis conta a história de Prudêncio, o escravo vítima de maus-tratos, alijamento, e que, tão logo se vê liberto, compra seu próprio escravo para, ato contínuo, surrá-lo e alijá-lo. Em tempos politicamente corretos, de idealização das vítimas, esse parece mais um exemplo do eterno niilismo do Bruxo do Cosme Velho.

Infelizmente a história mostra que a arte copia a vida, como nos revela o diplomata, historiador e maior africanólogo do Brasil, Alberto da Costa e Silva, 90 anos, que escreveu a excelente biografia do ex escravo baiano, Francisco Félix de Souza, Mercador de Escravos, publicada pela editora Nova Fronteira, em 2004, com 208 páginas. Biografia essa onde o diplomata e historiador traça um painel cruel, estarrecedor de como o maior traficante de escravo do mundo, filho de pai branco com mãe índio mestiça, de visão, astúcia, competência e eficiência, se tornou o maior mercador de escravos do mundo, que transportava da Grande Fortaleza de Judá, o mais terrível entreposto de escravos da história escravista, construído pelos portugueses no século XVI para armazenar carne humana viva!

Francisco Félix de Souza, apelidado de Chachá, nasceu em Salvador, provavelmente no dia quatro de outubro de 1754 e morreu em Benin, África Ocidental, no dia oito de maio de 1849, aos 94 anos. Filho de um português traficante de escravos e de mãe índia mestiça, foi alforriado aos dezessete anos, decidindo viajar para a África quando tinha por volta de vinte e três anos. Não se sabe se por desterro o motivo da viagem, acredita-se que tenha sido a negócios em nome da família, retornando depois de três anos ao Brasil.

Em 1800 decide se estabelecer definitivamente em Ouidah (Ajudá), no Golfo de Benin, ao que parece como comerciante privado. Posteriormente, com a falência de seus negócios em solo africano, passa a prestar serviços à guarnição do forte de São João Batista de Ajudá, pertencente aos portugueses, no reino do Daomé, atualmente território da República do Benin. Com a falta de nomeação de administradores para o forte, Francisco Felix de Souza passa a governador interino do entreposto, posição que abandona logo depois para se dedicar ao comércio de escravos cativos de guerra, exportados para o Brasil e Cuba, atividade já tornada ilegal até mesmo em Portugal e norte do Equador.

A vida de Francisco Félix de Souza foi transformada em filme, COBRA VERDE (1987), filmado no Brasil e na África, com o ator Klaus Kinski interpretando o controvertido traficante de escravos. Foi produzido e dirigido pelo competente diretor Werner Herzog, roteiro extraído do romance O VICE-REI DE UDÁ, do aventureiro inglês BRUCE CHATWIN. Mas foi graças a Alberto da Costa e Silva que, pela primeira vez, o tema foi tratado com apuro historiográfico. Sem deixar de lado o fascínio rocambolesco da sua vida pessoal, o aventureiro de Salvador que, na África, conseguiu poder, nobreza e uma fortuna calculada em US$ 120 milhões, que fez dele um dos três homens mais ricos do mundo. Mas, ao morrer, já decadente e sem prestígio, com 94 anos, deixou mais 53 mulheres, mais de 80 filhos e mais de doze mil escravos à deriva.

A vida de Francisco Félix de Souza, o Chachá de Ajudá, título honorífico lhe concedido na cidade de Uidá, é fascinante pelo seu espírito aventureiro, pela sua astúcia, tirania e crueldade, tornando-se o maior traficante de carne humana viva do mundo no século XVII.