DEU NO JORNAL

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JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

A ARTE DE APODRECER

VENEZUELA, choramos por ela. Domingo brilharam, nas telas, os Jogos Olímpicos. Em Paris, depois do Recife talvez a mais bela cidade do mundo. Que só é o que é, bom lembrar, graças as relações entre um visionário ‒ o Barão Haussmann, prefeito do Sena, que redesenhou a cidade; com o apoio de Napoleão III (sobrinho do Bonaparte), eleito presidente em 1848 e depois ditador (em 1850) até 1870 ‒ quando foi para o exílio, em Chiselhurst, para morrer em 1873. Um estranho casamento entre o sonho e as baionetas.

Com a dupla nasceram os grandes bosques (de Boulogne, de Vincennes), as Tuileries, o Palais Royal, as Gares (estações) de Trem (Lyon, du Nord), a Ópera Garnier, o Ettoile, hoje Place Charles de Gaulle (para onde convergem 12 avenidas). Houssmann desenhou ainda jardins e grandes avenidas, feitas pela demolição de quarteirões inteiros, de um lado a outro da cidade. Sem pagar nada. Segundo se conta, sitiando o museu do Louvre, havia 22 mil mocambos, derrubados e queimados em um único dia. Difícil fazer isso tudo numa Democracia, pois é…

Pena que, na transmissão, o pessoal da televisão tenha perdido a chance de nos informar direito. “Enfants de la Patrie”, senhores, como está no hino da França, não é “juventude da pátria”, mas “meninos de rua”. “Ça irá” (isso vai), faltou dizer, era o hino dos revolucionários franceses, depois substituído pela Marselhesa. “Flutua, não afunda” (Fluctuat nec Mergitur) é o lema de Paris. “Bel Ami”, nome do barco do Brasil, também poderiam ter dito, é título do talvez mais famoso romance de Guy de Maupassant; com o personagem central, Georges Durox, um pobre sub-oficial da cavalaria nas colônias da França na África, subindo na vida por meios escusos – o que, para o ministro Marcelo Navarro (STJ), poderia ser inspiração para homens públicos e ditadores no mundo inteiro.

E já que de ditador falamos, afinal chegamos na Venezuela. Que sobrevive, importante lembrar, apenas graças ao apoio financeiro dos Estados Unidos. Que, depois da guerra da Ucrânia, deixou de comprar petróleo à Rússia, e passou a ser cliente do país sub-americano (5,5 milhões de barris, só ano passado). São esses dólares de Biden que dão sobrevida a Maduro, o que torna falsa a indignação do presidente americano.

Domingo, como vimos, foi também dia de eleição na Venezuela. Razão pela qual me arrisco a falar de outros personagens de nossa vida pública. Como aquele em Brasília conhecido como Cego (Celso) Amorim que, representando o governo brasileiro, disse “a Democracia (da Venezuela) está consolidada”. O estômago embrulha, perdão.

Também dói ver “Nota Oficial” da Executiva Nacional do PT exaltando “o processo eleitoral que foi democrático e pacífico”. Ainda, “Maduro dialoga com a oposição”. É demais. Pensando bem, trata-se de algo até natural para um partido que não votou em Tancredo (e até expulsou dois de seus membros que o fizeram – a atriz Beth Mendes e o amigo Airton Soares), votou contra a Constituição de 1988, votou contra o Plano Real, votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, por aí vai. Antes que me esqueça, o MST também já manifestou seu apoio a Maduro.

Ainda é ruim ver nossa primeira-dama fazer turismo, à custa dos impostos que pagamos, junto a enorme comitiva. Não nos faz bem. Fosse pouco, em evento na “Aliança Global contra a Fome e a Pobreza”, ainda teve a coragem de dizer que seu marido, neste governo, já tirou “24 milhões de brasileiros da pobreza absoluta”. Como?, senhora. De onde veio isso? Onde?

Por fim, e também, ver nosso presidente posar de oráculo, infalível, como se estivesse acima do bem e do mal; ou como se seus depoimentos, nesse campo, fossem algo decente. É constrangedor. “Não há nada de grave, de anormal, na eleição da Venezuela. É um processo normal e tranquilo”, diz com pompa infantil ‒ esquecendo que, só até terça, já tivemos 11 mortos e quase 800 presos políticos, entre elas lideranças da oposição. E sugere, singelamente, “apresentar a ata. Se (a oposição) tiver dúvida, entra com recurso e espera na Justiça andar o processo”. É uma piada. Só pode ser. Em palavras de José Nêumanne Pinto, “Lula apodrece junto com Maduro”.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

VERÔNICA NÃO COBROU

Jaraguá – antigo bairro boêmio

Nos tempos dos cabarés morava em Maceió um rapaz alegre chamado João de Andrade Lima, mas conhecido por Joãozinho Amoroso. Amante da boemia e do carnaval. Certa vez, em ensaio noturno do Bloco Cavaleiro dos Montes que arrastava foliões cantando e dançando pela Avenida da Paz. Joãozinho, feliz da vida, agarrado à uma bela jovem que conhecera no bloco àquela noite, dançava o frevo com maestria. O bloco tomou rumo ao bairro boêmio de Jaraguá.

Ao passar pelo corredor de cabarés, a bela acompanhante de Joãozinho se identificou, Verônica, “inquilina” da Boate Alhambra, fazia a vida naquele casarão, convidou-o a subir. Entre surpreso e alegre, prontamente galgou as íngremes escadas do lupanar. De paquera sentiu-se namorado, mesmo sem dinheiro, foi para o quarto com a Verônica.

Depois do amor, a jovem rapariga cobrou pelos competentes serviços. Joãozinho confessou, não tinha dinheiro, pensava ser de graça. Verônica ficou braba, ele tratasse de arranjar o pagamento, pegou calça, cueca, camisa e sapato de Joãozinho e entregou ao Leão de Chácara (segurança) da Alhambra, só devolvesse quando ele pagasse. E foi se arrumar para o trabalho da noitada.

Joãozinho não teve o que pensar, nu, abriu a porta do quarto, desceu as escadas aos pulos, a rapariga gritava: “Xexeiro, Xexeiro…” Eram nove horas da noite, a Boate Alhambra começava a lotar de frequentadores.

O Leão de Chácara não conseguiu alcançar Joãozinho, um excelente atleta, exímio jogador de futebol. Sua nudez foi notada pelos passantes, olhavam incrédulos. Joãozinho continuou correndo pela rua Sá e Albuquerque até desembocar na Avenida da Paz. Teve uma surpresa, não podia continuar caminhando nu, na calçada em cada casa havia cadeiras formando rodas das família conversando, um costume na cidade naquela época, antes da televisão aparecer.

João escondeu-se atrás do primeiro poste do calçadão da Avenida da Paz. Olhou em frente, meninos brincavam, jovens namoravam nos bancos, a Avenida da Paz, à noite, era uma festa. Joãozinho não encontrou outra solução, correu em direção à praia iluminada pela Lua cheia. Correu na areia fofa, branca, fria, até encontrar solo de areia dura, molhada, beira mar, onde alguns jovens jogavam futebol sob o luar. Ao se aproximar devagar, a meninada percebeu, ouviu-se a gritaria: “Um homem nu! Um homem nu!”. Imediatamente Joãozinho correu, mergulhou no mar, água tépida, deliciosa, era noite de verão.

Nosso herói ficou por muito tempo curtindo gostoso banho de mar noturno, deixava o corpo nu ser levado pelas pequenas ondas, não havia pressa. Naquele momento, olhando pro céu prateado pela Lua cheia, deslumbrou uma cintilante estrela, sentiu-se dono do mundo, do universo, poeta, seresteiro, no seu encantamento, começou a cantar para o infinito: “A estrela Dalva… no céu desponta… e a lua anda tonta… com tamanho esplendor… as pastorinhas pra consolo da lua… vão cantando na rua… lindos versos de amor…”

Por volta da dez horas da noite, depois de tomar a fresca, as famílias recolheram-se, os jovens cansados das brincadeiras foram dormir, os namorados, depois do xumbrego, excitados, se auto aliviariam depois. Joãozinho esperou mais um pouco. Eram onze horas, apenas alguns boêmios passavam em direção às boates de Jaraguá, dar expansão aos instintos e fantasias.

Afinal nosso herói saiu do mar, corpo molhado, dedos engelhados. Sentiu o vento, tremia de frio. Andou, correu, pulou, recuperou-se. Caminhou pela praia. Retornou às calçadas na Praça Sinimbu, pouca gente na rua. Correndo de poste em poste, Joãozinho, nu, conseguiu chegar em sua casa na Rua da Alegria. Ao abrir a porta da casa, recebeu a devida descompostura do pai que no fundo se orgulhava em ter aquele filho boêmio, cheio de histórias e picardias. No dia seguinte, o pai deu-lhe o dinheiro, não queria filho desonesto, xexeiro, a moça merecia o pagamento.

À tarde, Joãozinho resgatou suas roupas, seu sapato de coro de jacaré. Contou à Verônica sua aventura noturna, ela caiu às gargalhadas, amaram-se novamente no quarto. Dessa vez Verônica não cobrou.

COMENTÁRIO DO LEITOR

Comentário sobre a postagem CAPACHOS

Marcos Mairton:

São 17:00 de 1º/Ago/2024,

E o dólar já chegou a R$ 5,74.

Já deve haver algum canalha por aí dizendo que pobre não compra dólar.

Como se o dólar não influenciasse os preços em geral.

* * *

Dólar dispara de novo, Bolsas globais em queda, o que está acontecendo?

DEU NO X

DEU NO JORNAL

A PRIMEIRA GASTADEIRA

Ubiratan Sanderson (PL-RS) pediu ao presidente do TCU, Bruno Dantas, para investigar os ostentosos gastos públicos com a viagem da trupe de Janja a Paris.

O deputado logo perceberá que prega no deserto.

* * *

Isso mesmo: querer investigar essa torração de dinheiro público é pregar no deserto, como diz a nota aí de cima.

Não adianta fazer este pedido, sinhô deputado.

Solicitar que um órgão oficial investigue os esbanjanjametos da Primeira Mandante, é igual dar conselho a doido: pura perda de tempo.

NOVO Investiga Gastos de Janja nas Olimpíadas de Paris

Voando às custas da bandeira e torrando dinheiro mundo a fora

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

A FALTA QUE ELE ME FEZ

Estou tensa com o avançado da hora. A partir da meia noite, também terei que me desligar dele. Não poderei vê-lo, pegá-lo ou apertá-lo. Ele é meu companheiro de todas as horas. Sem ele, não me deito. E se me deito, não consigo dormir. Tem sido o meu amor e está comigo em todas as horas. A saudade dele está “doendo em mim”.

Pela primeira vez, depois 10 anos, vi-me obrigada a me afastar dele. Nunca imaginei que isso fosse possível. De repente, não mais que de repente, isso aconteceu.

Para mim, ele é do tamanho do mundo. Um mundo de paz e alegria.

A tranquilidade bateu em minha porta, desde o dia em que o conheci.

Fecho os olhos e tento mudar o pensamento. Sem ele, perdi “meu norte” e nada me satisfaz.

De repente, senti falta dele. De repente, o mundo parou. A sensação de que o ar iria me faltar tomou conta de mim. Senti pânico. Medo da vida, medo de tudo.

Já no Centro Cirúrgico, aguardando a minha vez, senti a boca seca.

Pensamentos confusos me embaraçaram a mente.

Pedi água, mas não me deram. Pedi ajuda a quem estava por perto, mas todos me ignoraram. Mesmo sem respirar direito, fechei os olhos. O Centro Cirúrgico estava gelado. Não notei quando fui anestesiada. Só me lembro do médico me respondendo “não” a tudo o que eu pedia.

Quando despertei, o pesadelo havia terminado. A cirurgia de vesícula foi um sucesso.

Com alegria, recebi de volta meu inseparável SORINE, razão dessa minha agonia.

O cirurgião, risonho, disse que ali no Centro Cirúrgico, já tinha visto de tudo:

Pacientes com escapulários, “agnus dei” e medalhas de santos, mas pela primeira vez na vida, tinha visto uma paciente desesperada, agarrada com um vidro de “sorine”.

DEU NO JORNAL