DEU NO X

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

DEU NO JORNAL

O JORNALISTEIRISMO BANÂNICO

Após anos passando pano no ditador esquerdista da Venezuela – que censura, persegue, prende e até mata críticos em geral e jornalistas em particular -, a imprensa brasileira agora chama de “bolsonarista” ou de “extrema direita” a crítica de Nicolás Maduro ao voto eletrônico brasileiro.

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Saudades daquele tempo em que a nossa imprensa era séria.

Hoje em dia a militância esquerdista das redações de Banânia chega faz vergonha.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!

ALEXANDRE GARCIA

FILAS PARA ADOÇÃO SÓ AUMENTAM, ENQUANTO HÁ QUEM QUEIRA SEGUIR MATANDO BEBÊS

O Cremesp interditou duas médicas suspeitas de realizar abortos no Hospital Maternidade Vila Nova Cachoeirinha, em casos não previstos na legislação.

Está presa uma médica neurologista suspeita de sequestrar uma menina recém-nascida de um hospital de Uberlândia (MG) e levá-la para Itumbiara (GO). Foi presa no dia seguinte, porque agiu amadoristicamente – ao contrário de uma outra mulher, que roubou um menino em Brasília há muitos anos, e foi tão profissional que demoraram décadas para descobrir e devolvê-lo à família já adulto.

Voltando ao caso da médica, por que ela teria feito isso? Uma das versões é a de que ela, que tem 42 anos, estava grávida de uma menina, mas estava perdendo o bebê. Teria agido no seu instinto maternal: ia perder uma menina, queria uma menina. Quando a polícia entrou na casa dela, encontrou todo o enxoval pronto para uma menina. Foi um ato de desespero e egoísmo, porque ela deixaria os verdadeiros pai e mãe da menina desesperados pelo resto da vida.

Mencionei esse caso porque há quem vá atrás de uma criança, assim como há filas cada vez maiores de candidatos à adoção – mas também há quem queira descartar uma criança. E aí vão para a Justiça e recebem até o apoio do Ministério dos Direitos Humanos, que foi contestar a decisão de uma juíza de Goiás e de duas desembargadoras do Tribunal de Justiça do estado. Os magistrados deram razão a um hospital que não queria fazer o assassinato de uma criança com sete meses no útero da mãe, uma adolescente que alegou estupro por parte de um jovem de 24 anos. O Ministério dos Direitos Humanos exigiu explicações; o corregedor nacional de Justiça também. E a Defensoria Pública conseguiu um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Quem vai assassinar uma criança de sete meses na barriga da mãe? Quem vai fazer isso? No Recife (PE), foi preso um pai que, aproveitando que a mãe estava no banho, envenenou a filha, nascida cinco dias antes. Agora eu pergunto: quem faz a maldade de assassinar com cinco dias, ou com sete meses de gravidez, ou com mais de cinco meses de gestação? A Constituição diz que o direito à vida é absoluto.

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Mentiras em nome da “democracia” nos Estados Unidos
 
Em 3 de julho, o porta-voz de Joe Biden anunciou que ele “absolutamente” não desistiria da candidatura. No dia 8 de julho, Biden mandou uma declaração para os democratas do Congresso: “Estou firmemente comprometido em permanecer nesta corrida e em derrotar Donald Trump”. E agora, qual é o valor da palavra do atual presidente dos Estados Unidos?

É famoso o caso de Madame Roland, uma escritora genial, pensadora, filósofa, jornalista, militante dos girondinos na Revolução Francesa, até que acabou indo para a guilhotina, que ficava onde hoje é a Place de la Concorde. Passando por uma estátua da Liberdade, ela disse: “Liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome!” Parafraseando-a, eu digo: democracia, quantos crimes se cometem em teu nome! Quantas mentiras! Sabem por que digo isso? Porque agora Biden faz uma nota dizendo que desistiu por causa da democracia, para reforçar a democracia. A defesa da democracia, disse ele, está em jogo, e isso é mais importante que qualquer título, que o posto de presidente. E as pesquisas de opinião já estão mostrando Trump à frente da vice-presidente Kamala Harris.

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Europeus estão finalmente acordando para o extremismo islâmico?

Agora a Alemanha está combatendo o extremismo muçulmano, mas meus amigos acham que a reação demorou. Não sei se vocês viram essa imagem, em que uma mulher de roupa árabe cospe no rosto de um policial alemão. Quando isso acontecia, o policial sempre ficava ali, imobilizado pela cultura woke, pelo jornalismo woke, pela reação débil do governo. Pois ele não permaneceu assim: deu um soco na mulher. Começou um tumulto e a polícia baixou o cassetete. Estou vendo que a reação já se espalhou para a Bélgica, para a Inglaterra, mas a Europa demorou a reagir depois de tantos anos de uma jihad em que só um lado guerreava.

DEU NO JORNAL

TESTE

Após estranhas falas do presidente Lula (PT), o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, defende que se pensem em “projeto que exija exames cognitivos regulares e rigorosos para o Executivo”.

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Não precisa de “exames cognitivos”.

Basta o teste do bafômetro.

Só isso.

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

CONVERSAS DE ½ MINUTO (33) ‒ ESCRITORES (I)

Mais conversas, hoje só com escritores, em livro que estou escrevendo (título da coluna).

ALFREDO GONÇALVES, alfarrabista. Da Nova Eclética, na Calçada do Combro (Lisboa). Por seu intermédio, consegui uma primeira edição de Os Lusíadas. E por mera curiosidade perguntei, ao livreiro, quanto custaria uma d’El ingenioso hidalgo Don Quixote de la Mancha, de Cervantes, primeiro (1605) e segundo (1615) livros. Ele

– Se estiver interessado, sr. dr., vai ter que disputar, que outro cliente já me pediu isso.

– Qual português deseja um livro assim?, amigo.

– Não é português não, é mexicano.

Logo pensei em Carlos Slim (o sobrenome era Salim, até começar a fazer negócios nos Estados Unidos), que já foi o homem mais rico do mundo. E, ainda hoje, é um dos.

– O primeiro nome desse cliente, Alfredo, por acaso seria Carlos?

– Infelizmente, para o sr. dr., sim.

ARIANO SUASSUNA, da ABL. Naquela manhã, Francisco Brennand saiu do Engenho São João e foi pegando amigos pelo caminho. Ariano (que me contou essa história), Rua do Chacon; e Marcelo Carneiro Leão, Avenida Rui Barbosa. Foram, aos Manguinhos, tomar vinho de missa com Dom Coca-Cola – Carlos Coelho, arcebispo de Olinda e Recife (1960–64), desde que substituiu Dom Antônio de Almeida (1951–60). Depois dele veio Dom Helder (1964-1985), que não bebia. No fim da tarde, sem mais garrafas disponíveis, arremataram a programação com um sorvete no Gemba. Chegando em casa, na volta, Marcelo se vira para Ariano

– Agora você, que é escritor, invente uma mentira mais convincente que a verdade. Porque cheio de álcool, como estou, se disser a Hilda que estava conversando com o bispo, e tomando sorvete, ela não vai acreditar.

AURÉLIO, arquiteto carioca. Fim de conferência, na Academia Pernambucana de Letras, me perguntou

– O senhor é desembargador?

– Não.

– Quem é o senhor?

– “Não sou nada”.

Na esperança de que reconhecesse, na resposta, o primeiro verso da Tabacaria de Pessoa. Em vão.

– Nem acadêmico?

– Taí, sou.

– Daqui?

– Também daqui.

– E do Rio?

– É.

– Da Academia Carioca de Letras?

– Não.

– Se não, sobra só a Brasileira.

– Pois é.

– O senhor é de lá?

– Sim.

– Tem certeza?…

BOLIVAR LAMOUNIER, escritor. Ele próprio me contou. Precisava falar com alguém da Casa Ruy Barbosa (Rio) e pediu, à jovem telefonista de seu Instituto,

‒ Ligue pra Ruy Barbosa.

Pouco depois

‒ Doutor, uma tragédia. A mulher que atendeu informou que o Dr. Ruy morreu.

Ele, contendo o riso,

‒ E, agora, vai fazer o quê?

‒ Fique tranquilo. Vou pedir os telefones da família e ligar, para todos, informando que o senhor mandou pêsames.

CELSO FURTADO, economista. Reunião marcada em seu apartamento da Conrado Niemeyer. Uma ruazinha tranquila de Copacabana que se toma, subindo a República do Peru, até quase o morro. Marcou 5 da tarde – “Eram las cinco en punto de la tarde… Eram las cinco em todos los relojes”, como no verso de Lorca em homenagem ao toureiro Ignacio Sánchez Mejías, morto em um triste dia de agosto de 1935. Cheguei antes da hora, não quis subir e tive tempo de ler três inscrições pintadas, com a mesma letra, no asfalto em frente a seu edifício. Duas mais velhas:

– Lídia, nosso amor é mesmo impossível. Adeus, querida. Sempre teu, João.

– Lídia, penso que me enganei. Aposte em nosso amor. Liga, Lídia. Por favor.

E a terceira, mais recente,

– Pô, Lídia, três meses e nenhum telefonema?

Sem assinaturas, as duas seguintes, mas a mesma letra. Mensagem para moradora do edifício, com certeza. Já no apartamento, olhando para baixo de seu terraço, dava para ler aquelas frases escritas na rua. E perguntei, a Celso, como iria findar aquele amor impossível.

– Tem jeito não, é mais fácil consertar o Brasil.

EÇA DE QUEIROZ, romancista. A Editora Ernesto Chardron (do Porto) precisava de dados seus para constar nos livros. E Ramalho Ortigão, velho amigo que com ele escreveu As Farpas, solicitou

– Por favor, mande um pequeno esboço biográfico.

Eça respondeu, em carta de 10/11/1878,

– Eu não tenho história, sou como a República de Andorra.

FERNANDO PESSOA, poeta. Nas idas a Lisboa, para escrever sua biografia, deram-se fatos pitorescos. Relato só um, entre muitos. Quando pretendi visitar o quarto em que viveu, ainda criança, no Largo de São Carlos. Endereço era número 4 de polícia, assim se diz ainda hoje, quarto andar esquerdo (de quem sai do elevador ou da escada). O edifício pertencia, então, à Fidelidade Mundial Seguros. Cheguei na portaria, mostrei os rascunhos do livro e pedi para subir. O porteiro, Fernando José da Costa Araújo, respondeu sem nenhuma simpatia

‒ Não tenho autorização para deixar o sr. dr. subir.

‒ Por favor, gostaria de falar com o diretor da empresa ou sua secretária.

‒ O sr. dr. deve se dirigir à Sede.

‒ Por favor, informe o telefone.

‒ Não tenho autorização para isso.

‒ Pode emprestar (apontei) as Páginas Amarelas?

‒ Não.

Ocorre que, precisamente após sua última frase, abriu-se a porta do elevador. Bem na minha frente. Então lhe disse

– Por favor chame a polícia para me prender que, sem sua autorização, estou subindo ao quarto andar.

E subi mesmo. Para ver o Tejo brilhando, em duas janelas de seu quarto. E o sino da minha aldeia tocando, em frente, no outro lado da Rua Serpa Pinto. Pessoa lembra dele em poema famoso (sem título, sem data) que começa dizendo “Ó sino de minha aldeia”, e finda com esses versos

‒ A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

“O sino da minha aldeia é o da Igreja dos Mártires, ali no Chiado” ‒ (Pessoa, carta de 11/12/1931 para Gaspar Simões, amigo e depois biógrafo). Única que conheço onde os sinos ficam não à frente, mas nos fundos. Ao sair do elevador, na volta, o segurança estava com cara de poucos amigos.

‒ O sr. dr. subiu sem minha autorização?

‒ Foi.

‒ E agora, o que hei de fazer?

‒ O sr. chama a polícia, vou sentar, esperamos e ela decide se me prende. Ou o senhor me deixa ir.

‒ Não sei, sr. dr.

‒ Eu sei.

Dito isto, lhe dei boa tarde e fui embora.

FERNANDO SABINO, romancista. Puxando pela memória, lembrou

– Meu pai tinha um escritoriozinho no porão e aquilo virou uma romaria. Entravam e saíam pessoas que não se sabia quem eram para pedir conselhos. E ele tinha uma espécie de sabedoria familiar muito boa. Eu lembro das coisas que dizia. Por exemplo, quando me via muito nervoso falava meu filho, as coisas são como são e não como deveriam ser. Perfeito só Deus e, esse mesmo, olhe lá.

Após o que completava

– No fim, dá tudo certo. Se não deu, é porque ainda não chegou ao fim.

GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ, escritor. Está no livro O infinito num junco, de Irene Vallejo, essa história que lhe foi contada por Ana Maria Moix. Num restaurante de Barcelona chegaram Márquez, Vargas Llosa (dois prêmios Nobel), Bryce Echenique, Jorge Edwards e outros grandes escritores. Para jantar, era preciso fazer os pedidos por escrito com lápis e papel que vinham junto do cardápio. Mas a conversa era boa, o vinho muito, e esqueceram. Até que o maître, depois de esperar meia hora pelos pedidos e sem mais paciência, chegou perto deles e, com voz de ira, disse bem alto

‒ Mas nessa mesa ninguém sabe escrever?

GERALDINHO CARNEIRO, da ABL. Na Academia Brasileira de Letras, o médico João Veiga pergunta

– O senhor é Gerald Thomas?

– Sou.

Achei graça e disse baixinho, a Veiga,

– Você está falando é com o grande jornalista Zuenir Ventura.

– O senhor é Zuenir?

– Sou.

– Afinal, quem é o senhor?

– Sou quem você quiser que eu seja, doutor.

GILBERTO FREYRE, sociólogo. Assumiu a Cadeira 23 da Academia Pernambucana de Letras em 28/10/1986. Leu o Discurso de Posse, com mais de 100 páginas, não em pé, no púlpito, como é usual; mas sentado, na mesa onde ficam as autoridades. Em sequência, viria o Discurso de Recepção. A ser feito por seu mais íntimo amigo, o sonetista parnasiano Waldemar Lopes. Quando Lopes acabou de saudar as autoridades, e iria começar sua fala, Gilberto agarrou o microfone do presidente e disse

– Acaba logo com isso, Waldemar, que minha bunda está doendo.

HONORÉ DE BALZAC, romancista francês. O Brasil era precioso, para ele, porque “o brasileiro gosta de rir”. Tanto que, na Comédia humana, citou nosso país 22 vezes. E à sua amada, condessa Hanska, disse em carta (de 1840)

‒ Creio que deixarei a França e irei levar meus ossos ao Brasil, num empreendimento louco e que escolhi justamente por causa de sua loucura.

HUMBERTO WERNECK, cronista (e contador de histórias). Ligaram para sua casa

– Alô, senhor Humberto?

– Sim, quem fala?

– Senhor Humberto, aqui é do Lar do Idoso.

– Aqui também.

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