ALEXANDRE GARCIA

A VIGILÂNCIA DE UM CIDADÃO BARROU AUMENTO DE SALÁRIO DE VEREADORES

Guilherme Livoti buscou a Justiça e conseguiu anular aumento que vereadores se concederam em Apucarana (PR)

Um cidadão paranaense, pagador de impostos, eleitor, pegou um advogado e entrou na Justiça contra uma decisão ilegal da Câmara de Vereadores de Apucarana. A Constituição diz que aumentos só podem ser dados para entrar em vigor na legislatura seguinte, e não na mesma. E ele viu que a Câmara de Vereadores de Apucarana se concedeu aumento de 9,94% no ano de 2022 para vigorar em 2022. De 5,93% no ano passado para vigorar no ano passado; e, para vigorar neste ano, aumento de 3,71%.

Ele entrou na Justiça, a liminar não foi aceita; ele insistiu, entrou com recurso e agora o desembargador relator percebeu que havia o chamado periculum in mora, ou seja, se continuasse assim eles ficariam recebendo aumentos que se deram sobre todos os aumentos. Então, deu liminar anulando os reajustes. O nome desse brilhante cidadão é Guilherme Livoti; seu advogado é Daniel Ribas, que deve ter feito um bom trabalho, um estímulo para que o cidadão fiscalize os seus empregados, os seus representantes nas câmaras de vereadores.

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Cabeleireira presa pelo 8 de janeiro vai ficar ainda mais longe dos filhos

Vocês lembram do caso da Débora do batom, cabeleireira, que não invadiu prédio em 8 de janeiro, não quebrou nada, não fez nada, apenas sacou um batom, que é a arma do salão de beleza, e escreveu no granito da deusa da justiça as palavras do presidente do Supremo, “perdeu, mané” – foi tudo lavado no dia seguinte. Ela está na prisão há mais de um ano. Os filhos dela, de 6 e 9 anos, foram às redes sociais pedir para a mãe ir para casa, já que a lei diz isso: mãe condenada – e ela nem está condenada, não tinha sido nem denunciada até um tempo atrás – com filhos de menos de 12 anos pode ir para casa. Foi o motivo que levou a então mulher de Sérgio Cabral a ir para casa: ela estava presa e tinha um filho de 11 anos, que agora já está com mais do que isso.

Os meninos fizeram o pedido; pois a mãe, que estava presa a 70 quilômetros de distância deles, em Rio Claro, agora foi transferida para Tremembé, a 225 quilômetros. Parece ter sido uma retaliação. Não sei se vocês viram os meninos; dói no coração. a gente tem uma desistência do lado mal da humanidade.

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Ex-diretor da Petrobras condenado na Lava Jato deve voltar para a cadeia 

O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, quando estava preso em Curitiba, foi transferido para o Rio de Janeiro porque era onde estava a família dele, para ficar melhor para ele, que tinha acumulado uns 100 anos de cadeia em 12 condenações já. Lembrando disso porque ele tem nova ordem de prisão. Até a hora da gravação ele ainda não tinha sido encontrado; não sei se estava sem tornozeleira, porque as notícias dizem que ele foi procurado em Curitiba, não estava lá, e agora procuravam no Rio, onde tinha endereço registrado. Foi condenado por corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro, 12 condenações pela Lava Jato. Eu fico pensando: se ele foi condenado por corrupção passiva, onde está o corruptor ativo? Às vezes sentimos vergonha de ser cidadãos desse país.

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INSS em greve, mas aplicativo pode resolver alguns problemas

Os funcionários do INSS estão em greve, reclamando aumento de salários. Isso pode prejudicar benefícios, aposentadorias, pensões. Mas há uma plataforma chamada Meu INSS, que todos os que têm celular podem acessar baixando o aplicativo. Diz o INSS que 100 operações diferentes podem ser feitas pelo aplicativo.

DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

“SAUDADES DO FUTURO”

A citação do título vem do passado e tem mais de 100 anos, dita (em 1921) pelo escritor e filósofo português Teixeira de (Amarante) Pascoaes, um representante do saudosismo, em seu Cantos indecisos:

Tenho, às vezes, saudades do futuro
Como se ele já fora decorrido
Um sentimento escuro
De quem, antes da vida, houvesse já vivido.

Um futuro que vemos se formar com outros rostos e em bases distantes daquelas com que sonhamos ainda criança. Não só no campo da Inteligência Artificial – AI vejo também mudanças perturbadoras em um outro mundo, paralelo, o da genética.

E já começo lembrando que, em 1993, aumentou-se o prazo de vida de uma mosca, como resultado da inativação de redes genéticas específicas. Assim são os animais, entre eles o homem. Então se viu que o organismo humano tem células programadas para viver; e, outras, para morrer. A morte, tudo parece sugerir, é geneticamente programada. A essa conclusão chegou o médico Marco Aurélio Dias da Silva (Quem ama não adoece), pernambucano, filho do psicólogo Dias da Silva e irmão de Marluce (que, na Globo, substituiu Boni), partindo de duas constatações empíricas:

a. A de que louco não adoece (em verdade, não precisa adoecer), nem morre de câncer ou coração, mas de por exemplo pneumonia, por dormir num chão molhado. Ou causas parecidas.

b. E a de que as pessoas têm usualmente apenas uma doença fatal. Quem tem câncer, não tem enfarte; e, quem tem enfarte, está livre do câncer. Só que 1/3 da população mundial tem câncer e 1/3, problemas do coração. O que deveria fazer com que 1/3 dos cancerosos tivessem também problemas no coração e 1/3 dos cardíacos, câncer. Mas se não é assim que se dá, por que?, eis a questão que aquele médico se colocou.

Sua conclusão foi que o organismo humano, sabendo já estar condenado, não sentisse necessidade de fabricar outra doença mortal. Certo que com o avanço da ciência, em operações para extirpar cânceres ou colocar stends no coração, essa regrinha está mudando aos poucos. Acontece. A história começou há 4 bilhões de anos, quando foram formadas as primeiras moléculas de ácidos nucléicos; e apenas agora, depois de tanto tempo, o homem consegue interferir no processo da vida, para quase brincar de ser Deus.

As possibilidades que se abrem são amplíssimas. Infinitas, quase. Estão em curso estudos para produzir tomates com apodrecimento retardado, plantas resistentes a insetos e herbicidas, fibras de algodão naturalmente coloridas. Em pouco tempo, quem perder um braço poderá fazer outro, igual ao anterior. O mesmo com dentes. E estaremos produzindo clones de córneas (da cor que quisermos) ou rins que evitarão a procissão de desvalidos nos corredores das hemodiálises. E tudo sem riscos de rejeição, que os clones serão feitos a partir de material genético dos próprios interessados.

Curioso é que cientistas são sempre exagerados. O próprio dr. Ian Wilmunt, no Instituto Roslin (de Edimburg, Escócia), tinha um exótico zoológico particular, composto entre outros por Megan e Morag, duas ovelhas iguais entre si; Tracex, uma ovelha geneticamente alterada para produzir proteínas necessárias ao tratamento da fibrose cística; Rosie, uma vaca que produzia leite humano; sem contar a superastro ovelha Dolly, filha de 3 mães – a primeira que deu a célula, a segunda que deu o óvulo e uma terceira que deu o útero.

O tema da Inteligência Artificial atrai, sobretudo, pelas incertezas. Enquanto, o dos clones, pelo que tem de mistério. Mesmo quando interfira em apenas um, entre os cem mil genes de que somos feitos os homens. A partir de vários desafios. Entre eles me fascina, sobretudo, a possibilidade de construir duas pessoas iguais. Idênticas. E não penso em nenhuma conhecida, já digo, penso apenas em gente comum. Anônimos, quase. Embora não fosse mal ter muitos Bach, Shakespeare, Van Gogh, Ella Fitzgerald, Leonard Cohen. Já sabendo que, quase certamente, isso nunca acontecerá, já que os clones hipotéticos viverão suas próprias trajetórias. A mente, a emoção, a dúvida, a alegria, o pensamento, o espanto e a solidão são próprias e únicas. Até lá, melhor ficarmos com Pessoa (Caeiro, O guardador …) em seu desejo de

Sentir a vida correr por mim
Como um rio por seu leito
E lá fora um grande silêncio
Como um deus que dorme.

DEU NO JORNAL

AVUANDO E TORRANDO MILHÕES

O governo Lula (PT) conseguiu torrar mais de R$ 96,5 milhões com viagens nas primeiras duas semanas de julho.

O total de gastos com passagens e (especialmente) diárias de servidores, terceirizados e até “convidados eventuais” pulou de R$ 697 milhões no dia 2, aponta a Transparência, para R$ 793,5 milhões no dia 17 de julho.

Até o momento foram 293,1 mil voos realizados a serviço do governo Lula em 2024.

Cerca de 16% dos gastos, diz o Portal da Transparência, foram com viagens internacionais: R$ 126 milhões.

Despesas com passagens, quase todas aéreas, custou ao pagador de impostos R$ 307 milhões até agora este ano.

Diárias, R$ 482 milhões.

O governo Lula bateu o recorde histórico com gastos de viagens em 2023:

R$ 2,3 bilhões, dos quais R$ 1,4 bilhão custeou apenas diárias.

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Quer dizer que o governo do descondenado torrou quase 100 milhões com viagens nas duas primeiras semanas deste mês, conforme consta no primeiro parágrafo dessa notícia.

Será que li direito?

293,1 mil voos realizados em pouco mais de 6 meses?

É isso mesmo?

Chega fiquei zonzo.

Fiquei zonzo com a quantidade de voos e com a quantidade do nosso dinheiro que foi jogado nos ares.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

“Até logo, bando de bestas!”

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

A ORELHA

A Orelha possui intenso significado na cultura popular, e sobre ela, se tem muitas histórias a contar.

Houve época em que os ladrões tinham as duas orelhas cortadas. (Ordenações Afonsinas, Livro I, título 60, parágrafo 11) e tornou-se uso velho e vulgar em Portugal e Espanha, espalhando-se pelas Américas.

Cortar a orelha do inimigo vencido era o troféu mais importante da época, pois isso o impediria de captar conhecimentos, pois todos achavam que entrava pela audição.

O pavilhão auricular era dedicado a Mnemosine, a deusa da Memória. Dessa certeza veio o costume de se puxar a orelha dos estudantes para que decorassem ou não esquecessem o que aprendiam. era o processo de mnemotécnica. Qualquer história antiga e minuciosa

O Conhecimento entrava pela audição. Era o pavilhão auricular dedicado a Mnemosine, a deusa da Memória. Por isso, havia o costume de puxar aorelha dos alunos a fim de que decorassem ou nã esquecesse3m o que aprendiam na Escola. Qualquer história antiga e registra esse furor de cortar orelhas.

Os portugueses fizeram maravilhas no Oriente, empilhando as orelhas derrotadas. Começou por Vasco da Gama, cortando 800 orelhas. Afonso de Albuquerque cortou ta orelha, que perdeu o número.

No Brasil, tornou-se uso e costume. Bartolomeu Dias, esmagando um quilombo de escravos fugidos, deixou todos sem orelhas, num total de 7.800 que ofereceu ao Conde de Bodadela, capitão-general.

No Dicionário do folclore brasileiro, Edição atual – 12 ed. São Paulo: Global, 2012. (N.E), a informação é maior, incluindo o costume romano de levar as testemunhas pela orelha ao tribunal, para que prestassem depoimento.

Puxar a orelha era uma invocação à deusa da Memória, atendida pela conservação imediata do que se procurava reter mentalmente. Seria uma maneira especial de pedir a intervenção sobrenatural de Mnemosine.

O castigo de cortar as orelhas, é muito antigo e comum. Era a punição por alguém não ter ouvido, entendido, compreendido, ou obedecido ao que determina a lei.

João Brígido (Ceará: homens e fatos, Rio de Janeiro, 1919) informando sobre a data de 3 de março de 1741, escreve:

“Um alvará dessa data ordena que os escravos que se encontrassem em quilombos, estando neles voluntariamennte, fossem assinalados com um F, e na resistência tivessem uma orelha cortada.

Esta pena se podia aplicar por simples mandado do ouvidor, do juiz de fora ou do juiz ordinário.

Se o Brasil adotasse essa norma, seria menos doloroso para a população carcerária do que apodrecer na prisão, cumprindo prisões preventivas infindáveis.

Pois bem. A orelha cortada mais famosa do mundo foi a do pintor Van Gog.

Por falar em orelha cortada:

Em 1888, na cidade francesa de Arles, aconteceu um dos episódios mais famosos da história da arte: um estrangeiro foi até um bordel da cidade e entregou a uma garota que estava no local um pacote com um pedaço sangrento de sua própria carne.

Era Vincent van Gogh, que acabara de cortar a própria orelha. Na época, tratava-se de um pintor desconhecido e sem sucesso, mas que posteriormente se tornaria um dos artistas mais famosos de todos os tempos.

O ano que ele passara na região francesa de Provença o definiu: foi o período em que criou suas obras-primas mais apreciadas, mas também aquele em que se mutilou.

Horas depois do episódio no bordel, às 7h da manhã, na véspera de Natal, o pintor Vincent van Gogh foi encontrado pela polícia em sua cama, em posição fetal e com a cabeça envolta em trapos empapados de sangue.

Os policiais pensaram que ele estava morto, mas não estava.

Van Gogh morreu 18 meses depois, em 29 de julho de 1890, em consequência de uma infecção que contraíra alguns dias antes, após tentar se matar com um revolver.

A história do corte de sua orelha é o incidente mais famoso do mundo da arte moderna. No entanto, ninguém sabe o que ocorreu realmente naquele dia de dezembro de 1888.

Até pouco tempo atrás, não havia nem certeza de que ele realmente tivesse cortado a própria orelha – se desconfiava que tinha apenas cortado o lóbulo.

A BBC acompanhou a historiadora de arte Bernadette Murphy, que desde 2010 se dedica a desvendar o mistério.

Em 2010, Murphy começou pesquisas nos cartórios da cidade, nas bibliotecas e nos arquivos de Arles e outras cidades da região.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

FERNANDO TAXAD

Marcel van Hattem

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad

Até Nova York sabe: Fernando Haddad é a “Taxa Humana”, trocadilho com o super-herói Tocha Humana e representado em alta definição em telão na Times Square na última terça-feira. A inundação de memes nas redes sociais e, em especial, no X retratando Haddad – ou Taxad, como as redes já o apelidam agora – como o algoz do pagador de impostos brasileiro, transbordou para a vida real. Não foi só nas ruas da cidade americana símbolo do capitalismo mundial que a trend chamou atenção: em Brasília, próceres do petismo não conseguiram evitar o desconfortável assunto, ainda que tentando relevar sua importância. Sem sucesso.

A verdade é que, a exemplo do que escrevi há poucos dias neste espaço sobre o tamanho da irresponsabilidade fiscal e dos déficits causados pelo governo Lula, o Ministério da Fazenda não tem investido em nenhuma outra alternativa para contorná-los senão aumentando a arrecadação. A conta, cada vez mais salgada, precisa ser paga. O discurso de taxar quem mais ganha pode funcionar no curto prazo e para as bases mais alinhadas com o lulismo. A realidade, porém, se impõe: todos vão acabar pagando e a maioria dos brasileiros já está sentindo o bolso arder. Todos os dias.

Em artigo de abril passado, ainda antes da aprovação de uma ainda indecifrada regulamentação da Reforma Tributária, Célio Yano fez um apanhado dos principais aumentos de impostos e novos tributos criados no governo Lula. No rol está a volta do recolhimento de PIS/COFINS sobre os combustíveis, o que voltou a colocar a gasolina acima do preço de R$ 6 por litro; a tributação sobre a exportação de petróleo; a tributação de apostas esportivas; a nova alíquota de importação para o e-commerce – a “taxação das blusinhas” e sobre a importação de painéis solares; o aumento do IPI sobre armas e munições; o fim da isenção de IRPJ e CSLL de benefícios fiscais; a tributação de fundos exclusivos e de rendimento no exterior; instituição da cobrança de IPVA de iates e jatinhos, além da progressividade do imposto sobre herança; e a volta do DPVAT, são exemplos – mas não todos! – das tungadas que este governo já deu no bolso do brasileiro em menos de dois anos de mandato. Como suportar tamanho assalto?

O caldo definitivamente entornou com a aprovação de uma reforma tributária que deve resultar no maior imposto sobre consumo do mundo, superando os 27% cobrados na Hungria, exageradamente mais alto do que o de qualquer país em desenvolvimento, como é o nosso caso, e quase o dobro da média mundial, de 15%. Não é à toa que o cidadão foi às redes expressar sua insatisfação com Fernando Taxad, digo, Haddad. E não há acusação de disseminação de fake news que fique de pé diante de uma população que sente o seu poder de compra diminuído cada vez que vai a um supermercado.

Uma frase que se tornou célebre, do estrategista de campanha de Bill Clinton, James Carville, na sua primeira vitória presidencial, merece ser relembrada: “É a economia, estúpido!”. Nada revolta mais uma população do que o abuso arrecadatório. Os Estados Unidos se tornaram independentes após o imposto do chá, o Brasil tem em Tiradentes um herói nacional após a revolta causada pela cobrança do quinto e o meu Rio Grande do Sul foi à guerra contra o governo central em virtude do imposto sobre o charque.

Lula e Haddad estão experimentando, agora, a revolta do brasileiro que se sente abusado, compelido a pagar uma conta que não é sua. Para piorar, tanto o presidente como seu ministro não se esforçam para encontrar alternativas no corte de despesas de um estado inchado e que serve mais a si mesmo do que ao povo. Haddad até fala, mas não faz. É a receita perfeita para gerar mais impopularidade, mais revolta – e mais memes. O resultado, como demonstrou Carville com Clinton, é um só: alternância de poder no voto ou na marra, como experimentaram no passado recente Fernando Collor e Dilma Rousseff.

DEU NO JORNAL

O DIVÓRCIO ENTRE PALAVRAS E OBRAS

Editorial Gazeta do Povo

O presidente Lula no Fórum Empresarial Bolívia-Brasil, em 9 de julho.

O presidente Lula no Fórum Empresarial Bolívia-Brasil, em 9 de julho

“Há uma mágica em economia? Não. Economia não tem mágica. Economia tem algumas palavras mágicas que não podemos desperdiçá-las. As primeiras palavras mágicas para uma economia dar certo são estabilidade e credibilidade política. A segunda palavra-chave para que um país dê certo, a economia cresça e tudo aconteça bem, é estabilidade na economia. A terceira palavra mágica é estabilidade fiscal. A quarta palavra mágica é a gente ter estabilidade jurídica. E a quinta palavra mágica é a gente ter estabilidade social. São esses cinco componentes, mais a palavra-chave que interessa a todos os empresários: previsibilidade. As pessoas têm que saber o que vai acontecer no dia a dia de cada país.”

O parágrafo acima é um trecho literal do discurso lido pelo presidente Lula no Fórum Empresarial Bolívia-Brasil, em Santa Cruz de La Sierra, no dia 9 de julho. As palavras e as teses nelas contidas são corretas e seriam subscritas por qualquer governo de um país democrático com sistema econômico capitalista, direito de propriedade privada, liberdade de preços, livre comércio, equilíbrio das contas públicas e controle da inflação. Ou seja, um país estruturado sob as bases do liberalismo econômico, da democracia política e das liberdades individuais.

A rigor, o teor do discurso merece apoio e se refere a políticas públicas corretas. Mas há um sério problema: trata-se de um discurso lido, certamente escrito por assessores da Presidência, que não guarda qualquer relação com as ideias do PT e muito menos com as ações práticas do governo Lula. Na realidade, há um divórcio radical entre palavras e obras, e um total divórcio entre as ideias desse discurso e falas anteriores de Lula sobre variados temas da economia e da gestão pública. Ou Lula não teve conhecimento do rascunho do discurso e, portanto, apenas leu o que os assessores escreveram, ou então ele conhecia o teor do texto e não acredita em uma só das ideias ali contidas, mas reconhece que tais ideias soam como música aos ouvidos dos empresários e dos investidores nacionais e estrangeiros.

Em qualquer das duas hipóteses, trata-se de leviandade e de atitude inaceitável, especialmente vinda do presidente da República, pois é de se supor que o primeiro mandatário da nação pelo menos tentará executar as ideias que divulga em seus discursos. Como as ações práticas do governo não seguem, nem estão de acordo com as tais “palavras mágicas” que Lula pronunciou, os agentes econômicos não tomaram nem tomarão decisões de investimentos e negócios baseadas na premissa de que o governo aplicará políticas econômicas e medidas administrativas compatíveis com as ideias exaradas no discurso presidencial.

Esse divórcio patente entre palavras e atos só serve para piorar o ambiente institucional indutor dos negócios. Para registrar um exemplo, não há como conciliar o trecho do discurso de Lula no qual ele fala que “a terceira palavra mágica é estabilidade fiscal” com suas próprias falas durante a campanha e depois de eleito – e que foram muitas – contra a austeridade fiscal e o controle das contas públicas. Lula falou e repetiu várias vezes que o equilíbrio das contas públicas não era importante, que não havia problema algum se o déficit fosse maior e que, portanto, o país tinha de acabar com essa obsessão de reduzir gastos e controlar o déficit, chegando inclusive a debochar da preocupação com as taxas do déficit como porcentual do Produto Interno Bruto (PIB).

Em todo esse cenário é lícito perguntar em qual Lula acreditar: naquele que desdenha e debocha das propostas de controlar o déficit e sinaliza que seu governo vai gastar sem pudor e despreocupado com consequências negativas; ou no Lula do discurso feito na Bolívia, enaltecendo as cinco palavras mágicas da economia, entre elas a estabilidade fiscal. O pior que vai acontecer é a ampliação da incerteza e a confirmação de que Lula tornou-se o principal sabotador de seu governo, pois não passa credibilidade nem quando afirma nem quando nega um mesmo fato.

O trágico é que essa postura não é neutra em termos de consequências, a exemplo do efeito inibidor de investimentos, desestímulo aos negócios, fuga de capitais e redução da ética pública. Enquanto isso, o Brasil, tão carente de bons governos e homens públicos decentes e confiáveis, vai rasgando uma a uma as esperanças de se tornar um país desenvolvido, com mais prosperidade e menos sofrimento social.

PENINHA - DICA MUSICAL