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IRMANDADE

Alexandre Silveira (Ministro das Minas e Energia) terá que explicar os 17 encontros fora da agenda com executivos da Âmbar Energia, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Na sequência, o presidente Lula (PT) assinou medida provisória transferindo para a conta de luz dos brasileiros uma dívida bilionária da Amazonas Energia dois dias antes de a dupla fechar a compra da empresa.

“Esse governo continua com as mesmas práticas”, diz Marcos Pollon (PL-MS), referindo-se à história de corrupção petista.

As reuniões fora da agenda ligaram o alerta no Congresso, por isso o deputado Marcos Pollon requereu a convocação do ministro para depor.

Pollon também quer a convocação de Rui Costa (Casa Civil). Vê possível favorecimento aos irmãos Batista com a edição da medida provisória.

O deputado Rodrigo Valadares (União-SE) já havia alertado no podcast Diário do Poder que os irmãos Batistas “voltaram com tudo”.

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Que bela irmandade, que linda fraternidade.

Os irmãos Batista retornaram com força e com muita disposição.

É a volta do amor.

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

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ALEXANDRE GARCIA

O “MOMENTO DILMA” DE EMMANUEL MACRON

O presidente da França, Emmanuel Macron, saiu enfraquecido das eleições antecipadas por seu próprio governo.

O presidente da França, Emmanuel Macron, saiu enfraquecido das eleições antecipadas por seu próprio governo

A nossa presidente Dilma Rousseff fez escola – e não é pouca coisa, tem alunos lá na França. Vocês estão lembrados do que ela disse: “não acho que quem ganhar ou quem perder vai ganhar ou perder, vai todo mundo perder”. Foi uma frase lapidar da presidente Dilma. Agora, Emmanuel Macron diz que ninguém ganhou a eleição, ninguém tem força para, sozinho, governar a França através do parlamento.

E o pior é que é verdade, ninguém ganhou. Eu mostrei para vocês que a direita fez 37% dos votos e ficou em terceiro lugar em número de cadeiras, embora tenha subido de 80 para 143 deputados. A esquerda, que ficou em segundo lugar em votos, elegeu o maior número de parlamentares. São os distritos eleitorais que regem isso aí. E a tal união de esquerda funciona só para efeito de eleição; eles não se entendem, não conseguem maioria no parlamento. É isso que Macron está dizendo. Vão ter de conversar. Tudo isso em véspera de Jogos Olímpicos, com imigrantes e a própria esquerda bagunçando a rua. A França já foi um destino turístico; pelo menos para mim já não é mais.

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Reforma tributária do PT fatalmente terminará com mais imposto 

Aqui o importante é a discussão da reforma tributária. Criaram três impostos para substituir cinco: no lugar de PIS, Cofins, ICMS, IPI e ISS, entram o Imposto sobre Bens e Serviços, a Contribuição sobre Bens e Serviços e o Imposto Seletivo. A coisa está funcionando assim: no caso do imposto seletivo, quem vai pagar? O carro elétrico, porque não há onde botar a bateria velha, e por aí vai.

Essa é uma proposta do governo, que virou emenda constitucional aprovada no ano passado, e agora é preciso regulamentar isso por lei complementar. Mas o que o governo quer? O líder José Guimarães diz que o governo quer o fim da guerra fiscal entre estados, a unificação dos tributos e a isenção da cesta básica. Eu não sei o que ficou até agora; na hora em que fiz esta gravação estávamos discutindo se a carne entra ou a carne sai. Fica o patinho, fica o pescoço ou fica a picanha? O fato é que não vemos hoje, na cesta básica, muita coisa mais nobre em termos de queijos e carnes, por exemplo. E duvido que façam uma reforma tributária que não seja para aumentar os nossos impostos, embora eles tenham essa meta de 26,5% de alíquota.

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Desvio gigantesco em obras da Odebrecht foi só um erro que não deve ser punido, diz TCU
 
Quanta coincidência: o TCU examinou obras da Odebrecht em aeroportos de Angola, Cuba, Moçambique e Gana, todos do tempo do governo do PT, e constatou um desvio de finalidade de US$ 96,5 milhões – dá quase meio bilhão de reais –, porque o financiamento do BNDES foi de US$ 246 milhões e a empresa só exportou bens para as obras na ordem de US$ 150 milhões. Mas vejam só que maravilha a conclusão do TCU: foi um erro grosseiro, mas sem penalidade nem multa, diz o relator. Esse sistema funcionou de 1990 até 2017 e beneficiou as grandes empreiteiras brasileiras.

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O REINO UNIDO OPTA PELA MODERAÇÃO

Editorial Gazeta do Povo

O trabalhista Keir Starmer, novo primeiro-ministro britânico, e a esposa, Victoria, diante da residência oficial em Downing Street, um dia após a vitória eleitoral de 4 de julho.

O trabalhista Keir Starmer, novo primeiro-ministro britânico, e a esposa, Victoria, diante da residência oficial em Downing Street, um dia após a vitória eleitoral de 4 de julho

Poucos dias antes de a França eleger, para a Assembleia Nacional, dois blocos significativos que estão em pontas opostas do espectro político, uma outra grande eleição europeia havia terminado com um resultado que, de certa forma, vai na contramão da ascensão dos populismos e do acirramento da polarização política. No Reino Unido, o Partido Trabalhista pôs fim a 14 anos de governo do Partido Conservador, e o fez de forma avassaladora no último dia 4 de julho. Das 650 cadeiras da Câmara dos Comuns, os trabalhistas conquistaram uma supermaioria de 412, dobrando sua presença; enquanto isso, os conservadores, que até então tinham 344 membros no Parlamento, encolheram para apenas 121.

Os resultados, é verdade, acabaram superdimensionados graças às peculiaridades do sistema distrital puro britânico. Os trabalhistas conseguiram quase dois terços das cadeiras no Parlamento tendo um terço dos votos totais; seus 34% representam um ganho de apenas dois pontos porcentuais em comparação com a eleição anterior. O oposto ocorreu com os conservadores, que venceram em 19% dos distritos, mas tiveram 24% de todos os votos depositados no dia da eleição. A queda de 20 pontos porcentuais em relação a 2019 indica que, de fato, a legenda perdeu muito apoio popular – parte desses eleitores pode ter migrado para o Reform UK, de Nigel Farage, mais à direita, que saltou de 2% para 14% do total de votos entre 2019 e 2024, mas conseguiu eleger apenas cinco parlamentares (menos de 1% das cadeiras em disputa) no último dia 4.

O governo conservador, iniciado em 2010 com a vitória de David Cameron, teve uma segunda metade bastante turbulenta. Em 2015, Cameron se manteve no poder com a promessa de um referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, embora fosse pessoalmente contrário ao Brexit – motivo pelo qual, em 2016, renunciou à liderança dos conservadores após o referendo que decidiu pela saída britânica. Cameron foi sucedido por primeiros-ministros comprometidos com o Brexit, como Theresa May e, depois, Boris Johnson. Vieram, então, a pandemia de Covid e as festinhas clandestinas que, ao lado de outros escândalos, selaram o destino de Johnson, substituído em 2022 por Liz Truss; ela, no entanto, durou apenas um mês e meio no cargo e deu lugar a Rishi Sunak, que até conseguiu reverter parte da instabilidade econômica, mas não o suficiente para se garantir no número 10 de Downing Street por mais cinco anos.

O desgaste dos conservadores, no entanto, não explica sozinho o sucesso dos trabalhistas, que souberam se reinventar nos últimos anos. O novo primeiro-ministro, Keir Starmer, durante seu período como líder da oposição, conduziu um processo semelhante ao que Tony Blair havia realizado em meados dos anos 90 e que deu origem ao chamado “New Labour”. Em ambos os casos, os líderes trabalhistas perceberam que o partido estava caminhando cada vez mais para a esquerda, e se empenharam em puxá-lo de volta para a centro-esquerda. Em 1994, tratava-se de repelir uma cláusula do estatuto do partido que defendia a coletivização da indústria; em 2020, tratava-se de isolar a ala mais radical e até mesmo antissemita dos trabalhistas, que vinha dando as cartas com Jeremy Corbyn – suspenso do partido em 2020 e expulso em 2024.

Certo de que o radicalismo de Corbyn custou aos trabalhistas a vitória na eleição de 2019, Starmer venceu a disputa para sucedê-lo na liderança do partido com uma plataforma de esquerda, mas passou a moderar o discurso. Embora ainda se declarasse “socialista” em entrevistas realizadas semanas antes da eleição da semana passada, Starmer já elogiou Margaret Thatcher, declarou apoio à Ucrânia após a invasão russa em 2022, e também defendeu o direito de Israel a se defender dos terroristas do Hamas – uma posição que, segundo analistas britânicos, tirou dos trabalhistas a vitória em alguns distritos com forte eleitorado muçulmano, onde o partido foi derrotado por candidatos independentes com plataforma pró-Palestina. O novo primeiro-ministro tem um discurso de combate ao crime e à imigração ilegal, e chegou a dizer que mulheres transgênero não têm direito a usar espaços reservados apenas a mulheres.

Se o discurso se tornará realidade com Starmer no poder é algo ainda a ser visto; nem mesmo a maioria conservadora que vigorou até agora no Parlamento impediu o Reino Unido de se tornar um país onde até mesmo rezar silenciosamente nas proximidades de uma clínica de aborto pode render problemas com a polícia e a Justiça. De qualquer forma, é notável que, enquanto do outro lado do Canal da Mancha (e do Oceano Atlântico) a população esteja recompensando discursos mais radicais à direita e à esquerda, no Reino Unido foi preciso que os trabalhistas se tornassem mais moderados para voltarem a ser palatáveis ao eleitorado.