DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

RETRATO – Cecília Meireles

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Cecília Benevides de Carvalho Meireles, Rio Comprido-RJ, (1901-1964)

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

ALEXANDRE GARCIA

O RIDÍCULO DO INQUÉRITO DAS “JOIAS DE BOLSONARO”

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a edição 2024 do congresso conservador CPAC.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a edição 2024 do congresso conservador CPAC

O ministro de Minas e Energia do Brasil fez uma declaração interessante a respeito do gás. O presidente Lula esteve na Bolívia; ele e Luis Arce falaram de muitos assuntos, mas estamos esperando uma solução para o gás boliviano, que chega ao Brasil por gasodutos. E o ministro de Minas e Energia disse que é preciso tirar a Petrobras da mediação para baratear o gás em 40%. Uau! Quer dizer que a mediação de uma estatal brasileira está encarecendo o gás boliviano em 40%? Tomara que haja algum engano nisso aí. Aliás, desde terça-feira o botijão de gás está mais caro; as pessoas estão pagando mais 10% para ter o calor na cozinha.

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Liberação de sigilo do inquérito das joias serve para vermos como as acusações são risíveis

Houve a liberação do sigilo sobre o inquérito das joias de Bolsonaro. Todo mundo fala em “joias”, mas são uma caneta, um anel, um relógio, um colar da Michelle, brincos da Michelle e um bibelô, um enfeite dourado. Ele teria vendido o relógio e o bibelô. A Polícia Federal disse que eram R$ 25 milhões e pouco, depois baixou para R$ 6 milhões, agora a gente vê o que foi vendido por R$ 478 mil. E mais: investigaram que ele jogava na loteria; mas isso foi em abril de 2023, já não era mais presidente, R$ 1,9 mil. Comprava pão na padaria e pagava pix para a Michelle.

Ficou uma coisa assim meio risível, esse levantamento de sigilo. Mas é muito bom que tenham feito isso, que possamos ver o conteúdo disso, que está pegando mal. Parece uma conspiração para tirar todo aquele excelente conceito que a Polícia Federal conquistou e desfrutou durante o mensalão e a Lava Jato. Agora isso tudo vai para a Procuradoria-Geral da República e nos perguntamos: o que a PGR dirá? A PGR tem, pela Constituição, independência e autonomia. Não é submissa, submetida funcionalmente ao Supremo.

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Pantanal segue queimando e artistas seguem caladinhos 

Nunca antes na história deste país o Pantanal queimou tanto. E não venham com a história de aquecimento global, porque neste momento a Patagônia está coberta de gelo e 700 mil ovelhas têm sido alimentadas pelo exército argentino, porque elas não têm acesso ao pasto, coberto de gelo e neve. Mas, voltando ao Pantanal: o pessoal de lá me conta que os ambientalistas mandaram tirar o gado; aí o capim cresce, fica maduro e seca. Como não é época de chuva, qualquer foguinho provocado por alguém acaba causando incêndio. E aí eu me pergunto: aquele pessoal, aqueles artistas que faziam campanha, o que foi que aconteceu com eles? Eles sempre gritavam contra o fogo. Agora, apagaram.

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Na Rússia de Putin, ser de oposição é crime 

Lá na Rússia de Vladimir Putin também existe crime de “extremismo”. Um tribunal mandou prender Yulia Navalnaya, a viúva do opositor Alexei Navalny, que foi morto em uma prisão no Ártico, segundo se acredita – Putin diz que foi morte natural. Ela vive exilada e tem ordem de prisão por um crime que é nosso conhecido: “associação extremista”, ou seja, associação em atos antidemocráticos. Mas não consta que ela tenha jogado alguma bomba, quebrado alguma coisa. Ela simplesmente fez oposição. A Rússia está parecida com um certo país…

DEU NO X

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DUAS GLOSAS

Mote de Xico Bizerra:

Cheirei o tabaco dela
Bastou pra “meaviciar”

Relutei, terminei indo
Conhecer o tal tabaco
Foi aí que me vi fraco
Garanto, num tô mentindo
Nunca vi nada mais lindo.
Cheirei, voltei a cheirar
Não conseguia parar
Sabor de cravo e canela
Cheirei o tabaco dela
Bastou pra “meaviciar”

Xico Bizerra

O tabaco era cheiroso
Cheiroso como ele só
Do nariz não teve dó
Esse caboco fogoso
Achando delicioso
O bicho vive a cheirar
Ouvi o cabra gritar
Debruçado na janela:
Cheirei o tabaco dela
Bastou pra “meaviciar”

Dalinha Catunda

DEU NO JORNAL

BANÂNIA EM ESTADO PURO

Dono da célebre sentença segundo a qual Lula queria vencer a eleição “para voltar à cena do crime”, Geraldo Alckmin criticou o “mau gosto” do presidente argentino Javier Milei, para quem o petista é um ladrão.

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Xuxu tá no lugar certo.

Pra ser cara de pau desse tanto, tinha mesmo que estar na vice-presidência do Ladrão Descondenado.

Isso é cagado e cuspido a cara dessa nossa republiqueta banânica.

COMENTÁRIO DO LEITOR

A NARRATIVA DAS JOIAS

Comentário sobre a postagem APRENDERAM A FAZER CONTAS COM A DILMA

João Francisco:

Esta narrativa das joias não para em pé sob qualquer aspecto que se analise.

Primeiro se fez um alarde sobre 26 mi de reais que foram desviados e roubados.

Depois a própria PF se desculpou ao reconhecer que não eram 26 mi e sim 6 mi de reais.

Só que a maioria das joias nunca estiveram sob o poder do Bolsonaro e 400 k de reais em joias foram vendidas baseadas em resolução de 2016.

Depois de analisarem que isso era uma armadilha, recompraram as ditas e as entregaram ao erário.

Está tudo explicado tintim por tintim no vídeo da Bárbara aqui mesmo no JBF.

Tá feio, muito feio para a PF, que já foi muito amada pela população brasileira.

Disse eu só chego a uma conclusão; vem coisa grande por aí e eles estão desesperados.

DEU NO JORNAL

O PAI ESQUECIDO DO PLANO REAL

Luciano Trigo

Cédula de um real

Hoje, quase ninguém se lembra dele, e quem lembra não associa o nome à principal realização do seu governo, o mais radical e eficaz plano de estabilização econômica da história do país: o Plano Real – que acaba de ficar trintão.

Estou falando, é claro, de Itamar Franco, um dos dois vice-presidentes que assumiram o governo e herdaram uma situação caótica do antecessor (Fernando Collor, no caso, defenestrado do Planalto por um processo de impeachment) e conseguiram, mal ou bem, colocar a economia do país nos eixos.

Itamar Franco

O segundo foi Michel Temer, que herdou o posto de Dilma Rousseff, igualmente defenestrada, e tentou promover reformas importantes, antes de ser sabotado pelo sistema e pela grande mídia, como expliquei neste artigo.

Itamar Franco e Michel Temer são dois grandes injustiçados na história recente do país. Não são os únicos, claro: um terceiro está sendo ainda mais injustiçado.

Quando Itamar assumiu a presidência, no final de 1992, o Brasil vivia um caos econômico. A inflação chegou a inacreditáveis 2.708% ao ano, corroendo salários e tornando desesperador o cotidiano do brasileiro comum. As maquininhas de remarcação de preços nos supermercados não paravam de trabalhar, dia e noite – isso quando não havia desabastecimento, o que era frequente. Em suma, um pesadelo.

Como chegamos a esse ponto? Desordem nas contas públicas. Vínhamos de governos que gastavam mais do que arrecadavam, o que provocava descontrole fiscal, perda de credibilidade da moeda e inflação.

Para mitigar os efeitos da inflação, os governos indexavam salários e contratos, o que realimentava o ciclo de corrosão do poder de compra. E, para compensar o descontrole de gastos, aumentavam-se os impostos, o que deteriorava ainda mais a economia.

Tudo isso gerava uma crise de confiança e levava à fuga de capitais. Em um ambiente de incerteza e imprevisibilidade jurídica, os agentes do mercado deixavam de acreditar na eficácia das políticas governamentais.

Ainda bem que nada disso acontece hoje, não é mesmo?

A situação era desesperadora. Sob forte pressão da sociedade e do mercado, em maio de 1993, Itamar Franco nomeou seu novo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso (FHC), dando a ele carta branca para tomar medidas radicais na guerra contra a inflação.

Isso depois de vários planos malsucedidos durante o governo Sarney, que fracassaram miseravelmente ou só tiveram efeitos de curto prazo. Pouca gente acreditava que daria certo – inclusive o PT, que, apostando no fracasso, foi contra o Plano Real.

Mas o plano foi um sucesso, e quem ficou com todos os créditos, como se sabe, foi Fernando Henrique, o ministro que recebeu a encomenda. E, secundariamente, sua equipe de economistas (que incluía nomes como Gustavo Franco, Pérsio Arida, Pedro Malan, André Lara Resende e Edmar Bacha).

FHC, aliás, usaria o sucesso do Real como plataforma para catapultar suas vitoriosas candidaturas à presidência, em 1994, e à reeleição, em 1998. Nos dois casos, vale lembrar, ele derrotou Lula no primeiro turno.

No processo de estabilização da economia, Itamar Franco teria sido, quando muito, um mero coadjuvante. Mas ele se enxergava como o verdadeiro pai do Plano Real, tanto que declarou, já no final de seu curto mandato: “A grandeza dessa conquista transcende as circunstâncias do tempo eleitoral. Trata-se de um esforço de toda a nação, que coube ao presidente da República coordenar e administrar, a fim de, no cumprimento impostergável do seu dever, deixar a seu sucessor, quem quer que seja o escolhido, uma moeda sólida, capaz de promover o desenvolvimento sem faltar a justiça”.

Itamar só é lembrado hoje pelo topete indomável e por episódios folclóricos, como sua malograda tentativa de ressuscitar o Fusca; ou o desfile de Carnaval no Rio de Janeiro em que foi fotografado ao lado de uma animada jovem sem calcinha, “com as partes à mostra”, como se dizia antigamente.

Mas foi Itamar – e não FHC, na época seu subordinado – o presidente que pôs um ponto final em anos de hiperinflação no país. Ou seja, o Real foi, no mínimo, um caso de dupla paternidade, uma parceria na qual apenas um dos sócios ficou com todos os louros da fama.

A verdade é que, à frente da chamada “República do Pão de Queijo” (assim chamada pela predominância de aliados mineiros em postos-chave do seu governo), Itamar Franco não foi apenas o presidente de um mero mandato de transição. Ele se empenhou, com sucesso, a estabilizar a economia, ajustar as contas públicas, cortar gastos para reduzir o déficit e, finalmente, debelar o monstro inflacionário.

Veja bem, caro leitor, não estou negando a FHC e sua equipe a autoria intelectual do Plano Real. Mas normalmente se atribuem as principais realizações de um governo ao presidente, não aos seus ministros – até porque é o presidente quem decide, encomenda e autoriza. No mínimo, faltou habilidade a Itamar para capitalizar politicamente o Real e colher seus frutos. Habilidade que sobrou a Fernando Henrique.

E ele sabia disso. Itamar carregou até o fim da vida a mágoa pela falta de reconhecimento. Pouco antes de morrer, em 2011, declarou numa entrevista: “Se não fosse por mim, o Fernando Henrique seria hoje um professor universitário”.

P.S. Para quem quiser saber mais sobre a gestação do Plano Real, o livro “3.000 dias no bunker”, do meu amigo Guilherme Fiúza, é leitura obrigatória.