O presidente Lula durante evento comemorativo em Salvador, em 2 de julho
Na teoria republicana clássica, a soberania de um sistema de governo reside no povo e é exercida por meio de representantes eleitos. Os representantes, incluindo o presidente e todos os funcionários de Estado, são mandatários do povo, jamais o próprio povo. Esta distinção entre povo e seus representantes é fundamental para manter a legitimidade e a funcionalidade do governo republicano.
Lula, que vive eternamente de palanque, recentemente afirmou o seguinte a respeito de si mesmo e, consequentemente, de sua concepção de Estado: “Eu não sou só um presidente da República que está junto do povo. Eu sou o povo na presidência da República”. Há tantas camadas absurdas aqui, e eu gostaria de analisar algumas.
Ao afirmar que “é o povo na presidência da República”, Lula confunde os papéis de representante e representado e distorce o princípio representativo, alicerce de uma república. A propósito, o sistema republicano só faz sentido quando estabelece limites morais e institucionais para frear déspotas e populistas.
Em sua forma essencial, a república é caracterizada por uma estrutura de governo em que há uma clara separação e balanço entre os poderes. Trata-se de um problema que atravessou a história do pensamento político. Para ser preciso, a essência de toda república é justamente limitar a tentação despótica e frear a dominação arbitrária. Portanto, dar ao povo uma forma de se proteger de quem fala demais em nome do povo.
A sintomática declaração de Lula indica o enfraquecimento dessa estrutura, ao fazer de si mesmo a identificação pessoal e direta entre o chefe do Executivo e o povo. Lula, no auge de sua arrogância messiânica, não só marginaliza o papel dos outros poderes e instituições, que são essenciais para um governo equilibrado e justo; mais do que isso, ele corrompe o vínculo entre o povo e seus mandatários.
Na república – e obviamente me expresso aqui em nível ideal –, o presidente é um servidor público com poderes e responsabilidades definidos pela Constituição. E quem sustenta o espírito da Constituição é o povo. Sendo Lula o povo, logo ele se autocompreende como a própria Constituição. A afirmação que Lula expõe é delirante. Ele busca a fusão entre a sua pessoa e a totalidade do povo.
No nível moral da relação com o poder, um presidente deve promover a unidade, a coesão social e o respeito pelas instituições democráticas. Ao se posicionar como a encarnação do povo, Lula fomenta o personalismo centralizador do poder que desrespeita o pluralismo e a diversidade de opiniões. Ele quer ser cultuado como um novo messias. Esse mecanismo retórico funciona assim: ao criticar Lula e suas decisões políticas, o crítico é visto como um inimigo do povo. Bem conveniente a um populista messiânico.
Aproveitando o momento, eu gostaria de retomar meus comentários a respeito da Doutrina Social da Igreja. Um dos aspectos mais interessantes da concepção de comunidade política no cristianismo é justamente o de colocar limites a demagogos populistas que se identificam com o povo. Por hoje, analisarei apenas um trecho do documento: No parágrafo 379 do Compêndio de Doutrina Social da Igreja, o texto é explícito:
“Jesus rejeita o poder opressivo e despótico dos grandes sobre as nações e suas pretensões de fazerem-se chamar benfeitores, mas nunca contesta diretamente as autoridades de seu tempo. Na diatribe sobre o tributo a ser pago a César, Ele afirma que se deve dar a Deus o que é de Deus, condenando implicitamente toda tentativa de divinizar e absolutizar o poder temporal: somente Deus pode exigir tudo do homem. Ao mesmo tempo, o poder temporal tem o direito àquilo que lhe é devido: Jesus não considera injusto o tributo a César. Jesus, o Messias prometido, combateu e desbaratou a tentação de um messianismo político, caracterizado pelo domínio sobre as nações.”
Aqui, Jesus exemplifica a liderança servil e o respeito às autoridades estabelecidas sem a tentação de messianismo político. Nossa autoridade estabelecida, diferente da época de Jesus, é a república, cujo presidente é só um representante eleito – diga-se de passagem, provisoriamente. Jesus nos ensina que o verdadeiro poder reside no serviço e na humildade, não na manipulação populista ou na autoproclamação como salvador do povo.
Nesse contraste entre Lula e Cristo, não resta dizer que o atual presidente da nossa república não seria outra coisa a não ser um “anticristo político”. Jesus Cristo “veio para servir e entregar a própria vida”, portanto, tem propósito messiânico genuíno; Lula, autoproclamado messias, que explicitamente busca divinizar e absolutizar o poder temporal, ao contrário, acha que deve ser servido e extrair o máximo de benefício para a própria vida.
Lá pelos idos 57/60 trabalhei como locutor da rádio ROLANDIA, ZYS31 RÁDIO CLUB DE ROLANDIA.
“Falando para o Parana, Brasil e o mundo” meu bordão.
Imaginem apenas 1 k na antena.
O Proprietário e diretor era profundo conhecedor de autores, compositores e interpretes.
Comprou um gravador GELOSO, 4 pistas, uma verdadeira jóia simplesmente para ir gravar uma apresentação da famosa dupla CASCATINHA E INHANA, que aconteceria na cidade de GUARACI, pequena cidade do norte paranaense.
Gravou o Show, ficamos a semana inteira fazendo a chamada para a apresentação da gravação no domingo.
Anunciada com pompas, a gravação foi uma sucessão de iiauua, nnheennenn, uma decepção.
Ninguem se deu conta que em Guaraci, a eletricidade ainda era por gerador de ciclagem diferente, distorcendo toda gravação.
A Rádio recebeu durante todo o mês centenas de cartas criticando a falha.
Pior de tudo: perdeu-se a entrevista e o show da dupla.
Plantas da Cannabis sativa, usada para produzir maconha
O Supremo levou anos com esse caso da maconha – a ação foi protocolada em 2011 e o julgamento começou em 2015. Tratava-se de um caso específico de São Paulo, de um detento, Francisco Benedito de Souza, que tinha sido condenado em 2010, depois de ter sido flagrado com 3 gramas de maconha em 2009. O Supremo discutiu, discutiu, discutiu e o absolveu. Ninguém tinha perguntado, mas o STF também decidiu, paralelamente, que ninguém pode ser preso se estiver portando até 40 gramas de maconha. Desde que não seja o vendedor, claro; tem de ser o consumidor. Mas agora o traficante pode estar vendendo e alegar que é consumidor, e talvez até seja mesmo. Que confusão!
Pois aquele sujeito, que tinha sido flagrado com 3 gramas de maconha, está sendo procurado de novo. Agora está com 64 anos; não tinha nem 50 quando foi preso pela primeira vez. Souza foi condenado em 2022 por furto qualificado, e está sendo procurado para cumprir pena de dois anos e nove meses. Em 2009, quando encontraram a maconhazinha com ele, Souza já tinha condenações por receptação – que é receber produto de crime, receber coisa roubada – e porte de arma ilegal, e também tinha inquéritos por roubo e estelionato. Há dois endereços onde ele está sendo procurado, mas não apareceu ainda. Será que o STF não sabia quem era essa pessoa, quem era o réu que estavam absolvendo, com todos esses antecedentes?
* * *
Registro de entrada de Filipe Martins na Flórida é fraudado, mas ele segue preso
Está todo mundo horrorizado com a história da ficha de entrada de Filipe Martins na Flórida, que se descobriu ser um registro fraudulento. Estava com o número do passaporte errado, e parece que até o nome estava errado; primeiro corrigiram, e depois eliminaram a folha que estava lá. Parece que se preparou uma entrada falsa dele lá. Aí fica fácil fazermos uma comparação: Filipe Martins está para a Flórida assim como Adélio Bispo está para a Câmara dos Deputados, em termos de entrada no recinto.
* * *
A boca de Lula faz mais estrago na bolsa que o coronavírus
Lula fez várias declarações fortes, e o dólar bateu R$ 5,70. Alguém lhe disse que ele precisava falar algo para ver se baixava o dólar, porque até então Lula estava dizendo que era culpa de especuladores. Para provar que era a boca presidencial, ele disse “não podemos jogar dinheiro fora” etc. e tal, e o dólar baixou. Fechou a quarta-feira em R$ 5,56, que ainda é uma cotação muito alta.
A boca de Lula tem mais força que a Covid-19. No primeiro semestre de 2020, no auge daquele pânico forjado, provocado, vergonhoso, cruel contra as pessoas, saiu capital estrangeiro que aplicava na bolsa brasileira, estimulando o mercado secundário – aliás, estimulando o mercado primário com movimento no mercado secundário, ou seja, facilitando a colocação de ações no mercado. Pois agora, no primeiro semestre deste ano, tivemos saída recorde: R$ 40,1 bilhões em capital estrangeiro que estava aplicado na B3. Tudo por causa de incertezas e declarações estapafúrdias.
* * *
Lula fala em incentivo ao agro, mas prefeitos gaúchos dizem que dinheiro federal não chegou
Falando em declarações, agora mesmo Lula diz que tem de incentivar para plantar o máximo possível. Ele não explicou qual é o incentivo, porque não pode ter inflação do chuchu e do tomate. E sabemos que a inflação não é do chuchu nem do tomate; a inflação vem do desequilíbrio das contas públicas, que desvaloriza a moeda corrente. Agora, estão esperando algum posicionamento sobre auxílios para o Rio Grande do Sul, porque os prefeitos que vieram a Brasília dizem que não receberam nem 1% do que o governo federal divulgou. Foi mais propaganda que uma ação de fato.
O presidente Lula, em entrevista a uma rádio de Salvador (BA), em 2 de julho
“Não é normal o que está acontecendo”, reclamou o presidente Lula em mais uma de suas entrevistas a veículos de imprensa, um hábito que se tornou praticamente diário, tão diário quanto os saltos na cotação do dólar, que bate recordes a cada vez que o petista abre a boca. A frase sobre a anormalidade, aliás, veio justamente como um comentário a respeito do atual ciclo de desvalorização da moeda brasileira – apenas três meses atrás, o dólar rondava os R$ 5,00, e agora se aproximou perigosamente dos R$ 5,70 antes de recuar nesta quarta-feira. Em uma coisa o presidente tem razão: não é mesmo normal “o que está acontecendo” – mas, por outro lado, as consequências do “que está acontecendo” são totalmente normais e previsíveis.
Não é normal que um presidente da República dedique tanto tempo atacando as decisões técnicas da única instituição neste país que continua trabalhando com empenho para conter a inflação e preservar o valor da moeda. Não é normal que Lula prometa dia sim, dia também que, assim que Roberto Campos Neto terminar seu mandato à frente do Banco Central, será substituído por alguém subserviente ao Planalto. Não é normal que Lula trate a autoridade monetária como um mero puxadinho de seu partido, obrigando-o a aderir à política econômica gastadora que caracteriza o petismo. Não é normal que Lula ataque a autonomia do BC afirmando que quem a deseja “é o mercado, que faz parte do Copom” – colegiado, diga-se de passagem, que é indicado pelo presidente da República, não pelo “mercado”; que já tem quatro de nove integrantes nomeados por Lula; e que foi unânime na recente decisão de manter a Selic nos patamares atuais, já que o governo não mexe um dedo na direção de um ajuste fiscal que poderia aliviar a pressão sobre os juros.
E, quando um presidente age de forma tão enfática para desmoralizar a autoridade responsável pela preservação do valor da moeda, o mercado entende o recado. É perfeitamente normal, então, que o investidor pule do barco do real e migre para moedas mais sólidas, como o dólar. Mas perceber essa realidade, para Lula, é coisa de “cretinos”, como o petista se referiu nas mídias sociais a jornalistas que apontaram as corretas relações de causa e efeito, ainda no início da série atual de entrevistas presidenciais – um ataque que, curiosamente, não gerou nenhuma nota de repúdio de entidades representativas de profissionais da imprensa.
Quem também anda empenhado em normalizar o anormal é o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Repetidamente, ele atribui a disparada do dólar não às falas de seu chefe, mas a “ruídos” que ele não faz a menor questão de identificar corretamente, e a “falhas de comunicação”. Na terça-feira, Haddad chegou a afirmar que Lula estava preocupado com a alta do dólar e que “elogiou a autonomia do BC” – e é preciso perguntar em que planeta o ministro esteve nos últimos dias, nos quais tudo o que Lula disse sobre a autonomia do Banco Central foram críticas e mais críticas. Para o ministro, basta comunicar melhor os resultados econômicos do governo que o câmbio se acalmará; Haddad poderia começar essa comunicação pelo déficit nominal acumulado em 12 meses, que já superou os recordes registrados na época da pandemia de Covid-19 e dão uma boa ideia do buraco fiscal em que a gastança petista está colocando o país.
Lula ataca o Banco Central, afirma que não há necessidade de cortar gastos, rejeita reformas estruturantes, e só quer saber de arrancar mais dinheiro dos cidadãos e das empresas. Tudo isso contribui para enfraquecer a moeda, e o reflexo dessas atitudes no câmbio é totalmente natural, ainda que Lula insista no contrário, habituado que está a terceirizar a culpa e a insultar quem não compra suas mentiras. “Temos que fazer alguma coisa”, disse Lula; pois que comece fechando a boca e, principalmente, trabalhando para recuperar a confiança internacional no Brasil, deixando de sabotar ainda mais a já debilitadíssima saúde fiscal do país.