Javali, javaporco, cateto, queixada, eles ganharam proteção. Quem os protege não o faz à toa. Há tanta identificação entre esses grupos, os de quatro patas e os de duas… Vejamos, por onde passam eles destroem tudo. Não respeitam propriedade privada, não respeitam propriedade alguma. “O agronegócio é fascista”, dizem os que caminham eretos. Os de quatro patas, grandes presas, dentes afiados, partem para a destruição direta das lavouras. Não gostam de teorias, entregam-se à prática. São todos selvagens, agressivos, raivosos, violentos, impróprios, inoportunos. Os de duas patas ainda falam em controlar os meios de produção, mas, como os javalis e seus assemelhados, entregam-se mesmo aos meios de destruição.
Vivem de sugar o trabalho dos outros, os de quatro patas por instinto, os de duas patas por instinto e também por inveja, egoísmo, preguiça, incompetência, maldade, mau-caratismo. Os dois grupos são uma ameaça a quem verdadeiramente impulsiona o Brasil, e vão além: são uma ameaça aos ecossistemas naturais. Os de quatro patas devastam vegetação nativa, destroem nascentes e margens de rios. Os de duas patas fingem que protegem o meio ambiente, e há tolos que acreditam nisso, apesar das provas em contrário. Os javalis comem de tudo, ovos de pássaros, filhotes de outros animais, ovelhas, até carniça… Seus protetores talvez se declarem veganos, comedores de insetos.
Eles têm apetite voraz, são uma praga, atacam em bandos. Os javalis não se inspiram em ídolos. Seus protetores, sim. Sempre gente que reúne o pior da espécie humana, de todas as espécies. Che Guevara, por exemplo, também conhecido como “chancho”, ou seja, porco… Os dois grupos são mesmo dados a porquices e são vetores de muitas doenças. Os javalis: toxoplasmose, leptospirose, hepatite, salmonela, triquinelose, brucelose, raiva, febre maculosa… Os de duas patas propagam tirania, autoritarismo, prepotência, burocracia, injustiça, pobreza, desonestidade, dissimulação, mentira, sordidez, fúria…
Javalis dão prejuízos aos milhões, mas, protegidos pelos que gostam dos prejuízos aos bilhões, vão dobrar a meta a toda hora. São grupos perigosíssimos, os javalis, os comunistas e os socialistas. Os animais feitos homens; os homens feitos animais. Porcos e homens, enfim, unidos para chafurdar. Os personagens de George Orwell – Major Porco, Porco Bola de Neve, Porco Napoleão, Porco Garganta… Stalin, Trotsky, Lênin, Mao, Xi, Fidel, Chávez, Maduro, Ortega, Lula, os animais “mais iguais do que outros”. É tudo ruim. Não há mais evolução, há revolução… A Revolução dos Bichos: “As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco”.
MINISTROS COMPARAM CRIMINALIZAÇÃO DE ENTORPECENTES COM “AÇÚCAR” E “OBESIDADE”
Durante julgamento que pode descriminalizar porte de maconha, ministros do STF minimizaram proibição de entorpecentes, tecendo comparações com “açúcares”, falta de “exercícios”, cigarro e álcool. pic.twitter.com/fIfGeh7Jms
Lula, o chinês Xi Jinping, o sul-africano Cyril Ramaphosa, o indiano Narendra Modi e o russo Sergey Lavrov na reunião de cúpula dos Brics, na África do Sul
Quando, em 2009, Brasil, Rússia, Índia e China deram um caráter formal ao que surgira como uma ferramenta de marketing de um grande banco de investimentos, o membro sul-americano dos Brics já era uma espécie de “primo pobre” do grupo: emergente, com muito potencial e uma economia em crescimento, sem dúvida; mas não muito mais que uma liderança regional. Desde então, China e Índia cresceram ainda mais – os indianos acabam de pousar uma sonda na Lua –, e a Rússia se tornou pária entre as nações democráticas ao invadir a Ucrânia, mas continua a ser uma potência militar temível. A entrada da África do Sul, em 2010, não serviu para dar mais relevância ao Brasil; e, a julgar pela próxima rodada de adesões, que acabou de ser acertada na reunião de cúpula dos Brics em Johannesburgo, a tendência é que o Brasil se torne cada vez mais um coadjuvante neste clube.
Os líderes dos cinco países decidiram convidar Argentina, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã para se juntar aos Brics a partir de janeiro de 2024. Olhando do ponto de vista puramente econômico, que esteve na origem do conceito que levaria aos atuais Brics, algumas escolhas são intrigantes: Argentina e Egito, em vez de serem emergentes, estão submergindo em crises; e a Etiópia ainda vive uma guerra civil. As explicações, portanto, são outras, e residem muito mais em afinidades e ambições geopolíticas dos atuais membros. A Arábia Saudita, por exemplo, já esteve muito mais próxima dos Estados Unidos, mas é cada vez mais atraída para a órbita chinesa. Pequim também vem estreitando relações tanto com o Egito e o Irã, por meio do projeto de infraestrutura conhecido como “Nova Rota da Seda”, quanto com a Etiópia, tendo fornecido armas ao governo durante a guerra civil. Os Emirados Árabes foram convidados pela Índia e a Argentina foi apadrinhada por Lula.
O pertencimento aos Brics não significa alinhamento incondicional a ponto de o bloco se portar de forma monolítica no cenário internacional – Índia e China, por exemplo, têm até mesmo disputas fronteiriças; e o premiê indiano, Narendra Modi, encontrou o ucraniano Volodymyr Zelensky no Japão, além de criticar a Rússia por abandonar o acordo para exportação de grãos pelo Mar Negro. Mesmo assim, vale a pena olhar com que tipo de companhias o Brasil passa a andar com mais frequência daqui em diante, e que incluem uma teocracia que desafia o mundo levando adiante um programa nuclear (o Irã); uma ditadura militar (o Egito); e uma autocracia (a Arábia Saudita) que tem despejado dinheiro no esporte para lavar uma imagem manchada por violações de direitos humanos e episódios como a morte do jornalista Jamal Khashoggi, supostamente por ordem do príncipe herdeiro e primeiro-ministro Mohammed bin Salman.
Pode-se até alegar que a expansão ocorreu contra a vontade do Brasil (e da Índia), ou seja, se dependesse apenas de Lula o país não teria países como o Irã na categoria de parceiros nos Brics. No entanto, isso não apaga os laços que unem o petista ao regime dos aiatolás, desde os tempos em que o presidente iraniano era Mahmoud Ahmadinejad. Em comum entre eles, há um antiamericanismo muito caro ao assessor especial Celso Amorim, que hoje é quem dá as cartas na política externa brasileira, ofuscando o chanceler Mauro Vieira e repetindo o papel que Marco Aurélio Garcia tivera na primeira passagem do petismo pelo Planalto. É esta mentalidade que guia, ao menos em parte, a obsessão lulista em escantear o dólar nas relações comerciais, tanto no Mercosul quanto nos Brics.
Esse antiamericanismo pode não ser o fio condutor dos Brics hoje, mas é muito conveniente para a China, que pretende desafiar a hegemonia ocidental – especialmente dos Estados Unidos – no aspecto econômico e também militar, a julgar pelas recentes incursões no espaço aéreo de Taiwan e em águas reivindicadas por países do Sudeste Asiático que são aliados norte-americanos. Quanto mais aliados a China levar para os Brics, mais provavelmente o grupo se transformará em mero veículo para a projeção internacional dos valores antidemocráticos e antiocidentais chineses. Se isso acontecer, para o Brasil os Brics deixarão de ser uma oportunidade – por exemplo, para atrair investimentos – para se tornar um peso.
A cidade do Recife nos últimos 50 anos sofreu irreparáveis danos em seus antigos imóveis, para ceder espaço à construção de vários prédios e ruas, pois, se disse, ser exigência do progresso.
Entende-se que a modernidade exige diferenças entre o Antigo e o Novo, inclusive abertura de avenidas. Mas, no caso de nossa cidade, estão ocorrendo absurdas derrubadas, como foi o caso da Igreja dos Martírios, no bairro de São José, para surgir a Av. Dantas Barreto, fato, aliás, pouco conhecido das atuais gerações.
No livro biográfico sobre Carlos Emílio Schuler, que assinei em 2013, ouvi do personagem vários comentários sobre o incômodo que viveram as famílias daquele bairro quando ocorreu o quiproquó entre a Prefeitura e o IPHAN. Dr. Schuler comentou a nota de um dos jornais:
Projetada há mais de 30 anos, somente agora poderá ser concluída a Avenida Dantas Barreto, com a derrubada das ruínas da Igreja dos Martírios, que servirá de desafogo ao tráfego no centro da cidade – afirmou na manhã de ontem o prefeito Augusto Lucena ao dar início ao ato público de demolição daquele templo. – Diário da Manhã-24-01-1973.
A historiadora Laura Bastos comentou: Prometeram que iriam reconstruir a igreja em outro local, mantiveram até o frontispício íntegro para colocar no novo templo; só promessa. Assim fizeram com a Igreja do Corpo Santo, o mais belo barroco do País, para construir o Marco Zero; com a Igreja do Paraíso que era perto da paróquia de Santo Antônio, para construir a Avenida Guararapes. Houve também a demolição da capela Anglicana do Recife, também referida como Holy Trinity Church – Igreja da Santíssima Trindade – foi um templo religioso vinculado à Igreja da Inglaterra — e mais tarde à Igreja Episcopal Anglicana do Brasil — fundada em 31 de maio de 1838 na Rua da Aurora. A desculpa é o Progresso, mas vejo que é para destruir nosso passado.
Depois do desaparecimento do historiador e jornalista Mário Melo – Mário Carneiro do Rego Mello – a cidade passou a sofrer desenfreadas alterações, sem que a mínima providência fosse tomada pela municipalidade, procurando preservar, principalmente, nosso patrimônio colonial.
Não basta apenas que casarões e igrejas sejam tombados. É imprescindível que os técnicos da Prefeitura usem o bom senso, orientando os arquitetos para que não aprovem projetos de novos prédios, mediante a derrubada dos antigos. Sabemos que se trata de interferência difícil. Mas é possível se antecipar o vexame, logo na primeira fase de uma solicitação para construir um edifício ou abrir uma rua.
Cabe aos Comunicadores abrir fogo contra essas derrubadas, para que nosso passado histórico não seja demolido de vez.
E assim, meu passado juvenil foi se apagando. Por isso, a curiosidade pelos fatores históricos aumentou, provocando-me a lembrança de fatos singulares correlatos.
Durante reportagem recente, a fim de recuperar a memória dos imóveis de um cliente, quando circulava com minha equipe, formada pelo cinegrafista Humberto Leonardo, a fotógrafa Bianca Escobar e o motorista Sérgio Nunes, dominaram-me curiosidades históricas, as quais procurei esclarecer.
Observei, na Avenida Rosa e Silva, onde procuramos a casa nº 1389, e também fomos encontrar o prédio da Fundação Nacional de Saúde. Nada mais existia da casa que procurávamos para fotografar, a qual teria sido um belo casarão em estilo colonial.
Novamente surgiu a curiosidade para saber quem teria sido essa suposta “senhora Rosa e Silva”. Era sim, um ilustre homem público, formado em Direito, nada menos que Francisco de Assis Rosa e Silva, que recebeu do Império o título de Conselheiro e tem longa biografia como governante de Pernambuco e eminente político.
O giro continuou e na Rua do Hospício, 223, antiga sede do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, que fazia esquina com a antiga Rua Formosa (atual Av. Conde da Boa Vista) onde surgiu outro prédio, de vários pavimentos, substituindo o velho casarão, onde ocorreu um fato verdadeiramente histórico.
Segundo meu saudoso amigo Milton Persivo Rios Cunha, ali se realizaram os primeiros ensaios da peça “Senhora de Engenho”, de Mário Sette, cuja trilha sonora foi criada por Capiba: a famosa valsa: “Maria Betânia”, encenada pela primeira vez no Teatro do Parque, que depois se tornou sucesso nacional na voz de Nelson Gonçalves. Um casarão que deveria ter sido tombado em favor da memória cultural do Recife.
Surgiu, então, mais uma curiosidade: quem teria sido o Conde da Boa Vista? Foi Francisco do Rego Barros, governador de Pernambuco em várias legislaturas. Mas a homenagem póstuma ficou para o título de Conde. Um fato inexplicável!
Prédio da antiga Alfândega do Recife
No Bairro do Recife (proximidades do Cais do Porto) procuramos o belo prédio nº 50, da Av. Rio Branco, antiga sede da Alfândega do Recife, e encontramos uma edificação inteiramente alterada.
Desta vez, o mesmo edifício, porém, alterado por duas vezes modificando-se suas três fachadas, derrubando-se, inclusive a cúpula, parte característica das edificações dos séculos passados. Agora, ostentando o nome de Edifício Luciano Costa, que tomou o nº 170, com a frente para a Rua D. Maria Cezar. Quem teria sido D. Maria Cezar? Uma ilustre Senhora de Engenho, personagem da História de Pernambuco, filha natural de João Fernandes Vieira e casada com o Capitão-Mor Jerônimo Cezar de Mello.
Fiquei perplexo durante várias paradas por pontos distintos da cidade, onde tantas casas e antigos prédios desapareceram, além de terem suas pêras decorativas. destruídas, mudando, aqui e ali, a paisagem tradicional do Recife, considerada “A Europa dos Trópicos” e “Cartão Postal do Nordeste”.
Todavia, a mais cruel transformação ocorreu com o antigo prédio do Banco do Brasil, na Av. Alfredo Lisboa, 427, que além de ter sua fachada totalmente alterada, modernizou-se, mas quebrou a homogeneidade da Praça Rio Branco. É bom que se diga que ali, nosso compositor maior, Capiba, criou a música: “Cais do Porto”, sucesso de Expedito Baracho.
Nossa circulada mostrou a triste certeza de que o Recife de ontem não mais existe. Ficou para sempre em minha memória. Por isto escrevi esta pequena crônica de fatos singulares.