No longínquo ano de 2002 perdi amizades de décadas, fui considerado “nordestinofóbico”, racista, elitista, extremista de direita, nazista, fascista, higienista…porque tentava convencer muita gente boa (supostamente) que estava se deixando levar pelo lu lá lá, brilha uma estrelaaaaa de não votar no carniça.
Em vão e ainda saí perdendo.
Observo a contra gosto o PT, CUT e seus agregados desde o final da década de 70 (morei em SP e São Bernardo do Campo muitos anos) e nada do que acontece hoje 20 anos depois me surpreende.
Vai ser muito difícil reverter o que o país vive hoje.
Nosso destino logo ali é virar uma Venezuelona de fato.
Mais conversas, em livro que estou escrevendo (título da coluna). Como hoje, 11 de agosto, é o Dia dos Advogados, só com eles (nós).
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ANTÓNIO VALDEMAR, escritor. Lembrou casos reais ocorridos nos tribunais de Lisboa:
– Advogado: Essa doença, a miastenia grave, afeta sua memória? – Testemunha: Sim – Advogado: E de que modo ela afeta a sua memória? – Testemunha: Eu esqueço-me das coisas. – Advogado: Esquece-se… Pode nos dar um exemplo de algo que tenha esquecido?
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– Advogado: Doutor, o senhor lembra-se da hora em que começou a examinar o corpo da vítima? – Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20:30h. – Advogado: E o sr. Décio já estava morto a essa hora? – Testemunha: Não… Ele estava sentado, na maca, questionando-se por que razão eu estava a fazer-lhe aquela autópsia.
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FERNANDO LYRA, ministro da Justiça. Na Câmara dos Deputados, começou discurso dizendo
– Falo como advogado.
Seu colega José Mendonça, de Belo Jardim, aparteou
– Diga isso com menos pompa, Fernando. Que, nas provas, você filava de mim que sou um analfabeto.
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Por falar no deputado José Mendonça, ficou famosa uma briga deles, nos jornais. Fernando
– Você é uma lagartixa verde.
– E você escreve pipoca com 3 Ps e jumento com H.
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ISAAC PEREIRA DA SILVA, advogado. Convidou para sua defesa de tese de mestrado, na Faculdade de Direito do Recife. Ao entrar na sala um dos examinadores, o professor Gláucio Veiga, se dirigiu a ele
– Brilhante, Isaac. Brilhante.
Isaac nos confessou estar aliviado, por ser Gláucio o mais imprevisível membro da banca. Na inquisição, o mesmo Gláucio
– Dr. Isaac. Quando comecei a ler sua tese pensei que estava louco. Ao acabar, tive certeza, o louco é o senhor.
Isaac, furioso, quase teve um enfarte.
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JOSÉ CARLOS DE VASCONCELOS, jornalista e advogado. No antigo Tribunal da Boa Hora (depois, da Relação), hoje um velho convento situado na Rua Nova do Almada (Lisboa), o juiz dormia seu sono tranquilo. O dos justos. Cumprindo regra de Fernando Pessoa (Boa é a vida), “bom é o vinho, mas melhor é o sono”. E o julgamento que presidia seguia sem problemas. Ocorre que Cunha Leal, advogado das antigas, deu tantos berros na defesa do seu cliente que o pobre juiz acordou “meio estremunhado” (mal acordado, palavras de José Carlos). E, quase sem querer, disse
– Oh, senhor doutor, não é bem assim…
– É assim mesmo, Excelência. O nosso problema é que aqui os juízes sabem mais, a dormir, que todos os advogados de Portugal acordados.
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NILO BATISTA, catedrático de Direito Penal. À época, presidente da OAB-Rio. Dando-se que Silvio Viola, e outros amigos, prepararam essa peça. Uma denúncia, ao Conselho Seccional da Ordem, por propaganda ilegal da profissão. Apresentando, como prova, esse jingle gravado por Lucinha Lins.
– Habeas-corpus na hora Revisão Criminal Quem está dentro sai fora Ele é sensacional Dotô Nilo Batista É melhor que ninguém Nem Heleno Fragoso Tem o jeito que ele tem.
Mesmo em fins de semana Sempre à disposição Ele é bamba no crime E na contravenção Dotô Nilo Batista Não existe outro igual Data vênia é um artista No Direito Penal.
Nilo quase morreu. De raiva. E só (muito) depois achou graça.
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SILVIO NEVES BAPTISTA. Advogado e Professor de Direito Civil na Faculdade de Direito do Recife. Em seu escritório, mulher para tratar de seu divórcio. Contou que, no desespero de ser agredida pelo marido, preferiu o suicídio e se jogou do seu apartamento. Situado no décimo andar. Ocorre que a queda foi amortecida por andaimes de obras em curso no edifício. E teve a sorte de cair sobre um monte de lixo. Resultado, apenas uma perna quebrada e arranhões no braço. Foi quando alguém entrou na sala e cumprimentou Sílvio por ter sido eleito para a Academia Pernambucana de Letras. Acadêmicos, todos sabem, são chamados de imortais. O poeta Olavo Bilac, fundador da Academia Brasileira de Letras, até definiu com graça
‒ Imortal é quem não tem onde cair morto.
Certo é que, ouvindo aquela informação, a cliente perguntou
‒ O senhor é imortal?
E Sílvio, considerando ser incomum alguém sobreviver a uma queda do décimo andar, respondeu
‒ Imortal é a senhora.
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No restaurante do Hotel Tropical (Manaus), o garçom anotava pedidos para o jantar. Depois foi conferindo, com cada um dos presentes,
‒ O senhor é filé?
Por aí. Quando chegou em Silvio, apontou para ele com a caneta na mão e perguntou
‒ O senhor é frango?
Não resisti
‒ E como foi que o senhor descobriu?
Todos riram. Mas ele passou dois dias sem falar comigo.
O império dos cornos é o paraíso dos homens ricos, poderosos e “fuderosos” (com a devida vênia). Quanto mais dinheiro eles tem, mais se interessam por mulheres burras, mas belas, cujos filhos “são políticos ou tarados” (viva Juca Chaves!).
Insinuantes e de beleza chocante, mesmo à base de silicone, botox, ou bisturi, a beleza marmórea das mulheres “plastificadas”, para certos homens, compensa o custo-benefício.
O avanço da cirurgia plástica faz da estética do corpo um milagre. É uma pena que, para melhorar a beleza da alma e do caráter, não exista plástica, cadeia ou escola rígida que dê jeito. Ladrão nasce, cresce e morre sendo ladrão.
O mau-caratismo é uma doença crônica, que se manifesta logo cedo. Não tem cura. E fascina aqueles que recebem as migalhas do poder.
Há aqueles que metem a mão na massa, se locupletam com o dinheiro público e se dão bem. Outros não tem a mesma sorte. Passam a vida bajulando os peixões, e, como sardinhas, pagam o pato, na hora “h”, por tudo de mal feito que os grandes praticam. Só recebem as migalhas e a fama de maus.
Os mais fracos são usados como “boi de piranha”, nas roubalheiras e falcatruas praticadas pelos poderosos.
Ver as sardinhas pagarem o pato pela desonestidade dos tubarões, é revoltante. São atos criminosos, que adoecem as pessoas providas de sentimento humano.
Pois bem. Completando a salada, juntei “alhos com bugalhos”, só pra contrariar os que se consideram “certinhos”.
Somente os iguais aceitam a maldade que está sendo praticada nas imorais CPIs, mostradas na mídia.
Enquanto os grandes se banqueteiam com lagosta e caviar, regados a vinhos caríssimos, gargalhando, como se estivessem assistindo ao desenrolar da comédia humana, os peixes miúdos são humilhados, tendo a saúde e a família abaladas
Os “Andersons” da vida representam o boi de piranha da expressão popular brasileira. Os inocentes pagam pelos pecadores, que assistem de camarote à comédia humana.
“Boi de piranha” é uma expressão popular brasileira, usada para se referir a um indivíduo que é escolhido para levar a culpa pelo erro de um grupo todo, envolvido em tramoia. É usada quando alguém leva sozinho a culpa de um infortúnio.”
Alguém é sempre o “boi de piranha”, quando há uma situação de conflito no alto escalão da política do nosso País.
Segundo o professor Ari Riboldi, “o boi de piranha é aquele que se submete ou é submetido a um sacrifício, para livrar outra pessoa de uma dificuldade ou da culpa”.
No seu livro O Bode Expiatório, o professor conta que a expressão surgiu da antiga necessidade de atravessar o gado em rio com piranhas. O boiadeiro deveria escolher um animal velho ou mais fraco, feri-lo e colocá-lo na água em local acima ou abaixo do ponto de travessia. O sangue atraía as piranhas, que, rapidamente, devoravam o boi que sangrava.
Enquanto as piranhas devoravam o boi escolhido, os demais passavam pelo rio e seguiam a caminhada sem dificuldade e com êxito total.
É o que o Brasil está assistindo agora, estarrecido, na desastrosa CPI, que a mídia tem mostrado. Uma vergonhosa desumanidade.
Os corifeus do mal estão provocando choques anafiláticos no organismo social do nosso país.
Falta ao sistema político atual a moral social, que norteava os antigos governantes como Getúlio Dorneles Vargas e Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil de 1951 a 1956, e responsável pela construção da nova capital, Brasília – DF.
O boi de piranha sempre existiu, inclusive na política brasileira.
Caixinha, Obrigado – Juca Chaves – Gravação de 1960