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DEU NO JORNAL

ESTARÃO EM CASA

Jair e Michelle Bolsonaro estarão em Santa Catarina neste sábado (29), onde participam de evento do PL Mulher, em Florianópolis.

Ele recebeu quase 70% dos votos dos catarinenses no segundo turno de 2022.

* * *

Ou seja, 30% dos catarinenses votaram no descondenado.

Um percentual muito alto para aquele brioso estado.

Altíssimo!

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UM IDEÓLOGO NO IBGE

Editorial Gazeta do Povo

O economista Márcio Pochmann, indicado por Lula para presidir o IBGE.

O economista Márcio Pochmann, indicado por Lula para presidir o IBGE

O órgão governamental responsável por algumas das estatísticas mais importantes do país, que orientam inclusive a elaboração de políticas públicas, estará nas mãos de um ideólogo radical. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mede, por exemplo, indicadores como PIB, inflação e desemprego, será comandado pelo economista petista Márcio Pochmann. A escolha foi de Lula, que a empurrou goela abaixo da ministra Simone Tebet, do Planejamento, pasta à qual o IBGE é vinculado; a ela restou simplesmente dizer que sabia da intenção do presidente de apontar um nome e que, seja quem fosse o escolhido, ela acataria a indicação sem questionar. Sem um cargo público para manter, a economista Elena Landau, que “fez o L” no segundo turno depois de ter elaborado o programa econômico da campanha de Tebet, não economizou palavras: “é um dia de luto para a estatística brasileira”.

Landau e outros economistas que declararam voto em Lula no segundo turno e agora criticam a nomeação de Pochmann – caso de Edmar Bacha, que se disse “ofendido como ex-presidente do IBGE” – não podem alegar ignorância, pois sabiam (ou ao menos deveriam saber) muito bem que é prática corrente do PT rebaixar as instituições de Estado a puxadinhos do partido e de sua ideologia. Mas estão certíssimos na crítica, pois a passagem anterior de Pochmann por um cargo semelhante, a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre 2007 e 2012, dá todos os motivos possíveis para preocupação.

“Ele [Pochmann] demitiu técnicos da maior qualidade, interferia nas pesquisas, por uma razão puramente ideológica”, resumiu Elena Landau. Ela se refere ao miniexpurgo promovido por Pochmann poucos meses depois de assumir o Ipea, quando rolaram as cabeças de Fabio Giambiagi, Otávio Tourinho, Regis Bonelli e Gervásio Rezende, todos bastante qualificados, mas com visão econômica divergente daquela do petista. Dois anos depois, em 2009, o Ipea contratou 62 pesquisadores por meio de um concurso amplamente percebido como enviesado ideologicamente, feito sob medida para privilegiar quem tivesse um olhar mais alinhado com aquele de Pochmann e do PT. Um ex-chefe de área do Ipea, Paulo Tafner, afirmou ao jornal O Estado de S.Paulo que, durante aquela gestão, textos com conclusões “desagradáveis” eram engavetados, enquanto os simpáticos às políticas do governo eram rapidamente publicados. O trabalho de Pochmann à frente do Ipea ajudaria a lançar as bases do que ficaria conhecido depois como “nova matriz econômica”, que quebraria o Brasil no segundo mandato de Dilma Rousseff.

Pochmann deixou o Ipea em 2012 para tentar cargos eletivos, falhando em todas as tentativas (prefeito de Campinas em 2012 e 2016, deputado federal em 2018); mesmo longe do poder, continuou defendendo retrocessos e absurdos. Criticou a reforma da Previdência, a reforma trabalhista e até o Pix; propôs uma irreal jornada de trabalho de 12 horas semanais; e defendeu uma alíquota de 50% de Imposto de Renda Pessoa Física para quem recebesse mais de R$ 50 mil mensais. Em resumo, o principal órgão de estatística do país está entregue a alguém que tem posições jurássicas e já demonstrou que, com uma caneta na mão, não hesita em usá-la para fazer a realidade se dobrar à ideologia.

“Quem garante que ele não vai fazer isso [o que fez no Ipea] no IBGE?”, perguntou Elena Landau. Seu colega Edmar Bacha afirmou que Pochmann “não terá problema de colocar o IBGE a serviço dessa ideologia, como fez no Ipea”. Paulo Tafner foi ainda mais específico: “Não duvido que o cálculo da inflação seja alterado para fazer contraposição ao Banco Central”, disse. O temor refletido nessas afirmações é o de que o IBGE se torne um novo Indec. O órgão estatal de estatísticas argentino caprichou tanto na manipulação de dados durante a década passada que a revista britânica The Economist deixou de publicar os números oficiais da inflação argentina entre 2012 e 2017 por não considerá-los confiáveis – a suspensão se deu quando a Argentina era governada pela esquerdista Cristina Kirchner, e o retorno ocorreu já sob a presidência de Mauricio Macri. O fato de economistas que apoiaram Lula estarem questionando a futura credibilidade do IBGE antes mesmo que Pochmann seja empossado mostra que ele terá de se esforçar muito para comprovar que o órgão seguirá merecendo confiança.

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MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

BRICS MONEY

Rumores pelo mundo dizem que os países do BRICS estão muito perto de anunciar a criação de uma nova moeda, lastreada em ouro; talvez agora em agosto quando acontecerá uma reunião em Johanesburgo. Em que isso nos afeta?

Já falei tanto sobre a história do dinheiro que não vou repetir tudo; apenas relembrar que os Estados Unidos ganharam de presente a hegemonia econômica mundial quando os países europeus resolveram destruir a si mesmos em duas guerras estúpidas e inúteis. De 1945 para cá, todo o comércio mundial é feito em dólar, o que coloca os EUA em uma posição bem diferente de todos os outros países.

Desde que o presidente Nixon mandou às favas o acordo de Bretton Woods, em 1971, muita gente falou em criar alternativas para o dólar, mas quase nada aconteceu além de falação. Teorias da conspiração dizem que as invasões do Iraque de Saddam Hussein e da Líbia de Kadaffi aconteceram porque ambos queriam vender petróleo usando outras moedas. Se foi isso mesmo, Saddam e Kadaffi mostraram uma espetacular falta de visão em achar que poderiam sozinhos fazer algo dessa magnitude.

Mas as coisas andam acontecendo muito rapidamente nos últimos tempos, e agora quem está falando em abandonar o dólar e voltar para o ouro são duas potências nucleares. O que se pode concluir por enquanto?

Em primeiro lugar, óbvio, é preciso saber se os demais países vão aderir a esta nova moeda. Poucos anos atrás, ninguém apostaria nisso, mas os EUA deram-se um enorme tiro no pé ao bloquear unilateralmente reservas em dólar do Afeganistão e da Rússia. Todos os países perceberam que deixar todas as suas reservas na mão dos políticos de Washington não é uma boa idéia. A China, que tem um projeto de longo prazo para se tornar o próximo líder mundial, percebeu o momento favorável, agora que a Rússia precisa desesperadamente voltar a participar da economia mundial.

Se o projeto vingar, a consequência óbvia é que o dólar vai perder valor, mas isso não é o pior. Hoje, o governo dos EUA desfruta do privilégio de poder fabricar dinheiro muito mais impunemente que os outros países: como o dólar é demandado no mundo inteiro, os EUA acabam “exportando” boa parte da inflação que aconteceria no mercado interno.

Os Estados Unidos estão em um momento delicado: a dívida é enorme, a inflação está alta, o déficit também. A subida da inflação junto com a perda da confiança forçou uma subida dos juros. Só a despesa com esses juros já ultrapassa 1 trilhão de dólares por ano. O governo esperava poder continuar imprimindo dinheiro para pagar a conta até que as coisas se acalmassem. Se ocorrer uma queda brusca na demanda mundial pelo dólar, continuar fabricando dinheiro vai jogar a inflação para as alturas. Interromper a fabricação de dinheiro exigirá um profundo corte de despesas que não parece politicamente possível.

Por tudo isso, os inegáveis benefícios a longo prazo da nova moeda dos BRICS poderiam ficar em segundo plano diante da enorme tensão que causaria entre EUA e China no curto prazo. Sobre o desenrolar dessa tensão, pode-se apenas especular.

E para nós brasileiros, o que muda? Quase nada. É praticamente certo que essa nova moeda será usada apenas para operações de comércio internacional, e existirá apenas na forma digital, não em cédulas ou moedas físicas. Na verdade, trata-se mais de criar um sistema mundial de compensações que seja uma alternativa ao que existe hoje, baseado em dólar. Um sistema desses não é algo monolítico, que existe em um determinado lugar; é um conjunto de softwares, protocolos, contratos e regras que efetuam transferências de dinheiro de um lugar para o outro. Ou seja, é quase como o nosso sistema bancário, só que em nível internacional.

A possibilidade de que essa nova moeda passe a ser usada internamente em substituição ao real é mínima, por um motivo simples: uma moeda lastreada em ouro não pode ser inflacionada, o que é ótimo para os cidadãos mas é desagradável para os políticos. O mais provável é que continuaremos a usar um real sempre mais desvalorizado, e em breve totalmente digital (já falei sobre isso antes).

Um último ponto: jornalistas adoram expressões chamativas, e siglas como BRICS agradam em cheio. Só que na verdade a tal sigla é apenas isso, uma sigla. Trata-se de um grupo absolutamente heterogêneo de países (“um polaco de cada colônia”, diria minha avó) que têm pouca coisa em comum: o R é uma superpotência que se meteu em uma situação complicada e teme, com razão, virar uma ex-superpotência. O I e o C são superpotências de verdade que se odeiam. O B e o S são apenas amigos irrelevantes que foram incluídos na festa mas não decidem nada (“anões diplomáticos”, diria alguém). Assim, quando se diz que “os países do BRICS vão criar uma moeda lastreada em ouro”, seria prudente observar de quanto ouro estamos falando:

O gráfico acima mostra a quantidade de reservas em ouro de cada membro do BRICS (em toneladas, valores do primeiro trimestre de 2023). Juntando essa informação com a participação de cada país no comércio mundial e com a importância geo-política, fica óbvio que se trata de uma briga de cachorro grande. É torcer para que a briga não fique muito feia.

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CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

ALAGOAS DOS PRAZERES

Caminho de Moisés – praia de Ponta Verde

16 de setembro é dia da emancipação política do Estado de Alagoas. Fomos Pernambuco desde o descobrimento, desde as Capitanias Hereditárias (317 anos). O donatário da Capitania deu prioridade às vilas de Olinda e Recife e deixou o sul da capitania ao Deus dará. Os franceses perceberam a região abandonada, construíram o Porto dos Franceses (onde hoje é a praia do Francês) e durante 60 anos danou-se a derrubar nossa Mata Atlântica extraindo o valiosíssimo pau-brasil e contrabandeando para os países ricos da Europa. Os franceses foram os primeiros ladrões que despontaram nessa região. Eles exploraram a mão de obra dos índios caetés em troca de espelhos e bugigangas. Não construíram uma casa, não lhes interessavam colonizar, só roubaram nossas riquezas. No final do século XVI, Duarte Coelho, o donatário da Capitania de Pernambuco, se mancou, deu uma sesmaria a seu sobrinho para expulsar os franceses e iniciar a colonização do sul da Capitania de Pernambuco (Alagoas) criando três vilas: Porto Calvo, Santa Maria Madalena da Alagoa do Sul (hoje Marechal Deodoro) e Penedo. A partir do século XVII, a comarca de Alagoas desenvolveu sua economia e cultura. Porém, só foi emancipada em 1817 quando estava economicamente independente, quando havia formado o sentimento de pertencimento e teve uma desavença com o governo pernambucano. Surgiu a Província de Alagoas com capital na cidade de Alagoas (hoje Marechal Deodoro).

Alagoas é berço da República, proclamada e consolidada pelos Marechais Deodoro e Floriano. Alagoas das letras e das artes de Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Djavan, Aurélio Buarque, Cacá Diegues. Alagoas do esporte com Marta, Dida. Alagoas que sempre teve destaque político nacional para o bem ou para o mal. O Estado tem uma vigorosa história. Um fato marcante na História do Brasil aconteceu em Alagoas. Ariano Suassuna costumava dizer que para se conhecer o Brasil verdadeiro tem de conhecer a história da República dos Palmares, onde escravos fujões negros se organizaram na Serra da Barriga, no hoje município de União dos Palmares, e viveram em comunidade organizada por mais de 100 anos. Tropas coloniais portuguesas, depois de muitos anos, de vários ataques, conseguiram destruir o grande Quilombo liderado por Zumbi, o primeiro herói brasileiro. A República de Palmares durou quase todo o século XVII; havia mais de 20 mil escravos negros fugidos, organizados. Palmares resistiu a vários ataques e representou durante cem anos um grande incômodo às autoridades portuguesas, foi a primeira sinalização de brasilidade oriunda da África.

Para finalizar estas poucas linhas, quero homenagear meu Estado transcrevendo um texto, uma poesia, do paraibano Noaldo Dantas, que veio a serviço a Maceió, encantou-se com a cidade, adotou-a como sua pátria e ficou em Alagoas para sempre.

O DIA EM QUE DEUS CRIOU ALAGOAS – Noaldo Dantas.

Escrevi certa vez que Deus, além de brasileiro, era alagoano. Em verdade, não se cria um estado com tanta beleza, sem cumplicidade. Sou capaz de imaginar o dia da criação de Alagoas. Ô São Pedro, pegue o estoque de azul mais puro e coloque dentro das manhãs encarnadas de sol; faça do mar um espelho do céu polvilhado de jangadas brancas; que ao entardecer sangre o horizonte; que aquelas lagoas que estávamos guardando para uso particular, coloque-as neste paraíso. E tem mais, São Pedro: dê a esse estado um cheiro sensual de melaço e cubra os seus campos com o verde dos canaviais. As praias, ora, as praias deverão ser fascinantemente belas, sob a vigilância de altivos e fiéis coqueirais. Faça piscinas naturais dentro do mar; coloque um povo hospitaleiro e bom; e que a terra seja fértil e a comida típica melhor que o nosso maná. Dê o nome de Alagoas e a capital, pela ciganice e beleza de suas noites, deverá chamar-se Maceió, e a padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres.

OBS – ESSA É A PRIMEIRA CRÔNICA DO LIVRO “MACEIÓ, MINHA LINDA” A SER LANÇADO DIA 4 DE AGOSTO NO ARMAZEM GUIMARÃES, AV. AMÉLIA ROSA NA JATIÚCA ENTRE 18 E 22 HORAS. TODOS CONVIDADOS, ESTAREI AUTOGRAFANDO OS LIVROS A PARTIR DAS 17:00 HORAS.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

APELO SANTIFICADO

Aqui Ariando Suassuna sofreu com a enchente do Capibaribe. Foto de Rogério Maranhão

Inspirado na crônica de Jesus de Ritinha de Miúdo, excelente colunista deste JBF, lembrei-me de uma pesquisa sociológica que andei publicando há algum tempo, quando focalizei nomes incríveis de pessoas de várias classes sociais.

O assunto me despertou para complementos sobre o tema, e portanto, inspirei-me para dar continuidade aos nomes estranhos; todavia, justificando as razões das escolhas.

Poderei até repetir os nomes que já publiquei, porém, acrescentando as razões da adoção de tais aparentes destrambelhamentos.

ARIANO – Durante uma entrevista com o ilustre homem da cultura pernambucana – Ariano Vilar Suassuna – quando precisei um depoimento dele sobre Capiba – poeticamente me recebeu no terraço de seu belo casarão, na Rua do Chacon, em Casa Forte, um bairro nobre do Recife, onde proseamos.

E conversa vai conversa vem, indaguei e ouvi que a razão do seu nome havia sido escolha por seus pais, que eram muito católicos – Dr. João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna e de sua esposa d. Rita de Cássia Dantas Villar – que desejaram botar um nome de santo no 8º dos nove filhos que o casal teve.

Segundo uma de suas aulas-espetáculo Ariano falou que costumava repetir essa história e todos os espectadores achavam muita graça.

Os Suassuna sofreram com várias enchentes em sua residência porque a casa fica situada na beira do Rio Capibaribe. Numa delas, ao sentir que a coisa estava ficando perigosa para a família, transferiu todos para a residência de um parente e ficou tomando conta da casa, a fim de garantir-se contra vândalos.

Apavorado, ao notar que a água já estava começando a inundar o quintal, os oitões e o jardim, apelou para seu patrono, São Ariano. E deu certo. Foi atendido em sua súplica.

O rio começou a baixar e nada de pior aconteceu. Dias depois, pesquisando sobre a biografia do santo, veio a descobrir que ele falecera por afogamento.

Aí tá danado!…

Sem perder a compostura de sempre saiu com esta:

– Ainda bem que ele entendia o que era a angústia de se morrer afogado!

PENINHA - DICA MUSICAL