DEU NO JORNAL

DESACELERAÇÃO

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) sugerem desaceleração até do agronegócio.

As vendas de maquinários agrícolas caíram 3,6% de abril para maio.

* * *

Os dois únicos itens que têm sido acelerados de janeiro pra cá, com o PT no governo, são o arrocho de vida e a babaquice.

Determinar qual destes tópicos tem o maior percentual, é um estudo difícil.

É de estourar os miolos.

De quem tem miolos, claro.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

BOLO DE CARIMÃ NA PALHA – OU, O VEADINHO ESTÁ DE VOLTA

O bolo de carimã

Hoje, quando escrevo esta crônica, é sexta-feira. Tarde de sexta-feira, 7 de julho. Quem vai ler esta crônica, o fará no domingo, 9 de julho. Domingo, como outro qualquer, dedicado do descanso do trabalhador – aquele que não vive das benesses do “Bolsa Isso ou Aquilo”.

Pois bem. Ontem – para mim, esse “ontem” foi 6, mas, para vocês leitores, o ontem é 8 – atingimos uma data marcante e importante que ficou mais importante ainda, depois de concluirmos uma volta ao túnel da vida e das realizações.

Anteontem, 7 de julho, foi aniversário do tatu. É, aquele bichinho que, algum dia, por falta da imaginação de alguém, foi símbolo de um país participante de uma Copa do Mundo de Futebol.

Para quem algum dia se alimentou de cactus assado, manguste (que, na verdade, nada mais era que manga verde cozida com açúcar), bebeu água de mucunã, ou foi obrigado a espetar beija-flor, mucura ou aruá para “encher a barriga” com alguma coisa, comer um tatu não é coisa do outro mundo.

A vida é uma dádiva divina. Ela pode chegar até você sem alarde e você precisa ter sensibilidade para perceber. Ela não toca nenhum sino, nem manda e-mail ou faz selfie.

Contar o que tenho gravado mentalmente levaria tempo e seria enfadonho para quem lê. Mas, não custa nada dizer que, um dia, comi o pão que o demo amassou, e tatu.

Como não me sinto capaz de julgar a mim, não sei se mereci. Comer tatu é um prêmio de Deus, à quem há muito entreguei meu destino e o restante dos meus dias.

Sou feliz ao meu modo. Comendo tatu.

Tudo que foi dito antes, tinha apenas uma intenção. Dizer que faria o que fosse possível para voltar 50 anos atrás, e ao lado da minha santa avó Raimunda Buretama, sentar na latada para “pegar um vento” e comer um naco de pé de moleque com café torrado e pilado em casa.

Ela, sentada na beirada da calçada, sem vestir calcinha, deixando o vento bater – e não entrar na xereca.

Uma maravilha!

Falando de flores – Lembrando Geraldo Vandré, e para não dizerem que não falei de flores, me nego peremptoriamente a desperdiçar este nobre espaço – falando de pústulas.

Pústulas da política brasileira. Uns merdas. Vendidos, que pensam que levarão o dinheiro nos caixões, quando baterem as botas.

Para que não fique nada encoberto, esse pequeno parágrafo tem relação com um deputado merdinha, cheio de frescuras, metido a gente, que gosta de cuspir na cara dos outros. Sequer merece ter o nome citado aqui por mim. E não o farei.

Um bosta!

Veado que, de uma hora para outra, resolveu voltar a queimar a rosca dele, de novo, entre nós.

E é aí que, sem sentar na latada da casa para comer pé de moleque, evoco minha falecida e santa Avó para dizer o que ela diria:

– Fii, quem dá valô à bosta – é um merda!

DEU NO JORNAL

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Matias Aires

Matias Aires Ramos da Silva de Eça nasceu em 27/3/1705, na Capitania de São Paulo. Filósofo, escritor e tradutor, considerado o maior nome da Filosofia de Língua Portuguesa do século XVIII. Foi Cavaleiro da Ordem de Cristo, provedor da Casa da Moeda de Lisboa e autor do famoso livro Reflexões sobre a vaidade dos homens, publicado em 1752.

Filho de Catarina de Orta e José Ramos da Silva, provedor das expedições que encontraram ouro nas Minas Gerais. Segundo Alceu Amoroso Lima, “a figura de José Ramos da Silva, e a sua ascensão de criado de servir a magnata máximo da fortuna paulista do século XVIII, tornou-se um dos tipos mais representativos do Brasil Colonial.” Seu filho Matias estudou no colégio jesuíta de São Paulo e aos 11 anos, a família mudou-se para Lisboa, onde o pai era amigo de D. João V e foi designado para o cargo de Provedor das Casas de Fundição. As filhas foram estudar no Convento de Odivelas e Matias ingressou no tradicional Colégio de Santo Antão. Em 1722 entrou na Faculdade de Direito de Coimbra.

Continuou os estudos na Galiza, obtendo os diplomas de Bacharel em Filosofia e Mestre em Artes. Em 1728 foi estudar na Sorbonne, em Paris, e obteve diplomas em Direito Civil e Canônico. Retornou a Lisboa em 1733 e passa a viver numa de suas Quintas, tornando-se notável literato e naturalista. Por essa época manteve longa amizade com Antonio José da Silva, “o Judeu”, que procurou salvá-lo da fogueira da Inquisição, sem sucesso. Com a morte do pai, em 1743, o substitui no cargo de Provedor da Casa da Moeda. Passa a residir no Solar das Janelas, atual Museu de Arte Antiga, levando uma vida suntuosa e dilapidando a herança paterna. Por esta época inicia uma disputa jurídica com a irmã Teresa Margarida (conhecida como a primeira romancista em língua portuguesa) visando obter a melhor parte da herança, sem sucesso. Em 1761 não se deu bem com as reformas do Marquês de Pombal e foi destituído do cargo de Provedor, agravando sua situação econômica. Veio a falecer em 10/10/1763 numa condição distinta daquela vida de riqueza levada até então.

Foi nesse contexto que escreveu, num tom pessimista, a Carta sobre a fortuna, onde declara “E assim nada espero da fortuna, nem a fortuna de mim pode esperar nada; porque o meu talento foi discursivo sempre, operativo nunca, e a fortuna quer obras e não palavras… Tudo sei para dizer, mas para fazer só sei que não sei nada. As minhas artes são todas em pensamento e por isso são justamente desgraçadas, porque a fortuna não pode fazer milagres” A Carta foi incluída, a partir de 1778, em sua obra mais conhecida Reflexões sobre vaidade dos homens: discursos morais sobre os efeitos da vaidade, publicada em 1752.

Esta é sua obra mais conhecida e teve origem, segundo o estudioso Carvalho Reis, na vida faustosa levada pelo seu pai e que foi continuada pelo filho, que não obstante a deferência com que era tratado no Brasil, “agora era apenas o filho de um dos tais mineiros que o povo da corte invejava, mas não estimava”. Tais experiências terão ensinado, posteriormente, ao filho que a vaidade própria tende a ofender a vaidade alheia, dando início ao seu interesse em refletir sobre o assunto. Tais reflexões ocorreram a partir do trecho bíblico extraído do Eclesiastes: “Vanitas vanitatum et omnia vanitas” (Vaidade das vaidades, tudo é vaidade).

Antes dele, o Padre Antônio Vieira também refletiu sobre a vaidade, mesmo não considerando a vaidade como um pivô, tal como Matias Aires. Segundo Vieira “Os homens, como somos camaleões da vaidade, mudamos de cor a cada mudança de vento: quantos são os ventos de que nos sustentamos, tantas são as cores de que nos vestimos”. Claro que esta falha moral foi criticada pelo Padre: “Portai-vos de tal maneira, sendo sempre o mesmo, que vos possam todos louvar, ao menos que vos possam conhecer”.

Ainda segundo Alceu de Amoroso Lima, o culto à ciência foi levado para Portugal por Matias Aires, completamente embebido de cartesianismo e influenciado pelo naturalismo científico que o século XVII legara ao século XVIII. Assim ele foi um dos grandes humanistas do século XVIII, comparado à Montaigne e La Rochefoucauld. É considerado um dos que abriram caminho aos estudos e ao cientificismo em Portugal. Trata-se de um filósofo relativamente pouco conhecido no Brasil, talvez devido ao fato de apenas ter nascido no Brasil colonial e ter vivido em Portugal desde os 11 anos. Isto tem levado a uma discussão se ele era português ou brasileiro. Tal discussão se deve ao fato de na primeira Constituição Brasileira, de 1824, e primeira Constituição Portuguesa, de 1822, não existirem referências sobre “nacionalidade”. Assim, ele pode ser considerado paulista, brasileiro e português, i.é um polipátrida.

É patrono da cadeira nº 6 da Academia Brasileira de Letras e da cadeira nº 3 da Academia Paulista de Letras, onde é considerado o primeiro filósofo brasileiro. O professor Antonio Pedro Mesquita, doutor pela Universidade de Lisboa, deixou um alentado estudo sobre o filósofo: Homem, sociedade e comunidade: o pensamento de Matias Aires, publicado em 1998 pela Imprensa Nacional, em Lisboa.

Matias Aires: “Reflexões Sobre A Vaidade Dos Homens”

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOAQUIM DE MEDEIROS – JOÃO PESSOA-PB

Caro Editor:

Eu soube que o Papa Chiquinho está avaliando a canonização de Lula.

Isso por conta da multiplicação de idiotas e da divisão de pão com mortadela.

É verdade isto?

Um abraço paraibano.

R. Caro leitor, eu sou Papa da ICAS, a Igreja Católica Apostólica Sertaneja.

De modo que não tenho informações sobre a igreja do militante argentino Chiquinho.

Mas você pode aguardar que os nossos leitores, com certeza, terão alguma informação.

Disponha sempre.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

REFORMA TRIBUTÁRIA

Dado e Traçado, este texto é dedicado a Marcos André e ao economista Luiz Carlos de Freitas

No grupo de zap do Cabaré do Berto sai de tudo e alguma coisa. Como diria o Cardeal Jessier Quirino, “de atracação de navio até acasalamento de muriçoca” tem um monte de alucinados que com voz e vez, embora recentemente uma cabeça, cheia de teia de aranha, tenha dito que “a internet deu voz a muitos imbecis.” Não no JBF. Bertoluci, por exemplo, falou sobre comércio exterior e nesse bojo econômico, faço alguns comentários sobre a reforma tributária.

Onde diabos entra Marcos André nessa reforma? É que no “Cabaré do Berto” ele postou um vídeo de um deputado “brabo que só galinha para largar o choco”, mas macho que uma galinha embaixo de um galo, vociferando que a reforma não passaria. Eu enumerei 5 pontos, cada um em uma linha, e agora eis a reforma seguindo para o senado. Pode ser mudada, claro, mas dificilmente será.

Eu já fiz comentário, aqui mesmo, de que o Brasil poderia ser mais eficiente na cobrança de impostos. Não precisava aumentar impostos para aumentar a arrecadação, bastaria melhorar aspectos de cobrança e incidência para acabar com a indecência. A CPMF foi o imposto mais simples e eficiente que eu conheci até hoje. Difícil de ser sonegado e por essa razão, foi extinto. Unir imposto facilita bastante e o Simples fez isso no passado quando permitiu que alguns impostos sobre faturamento das micros e pequenas empresas pudessem ser incorporados numa só cobrança.

O IVA – Imposto sobre Valor Agregado tem essa conotação, mas aquilo que parece igual é um pouco diferente. Entende? Essa proposta afeta a arrecadação de impostos estaduais e municipais e a competência constitucional de legislar sobre isso é do estado e do município. Então, na integra estão violando um direito fundamental básico: a autonomia do estado e do município. Em adição, estão colocando o estado e o município nos braços da União. Ou seja: transformam dois entes independentes num reles garoto que sobrevive da mesada do papai. Posso estar errado, mas o sentimento que tenho é que haverá, de fato, uma centralização muito grande de poderes nas mãos da União.

A questão do “cashback” me lembrou bastante a decisão de Fachin ao anular os processos contra Lula: a competência do julgador não é um o crime aconteceu, mas onde o produto foi usufruído. Agora, o imposto será cobrado no destino final, ou seja, no comércio ou na indústria intermediária que compra matéria prima para a produção. Por exemplo, o pessoal de Petrolina que produz vinho, deixará de pagar IPI na produção, mas o cara que comprou os vinhos para revender, pagará…. ops! Quem paga imposto é quem compra. O vendedor recolhe o imposto. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, encargos sobre folha de pagamento, PIS/COFINS são devidos pelas empresas e são estes que serão afetados com a reforma. Não vi ainda a questão dos encargos sociais.

Alguns estados poderão perder com isso e muito. Veja São Paulo, por exemplo. Como maior economia do país, o estado pode se beneficiar quando produz muito e compra pouco como produto final, mas compra muito como beneficiador de matéria prima que forma o custo de produção e sobre este é colocado o mark-up para formatar o preço de vendas. No ponto final, o cara que comprou vai comprar um produto que veio com um imposto embutido e vai pagar o IVA sobre isso. Confesso que não sei bem como isso vai simplificar a vida das pessoas, mas como Lula é ladrão é tem gente que o defende até a morte, acho que vão nos convencer de que essa porra vai dar certo.

Embora a grande mídia esteja tratando a reforma tributária como a maior ocorrência desse século, cabe dizer o seguinte: há duas formas de se apurar o PIB de um país: a preços de mercados (para evitar o tecnicismo considere como sendo pela receita do produtos vendidos) e a custos de fatores (onde cada segmento incorpora seu custo de produção) e a diferença entre estes dois métodos é….. os impostos cobrados! Então, para mim, os caras estão mudando a forma de cobrança de impostos, mas não a essência da tributação. Concordo plenamente que se deve acabar com o efeito cascata da tributação. É horrível, mas tem outra coisa: isso é experimental. A implantação será gradativa e os efeitos…

Bem, em relação aos efeitos, o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, um dos órgãos de maior respaldo econômico aqui no Brasil, declarou que até 2032 (daqui inté 10 anos) o Brasil deverá crescer 2,39%, ou seja, uma contribuição anual de 0,23% no PIB. Uma questão positiva é que há uma previsão de redução de impostos em alguns setores. Mas, eu não entendo o seguinte: Bolsonaro isentou impostos federais sobre combustíveis e quando brigou pela redução do ICMS, na verdade pela fixação do ICMS sobre combustível em 17%, todo mundo disse que o estado ia quebrar. E agora estão acreditando que haverá grana para manter investimentos?

Francamente, espero que os estados e municípios não precisem mendigar em Brasília para obter recursos. Eu fico bastante preocupado porque os recursos que sustentam a seguridade social são PIS, COFINS e CSLL (tem os prognósticos das loterias da CEF também). Vai faltar grana para seguridade social? Como ficam as fontes dos recursos dos programas sociais do governo?

DEU NO JORNAL

MADURO ATACA NOVAMENTE, E LULA FINGE NÃO VER

Editorial Gazeta do Povo

A opositora venezuelana María Corina Machado foi tornada inelegível por 15 anos.

A opositora venezuelana María Corina Machado foi tornada inelegível por 15 anos

As duas maneiras mais fáceis de vencer uma eleição são fraudá-la ou eliminar a concorrência. Por via das dúvidas, as “democracias relativas” amigas do presidente Lula costumam fazer ambas as coisas. Em novembro de 2021, o ditador nicaraguense Daniel Ortega conseguiu uma “reeleição” vetando a participação de observadores internacionais e, o mais importante, dissolvendo partidos políticos e prendendo sete candidatos oposicionistas, todos eles em posição de vencer Ortega caso pudessem concorrer (e caso não houvesse irregularidades na contagem dos votos, evidentemente). A Venezuela do ditador Nicolás Maduro já providenciou roteiro semelhante para as próximas eleições presidenciais, em 2024.

Nas “eleições” legislativas de 2020, o Poder Judiciário venezuelano e a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) já haviam realizado uma intervenção nas principais legendas de oposição ao bolivarianismo: o Voluntad Popular, o Acción Democratica e o Primero Justicia. Líderes partidários foram destituídos e trocados por outros, à revelia das bases partidárias. Até mesmo legendas de esquerda não alinhadas a Maduro foram vítimas desse “sequestro”, que teve como consequência bizarrices como a presença de generais chavistas na lista do Primero Justicia. O resultado, obviamente, foi uma oposição inexistente nas urnas e a “vitória” esmagadora – e ilegítima – do chavismo. Mas, se em 2020 a estratégia foi dar um verniz de pluralidade à disputa, permitindo a presença dos demais partidos, ainda que desfigurados, para 2024 a perseguição se tornou ainda mais explícita.

Em junho, uma leva de inelegibilidades arbitrárias atingiu os principais nomes da oposição a Maduro, como Henrique Capriles, duas vezes candidato à presidência do país; Juan Guaidó, ex-presidente interino do país até que a Assembleia Nacional legítima extinguisse o cargo no fim do ano passado; e María Corina Machado, que despontava como o principal nome das forças democráticas para o pleito do ano que vem. Para tirar María Corina do páreo, a Controladoria-Geral venezuelana requentou uma condenação de 2015 por supostas irregularidades administrativas; sem nenhuma previsão legal, a pena de um ano imposta naquela ocasião foi reativada a pedido do chavismo e ampliada para 15 anos.

A coalizão democrática Plataforma Unitária segue empenhada em realizar suas primárias de qualquer maneira, em outubro, inclusive com a participação de María Corina, mas deve esbarrar em um outro obstáculo: a renúncia coletiva e aparentemente inexplicável de todos os cinco membros da CNE, movimento iniciado pelos três membros incondicionalmente alinhados ao chavismo. “Aparentemente”, pois há método na loucura: por mais que houvesse dois representantes da oposição no antigo CNE, Maduro já tinha maioria garantida e, a rigor, não precisaria de um colegiado que lhe fosse ainda mais leal; a ausência de uma autoridade que supervisione as primárias da oposição, no entanto, dará à ditadura todos os motivos possíveis para deslegitimar o processo de escolha do candidato democrático e removê-lo da disputa, seja quem for o vencedor das primárias. Com um Judiciário e um novo CNE ainda subservientes ao ditador, isso poderia ser feito sem problema algum.

Várias nações e blocos que não relativizam a democracia já se pronunciaram, como os Estados Unidos e a União Europeia. Dentro do Mercosul, que no passado já protagonizou uma manobra vergonhosa para permitir a adesão a Venezuela mesmo desrespeitando claramente a cláusula democrática do bloco, a voz da razão tem sido a do uruguaio Luís Lacalle Pou, que já havia criticado Lula quando o brasileiro estendeu o tapete vermelho a Maduro e chamou de “narrativas” as críticas à ditadura chavista. Por sua vez, Lula se declarou subitamente acometido de uma falta de informação incomum para alguém que é sempre tão cheio de certezas quando se trata de defender os ditadores camaradas. “Não conheço pormenores do problema com a candidata da Venezuela, pretendo conhecer”, disse o brasileiro na terça-feira, após a reunião do Mercosul na qual o Brasil assumiu a presidência do bloco.

Quando não é possível relativizar, finge-se desconhecer – eis o roteiro com que Lula envergonha o Brasil diante do mundo todo. Remover adversários políticos da disputa eleitoral de forma arbitrária, fora da lei, ainda que se dê à perseguição uma aparência de legalidade, com decisões judiciais ou de colegiados, não é prática de democracias, mas de repúblicas bananeiras. Ao se dizer incapaz de fazer um julgamento tão óbvio sobre algo que foi rapidamente percebido por toda aquela parte da comunidade internacional comprometida com a democracia, o brasileiro volta a reafirmar que está do lado dos ditadores.

COMENTÁRIO DO LEITOR

POR UM FIO

Comentário sobre a postagem O QUE DIRÁ O CRIADOR DO “PAI NOSSO”?

Mauro Pereira:

Na eleição presidencial de 2022, a cnbb teve participação direta, importante e decisiva na eleição de lula da silva – amigo do peito e defensor ferrenho do criminoso ortega, ditador da Nicarágua que está erradicando o cristianismo do seu país -, à presidência do Brasil.

Aqueles que se vestiram de fiéis – uns, vencidos pela ideologia que cega, outros, tomados pelo oportunismo que corrompe – a seguiram. Cederam a alma à tentação.

Reavê-la? Isso é entre eles e o Criador.

Orar por eles? Como cristão, é o que me resta.

Como cidadão? Não deixar cair no esquecimento que, em nome de Jesus, votaram em Barrabas!

Lembrá-los, sempre, que passaram janja na frente.

Em nome da fé (deles), saudá-los com um efusivo “ALELULA, MANO!”

O cristianismo por um fio.

* * *

Lula não condena a ditadura da Nicarágua | BRADO JORNAL

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

CENSURA

Doutor, não cale o poeta,
Deixe o poeta cantar!

Mote de Zé de França

Seu doutor, não prive a fala
Que ecoa nas emoções…
Dos sofridos corações
Cujo a solidão faz sala.
Não cale aquele que cala
O sofrer e o penar…
De quem sofreu por amar
E foi taxado de pateta,
Doutor, não cale o poeta,
Deixe o poeta cantar!

Jr. Adelino

Deixe que as suas rimas
Sigam pela amplidão,
Que as cordas do bordão
Façam duetos com as primas.
Deixe falar sobre climas,
De sertão, agreste e mar,
Da beleza do luar,
Das orações do profeta.
Doutor, não cale o poeta,
Deixe o poeta cantar!

Wellington Vicente 

DEU NO JORNAL