DEU NO JORNAL

MANIFESTO

Respondendo à Carta do Cinismo, lançada nesta semana por apoiadores do ex-presidiário Lula, o Movimento Advogados de Direita lançou um manifesto opositor, em defesa dos Direitos Fundamentais dos brasileiros que giram em torno da Liberdade de Expressão.

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MANIFESTO À NAÇÃO BRASILEIRA

EM DEFESA DO BRASIL E DAS LIBERDADES DO POVO, PELO POVO E PARA POVO.

Nós, o povo brasileiro, na defesa do Brasil e das Liberdades do Povo, pelo Povo e para o Povo, e, em apoio ao Presidente do Brasil Jair Messias Bolsonaro nos dirigimos à Nação Brasileira, para declarar que sem liberdade não há democracia, sem justiça não há liberdade, sem honra não há respeito, sem dever não há ordem e progresso, sem piedade não há amor e humildade e sem esperança iremos sucumbir.

Há em nosso País a gravíssima tentativa da consolidação da “ditadura do pensamento único” que vem impondo a censura e desmonetização dos meios de comunicação independentes e de perfis de redes sociais de brasileiros.

Testemunhamos a instauração de inquéritos ilegais e inconstitucionais com o simples objetivo de criminalizar a opinião contrária, pelo órgão que deveria zelar pelos direitos fundamentais da população, abolindo nossas liberdades individuais e garantias fundamentais.

Somos um povo pacífico, que ama sua nação, que defende a democracia e as liberdades. Não podemos renunciar as liberdades que Deus nos deu. Nosso dever é lutar pelo que já conquistamos, por aquilo que cremos, por nossa fé, pelo direito de ir e vir, pelo direito de se expressar.

Qualquer pessoa deve ter o seu direito de se expressar livremente sem qualquer tipo de limites. A liberdade de expressão é o que permite o diálogo entre pontos de vista diferentes, antagônicos.

Sem o direito de se expressar, sem essa liberdade todos os demais direitos estarão prejudicados. A liberdade de expressão inclui o direito a fazer críticas, ou seja, a criticar quem quer que seja. Parcela da população brasileira hoje não pode usufruir desse direito. Está sendo impedida por pessoas que deveriam garantir.

Não é aceitável que um lado tente imputar a nós, um povo livre e pacífico, a condição de incentivadores de atos antidemocráticos e de divulgadores de fake News. A verdade é que uma pequena parcela da população detentora de poder, não aceita críticas. Não aceita escutar a opinião do POVO, do PODER SUPREMO DE UMA NAÇÃO DEMOCRÁTICA.

Os milhões de cidadãos brasileiros, incluindo o Presidente da República Federativa do Brasil, o Exmo. Sr. Jair Messias Bolsonaro em suas liberdades individuais buscam posicionar-se perante a sociedade com opiniões acerca de temas importantes para nação, no entanto, estamos sofrendo ataques infundados por pessoas que não respeitam opiniões diferentes.

Nossas convicções de DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA E LIBERDADE em nada ofende quem quer que seja e tampouco ameaça a democracia como tanto repetem. Precisamos estar unidos para defender as LIBERDADES, porque SEM LIBERDADE NÃO HÁ DEMOCRACIA.

Por fim, concluímos este Manifesto com a seguinte expressão de Alexis de Tocqueville:

“Democracia amplia a esfera da liberdade individual, o socialismo a restringe. Democracia atribui todo o valor possível de cada homem; socialismo faz de cada homem um mero agente, um mero número. Democracia e socialismo não têm nada em comum além de uma palavra: igualdade. Com uma grande diferença: enquanto a democracia procura a igualdade na liberdade, o socialismo procura a igualdade no controle e na servidão”.

Deus seja Louvado.

Brasil acima de Tudo.

República Federativa do Brasil, 28 de julho de 2022

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NILSON ARAUJO – RECIFE-PE

Berto,

sou novo por aqui mas me atrevo a um comentário:

Vi agora no plim plim a GAGUEIRA da Miriam Leitão para tentar explicar as quedas no desemprego neste país abençoado por Deus!

O danado foi o comentário da âncora:

“É bom, MAS NEM TANTO”.

Realmente, cair de 13 milhões para os 10 milhões atuais, ainda sobre efeito da pandemia, é resultado pífio…

R. Se é novo por aqui, seja muito bem vindo, meu caro.

Use e abuse deste espaço.

Ótimo termos um novo leitor do Recife nesta gazeta escrota.

E os fubânicos que quiserem ver no plim plim a matéria citada por você, é só clicar aqui.

Abraços e um excelente final de semana!

DEU NO X

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

TRECHO DO ROMANCE “JEQUIÁ”

Certa terça-feira, Dr. Bernardo atendeu uma senhora, pouco mais de quarenta anos; a filha estava com um problema, foi medicada, mas não houve melhora. A senhora pedia para que o doutor socorresse a doente de treze anos, estava delirando de febre deitada na cama em sua casa há três dias. De tão fraca, não pôde levar a filha ao consultório. Pedia pelo amor de Deus para que ele fosse à sua casa. Ao terminar as consultas, a senhora, nervosa, ansiosa, estava esperando Bernardo na calçada. Quando ele abriu seu carro, ela imediatamente pediu licença, abriu a porta e sentou-se ao lado do doutor. Nesse momento, informou que sua casa ficava na lagoa de Jequiá, distante cerca de quarenta quilômetros de Maceió. Dr. Bernardo não gostou, achou um incômodo abusivo, mas por sua infinita paciência e bondade, ele se pôs a caminho, apenas reclamou que era longe. Enquanto o carro percorria a estrada, Moema, para distrair, descontrair e sensibilizar o Doutor, contou pedaços de sua vida. Era pescadora e marisqueira. Vivia do comércio de peixe. Nasceu e cresceu à beira da lagoa Jequiá, de onde tira seu sustento. Casou-se aos dezoito anos com um pescador. Tinha amor ao Zeca de Miúda, era poeta e tocador de viola. Ela gostava de suas brincadeiras, porém o Zé tinha um defeito, era esquentado, brigava por tudo. Gostava de beber e frequentar os bares. Uma noite, houve uma briga em um bar perto de Coruripe, mataram o Zeca. Ela ficou viúva, sem filhos, mas tinha uma casinha à beira da lagoa onde mora até hoje. Chorou, sentiu muito a morte do marido, mas tinha de continuar a vida. Gosta de brincar na sua comunidade, na época do Natal ela organiza pastoril e outras festas. Dançar e cantar era com ela mesma. Certo dia conheceu um caixeiro viajante num carro velho, vendia vestido, fazenda, sapato, perfume, essas coisas que mulher gosta. O homem se enxeriu, ela topou, terminaram se juntando, ficaram morando na sua casa. Ele, toda segunda-feira, fazia compras em Maceió e saía mundo afora vendendo seus mangaios. No fim de semana, retornava à Jequiá. Foram três anos de amigação. Até que um dia ele saiu para trabalhar e desapareceu, ninguém mais soube dele. Deixou uma criança em sua barriga. Era essa filha que estava doente. Quando acabou de contar a história, o carro chegou à lagoa de Jequiá.

Dr. Bernardo não conhecia a lagoa, ficou fascinado com o cenário, um espelho d’água refletindo o céu. Entraram pelo jardim até à casa branca de duas janelas e uma porta, verdes. O piso rústico de tijolo batido. No centro da sala, destacava-se uma mesa de madeira antiga com seis cadeiras pesadas, duas poltronas e um sofá completavam o ambiente. As paredes decoradas com motivos de pesca, uma tarrafa, um quadro da lagoa de Jequiá, presente do artista Alex Barbosa, e uma folhinha marcando o dia do mês e seu santo. A casa tinha três quartos, um banheiro e uma cozinha. A parte do fundo era avarandada e havia um pequeno quintal à beira da lagoa.

– Doutor, a Jurema está nesse quarto – disse Moema, abrindo a porta.

Encontraram a jovem deitada coberta com dois lençóis, tremia de frio, febril e tossia muito. Bernardo perguntou sua idade.

– Amanhã faço treze anos – respondeu Jurema com voz trêmula.

O doutor mandou-a sentar, era uma moçona. Fez alguns exames com o estetoscópio e as mãos experientes. Chegou à conclusão, diagnosticou pneumonia. Ferveu uma seringa na cozinha e aplicou na nádega um forte antibiótico, havia apenas uma ampola em sua maleta. Deu-lhe aspirina e mandou continuar em repouso. A menina estava com fastio, recomendou sopa de carne. Foi uma consulta rápida, a experiência do Dr. Bernardo valeu. Moema fez questão que ele tomasse um cafezinho; ele se desculpou, tinha pressa em retornar a Maceió, antes do escurecer. Marcou com Moema na tarde seguinte para lhe dar mais quatro ampolas do antibiótico, amostra grátis. Perguntou se havia alguém no povoado que aplicasse injeção. Moema aplicava, fez um curso de Enfermagem e quebrava o galho de todos que precisavam de sua ajuda no povoado. Dr. Bernardo retornou a Maceió, satisfeito com ele mesmo. Gostava de atender o povo carente.

Na tarde seguinte, Moema apareceu no consultório, feliz da vida, a filha havia melhorado bastante com a medicação. Bernardo lhe deu mais quatro ampolas de antibiótico e outros medicamentos amostra grátis, ela agradeceu e retornou imediatamente à lagoa de Jequiá em sua kombi velha de entrega.

Moema vendia peixe em Maceió duas ou três vezes por semana, tinha fregueses cativos, entregava nas casas, recebia no final do mês. Passou a aparecer no consultório, levava peixe, camarão, siri, embrulhados em folhas de bananeiras. Dr. Bernardo dividia entre as outras médicas e Anita, a recepcionista. As carapebas, ele levava para casa.

TRECHO DO ROMANCE “JEQUIÁ” QUE SERÁ LANÇADO DIA 12 DE AGOSTO ÀS 19 HORAS NA ACADEMIA ALAGOANA DE LETRAS, PRAÇA SINIMBU. TODOS CONVIDADOS.

DEU NO X

A PALAVRA DO EDITOR

O NETO QUERIDO DE UM VOVÔ BABÃO

Meu querido neto Pedro Henrique Berto – que já me deu um casal de bisnetos -, é oficial de carreira da PM de Brasília.

Exerce o posto de Capitão e deverá ser promovido a Major no próximo ano.

Em setembro de 2019, fiz aqui uma postagem falando sobre ele.

A coluna do Peninha no JBF, que publica somente músicas, também fez uma postagem com ele em janeiro deste ano.

Na foto abaixo, Pedro parece ao lado da mãe, minha primogênita Patrícia.

A foto foi feita domingo passado, dia 24 de julho, durante a solenidade de conclusão do curso para Oficial Superior.

Embora seja militar de carreira – também bacharelado em Direito -, a paixão de Pedro é a música.

Ele toca bandolim desde criança e está sempre participando de eventos musicais

Esta semana Pedro chegou de Brasília com a esposa e fui pegá-lo no aeroporto.

Na bagagem, trouxe o seu inseparável bandolim.

Ele veio pra assistir ao FIG – Festival de Inverno de Garanhuns, um evento musical de muito sucesso que acontece todos os anos naquela bela cidade pernambucana.

Levei o casal ontem pra rodoviária. Embarcaram e já chegaram em Garanhuns.

Mas antes de viajar, Pedro e meu filho João se reuniram no terraço aqui de casa pra tocar algumas músicas.

O papai-vovô  coruja, com um filho adolescente de 15 anos e um neto adulto de 33, ficou só apreciando e se babando.

Vejam o vídeo com uma das várias músicas que eles tocaram.

Detalhe: nenhuma dos dois é canhoto.

Aparecem tocando com a mão esquerda por conta da filmagem invertida do celular de Aline.

DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

A VELHA SENHORA

Assim os torcedores da Juventus (Turim, Itália), La Juve, chamam seu time – La Vecchia Signora. E agora (quarta da semana passada), quando a Academia Brasileira de Letras fez 125 anos, podemos também assim chamar, com carinho, nossa Casa. Aproveito para lembrar.

CABECEIRAS DAS MESAS. Ninguém mais senta nelas. Isso vem de quando, por deferência, lá ficavam só os mais velhos. Dando-se, com frequência, serem os próximos a morrer. A partir daí, virou regra. Dá um azar danado. Melhor mesmo é deixar as cabeceiras vagas e sentar nas outras cadeiras.

PANELINHA. Na criação da Academia, intelectuais se reuniram em torno de Machado de Assis, com almoços servidos em uma pequena panela de prata (que está, hoje, no Museu da Academia). O utensilio acabou dando nome ao grupo. E, depois, a expressão ganhou mundo.

MULHERES. Demoraram a entrar na Academia. Lúcia Lopes, cogitada para ser uma as fundadoras, acabou vetada. Por ser mulher. Primeira a ser admitida foi Raquel de Queiroz (autora de Memorial de Maria Moura), 80 anos depois da fundação. E, primeira presidente, ainda mais tarde – a consagrada Nélida Piñon, 99 anos depois.

MAIS LONGEVOS. O caruaruense Austregésilo de Athayde permaneceu, na presidência, por 35 anos. E, na cadeira, Magalhães de Azevedo ficou lá durante 66 anos (morreu aos 91 anos). Como ninguém mais é eleito com 25 anos (seu caso), não haverá outro.

SEM LIVROS. Apenas Graça Aranha foi eleito sem haver escrito um único livro (toda sua obra é posterior). Certo dia, enlouqueceu e começou discurso dizendo que o lugar era um “Túmulo de Múmias”, após o que proclamou “Morte à Academia”. A reação dos acadêmicos foi passear, pela sala, carregando Coelho Neto (o mais velho ali presente) nos ombros. Graça renunciou mas a eleição do substituto esperou, que vagas ali ocorrem só com a morte dos acadêmicos.

VAGAS. Getúlio Vargas ‒ à época todo poderoso no país ‒ queria pertencer à academia. Só que faltava lugar, que não morria nenhum confrade. Foi quando Ataulfo de Paiva se prontificou “Não seja por isso, Presidente, se quiser eu me suicídio”. Não precisou, graças a Deus. Sobre Jorge Amado consta lenda de ter feito promessa a sua mulher, Zélia Gattai, de que ela entraria. Mas, novamente, não havia vaga. E ela insistia. Foi quando Jorge, elegante como sempre foi, preferiu morrer para que a mulher acabasse eleita no lugar que era seu. Non è vero, ma…

EMILIO DE MENEZES. Eleito, a Academia não permitiu que assumisse a cadeira. Por conta de críticas, no seu Discurso de Posse, a muitos acadêmicos. E ele não aceitou alterar nada. Só para uma ideia, veja-se o que disse (trecho) do confrade Oliveira Lima, no soneto O Plenipotenciário da Facúndia (da eloquência, pois). Começou

– De carne mole e pele bobalhona
Ante a própria vaidade se extasia
Sendo Oliveira, não dá azeitona
Sendo Lima, é quase melancia”.

E acabou

– Assim se conta essa figura estranha
São mil léguas quadradas de vaidade
Por centímetro cúbico de banha.

Percebendo a morte próxima, Emílio tomou posse na Secretaria da Academia. Sem discurso.

DEU NO JORNAL

É REAL

Os críticos da economia no mercado financeiro fazem fila no divã do analista.

É que o dólar se fortaleceu mundo afora, superou até o euro pela primeira vez, mas se desvaloriza perante o real.

* * *

É real R$ mesmo.

É a realidade

Haja divã.

Haja analista.

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

TEXTOS ALHEIOS – JANER CRISTALDO

Andei falando sobre a imprensa e o baixo nível dos jornalistas de hoje. Para contrabalançar, segue um texto de um de meus jornalistas preferidos, o gaúcho Janer Cristaldo, falecido em 2016, que fala justamente sobre o que seria um bom jornalista:

Um amigo me pergunta sobre o que seria necessário para ser um bom jornalista. Em verdade, nunca pensei no assunto e minha resposta é mais ou menos aleatória. Enumero então alguns quesitos que me parecem fundamentais, sem pretender que sejam definitivos.

O jornalista deve ter uma qualidade que deveria ser inerente a todo ser humano. Jornalista que vende sua capacitação para ideologias ou partidos não passa de um venal. Conheço não poucos colegas que, em épocas de eleição, aproveitam para faturar alto. Prestam assessorias a partidos. Quem presta assessoria a um partido, seja lá qual partido for, é pessoa que vendeu sua independência e só escreve o que patrão manda. Ser chapa-branca não é crime. Mas nada tem de ético. O jornalista chapa-branca – aquele que vende seu talento para o poder ou para partidos – sempre empunha o famoso argumento do leite das criancinhas. Não convence. A meu ver, uma vez que optou pela prostituição, deveria ser sumariamente excluído, e para sempre, das redações de jornal. Existe aliás uma tese de que a um jornalista não deveria ser permitido votar. É de se pensar no assunto.

Ora, direis, jornalista sempre tem patrão. De fato. Mas quando o dono de um jornal exige que seus redatores escrevam em franca oposição aos fatos, esse jornal não vai longe. Pode manter-se em ditaduras, onde os jornais são financiados pelo Estado. Em regime democrático, esse jornal morre. Neste sentido, a primeira qualidade de um jornalista deveria ser a mesma de todo cidadão decente: honestidade.

Dito isto, vamos a algumas qualificações específicas. Neste nosso mundinho globalizado, jornalista que não dominar pelo menos três línguas além da própria, nem deveria candidatar-se ao ofício. No caso do Brasil, considero o conhecimento do espanhol obrigatório. Do inglês, imprescindível. E do francês, muito oportuno. Conhecessem os jornalistas um mínimo de francês, não escreveriam bobagens com “um affaire” ou “um fondue”. Nem traduziriam – como invariavelmente traduzem – l’Arche de la Défense como o Arco de la Défense. Cada língua que dominamos é uma janela aberta para o mundo. Quanto mais janelas, melhor se vê.

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