DEU NO X

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JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

À DERIVA

Eu busquei por você desesperado
Encontrei só vazio e muito medo
A procela da angústia logo cedo
Tomou conta de mim, pobre coitado.
O meu mar sem você anda agitado
Eu buscando singrar nessa paixão
Já icei minhas velas, foi em vão,
Esperei pelo vento, não ventou
“Sou um barco largado que ficou
Atracado no cais da solidão.”

Já dei voltas tentando reencontrar
Um amor que perdi lá no passado
Vou correndo, voando… vou a nado
Eu não acho, nem paro de buscar.
Já me dói não poder lhe abraçar
Desse amor infeliz eu sou cativo
Sua fuga eu não sei qual o motivo
Aceitá-la, meu bem, eu não aguento
Abandono de amor é sofrimento
Neste mar de revoltas no qual vivo.

* * *

Observação:

Na primeira parte da poesia deste colunista encontramos os versos “Sou um barco largado que ficou / Atracado no cais da solidão”, sendo eles um mote criado pelo poeta Júnior Monteiro.

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MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PRIVATIZAÇÃO

Existem palavras terminantemente proibidas no vocabulário esquerdista e uma delas chama-se privatização. É preferível que o estado se lasque, que falte dinheiro em caixa, mas deve-se manter cargos, salários e benefícios absurdos dos gestores e do conselho de administração dessas empresas públicas. Durante o recesso do JBF eu coloquei um texto sobre isso e as reações de que tem cérebro pra pensar diferem muito daqueles que só sabem repetir “não à privatização” embora a incapacidade de apresentar um argumento viável para tal é gritante. Os primeiros aplaudiram, os outros … teve a até sugestão para ler um livro escrito por um jornalista, ou seja, nada científico e puramente a opinião do cara.

O caso da Petrobras é emblemático. A União tem 50,3% das ações com direito a voto e 18,6% das ações preferenciais, fato que a faz detentora de 36,6% do capital total da empresa. Por conseguinte, 63,4% das ações pertencem a investidores privados e desse total tem-se que 45% são investidores estrangeiros. A Petrobras pagou, cerca de, R$ 24 bilhões em dividendos e desse montante, R$ 8,4 bilhões foram pagos ao governo. Com base nesses valores, alguns analistas, ou esquerdistas, defendem a manutenção do governo a frente da companhia. Mas, ….

Atrelar a arrecadação do governo ao resultado do mercado financeiro parece ser um grande equívoco. O motivo é simples: a partir do momento que o governo é dono, qualquer que no mercado caberá ao governo assumir os danos, porque os investidores, simplesmente, vendem suas ações para minorar seu prejuízo. Em 2001, a plataforma P-36, avaliada em US$ 500 milhões afundou e pelos danos ambientais a Petrobras foi multada em R$ 100 milhões. Quem pagou essa conta? Quem perdeu o investimento? As ações foram vendidas a preço de banana. Cabe lembrar que durante o escândalo do petrolão, na gestão de Graça Foster, uma ação da Petrobras valia R$ 4,95. Somente o governo assume o ônus dessa participação.

Outra empresa que está na berlinda da esquerda é a Eletrobras. O anunciado aumento do preço da energia para esse início de julho levou a esquerda a culpar o governo atual. É incrível como as pessoas não se esforçam para falar com base em fatos. Em setembro de 2012, Dilma Rousseff propôs a Medida Provisória Nº 579 que reduzia o preço da energia. Só nessa talagada sem justificativa técnica, num espaço de 6 anos, a a Eletrobras amargou um prejuízo de R$ 30 bilhões, pois perdeu, de forma imediata, 20% de sua receita. Tal medida provisória se transformou na Lei Nº 12.783/2013 através da qual foram renovadas as concessões de hidroelétricas, causando um prejuízo de R$ 200 bilhões ao sistema. O mais engraçado é que o deputado pernambucano Eduardo da Fonte espalhou outdoors pela cidade comemorando sua atuação para “esse benefício”. Na mesma época, Fernando Ferro, que saiu da Chesf para a política, colocou um outdoor que dizia: “enquanto muitos debatiam, Fernanndo Ferro atuava para reduzir o preço da energia.” Deu merda e nenhum desses merdas veio a público pedir desculpas.

Fernando Henrique Cardoso privatizou a Telebras. Foi um escândalo na época. O PT criticou até a mãe do cara. Mas, vamos analisar o que houve com o sistema de telecomunicações. A tecnologia tornou-se de ponta e para isso é necessário investimento que o governo não tem grana para manter. Minha maior crítica nesse processo, não foi a privatização, mas a forma como ele foi feita: o cara que comprou tomou dinheiro emprestado ao BNDES. Não devia ter sido assim: dinheiro do BNDES é destinado ao investimento de projetos de empresas nacionais. Se quer comprar, meta a mão no bolso e pague. Mas, o resultado dessa privatização é que o Brasil tem 244 milhões de celulares e tem 82% dos seus domicílios com acesso a internet. Por que isso acontece? Porque as empresas privadas não precisam licitar para adquirir bens e/ou serviços. Porque os caras sabem o custo do dinheiro e analisam oportunidades de investimentos. Não é a toa que Elon Musk tem a fortuna que tem. Manda-o vender cocos e calcule (o Dr. Honoris Coco, Sancho Pança pode ajudar nesse cálculo) quantos anos ele teria que trabalhar para ter 1% da fortuna que ele tem hoje.

O que mais me surpreende é que eu vejo professores de economia fazendo defesa de estatização. Todo professor de Microeconomia ensina a função de Teoria da Produção. Sem querer sem muito técnico, um dos conceitos que decorre das curvas de custo é o momento no qual uma empresa deve deixar o setor. A questão é a seguinte: o custo variável médio tem um ponto de mínimo e quando a linha de preços está abaixo de ponto de mínimo …. feche a empresa. Saia do mercado.

Seria importante que o discurso antiprivatização coloque argumentos reais para ser contra. O governo poderia arrecadar mais com produção e comercialização do que com dividendos. A arrecadação do governo pode cair em função da atividade econômica, no entanto, ele jamais perderá o direito de tributar. Além disso, não precisa assumir prejuízo quando o mercado cai, não precisa investir.

Logicamente, há setores nos quais a iniciativa privada não pode atuar, como defesa, por exemplo, mas o ideal era que tudo aquilo que fosse capaz de ser empreendido pela iniciativa privada, que fosse. Quem gera emprego é a iniciativa privada. O governo só gera emprego quando faz concurso público.

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WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

PALAVRAS DE SEU LUIZ…

Hoje eu sou um espantalho,
Fiquei pra posteridade.
Misturaram o meu forró
Com brega e vulgaridade.
Se não houver providência,
Meu São João vai à falência,
Fica somente a saudade!

Raudênio Lima

Gostaria, na verdade,
De o Baião em outros guetos.
Não precisa muita coisa:
Pelo menos dois coretos
Para lembrar nossa terra,
Dois trios de Pé-de-Serra
No Festival de Barretos!

Wellington Vicente

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O SOM DO VENTO E A CLARIDADE NOTURNA

Lugar preferido para escutar o vento e olhar a claridade da noite

Gosto de ouvir o vento – ele tem o inconfundível som da quietude, e nos conforta, quando nos encontra em Paz.

Gosto tanto de ouvir o vento – ainda que ele faça o barulho catastrófico da destruição, mostrando o seu poder de fogo (ops! – de força) – que me ponho a respeita-lo, para melhor perceber suas graves notas musicais.

O fá, o ré, o mi e até o sol, na construção da partitura do vento – que nos embevece e chega e sai, tão suavemente, que nos transporta em voos sem asas de um êxtase para outro.

O som do vento é belo. Tem cores tão fortes quanto o arco-íris que a Natureza Divina nos mostra no seu mural celeste.

Ouço o vento, tanto quanto vejo o mar composto por águas invisíveis, que evaporam até com o mais tênue açoite – do vento!

Dia desses fui ao campo, e chegando lá, sentei no chão. Sentei, fechei os olhos e comecei a ouvir a Orquestra Sinfônica da Ventania Celestial, nota por nota, acorde por acorde, passagem por passagem que transformaram o momento numa verdadeira ópera – Divina, no Teatro Espetacular da Vida.

E veja, escutei a bela ópera, gra-tu-i-ta-men-te!

Pagando apenas com as moedas do meu tempo e da minha Paz.

Eu escuto o vento, em todos os seus mais de 50 tons!

Tem posição “top” – para usar o americanismo da linguagem brasileira – no meu “ranking” de preferências, a noite. A noite é o único momento das 24 horas que me permite ver a nitidez das estrelas. É na noite que vejo a beleza que não consegui ver durante o dia – porque a beleza noturna é invisível durante a claridade do dia.

É só durante a noite, que a claridade do dia vai embora, se preparando para voltar no amanhecer seguinte.

Sem descanso. Continuadamente!

Certa noite contemplei o céu. O céu da noite – e achei que, de noite, podia olhar melhor para Deus – tem um “que” de nobreza poética; permite o aconchego ao vento ou debaixo de lençóis.

A noite é abusivamente permissível, ainda que redundante.

Boa noite!