DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ÚLTIMO SONETO – Manuel Antônio Álvares de Azevedo

Já da noite o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!

Do leito, embalde num macio encosto,
Tento o sono reter!… Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece…
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.

Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!

Álvares de Azevedo, São Paulo, (1831-1852))

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

ESTAMOS ÀS ORDENS

Tesoureiro do mensalão do governo Lula, Marcos Valério não irá à Comissão de Segurança da Câmara para contar o que sabe sobre as relações do PT com organizações criminosas tipo PCC, inclusive no financiamento eleitoral.

Ele já contou o que sabe à Polícia Federal.

* * *

Não irá à Câmara porque já contou pra Polícia Federal.

Mas pode contar também pro JBF, sinhô Marcos Valério.

Esta gazeta escrota está de páginas escancaradas pra ouvir suas cacetadas.

Será um prazer enorme arreganhar mais ainda o furico do ladrão descondenado.

Disponha sempre!!!

“Puta merda! Se sair no JBF aí eu tô mesmo pra lá de fudido!”

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

UM CERTO SENHOR SALVADO

Osmar Salvado de Lima – Tenente Aracaty

Disseram-me certa vez que eu nunca tentasse voltar ao passado físico. A algum lugar de sabor intenso para o espírito. O amigo Osmar Salvado de Lima, mais conhecido como “Tenente Aracaty”, versado em filosofias, poeta em dias de domingo e também filósofo, costumava dizer: “Nada é igual na repetição”. Tomei isto como norma!

Portanto, nunca encontraremos o lugar como era antes, as pessoas com as mesmas fisionomias, as casas com o mesmo jeito, os velhos quintais arborizados. O melhor mesmo será manter apenas as velhas lembranças da mente. E assim fica tudo como era antes.

No decorrer destes 86 anos de vida conheci pessoas que marcaram minhas atenções pelos modos pessoais de convivência, pensamentos, ideias e formas de vencer dificuldades do cotidiano.

Alguns deixaram registros tão significativos que faço questão de viver repetindo-os e transmitir, porque sua notabilidade e exemplo podem orientar os mais jovens.

Um deles foi Osmar Salvado de Lima, um carioca que se tornou recifense para sempre. Meu amigo até seus 102 anos bem vividos. Recentemente encantou-se, ainda com a mente intacta para relembrar coisas do Recife. Um personagem que merece muito mais do que estes breves comentários.

Teve pouco estudo na juventude. saíra de casa com 13 anos de idade e passara a adolescência trabalhando avulso em várias atividades. Sendo o mais velho, havia ouvido dos irmãos menores uma frase desconcertante, em conversa entre eles , que jamais souberam que ele havia escutado:

“Tomara que o Osmar cresça logo e vá embora para sobrar mais comida para a gente”. Foi a pobreza que o levou a sair de casa e parar de frequentar a escola pública. Mas, no decorrer dos tempos de caserna foi autodidata e cresceu na arte de escrever, fazer versos e filosofar.

Entrou na Marinha do Brasil no tempo em que o Brasil participou da II Guerra Mundial e precisava de jovens altos e fortes. Não chegou, portanto, a viver as delícias da juventude carioca, pois serviu a melhor parte dessa época na caserna.

Como Fuzileiro Naval foi até o fim da carreira chegando à Reserva Remunerada quando servia no Recife.

Redigia como ninguém. Inteirado do assunto, pegava a esferográfica e uma folha de papel-jornal – que sempre usava para rascunhos – e escrevia com facilidade. Dominava a clientela através de correspondências.

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PENINHA - DICA MUSICAL