Bom dia, estimado Berto, com os votos de saúde “nos trinques” e tudo mais.
Acabo de ler, na coluna do Cláudio Humberto (Diário do Poder) esta nota que denota a pura felicidade com que os sábios do FMI, dentre os quais alguns conterrâneos, vêm a evolução da situação econômica mundial.
Dizem os sábios do FMI:
“Instituto clínico geral
Um dia após alertar sobre a inflação (no Cazaquistão), o Fundo Monetário Internacional, com sede em Washington DC, capital dos EUA, agora alerta para o retorno dos gases de efeito estufa, após a pandemia.”
Infelizmente esta é uma situação da qual não podemos nos ater, pois se está ocorrendo uma melhoria das condições econômicas de nosso povo, é lógico que ele está comendo mais e, comendo mais, produz mais bufas e outros ventos assemelhados, como bem vai poder provar a nossa bufante mor, cuja produção deve estar experimentando considerável incremento, incremento este que termine por lhe causar sérios problemas no processo de engarrafamento eólico-bufante.
Francisco Franco Pereira Passos nasceu em São João Marcos, RJ, em 29/8/1836. Engenheiro, político e prefeito do Rio de Janeiro (1902-1906), nomeado pelo presidente Rodrigues Alves. Foi chamado por Olavo Bilac de “furor das picaretas regeneradoras” e recebeu da população o apelido de “Bota Abaixo”, devido a radical transformação urbana ocorrida na cidade, colocando-a no patamar das metrópoles mundiais.
Filho de Clara Oliveira e Antônio Pereira Passos, barão de Mangaratiba. Teve os primeiros estudos no Colégio São Pedro de Alcântara e ingressou na Escola Militar (atual Escola Politécnica da UFRJ), onde diplomou-se engenheiro civil em 1856. No ano seguinte mudou-se para Paris e estudou na École de Ponts et Chaussées. Conviveu com a reforma ubana empreendida pelo Barão Haussmann, o “artista demolidor”, prefeito da cidade, que ficou conhecido na história do urbanismo. Retornou ao Brasil, em 1860, e passou a dedicar-se à construção e expansão das ferrovias requeridas pela demanda da economia cafeeira: Estrada de Ferro Santos-Juundiaí (1867), prolongamento da Estrada de Ferro D.Pedro II (1868). Foi também consultor do Ministério da Agricultura e Obras Publicas (1870).
Voltou à Europa em companhia do Visconde de Mauá, a serviço do Governo Imperial e estudou os sistemas ferroviários, particularmente na Suiça, onde analisou a estrada de ferro com grande inclinação para aplicar o sistema no prolongamentio da estrada de ferro da Serra de Petrópolis. Tal sistema foi aplicado fambém na Estrada de Ferro do Corcovado, a primeira estrada turística do Brasil. Convidado pelo Barão de Mauá, diriigiu o Arsenal de Ponta da Areia, na construção de vagões, trihos e equipamentos ferroviários. Na condição de engenheiro do Império, acompanhou todas as obras urbanas e integrou a comissão de planejamento da reforma urbana da capital, base do futuro plano diretor que iniciaria mais tarde como prefeito.
Passou mais um ano em Paris, onde estudou na Sorbonne, no College de France e visitando siderúrgicas e obras públicas. Na volta ao Brasil, passou a residir no Paraná para acompanhar a construção da ferrovia ligando o Porto de Paranaguá a Curitiba, um projeto realizado pelos irmãos Rebouças (André e Antonio) que até hoje se destaca pela ousadia em sua concepção. Após sua inauguração em 1882, retornou ao Rio de Janeiro e assumiu a diretoria da Companhia Ferro-Carril de São Cristovão. Em dois anos reestruturou a empresa e propôs a construção de uma grande avenida no centro da cidade. O plano só veio prosperar 20 anos depois com a abertura da Avenida Central, quando tornou-se prefeito. Vale lembrar que no início do séc. XX, o Rio de Janeiro era uma grande cidade com quase um milhão de habitantes, conhecida no mundo como “cidade da morte”, devido a precariedade de sua infra-estrutura com o rápido e desordenado crescimento ocorrido pela imigração europeia e pela transição do trabalho escravo para o livre.
Quando assumiu a prefeitura, em 1902, o centro da cidade com sua estrutura colonial não dispunha de equipamentos urbanos e eclodiam as habitações coletivas insalubres (cortiços) em ruas estreitas sem abastecimento de água e rede de esgotos. Tal adensamento da população em condições precárias foi a causa de epidemias de febre amarela, varíola e cólera no segundo ano de seu governo, resultando na ação do médico Oswaldo Cruz e a consequente “Revolta da Vacina”, em 1904. Assim, a reforma urbana visava o saneamento, o urbanismo e embelezamento da cidade. Logo no inicio, foram iniciadas as obras da Av. Beira Mar ligando o centro da cidade ao Morro da Viúva. Esta obra foi muito útil na ligação posterior com a abertura dos túneis.
Um dos marcos de sua administração é Avenida Central (atual Av. Rio Branco), com 1.800 m. de comprimento e 33 m. de largura, que ainda hoje exerce o papel de centro econômico e administrativo. Outro marco destacado é a Av. Atlântica no bairro de Copacabana. A lista de suas obras é grande e vale registrar algumas: Biblioteca Nacional (1905), Vista Chinesa (1903), ajardinamento da Praça Tiradentes, Largo do Machado, Praça da Glória entre outras (1903), Mercado Municipal (1907), Aquário do Passeio Público (1904), Teatro Municipal (1905), Av. Maracanã, Embelezamento de Paquetá (1904), Palácio Monroe (1906), alargamento e abertura de diveras ruas do centro etc., além da demolição de alguns morros para permitir o arejamento de zonas densamente povoadas. Calcula-se que 1.600 velhos prédios foram demolidos para alargamento e construção de novas ruas.
Com suas obras e o trabalho do sanitarista Oswaldo Cruz, o Rio perdeu o apelido de “Cidade da Morte” e passou ficar conhecido como “Cidade Maravilhosa”. O custo social da empreitada foi enorme. A população com alguma renda teve que mudar-se para o subúrbio e os mais pobres tiveram que habitar nas encostas dos morros, engrossando o contingente das favelas que começavam a surgir desde a abolição da escravatura. Boa parte da população permaneceu na região e nos morros do centro da cidade: Providência, Santo Antônio. Outros, pouco habitados, sofreram uma rápida ocupação com o contigente operário, dando origem as favelas.
Foi um dos primeiros presidentes do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro e teve papel destacado no desenvolvimento da engenharia em seus primórdios. A prefeitura do Rio de Janeiro prestou-lhe uma homenagem em reconhecimento ao seu trabalho com um monumento e seu busto esculpido em bronze por Rodolfo Bernardelli, localizado na Praça da Igreja da Candelária, em 1913, ano de seu falecimento a bordo do navio Araguaia, quando realizava mais uma de suas viagens à França. Publicou também uma breve biografia -Pereira Passos, vida e obra- na coleção “Rio Estudos, nº 221, em agosto de 2006.
Quando morreu precocemente, em 2001, aos 39 anos, Cássia Eller vivia o auge da sua popularidade. A artista, no entanto, deixou pouquíssimas gravações póstumas.
Nessa sexta-feira, dia 1.º de julho, quando celebrou o Dia Internacional do Reggae, chegou aos serviços de streaming uma bela homenagem a ela, que faria 60 anos em dezembro: o primeiro volume do álbum-tributo Cássia Regae, com suas músicas reinterpretadas no ritmo jamaicano por intérpretes como Toni Garrido, Margareth Menezes, Nado Reis e Gilberto Gil. O segundo Volume da coletânea deverá sair no segundo semestre deste ano.
Com o álbum, sai também o clipe da música O Segundo Sol, interpretada com maestria por Gilberto Gil. A escolha de Gil, aliás, foi certeira. O músico foi o responsável por popularizar o reggae no Brasil e, ao fazer essa homenagem para a cantora Cássia Eller, transformou a canção de Nando Reis, ex Titãs, antes um pop-rock radiofônico, em um delicioso reggae.
As músicas de Gilberto Gil, aliás, foram bastante gravadas por Cássia Eller, como Oriente, Pedra Gigante, parceria com Bené Fonteles, e Chororô, que ela gravou com o próprio Gil.
Ao longo da carreira, Cássia Eller lançou nove álbuns autorais, entre 1990 e 2001. Os dois volumes do tributo contam com faixas que passam por todas as fazes da artista e foram produzidos por Sergio Fouad e Fernando Nunes para a Universal Music.
O principal parceiro de Cássia Eller foi mesmo Nando Reis. Embora o compositor tenha escrito os principais sucessos da artista, ela canta no tributo a música Lanterna dos Afogados dos ‘Paralamas do Sucesso,’ que havia sido regravada com brio por Cássia Eller em 1994. Chico Chico, filho da cantora, também está presente na homenagem. Ao lado de Jorge Du Peixe, ex Nação Zumbi, regravou Coroné Antonio Bento, de autoria de Luiz Wanderley De Almeida e João Batista Vale. Toni Garrido, outro expoente no reggae nacional com o Cidade Negra, gravou Palavras ao Vento, enquanto Margareth Menezes interpreta Malandragem. O primeiro volume se encerra com Zé Ricardo interpretado O Meu Mundo Ficaria Completo (Com Você).
Deveras preocupante o atual nível mediocrizante da comunicação nacional em praticamente todas as áreas do planeta, salvo algumas honrosas exceções, escritas, faladas e televisivas. No Brasil, parece até que o acelerado avanço da tecnologia “escondeu” a criatividade de muitos, acovardando-os mentalmente, deixando-os sem eira nem beira imaginativa, como se não estivéssemos num século, o XXI, que está a exigir um cada vez maior senso crítico dos seus atores e autores. De uma necessária transitividade crítica, a la Paulo Freire, observa-se uma crescente transitividade regressiva, quase debilóide porque recheada de um já-fui-bom-nisso sensaborão, para não dizer ridicularmente ultrapassado.
Alguns milagres saltam aos olhos, aqui resguardando-se a identidade dos santos, como manda um dos mandamentos da boa educação. Qualquer pessoa de senso de equilíbrio mínimo percebe, por exemplo, como estão desrespeitando os velhos logo no ano onde a CNBB também os reverencia na Campanha da Fraternidade. Ora é um debilóide que prefere um copo de cerveja, mesmo que deixando a avó no ostracismo, depois de uma caminhada de muitas dificuldades. Ora é uma moçoila de telenovela, metida a furico de satanás, que praticamente amaldiçoa os avós que sob um mesmo teto seu se protegem, vez por outra ainda roubados sem a menor cerimônia pela neta escroticida.
Como é ridícula a demagógica proposta de cotas para não-brancos nas universidades, diferentemente da sadia instituição de percentagem de ingresso nas universidades dos oriundos das escolas públicas! Razão plena tem a jornalista pernambucana Marilene Felinto, agora colabora de revista conceituada, quando declarou recentemente: “eu mesma teria arrastado para sempre um complexo de inferioridade atroz se tivesse entrado na USP, a melhor universidade pública da América do Sul, pelo critério de cor da minha pele de mulata”. A demagogia populista, além de não entender bulhufas de abolicionismo social, desastradamente amplia a discriminação contra os não-brancos, nossos irmãos, também filhos amados da Criação.
Considero um papelão molecal a capacidade de alguns de se desconstruir publicamente para melhor se locupletar das benesses do poder atual, jogando na rua da amargura seus passados, suas caminhadas, suas angústias e suas reflexões. Tudo atulhado num gavetão recheado de ontens não mais lembrados, em nome de um comportamento puxasaquístico, típico dos desavergonhados. Reconheço que a reforma mais necessária para a governabilidade brasileira é a reforma política, sem a qual resvalaremos para cenários pouco consistentes, abismais por derradeiro.
Outro dia meu nível de indignação ampliou-se quando vi uma propaganda de uma determinada marca de automóvel, onde duas crianças solicitavam aos pais uma paradinha fora da entrada da escola porque tinham um carro menos tampa-de-foguete, como se a esmagadora maioria das crianças brasileiras não ficassem rindo à toa pelo fato de os pais possuírem um carrinho, fosse ele de que marca fosse.
Receio que determinadas “explicitações comunicacionais” estejam favorecendo construções de cenários pouco democráticos, discriminatórios, como se uma tecnologia ultrasofisticada não tivesse como contraponto o fato humilhante para todos nós: apenas África do Sul e Malaui possuem um grau de desigualdade de renda maior do que o do Brasil.
Nos ainda umbrais de um novo século, num contexto impregnado de muito ceticismo, onde se diluem o mito do Estado todo poderoso e o mito do mercado como catapulta do progresso infindo, ampliam-se os anseios por uma ativa e altiva ação comunitária, nunca subordinada às tiranias plutocráticas. Tampouco putinocáusticos.
A hora brasileira é a da sociedade civil. Sem medo e sem ódio, como dizia Marcos Freire, um talento pernambucano que fez história num partido que, à época, não bajulava o poder, muito pelo contrário.
PS. Viva o Luiz Berto, integralmente recuperado, de volta ao comando do Jornal da Besta Fubana!!