VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

“TU PISAVAS NOS ASTROS, DISTRAÍDA”

“O pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto.” Dito popular que tem atravessado décadas.

O milagre brasileiro ainda não chegou. Quem esperava por ele nas eleições/2022, espere sentado, pois em pé, cansa.

O que estamos vendo na cena política atual é um candidato descondenado, eleito e ainda não empossado, tentando passar como um trator por cima do ainda Presidente Jair Messias Bolsonaro, a detonar horrores contra ele, num ódio sanguinário e numa arrogância “antes nunca vistos na historia deste País”. E o pior, açambarcando bilhões em nome do “bolsa família”, como se a pobreza fosse novidade. Os ricos continuam cada vez mais ricos, principalmente os políticos que detém a chave do cofre.

Cada vez mais, a corrupção toma conta da Nação, e o FAÇUELE continua de vento em popa, com os bobões da corte aguentando a arrogância do “trilegal”, gritando na cara dos ministros e dando a última palavra nas mudanças que ousa querer fazer, contra tudo e contra todos.

A situação política atual mais parece um fim de banquete de séculos passados. Cada um sai com os garfos nos bolsos. As mulheres escondem os pratos nas bolsas. Alguém pergunta: – “Onde está meu guarda-chuva?” Outro diz: -“Levaram meu chapéu!” Um sugere ao outro:- “Leva esse peito do peru, disfarçadamente, embaixo da casaca.” Outro ainda diz: – “Vou levar uns doces para os meninos, em casa”. Nesse tempo, o hábito da lagosta, da picanha e do caviar ainda não existia.

Isso, depois de um antigo banquete, daria para engolir. Mas num Congresso, com o dinheiro do povo, jamais!!!

Os asseclas de Nero estão doidos para incendiar a Nação!!!

Lembrei-me de uma música, “Lugar de Cobra é no Chão” (Chico Buarque), que diz:

” A sua risada nervosa contamina o ambiente
Deram asas à cobra e a cobra voou
E continua voando, espalhando seu veneno…”

É a cena atual do nosso País.

Mudando o rumo dessa prosa:

A música é o alimento da alma.

Chão de Estrelas” (1956), de Orestes Barbosa, tem versos cheios de lirismo, que tocam a nossa alma.

“Tu pisavas nos astros distraída…”.

Esses versos, da composição “Chão de Estrelas”, da autoria de Orestes Barbosa, mereceram do poeta Manuel Bandeira, em 1956, esse comentário:

“Grande poeta da canção, esse Orestes! Se se fizesse aqui um concurso, como fizeram na França, para apurar qual o verso mais bonito de nossa língua, talvez eu votasse naquele de Orestes, que diz:

“Tu pisavas nos astros, distraída…”

CHÃO DE ESTRELAS

Minha vida era um palco iluminado
E eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guisos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão lá no morro do salgueiro
Tinha um cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje quando do Sol a claridade
Cobre meu barracão sinto
Saudade da mulher pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Nas cordas qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
E a Lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
E tu, tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura dessa vida
É a cabrocha, o luar e o violão

* * *

Orestes Barbosa, compositor, escritor e jornalista, nasceu no Rio de Janeiro/ RJ, em 7/5/1893 e faleceu em 15/8/1966.

Aprendeu a ler, nos jornais e letreiros de bonde, com Clodoaldo Pereira de Moraes, pai de Vinícius de Moraes. Nessa época começou a se interessar por violão e com dez anos já sabia tocar.

Durante a infância, a família viveu em dificuldades financeiras e somente aos doze anos entrou numa escola, o Liceu de Artes e Ofícios, onde aprendeu o ofício de revisor.

Em 1907 o menino, que já fazia alguns versos, conseguiu seu primeiro emprego como revisor no jornal O Século, dirigido por Rui Barbosa.

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PARA AFASTAR A TRISTEZA

Nestes tempos de decepção e indignação dos brasileiros, em face da eleição comprovadamente fraudulenta, que deu a vitória ao “descondenado”, num arrumadinho que já antecipou a sua diplomação para o dia 12, restam ao povo descontente, apenas, os telões espalhados pela cidade, com a transmissão dos jogos da Copa do Mundo, que está sendo realizada no Qatar. Saudade do tempo em que a Seleção Brasileira vestia a sua camisa com o coração. Tempos idos e vividos.

Antes mesmo de ter tomado posse, o que ocorrerá no dia 1 de janeiro de 2023, o presidente eleito já está exercendo o governo provisório, com ânsia de cifrões exorbitantes, e querendo açambarcar o dinheiro público.

“CALE-SE, povo brasileiro!!!” – .”PERDEU, MANÉ!!!NÃO AMOLA!!!” – Dizem os supremos encapados. Enquanto isso, o legítimo presidente ainda é Jair Messias Bolsonaro, que está sendo ignorado pela corja vermelha do governo provisório, quase todos com passagem pela lava-jato.

Os leitores e torcedores, amantes do Futebol, nestes tempos intranquilos em que, no Brasil, se ergue uma “estátua à corrupção”, necessitam de razão para sorrir.

Até o próximo dia 18 de dezembro, quando acontecerá a partida final da Copa do Mundo, o brasileiro verde e amarelo tem Pão e Circo à vontade, para se divertir. Enquanto isso, o País caminha para mergulhar na mais terrível corrupção da História. A “moeda” padrão a ser adotada pelo novo governo já passou a ser “bilhão”.

Neste momento, o Futebol é o melhor remédio para afastar a tristeza do povo verde e amarelo, como pretende a ala do cordão encarnado, do País do carnaval.

O torcedor precisa ter razões para sorrir, nos dias de hoje, mesmo que o nosso País esteja prestes a ser abocanhado por um faminto monstro devorador do dinheiro público, que vimos “emergir da lagoa”, numa descondenação fantástica. Para o monstro devorador, o Céu é o limite da ladroagem.

O Futebol tem o condão da catarse circense, com que os velhos sábios de Roma lambuzavam o pão triste das massas. Não podendo xingar o patrão que o rouba, o operário xinga os juízes das partidas e procura insultá-los, como se fosse o bandeirinha mais próximo, o responsável procurador da prepotência, do arbítrio e dos outros sinais do mundo injusto que o oprime.”

Evocando Milton Pedrosa (1911 – 1996), em “O RISO – NÃO O PRANTO – É LIVRE

Futebol é guerra, é jogo, é arte, é uma graça, mora?

É uma e outra. É uma coisa de cada vez e tudo isso ao mesmo tempo. De onde o suor e o sangue, a alegria e as lágrimas. O choro e o riso.

O craque dribla? – ganha aplausos. O juiz claudica? – Recebe vaias. O dirigente impera indiferente? – Herda o desprezo…o esquecimento.

Mas o futebol é, sobretudo, vida. A emoção do momento inédito, sempre criado e recriado para as imensas plateias. Cada um deles, inesperado. Dramático, curioso, violento, umas vezes. Divertido, alegre, hilariante, muitas outras. Ontem, hoje, amanhã.

Todos os dias, em qualquer parte, a qualquer hora, Nos estádios-monumentos, nos campos de pelada. Onde quer que a bola role, e se desenrole uma partida. Aí estarão, de mãos dadas, lágrimas e risos.

O riso que vem de longe, Que corre através dos tempos, desde as primeiras experiências do homem ante a pelota. Desde que este descobriu o jogo, a guerra, a garra, a arte, a graça, mora. Desde que descobriu o jeito de atuar com a bola nos pés.

Desses momentos, nasceram histórias hilárias, episódios, casos. Nascidos da realidade, nos campos de jogo, na relação bola-homem- e homem-bola-homem.

Seus autores são os craques ou os pernas-de-pau que, de bola nos pés, dançam o mais fascinante balé que as multidões veem e reveem.

E procuram como a um novo pão-nosso de-cada dia.

O leitor – como o torcedor – merece ter do que rir nos dias de hoje.”

Atualmente, a corrupção é vista abraçada aos ministros togados e às velhas raposas socialistas. Para afastar a tristeza, Futebol é o melhor remédio.

O torcedor precisa de razões para sorrir nos dias de hoje, mesmo quando o nosso País esta prestes a ser abocanhado por um faminto monstro devorador do dinheiro público, onde o céu é o limite.

Pelé surgiu para os olhos do mundo na Copa de 1958, disputada na Suécia, quando o Brasil foi Campeão. O que pouca gente sabe é que aquele então adolescente de 17 anos, ficou de fora dos dois primeiros jogos (3X0 na Áustria e 0X0 na Inglaterra).

Na comemoração, surgiu a famosa marchinha “A taça do mundo é nossa, com o brasileiro, não há quem possa”.

Entretanto, das músicas comemorativas da Copa do Mundo, considero a mais bonita e significativa, até hoje, o “Frevo do Bi”. da Copa de 1962- autoria de Silvério Pessoa e gravada por Jackson do Pandeiro.

“Vocês vão ver como é,/ Didi, Garrincha e Pelé/ Dando seu baile de bola…,,,, “

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A VOLÚPIA DO PODER

Atualmente, enquanto estamos numa esquina para ver a banda passar, o que vemos passar é um bando de marginais, assaltantes e malfeitores, sem que o povo brasileiro tenha mais confiança de andar nas ruas. Aí você vê que nada é lindo como antigamente, quando a banda passava, enchendo de alegria os nossos corações.

A insânia ronda os destinos do Brasil, porque há homens roídos pela ambição do poder, pela sede de mando, acometidos por uma verdadeira vesãnia, querendo arrastar o país a uma guerra civil,

Cada fase da história política do Brasil tem o seu político odiado.

Atualmente, o povo brasileiro enfrenta um político ameaçador, que não perde tempo em ameaçar os cidadãos com medidas restritivas de liberdade, proibindo-os de fazer declarações contrárias às suas, nas redes sociais. Já calou alguns jornalistas e deputados, sob o olhar incrédulo do povo. Deve ter como ídolo, o incendiário Nero, da Roma antiga, ou Filinto Muller, considerado o mais violento militar e político do século passado.

A pressa da diplomação do presidente eleito, antecipada do dia 19 de dezembro de 2022, para o dia 12, deixa no ar uma urgência desesperada, que aumenta a cada dia. “Há algo de podre no reino da Dinamarca”.

A antiga história política do Brasil registra o político Filinto Muller (11.07.1900 – 11.07.1973) como o político mais polêmico que já houve no nosso país. Foi chefe do Conselho Nacional do Trabalho, líder de dois partidos políticos e líder da maioria no Senado, em um governo democrata e de três ditadores.

Aos 72 anos, o Senador Filinto Muller transformou-se no mais respeitado político brasileiro. Percorreu os corredores do Senado, como um sumo sacerdote. Seu gabinete, onde seis funcionários respondiam a mais de seiscentas cartas por mês, era o mais frequentado do Congresso.

Filinto Muller, o todo poderoso do Mato Grosso, foi o responsável pela mais ambiciosa tarefa política desde 1964.

Chegou a revelar um momento de fugaz ceticismo que, num instante, transformou-se na mais definitiva de suas conclusões realistas: “Eu fui muito mais do que queria ser. Pensava em chegar a deputado e fui senador. Queria ser governador do meu estado e fui eleito – não tomei posse em 1934 porque Getúlio pediu que continuasse com ele. Nunca pensei em chegar a presidente do Senado. E muito menos do partido. Mas não tenham ilusões. Os políticos são rapidamente esquecidos. E daqui a alguns anos só se lembrarão de um terrível chefe de polícia do “tempo do Onça”, que também foi um chefe de polícia.” Palavras fatídicas.

Onça foi o apelido dado a um chefe de polícia do início do século passado, conhecido por sua violência. Um dia ele foi visto sentado num dos bancos da praça que hoje chama-se Tiradentes, no Rio. E nunca mais. Desapareceu. Uns dizem que foi morto, outros garantem que entrou para um convento.

Estado Novo, ou Terceira República Brasileira, foi uma ditadura brasileira instaurada por Getúlio Vargas em 10 de novembro de 1937, que vigorou até 29 de outubro de 1945. Foi caracterizado pela centralização do poder, nacionalismo, anticomunismo e por seu autoritarismo.

Em 1945, quando acabou na Europa o “Reich dos Mil Anos”, ruiu também no Brasil o Estado Novo. Começou um período de acerto de contas. O país, que inegavelmente assistira à consolidação do seu poder federal durante a ditadura, se deu conta de quais eram as verdadeiras normas de convivência entre os homens. E cada dia da democracia saboreado significava uma visão mais profunda, da irracionalidade dos atos do regime de exceção.

Enquanto Filinto Muller esteve com o Dr. Getúlio Vargas, foi um poderoso chefe de polícia. E mesmo quando saiu, os três anos que restaram ao Estado Novo, foi sempre um cidadão acima de qualquer suspeita.

O barco afundara, mas sua carga não era tão preciosa quanto parecia. Os melhores figurões já haviam desaparecido. Muitos, dando-se conta da mudança, rasgavam, enraivecidos, a bandeira que eles mesmos haviam bordado e na qual durante tanto tempo se haviam agasalhado.

Durante o Governo Vargas, Filinto Muller destacou-se por sua atuação como chefe da polícia política, e por diversas vezes foi acusado de promover prisões arbitrárias e a tortura de prisioneiros. Pertencia à Aliança Renovadora Nacional (ARENA).

No alto da estante de Filinto Muller, repousava um dos mais sérios libelos que lhe foram dirigidos: “FALTA ALGUÉM EM NUREMBERG”. Falta quem? Filinto Muller, segundo o autor do livro, o jornalista David Nasser (01.01.1917 – 10.12.1980)

O político brasileiro Filinto Muller faleceu em 1973, em um acidente aéreo, em Paris (França). no qual a esposa, Consuelo, e o neto Pedro também foram vítimas.

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PODER USURPADO

O filósofo alemão Friedrich Hegel, em sua obra “Filosofia do Direito” ilustra muito bem a harmoniosa relação entre a coruja e a filosofia.

Escreve ele: “A coruja de Minerva alça seu voo somente com o início do crepúsculo. O papel da filosofia é justamente elucidar o que não é claro ao senso comum, é alertar acerca da vida. O crepúsculo é o linear do dia pra coruja.”

E enquanto terminamos nosso trabalho e nos recolhemos aos nossos lares, a coruja “alça seu voo” a trabalho. É a noite que a fascina, por isso seu nome em latim é “Noctua” – , “ave da noite”.

O destaque da coruja não é a beleza, mas a capacidade de ver o que aves diurnas não conseguem ver. Seu pescoço gira 360º, dando-lhe uma visão completa, capacitando-a a ver o todo. É também uma ave de rapina, rápida na escolha, e que por ver a presa e não ser vista, sempre tem sucesso na caça, apanhando os despreparados e desprovidos, que se arriscam na noite escura.

A coruja, o pássaro de Minerva, voa apenas á noite. Mas a funesta coruja da supremacia togada voa diuturnamente. Destila seu veneno e vomita seu ódio sobre a parte decente do País, que clama por justiça, revoltada com as injustiças supremas.

Os dias se passaram e a situação política da Nação permanece a mesma. Os doentes morais continuam se embebedando para afogar os seus infortúnios nos surtos amnésicos do álcool e nas comilanças milionárias em hoteis internacionais, às custas da Nação.

O bobo da corte vermelha se refugiou, com incandescente avidez, no turbilhão embriagante da política, para nesse ignóbil mostruário de compra e venda de intrigas adormecer e esquecer as suas desditas.

O cheleleu substituto continua bajulando-o incessantemente. É um grande e incorrigível ambicioso; uma criatura sem escrúpulo, a quem se aplicam estas banais considerações e melindres, que para o público vulgar são um tema de respeito. A convivência já havida com o bobo da corte fora bastante para que a astuta raposa formasse infalível juízo sobre o seu caráter, recursos, méritos e talentos.

O bobo da corte vermelha está sempre pronto e arrogante, na inflamada fé que lhe assegura o seu permanente sucesso. É tão corajoso e insensível, que não tem vergonha do seu passado nebuloso.

Estamos em pleno governo de transição, constituído de políticos com processos nas costas, alvos de investigações e, com raras exceções, longe dos “fichas limpas”. Todos com passagem pelos tribunais e com ligações com o bandoleirismo rotativo, afoitos e ávidos por manejar o implacável facão da economia.

E o governo de transição já anunciou a que veio. Veio para quebrar, mais uma vez, o País, extrapolando todos os limites do teto fiscal, querendo invadir a propriedade privada, confiscar imóveis e contas bancárias do menor ao maior investidor. A Nação está revoltada, sem aceitar ser imolada no altar de sacrifícios onde o povo brasileiro sempre esteve.

Mas, é evidente que esse proceder do governo, pela dureza flagrante dos atritos, deverá desgastá-lo brevemente. O plano agora é fortalecer o partido e engrandecer-se por meio de uma dupla manobra – avocar a si os descontentes e simultaneamente impor-se com o seu poder.

A situação política do País continua instável, apesar de já haver transcorrido quase um mês das eleições. Até hoje, os resultados duvidosos não tiveram o condão de convencer totalmente o eleitorado. O descrédito na apuração das urnas eletrônicas continua. Como é triste a frase fatídica escorrida da boca de veludo de um ministro togado: “eleição não se conquista; eleição se toma”. E foi o que aconteceu.

Para legitimar a indecente usurpação do poder, desvirtuaram o grande princípio racional da eleição. Metade do poder legislativo é verdadeira e a outra metade é de pura e completa manipulação do governo. E graças à corrupção, devida em grande parte à estupidez do corpo eleitoral, na mais absoluta impunidade e com êxito absoluto, o poder explora, esmaga e domina sempre!

A manutenção do princípio da autoridade é condição essencial na vida do povo, desde que essa autoridade seja legítima. Entretanto, não tem legitimidade a açambarcante usurpação do poder por parte dos togados, num desrespeito gritante à Constituição Federal.

À Suprema Corte, cabe impedir o malfeito, e não se tornar coautora dele. Mas o que vemos são as tendências políticas dos togados, que impõem suas preferências pessoais, ignorando o ordenamento jurídico e muitas vezes investindo sem disfarce contra ele.

Cabe ao juiz interpretar o Direito e, com base nele, decidir as causas que lhe são apresentadas. Não pode, contudo, julgar contra as leis, principalmente contra a Lei Maior.

Quando ministros do STF contrariam a Constituição Federal, suas decisões atentam contra as normas instituídas para assegurar a convivência humana e zelar pelo cumprimento dos fundamentos da República: Soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana e valores sociais do trabalho.

Nesses casos, suas decisões deixam de emanar a luz que deveriam, e passam a emanar a luz que cega e que não tem nada de divino.

Não são decisões que iluminam, mas decisões que já nascem cegas pelo ódio e pela tirania. Ainda que essas decisões devessem trazer a luz, trazem as trevas. São decisões inspiradas em Lúcifer, o rei das trevas. São decisões tiranas que tem o objetivo de humilhar e oprimir os cidadãos de bem.

Os supremos togados não podem correr o risco de ir buscar luz nas chamas mantidas por Lúcifer, porque as consequências danosas atingirão a toda a sociedade e cada um dos indivíduos que a compõem. Pior do que isso: elas se propagarão e contaminarão a vida institucional do País por muito tempo.

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ASSECLAS DE NERO

Entre as maldades do imperador romano NERO, conhecido na História pela sua tirania, está o incêndio de Roma, por ele provocado e ao qual ele teria assistido com indiferença, dedilhando sua lira.

Esse grande incêndio de Roma ocorreu em 18 de julho de 64, e depois de seis dias em chamas, a cidade estava com dois terços reduzidos a escombros.

Logo se divulgou o boato de que Nero teria mandado atear fogo em Roma, para apreciar o espantoso espetáculo e depois escrever um poema baseado na cruel realidade.

Para afastar de si as suspeitas, Nero tratou de atribuir a culpa aos cristãos. Daí, tiveram início as perseguições aos seguidores do Cristianismo. Homens, mulheres e crianças foram presos e condenados aos piores suplícios.

Sob o governo de Nero, Roma teria conhecido o clímax do desregramento moral e político.

Paulo, discípulo de Jesus, foi decapitado. Pedro teve a morte na Cruz. Muitos cristãos eram atirados às feras, no Circo Máximo, num espetáculo que visava acalmar a revolta do povo.

Após o incêndio, o imperador Nero iniciou, imediatamente, um grande projeto de reconstrução da cidade. Logo confiscou bens para construção de seu palácio, a “Domus Aurea” (Casa Dourada), que ocupava, com seus jardins, extensa área urbana.

O Brasil, atualmente, parece infiltrado de asseclas de Nero.

Como num pesadelo, o povo se vê na iminência de ter de volta um ex-presidente, que, depois de indiciado, julgado e condenado em alguns tribunais, e em pleno cumprimento de pena em um órgão federal, foi beneficiado por uma reviravolta processual, o que resultou em sua “descondenação”, tudo sob medida, o que pareceu, para uma boa parte do povo brasileiro, uma verdadeira “diarreia jurídica”. De repente, o condenado tornou-se “descondenado”. E em seguida, foi considerado apto a concorrer, mais uma vez, à Presidência da República.

Em pleno cumprimento de pena por improbidade administrativa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, o condenado foi libertado em nome de um suposto “erro de comarca”, numa jogada capciosa e maléfica, para que pudesse novamente se candidatar à Presidência da República. O resultado foi uma surpreendente e misteriosa vitória, após eleição com o uso de urnas eletrônicas, que continuam “atravessadas” na garganta de grande parte do eleitorado brasileiro.

Sob a iminência de ver, pela terceira vez, esse fantasma devorador do dinheiro público, assumir a Presidência da República, o povo brasileiro está decepcionado com os togados que compõem a Suprema Corte do nosso País.

A contratação de 283 componentes para integrar o governo de transição, com altos salários, é uma demonstração do que virá pela frente, com esse novo governo. Somente um assecla de Nero, no seu delírio, teria essa coragem, contra tudo e contra todos, de assumir altos compromissos, antes mesmo de tomar posse no cargo de Presidente da República, o que somente ocorrerá em 1 de janeiro de 2023.

A política, no seu significado mais amplo e mais nobre, deveria ser, com efeito, a arte de organizar a vida coletiva e individual. Entretanto, ela não passa da mais despudorada mentira.

Estamos assistindo, antes da hora, ao espetáculo de um “rei” desfrutar das regalias da Nação, num gasto sem freios, com aprovação dos vermes do poder.

Esse grupo domina e escraviza a grande massa da população. São algumas centenas de homens cavalgando bilhões, impiamente. E ainda por cima, eles chamam de ímpios aos que se revoltam contra os gastos desenfreados do dinheiro público.

Eles dispõem de tudo quanto racionalmente forma o grande patrimônio comum. Açambarcam o que seria o seu quinhão e o dos outros. Para eles, o aumento da abundância; para os pequenos, os horrores da miséria.

Não podemos caminhar, melhorar ou progredir, enquanto os nossos homens públicos continuarem se julgando uma casta à parte, bem acima da Nação.

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SÓ NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES

Zaqueu, operário de uma fábrica de confecções, é considerado um homem do povo. Faz parte do contingente anônimo, citado costumeiramente nos discursos políticos, em época de campanha eleitoral, quando lhe prometem mundos e fundos.

O povo é uma entidade abstrata, em nome da qual muito se fala e pouco se faz. Está sempre na linha de frente dos discursos dos políticos e na retaguarda das benesses prometidas e recebidas.

Zaqueu mora numa casinha modesta, na periferia da cidade, um local “onde o vento faz a curva”.

Certo dia, Zaqueu, chegou em casa eufórico e disse para Marina, a esposa, que tinha uma grande surpresa para ela, e pediu que adivinhasse.

A primeira impressão dela foi que eles tinham sido sorteados no “Baú da Felicidade”, mas não era isso; depois, pensou que ele tivesse tido um bom aumento de salário, também não era. Depois de muito suspense, Zaqueu ele revelou a novidade: -Você sabe quem vai chegar, mulher? A Democracia!!!

A mulher ficou deslumbrada:

– Meu Deus. A Democracia vai chegar?!!! É verdade? Será Que você não escutou errado, Zaqueu?

O marido falou sério e a mulher ficou sem saber o que fazer. Andou nervosa de um lado para o outro e disse ao marido que iria tomar um banho e passar um pente no cabelo. Ele lhe pediu que passasse o ferro no paletó antigo que tinha sido do casamento deles, pois queria ver a chegada da Democracia de paletó e gravata, pois o acontecimento que eles iriam assistir era muito importante.

Pediu que ela vestisse o vestido novo das festas de fim de ano, pois não queria que a Democracia a conhecesse vestida com roupas molambentas. Disse que na fábrica onde trabalhava, seu patrão tinha comentado que há muitos anos a Democracia não vinha ao Brasil.

Eufórico, Zaqueu só falava no festão que estava programada para a chegada da Democracia.

Muito contente, mandou que a mulher fizesse um bolo, enfeitasse a casa e telefonasse de um orelhão para a rádio Bujari, estação rodoviária e estação ferroviária, para saber, ao certo, a data e horário da chegada da Democracia. Disse à mulher que enquanto isso, iria até o Bar do Primo, avisar à rapaziada da chegada dessa visitante ilustre, a Democracia.

Os frequentadores do bar estavam jugando Sinuca e Zaqueu gritou: “Olha aí, turma, a grande novidade que eu trago pra vocês: Adivinhem quem vai chegar???

– Waldick Soriano!!!! – disse logo um biriteiro.

– Não. A Democracia!!!. É pouco, ou querem mais? “Dá pra tu, ou fica frouxo?”

A rapaziada arregalou os olhos, todos espantados com a novidade..

Um deles perguntou desconfiado:

– Zaqueu, estás querendo fazer a gente de besta?

– Não! Eu quero que minha alma vá pro inferno, se eu estiver mentindo!

Houve um minuto de silêncio, e um mecânico que lá se encontrava falou:

– Poxa, que legal! Sabe que, na minha vida, eu nunca vi a Democracia? Sou louco para conhecer.

Um bombeiro que lá estava também falou:

– Eu também nunca vi a Democracia. Eu só conheço a burocracia.

O mecânico perguntou:

– Zaqueu você já viu a Democracia alguma vez? Como é ela?

Mentindo, Zaqueu respondeu:

– Eu só vi a Democracia uma vez, mas era muito pequeno. Por isso, não me lembro direito.

Um empregado de uma padaria que estava no bar, quis se mostrar:

– A Democracia é um sarro – eu escuto sempre os homens falando em democracia pra cá, democracia pra lá, mas não sei direito o que é. Afinal das contas, o que é que a gente vai poder fazer quando ela chegar?

Muito falante, Zaqueu respondeu:

– Tudo. A democracia é o governo do povo e para o povo. Com a Democracia, a gente pode fazer tudo, menos xingar o Governo, nem praticar atos proibidos por lei.

Um gaiato perguntou se poderia tirar as calças na rua, xingar o governo, comprar fiado e não pagar, e passar a ser atendido no INPS sem passar horas nas filas, e a resposta foi sempre negativa.

Surgiram, então, os comentários: O bombeiro hidráulico, muito falante, disse e o empregado da padaria endossou: “Essa tal de Democracia não tá com nada.”

Foi aí que um senhor, com cara de professor, interferiu: “Tá sim. Quando a Democracia chegar, vai acabar com a Censura.”

Um dos rapazes que se encontrava no bar, perguntou:

– Quer dizer que não vai mais ter filme impróprio até 18 anos? – Todos riram.

O professor continuou falando:

– A Democracia vai acabar também com o AI-5.

AI-5? O que é isso?- perguntou um curioso. – Nunca ouvi falar nisso. É um remédio pra mulher não engravidar? Diz, Zaqueu, o que é Democracia!

Zaqueu pensou, pensou e foi sincero:

– Agora eu me enrolei todo.

O professor o socorreu:

– Democracia é o regime de governo do povo e para o povo.

A euforia foi grande. Cada um que falasse mais alto:

Oba, Governo do povo? – gritou o bombeiro: Então eu quero ser Ministro.da Fazenda! O mecânico disse que queria ser Ministro da Agricultura; o empregado da padaria disse que queria ser Vice-Presidente do Brasil e um alfaiate disse que queria se o Presidente. E todos vibraram com a novidade: “Chega de trabalhar!!! Eu agora quero é moleza e viajar muito, igual aos políticos!!!”

Todos almejavam ocupar um Ministério. A confusão foi grande. Para restabelecer a ordem, Zaqueu disse que iria ser Ministro da Energia. E usando sua energia, conseguiu que todos se acalmassem da euforia que tinha tomado conta desses homens do povo.

Zaqueu foi até em casa para ouvir da esposa o que ela tinha conseguido saber sobre a data e horário da chegada da Democracia.

Encontrou a mulher sem graça e desarrumada. Perguntou o que tinha havido.

A mulher respondeu que a Democracia iria chegar, mas não passaria por lá, pois a agenda esta muito cheia.

Zaqueu ficou indignado. Então ela não vem visitar o povo? E o povo somos todos nós!!!

A mulher entregou ao marido uma lista com a agenda que a Democracia teria de cumprir quando chegasse:

Às 7h15m estaria em Brasília e teria de cumprir vários compromissos agendados, até às 21 hora. A correria seria grande. Às 22 horas, a Democracia deveria estar no Palácio do Governo, onde se realizaria um festão. Zaqueu então, animou-se para ir conhecer a Democracia, acompanhado da esposa Marina. Mas a mulher o fez desistir, pois só seria permitida a entrada de convidados de “black – tie”. Nessa festa, seria entregue à Democracia, o título de “Regime de Visão, para o Povo e pelo Povo”

Houve um tumulto nas ruas e todos queriam saber se poderiam entrar nessa festa. A resposta dos organizadores foi “Não.”

E quando poderiam apertar a mão da Democracia?. O patrão de Zaqueu respondeu:

– SÓ NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES!!!

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AMOR À PÁTRIA

Patriotismo é o sentimento de orgulho, amor e devoção à Pátria, aos seus símbolos (bandeira, hino , brasão, riquezas naturais e patrimoniais).

O militar presta serviços à Pátria, e, com o tempo, absorve os hábitos próprios da sua profissão. Acaba se identificando com o quartel, e jamais perderá o jeito de soldado, por mais que o tempo passe.

A influência das armas sobre os militares é tão forte, que eles se reconhecem na rua, mesmo quando vestidos á paisana.

Ao ver, na via pública, um oficial do Exército envergando um jaquetão ou um fraque, a impressão que se tem é de que falta alguma coisa à sua elegância. Por mais correto que ele esteja vestido nas suas roupas apuradas, lembra-nos, sempre, um tigre metido na pele de um urso, ou um leão enfiado, por modéstia, no couro de um elefante. Sentimos a força, a segurança e o respeito que eles impõem, perante a sociedade.

O rigor e o respeito que a farda militar impõe, mostram-se de modo mais acentuado perante os seus subordinados e cidadãos civis.

Absorvido pelo seu mundo de glória, o soldado revela-se em toda a parte e em todas as circunstâncias: no calor das palestras, na energia da vontade, na severidade da vida, na intransigência das atitudes, na disciplina do porte, e, até, ás vezes, no emprego do vocabulário empregado fora do quartel.

Pois bem. O caso do tenente José Porto Brasil é uma comprovação de que o militar guarda dentro do peito, como relíquia, os ensinamentos absorvidos na vida de quartel, A qualquer momento, poderá dar provas dessa verdade.

Militar elegante, bonito, bravo e decidido, o tenente José Porto Brasil utilizava os dias de serenidade da Pátria, passeando pela Avenida principal da capital, quando viu uma tarde, em certa casa de chá, uma bela mulher, que lhe fez acordar tocando alvorada, todos os clarins do coração. Ousado e destemido, pôs-se logo em atividade, para saber quem seria aquela linda criatura, que tanto mexeu com o seu coração. No dia seguinte, já sabia o suficiente para tentar atacar “aquela fortaleza”.

Ficou sabendo do endereço da mulher e se dirigiu até lá. A casa tinha muro alto e portão de ferro, controlado por um porteiro. O tenente viu o portão se abrir e sair um casal, que, segundo o porteiro, eram os donos da casa.

Decepcionado, ao ver que a bela mulher era casada com um homem alto, bonito e elegante, o tenente viu que era impossível atacar a “cobiçada fortaleza”.

No dia seguinte, por curiosidade, dirigiu-se, novamente, à residência da bela mulher, para se convencer de que, realmente, ela era casada com aquele cidadão. Chegou ao palacete, e, nervoso, tocou a sonora campainha. O silêncio era absoluto na casa, e ninguém atendeu. Duas, três, quatro vezes repetiu ele o sinal, mas inutilmente. Quando, desiludido, já batia em retirada, ouviu um chocalhar de corrente no portão. Voltou-se e viu o jardineiro, que abria a grade para dar passagem ao dono da casa, passando, de novo, a corrente no portão.

Atordoado pelo seu pensamento de aventura, e, não menos, pela consciência da sua superioridade de militar, o oficial não teve dúvidas: parou, deu meia volta, e marchou, firme, no rumo do cavalheiro que saíra de casa. Estacaram, pálidos, um diante do outro, dominados pela emoção.

– Que deseja o senhor? – perguntou, com a desconfiança estampada nos olhos, o marido da bela mulher..

Mão no revólver, disfarçando a tempestade que lhe invadia o coração, o tenente respondeu, com voz trêmula::

– A senha!.

E os dois soldados se abraçaram emocionados. Eram velhos amigos, do tempo de quartel, que a vida havia afastado.

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O CANDIDATO

O Horário Eleitoral Gratuito no Rio Grande do Norte é uma comédia. Aparece cada candidato hilário, que faz o telespectador não parar de rir ou desligar a TV.

Em Natal (RN), um conhecido candidato a deputado estadual, eleito uma única vez, tentava voltar à Assembleia Legislativa do Estado, candidatando-se pela terceira vez, sem conseguir reeleger-se. Dizem que o lugar é bom e a remuneração é invejável. Por isso, a luta é natural, por uma nova recondução.

Quando há eleições, é comum os candidatos ocuparem lugar ao redor das mesas apuradoras, interessados nas decisões e contagem dos votos. Tem medo que ocorram as antigas “Brejeiras” ou troca de urnas, do tempo dos coronéis.

A cada resultado, sem perda de tempo, vão logo solicitando certidão dos Boletins de apuração, para se prevenirem do resultado e evitar roubalheira..

Certo dia, repentinamente, um conhecido candidato apareceu no recinto da comissão apuradora e entrou, para verificar como andava o processo de apuração.

O conhecido candidato à reeleição estava eufórico, certo de que desta vez voltaria à Assembleia Legislativa do Estado. Todos os seus correligionários demonstravam interesse em saber como andava a votação na Capital e no interior.

A resposta do hábil político foi de que preferia não antecipar as coisas. Deixaria tudo para o final. Não queria sofrer por antecipação. Ainda acrescentou que, somente com a publicação do resultado no Diário Oficial tomaria conhecimento. do resultado de sua votação.

Os políticos ficam eufóricos durante as apurações. Os ânimos ficam acirrados, e quase sempre acontecem discussões.

Há candidatos que são ruins de urna, mas insistem em se candidatar. São eternos perdedores.

Em Natal, durante a campanha política de 1986, para a renovação do quadro dos chamados representantes do povo, houve um candidato que ficou conhecido pelas frases hilárias, diante dos eleitores, ouvintes do Programa Eleitoral Gratuito de televisão.

Esse candidato a deputado federal teve uma campanha muito movimentada e cheia de lances curiosos.

Ocupando o horário reservado ao seu partido, a sua palavra era no sentido de convencer o eleitor com frases de efeito, como:

“QUEM ENTENDE DE LEIS É “BANCARO?” – É “INDUSTRIARO”? – ELES NÃO “ENTENDE” DE LEIS. QUEM ENTENDE DE LEIS É “ADEVOGADO”. – SE EU FOR ELEITO COM SEU VOTO, EU VOU FAZER “A “LEIS” DA CONSTITUIÇÃO.”

Esse não conseguiu se eleger nunca, Era semianalfabeto e, além disso, tinha um sério problema de dicção, que não teve fonoaudiólogo que desse jeito.

Voltando às antigas eleições, nessa época, havia grande insegurança dos partidos políticos, na hora da apuração de votos, contados manualmente.. Alguns políticos e advogados de renome eram useiros e vezeiros em praticar fraudes eleitorais, conhecidas como “brejeiras”, Compravam votos, ou os trocavam por dentaduras, vestimentas ou outros bens materiais; trocavam e substituíam urnas, com a troca de cédulas de votação já preenchida, e faziam outras falcatruas, para tomar a vitória nas urnas a qualquer preço.

Os “coronéis” alteravam votos e falsificavam títulos de eleitor, para que os eleitores pudessem votar várias vezes, em diversas seções, até mesmo com títulos de pessoas falecidas. Eram os chamados votos de cabresto.

Quando o resultado da apuração das eleições demorava três ou quatro dias para ser concluido, inúmeras fraudes eleitorais eram cometidas no Rio Grande do Norte. Mas o caso mais gritante ocorreu com um candidato a deputado estadual, que, em Natal, aguardou com ansiedade a apuração, e constatou que a urna em que ele depositara seu voto não fora apurada. Simplesmente, a urna sumiu. Em outras palavras, a urna foi roubada.

Desesperado, o candidato Zé de Quina, que era fanho, encheu a cara de cachaça e chorou copiosamente numa mesa de bar, depois da apuração, e sua lamentação causava pena:

– Que meu pai e minha mãe não tenham votado em mim, é uma lástima, mas acredito;

– Que meu sogro e minha sogra não tenham votado em mim…eu acredito; ;

– Que meus irmãos e cunhados não tenham votado em mim…eu acredito.

– Que minha mulher não tenha votado em mim, é duro, mas eu acredito.

– Mas, eu mesmo não ter votado em mim?!!! É demais! É fazer dos outros besta! Isso eu não acredito nunca!. Sistema eleitoral infeliz, esse nosso!!!

Entretanto, o advento das urnas eletrônicas tornou as fraudes eleitorais cada vez mais impraticáveis.

Neste segundo turno das eleições presidenciais, vamos dar nosso voto de confiança ao sistema eleitoral brasileiro!

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LADRÃO HOJE, LADRÃO SEMPRE

Ladrão é o indivíduo que rouba, realiza furtos, pega para si o que não lhe pertence. É aquele que faz negócios na esperteza e na malandragem. É pessoa sem caráter nem escrúpulos.

Deixando de lado os principais crimes praticados por funcionários públicos contra a Administração Pública (corrupção, peculato, concussão e prevaricação), focalizamos aqui, apenas os ladrões de segunda classe, os desvalidos, que às vezes, apodrecem na cadeia, por furtarem uma galinha ou uma lata de leite em pó para alimentar um filho. Esses ladrões não podem pagar advogado e por isso ficam à mercê do órgão de defesa pública (Defensoria), que vive superlotada de processos, sendo impossível atender, em tempo hábil, à alta demanda.

Uns furtam por necessidade, outros por tara ou degeneração.

Furto – Art. 155 do Código Penal – Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 1º – A pena aumentará……………………….- 

Roubo – Art. 157 do Código Penal Brasileiro – Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:

Pena – reclusão, de quatro a dez anos, e multa.

No Brasil, a modalidade de roubo mais atual é o assalto, principalmente a bancos, feito por associação criminosa ou quadrilha, com no mínimo, três componentes, que se juntam para a prática de crimes contra a paz pública.

Em São Paulo (SP), no ano de 2015, duas agências bancárias ou caixas eletrônicos foram roubados na cidade, por semana.

Atualmente, essa modalidade de crime se alastrou, atingindo o Nordeste, onde, quase diariamente, há assaltos a agências bancárias do interior. Quadrilhas explodem caixas eletrônicos para roubar e aterrorizam as cidades, quase semanalmente.

Ladrão hoje, ladrão sempre. Bandido hoje, bandido sempre.

Não acredito na recuperação de bandidos.

A gravidade da situação econômica ou financeira de um país pode ser aferida pela paralisação das suas indústrias e consequente número de desempregados. E ainda, pela miséria daqueles que trabalham, sem nunca terem cruzado os braços e, nunca terem conseguido sair da pobreza.

Que os desocupados e vagabundos sadios sofram a fome, é explicável. Mas o que está fora de toda justiça humana e divina é que amanheça sem pão, um desventurado chefe de família, que passou a noite inteira a esbaforir-se no exercício de um ofício penoso, sem ter a quem reclamar.

É essa condição que não queremos para o Brasil. É impossível, um homem cumpridor dos seus deveres de cidadão, não sentir um arrepio de horror, ao saber que os ladrões de “primeira classe” estão soltos, e ávidos pela volta ao poder.

Certa noite, conforme noticiaram os jornais no dia seguinte, uma quadrilha assaltou uma agência bancária numa cidade do interior nordestino, levando para isso, toda a ferramenta para um trabalho perfeito e completo. Facilmente, o cofre foi aberto. A decepção foi grande. O cofre estava vazio. Nenhuma cédula. Nenhum níquel.

Queimando as mãos no “maçarico” e esforçando-se para não interromper o sono da vizinhança ou incomodar os vigilantes que cochilavam segurando a arma, esses “abnegados operários anônimos”, sofreram uma grande decepção. Trabalharam à noite, porque não é exigido cartão do banco e é mais difícil serem vistos.

No dia seguinte, repetiram a tentativa de assalto em outra agência bancária, e foi outra decepção. Nada de dinheiro nos caixas, nem nos cofres do banco.

Por toda parte, cofres vazios. Em todos os cofres, o vácuo, o deserto, a solidão. Nem os ladrões de “segunda classe”, indo diretamente aos cofres que supõem repletos de dinheiro, conseguem, com o seu pé-de-cabra e as gazuas complementares, arranjar um pouco, para as suas mais cruciais necessidades.

Alguém talvez diga que os ladrões não retiraram dinheiro das agências bancárias, porque foram lá á noite. E que, certamente, de dia não falta dinheiro nas agências. Os ladrões não ignoram isso. Entretanto, durante o dia, para se conseguir dinheiro, exige-se conta bancária, coisa que eles não tem. Não querem passar vergonha.

À humilhação de uma recusa de um saque bancário durante o dia, por falta de cartão bancário ou de dinheiro, os ladrões preferem o assalto, durante a noite. Mas, a desolação é a mesma, quando encontram os caixas e cofres vazios.

O que deixa o ladrão diminuído na sua dignidade é a presença de testemunhas.

Entre os espartanos, havia campeonatos de furto. Jesus Cristo levou Dimas, “o bom ladrão” de Jerusalém, que tinha levado uma vida de pecados, para o reino dos Céus. Nunca se soube se lá no Céu, Dimas tenha furtado a auréola de algum santo ou tentado matar para comer, o carneiro de São João Batista. O fato é que Dimas só se regenerou na hora da morte.

Conta-se que, certa noite, um homem pobre e resignado com sua pobreza, ao ver que um ladrão estava escalando a janela da sua casa, deixou-o chegar em cima, e disse-lhe calmamente:

– O senhor entrou aqui por engano, com certeza…Eu sou um homem pobre e não tenho nada aqui que o senhor possa levar, muito menos dinheiro. Mas, naquele casarão bonito e pomposo, que daqui se vê, mora um homem riquíssimo, capitalista. Não perca o seu tempo comigo. O senhor não encontrará nada aqui, hora nenhuma, pois eu sou um desvalido! Vá lá e encontre o que aqui você jamais encontrara!

Compadecido do homem pobre, o ladrão de “segunda classe” o deixou em paz e foi assaltar a casa do capitalista por ele indicado.

Um belo exemplo deixou São Francisco de Assis, o símbolo da pobreza:

– Ao ser informado de que os frades do seu Mosteiro haviam se recusado a dar agasalhos a uns ladrões que tremiam de frio, São Francisco correu a procurá-los pela estrada por onde haviam seguido, e fez de cada um deles um soldado da sua Fé, para o santo serviço de Deus. E eles nunca mais roubaram.

Piedade, pois, para os “ladrões de segunda classe”, desprotegidos, entre eles os ladrões de galinhas, que não ocupam birôs, não escondem malas de dinheiro, nem dinheiro na cueca, e não usam colarinhos brancos. Eles diferem de outras categorias de ladrões. Por precaução, só operam nas caladas da noite. Permanecem fora da sociedade e da lei. Muitas vezes, apodrecem nas prisões, por falta de quem os defenda, e por injustiça da própria lei.

Afinal, como dizia Lachaud, célebre criminalista francês (1818 – 1882):

“A LEI É CALMA E NÃO TEM SEQUER OS ARREBATAMENTOS DA GENEROSIDADE”.

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NOSSOS BICHOS

O Brasil é um dos raros paraísos terrestres. Não tem vulcões, que sepultem os homens em lama fervente, nem invernos rigorosos, que congelem as crianças nas ruas.

As nossas “revoluções” são rápidas e os “revolucionários” não guardam rancor. É verdade que, no correr da luta, as torturas se multiplicam e há pessoas que desaparecem do nada e para sempre. Porém, restabelecida a suposta paz, os mortos são esquecidos e os que sobreviverem, anos depois estarão, novamente, agitando a vida pública do País.

O povo se contenta com pão e circo. E o nosso circo é imenso. Entretanto, a coleção de bichos que o nosso circo possui não é a mais rica do mundo. Pelo contrário, fica muito a dever à Arca de Noé. Não temos girafa nem leão. O nosso pavilhão verde-amarelo é rico em florestas e minério. Mas as florestas não possuem sortimento de animais.

Nem todos compreendem o que quer dizer um rapaz magro, escaveirado e maltrapilho, quando diz ter passado a semana inteira a “cercar o cavalo e o touro, ao mesmo tempo, pelos quatro lados”. Também quem é de fora não entende o que significa um caboclo descalço dizer que seria capaz de “matar o bicho com duzentos reis.”

Isso se refere ao jogo do bicho, já incorporado à cultura popular, com seus causos hilários.

Ainda há o caso do “bicho de pé”, causado por um parasita denominado “tunga penetrans”, oriundo do hábito de se andar descalço. E há o caso do rapaz de pés tortos, decorrente da infestação de “bichos de pé”.

O Brasil, portanto, é também a terra do bicho. Tem bicho de toda espécie. Mas os nossos “bichos” são genuinamente brasileiros. Não vieram da África, como os bichos dos grandes circos estrangeiros. As nossas florestas são pobres. Aqui, por muito favor, se conseguirá encontrar onça, jacaré, macaco e tamanduá. Os dois últimos, no momento, são protegidos pelas imunidades parlamentares.

O nosso macaco é de pequeno porte, mas muito hábil. Para trabalhar no trapézio do circo, não há bicho melhor. Pula de galho em galho, com uma facilidade admirável.

Quanto ao tamanduá, é um bicho inteligente e ardiloso. Quando vê o caçador, põe-se de pé, escancara os braços, tal qual político em época.de campanha, e marcha para ele como se fosse o mais leal dos amigos. Assim que o cinge mete-lhe as unhas nas costas, e não abandona o caçador, até que ele morra.

O tamanduá, por excelência, é considerado o animal político da nossa fauna. Seu comportamento traiçoeiro e falso é típico dos políticos profissionais. E ainda há caçadores que confiam nele!…

Nós temos, também, por aqui, um bicho muito agradável. É a Guariba, espécie de macaco “bugio”, lembrada na música Sebastiana, de Jackson do pandeiro.

O macaco Guariba é o orador parlamentar da floresta. Ronca que é uma beleza, mas não diz nada. De longe, amedronta o homem. De perto, faz rir quem o vê, na sua tribuna, trepado num pau.

Com exceção desses bichos citados, não se encontram em nosso País, outros animais interessantes, que enriqueçam a nossa fauna. Saguis, preás, mocós, quatis, cotias e tatus não fazem nada de engraçado e bonito. Trocar um tigre por um cachorro do mato, não interessa a ninguém. Trocar uma foca por uma Ariranha, também não interessa. Muito menos, trocar um hipopótamo por um macaco-prego.

Dizem que tem bom coração, aquele que protege os animais. E os animais, quando bem tratados, criam verdadeira veneração religiosa pelo dono.

Conta-se que um dono de circo internacional percorreu durante vinte anos os continentes, levando com ele dois patos vivos, que recebera de presente para comer. Os patos morreram de velhos. Dotado de bons sentimentos, esse homem terminou morando no Brasil.

A Guariba tem corpo forte e cauda longa. Sua característica mais marcante é o som emitido pelos machos, que pode ser escutado a longas distâncias.

A vocalização destes animais varia, conforme a informação que deseja ser passada. O filhote emite sons curtos e prolongados, enquanto os sons emitidos pelos jovens e fêmeas são entrecortados e graves. Podem indicar que está na hora de andar, alimentar-se, ficar em alerta ou chamar a fêmea para o acasalamento. Os sons emitidos podem se assemelhar a gritos, latidos e rugidos.

Relembrando Jackson do Pandeiro:

Convidei a comadre Sebastiana
Pra dançar e xaxar na Paraíba
Ela veio com uma dança diferente
E pulava que só uma guariba
Ela veio com uma dança diferente
E pulava que só uma guariba
E gritava: A, E, I, O, U, ipsilone”