DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

UM IMPROVISO DE DIMAS BATISTA

Veja os detalhes da imagem relacionada. Dimas Batista - Paraíba Criativa

Dimas Batista Patriota, São José do Egito-PE (1921-1986)

É no sangue, é no povo, é no tipo, é na raça,
é no riso, é no gozo, é no gosto, é na graça;
é no pão, é no doce, é no bolo, é na massa;
é na massa, é no bolo, é no doce, é no pão;
é cruzado, é vintém, é pataca, é tostão;
é tostão, é pataca, é vintém, é cruzado;
é quadrão, é quadrinha, é quadrilha, é quadrado;
é quadrado, é quadrilha, é quadrinha, é quadrão.

É na corda, é na ponta, é na volta, é no laço;
é no pulo, é no salto, é no chouto, é no passo;
é na unha, é no dedo, é na mão, é no braço;
é no braço, é na mão, é no dedo, é na unha;
é no brado, é no grito, é na voz, na canção.
Na canção, é na voz, é no grito, é no brado;
é quadrado, é quadrinha, é quadrilha, é quadrão;
é quadrão, é quadrilha, é quadrinha, é quadrado.

É no leste, é no oeste, é no sul, é no norte;
é no pouco, é no muito, é no fraco, é no forte;
é no berço, é na cova, é na vida, é na morte;
é criança, é menino, é rapaz, é ancião;
é estado, é cidade, é distrito, é nação.
é nação, é distrito, é cidade, é estado;
é quadrão, é quadrinha, é quadrilha, é quadrado;
é quadrado, é quadrilha, é quadrinha, é quadrado.

É pato, é capote, é peru, é galinha
é no caibro, é na ripa, é na telha, é na linha;
é salão, é saleta, é despensa, é cozinha;
é cozinha, é despensa, é saleta, é salão.
É alpendre, é latada, é bodega, é pensão,
é casebre, é palácio, é castelo, é sobrado;
é quadrado, é quadrinha, é quadrilha, é quadrão,
é quadrão, é quadrilha, é quadrinha, é quadrado.

É no grito, é no assombro, é no susto, é no medo,
é na noite, é no dia, é na tarde, é no dedo;
é na briga, é na queixa, é na intriga, é no enredo,
é espada, é cacete, é punhal, é facão.
É revólver, é pistola, é bofete, empurrão,
é cadeia, é sentença, é juiz, é soldado;
é quadrão, é quadrinha, é quadrilha, é quadrado,
é quadrado, é quadrilha, é quadrinha, é quadrão.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SCHIRLEY – CURITIBA-PR

Ai, ai.

Do jeito que a coisa vai o melhor a fazer é ficar com o besteirol.

Garanto que vocês vão ficar cantarolando o dia todo e rindo. O riso alivia a alma.

O riso torna mais leve o seguir em frente.

O riso é um santo remédio.

Eu já estou cantando… hehe.

Boa cantoria pra vocês também.

Afinal, sextou!

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

ALEXANDRE GARCIA

VOCÊ SABE QUEM GOVERNA OS LUGARES MAIS PERIGOSOS DO BRASIL?

anuário segurança pública cidades mais violentas

Os dez municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes e que têm os maiores índices de homicídios estão no Nordeste

Em ano eleitoral – e as convenções já estão começando –, é bom lembrarmos da responsabilidade dos partidos em algo muito importante. Saiu o Anuário de Segurança Pública, e a região mais insegura do Brasil é o Nordeste. Os dez municípios mais violentos, entre os que têm mais de 100 mil habitantes, estão no Nordeste: cinco na Bahia, três no Ceará, um em Pernambuco e um na Paraíba. Por coincidência, Bahia e Ceará são governados pelo PT. A segurança pública será o assunto principal dos governadores em campanha, dos candidatos a deputado, senador e também a presidente da República. Todos sentem isso.

Há um candidato que zerou o crime no estado dele; não vou dar nome nem o estado, porque pode parecer campanha eleitoral, mas esse vai ser um fator muito importante: saber quem está disposto a fornecer segurança pública, porque é a responsabilidade dos estados federados, se bem que crimes federais já estão na área federal. Hoje o poder está centralizado em Brasília; “República Federativa do Brasil” é só no papel, só na Constituição, porque na prática, é “República Unitária do Brasil”, com governo central e províncias, em vez de estados. Afinal, se o governo central detém a maior parte dos impostos e define a distribuição do dinheiro, detém o poder também.

* * *

Retaliação só vai piorar a vida do brasileiro que depende de produtos americanos

Lula está fazendo declarações eleitoreiras a respeito de comércio exterior, prometendo retaliar os Estados Unidos por causa das tarifas. O engraçado é que ele não diz isso para a China. As próximas importações chinesas de carne brasileira vão estar com 67% de sobretaxa – a taxa normal é 12%, e vão aplicar mais 55% sobre o que estiver acima da cota. E Lula não diz nada. A Europa também resolveu dizer que o Brasil está descumprindo normas sanitárias da União Europeia, que está aplicando antimicrobiano para engordar a carne, e por causa disso, a partir de setembro, não entra mais carne brasileira por lá. E se o Brasil quiser fazer uma campanha contra os produtos que aplica, se deixar de aplicar o antimicrobiano no gado jovem, vai demorar quanto? Trinta meses até engordar e poder vender. São mais de dois anos.

E, se o Brasil retaliar mesmo os EUA, qual será a consequência? Não é deixar Trump mais ou menos bravo. É prejudicar o brasileiro: a empresa brasileira que depende de máquinas americanas; o brasileiro que depende de remédios que vêm dos Estados Unidos; os laboratórios e as indústrias que dependem de produtos químicos norte-americanos; o produtor rural que precisa de certas máquinas que só são fabricadas nos EUA. Esses é que vão ficar furiosos, porque terão de pagar mais, já que o Brasil vai aplicar sobretaxa sobre tudo isso. Esse revide é coisa de quem esqueceu que tem cérebro.

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Governo que não cuida dos rios e que adultera combustível não respeita o cidadão

Vou insistir em duas questões rápidas, que já mencionei aqui muitas vezes, mas que precisamos repetir. Primeiro, que não dragaram os rios do Rio Grande do Sul e as calhas dos rios estão entupidas; qualquer chuvinha faz transbordar tudo outra vez. E de quem é a culpa? Dos governos omissos. Segundo, vi aqui no PetroNotícias que o Brasil é o maior adulterador de gasolina do mundo. A partir de agosto, aplicará 32% de álcool na gasolina. Isso não existe em nenhum outro lugar; o resto do mundo só vai até 10%, porque sabe que 11% é o limite. A exceção é a Índia, que aplica 20%, mas a Índia tem 1,4 bilhão de habitantes e problemas que ultrapassam o bom senso; já os nossos problemas ultrapassam o respeito que o Estado deveria ter pelo cidadão e pelos 40 milhões de proprietários de veículos a gasolina, contando motos e automóveis.

DEU NO JORNAL

BILHÕES, TRILHÕES

Todos os números da dívida pública brasileira dispararam nos primeiros seis meses de 2026.

Desde 1º de janeiro do quarto ano do governo Lula (PT), tanto a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), quanto a Dívida Pública Federal (DPF), interna e externa, explodiram.

A DBGG aumentou em R$ 950 bilhões, 2,4% a mais.

Até o início deste ano, esse buraco equivalia a 78,7% do PIB e em 1º de julho já representava 81,1%.

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) ultrapassou – pela primeira vez na História – a marca dos R$ 10,6 trilhões.

A DPF, que é a dívida emitida pelo Tesouro Nacional, passou de R$ 8,3 trilhões no início de 2026 para R$ 8,68 trilhões após apenas seis meses.

Isso quer dizer que o governo do PT emitiu R$ 404 bilhões em títulos do Tesouro brasileiro, que precisam ser pagos dentro de alguns anos.

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É bilhão e trilhão que só a peste!!!

Chega fiquei zonzo de ler estas quantias piramidais.

Isso é cagado e cuspido a cara do gunverno lulo-petralha.

DEU NO JORNAL

O FUNERAL TARDIO DA DEMOCRACIA NA NICARÁGUA

Leonardo Coutinho

Ortega enterrou oficialmente um regime que há anos sobrevivia apenas como fachada eleitoral

O gerontocrata Daniel Ortega anunciou que não haverá mais eleições na Nicarágua. Ele disse isso com a serenidade de quem comunica a criação de um feriado nacional. Segundo Ortega, o voto não poderá voltar a servir de caminho para que partidos “apoiados pelos ianques” tomem o governo e interrompam a revolução (ou seja, ele próprio e sua mulher, Rosario Murillo, que já foi vice do marido e agora exerce as funções de co-ditadora). O mundo reagiu como se tivesse presenciado um assassinato. Não presenciou. Ortega não matou a democracia diante das câmeras. Apenas mandou retirar do palco um cadáver que, há anos, estava insepulto.

Na Nicarágua, as eleições já não serviam para escolher governantes. Eram simulacros usados para produzir atas, percentuais e fotografias destinadas aos diplomatas que ainda precisavam fingir que havia institucionalidade no país centro-americano. Em 2021, sete possíveis candidatos presidenciais foram presos antes da votação. Outros opositores foram proibidos de concorrer, perseguidos ou empurrados para o exílio. Ortega disputou contra o vazio que ele mesmo produziu e chamou o resultado de vontade popular. A esquerda latino-americana celebrou a “festa da democracia” e saudou o companheiro vencedor.

É assim que as ditaduras modernas vêm sendo construídas. Raramente começam fechando o Congresso, queimando urnas e anunciando o fim da Constituição.

Quando já não resta ninguém autorizado a disputar o poder, mantêm-se as eleições por algum tempo. O ritual anestesia a opinião pública externa.

A Nicarágua atravessou essa sequência inteira. Em abril de 2018, manifestações contra uma reforma da Previdência se transformaram em revolta nacional. Em menos de uma semana, pelo menos 25 pessoas foram mortas pela polícia.

Ao longo de cerca de um mês de protestos, o número de mortos passou de 350, com mais de 2.000 feridos. Além da polícia, formalmente falando, foram acionados paramilitares e militantes sandinistas para massacrar os estudantes e manifestantes. Hospitais chegaram a receber ordens para negar atendimento aos feridos.

Depois vieram prisões em massa, fechamento de meios de comunicação e de milhares de organizações civis. Em 2023, 222 presos políticos foram colocados em um avião, enviados aos Estados Unidos e privados da nacionalidade nicaraguense. O regime também voltou sua artilharia contra a Igreja Católica. Bispos e padres foram presos, condenados, deportados ou impedidos de retornar. Mais de 200 religiosos foram forçados ao exílio, expulsos ou barrados desde outubro de 2023.

Nada disso aconteceu escondido. A democracia foi espancada, morta e esquartejada em praça pública. Muita gente não fez nada. Pelo contrário. Houve até quem batesse palmas. Em 2017, Gleisi Hoffmann, recém-eleita presidente do PT, participou do encontro do Foro de São Paulo, em Manágua, capital da Nicarágua, e de lá saudou os “triunfos eleitorais” de Daniel Ortega.

Um ano depois, quando os corpos ainda eram recolhidos das ruas, o PT voltou ao encontro do Foro, desta vez em Havana. O discurso oficial do partido celebrou a “rotunda vitória” de Nicolás Maduro e descreveu a reação sandinista como “resistência às tentativas de desestabilização”. A resolução do encontro chamou os opositores nicaraguenses de violentos, terroristas e golpistas e ofereceu respaldo político a Ortega.

Autocratas latino-americanos não sobreviveram apenas por causa da polícia, dos juízes domesticados ou dos serviços de inteligência. Sobreviveram porque construíram uma rede continental de legitimadores. Cada prisão podia ser explicada como defesa da soberania. Cada fraude, como reação ao imperialismo ou até mesmo como “defesa da democracia”. Cada massacre, como resposta a uma tentativa de golpe. A linguagem revolucionária funcionou como lavanderia moral para crimes cometidos à luz do dia.

O espanto atual, portanto, revela menos sobre Ortega do que sobre aqueles que insistiram em não enxergá-lo. O ditador não mudou. Apenas abandonou o eufemismo. Durante anos, o mundo aceitou chamar de eleição um processo sem oposição, de justiça uma máquina de perseguição e de governo popular uma ditadura familiar conduzida por Ortega. Até hoje há quem o chame de “presidente”. Agora, quando ele informa que nem o simulacro será mais necessário, surgem notas indignadas em defesa de uma democracia que poucos defenderam quando ainda havia nicaraguenses nas ruas tentando salvá-la.

Fico com a dúvida se líderes mundiais e organismos internacionais de fato defendem a democracia ou apenas a fachada democrática.

O que aconteceu nesta semana é o seguinte: Ortega não encerrou a democracia nicaraguense de repente. Apenas declarou encerrada a necessidade de continuar mentindo sobre ela. Ortega apenas decidiu fazer um funeral tardio para um cadáver há muito tempo insepulto.

DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

OS GATOS E O BRASIL

Começo essa conversa com uma história real que se deu na Rua Maria Ramos (Olinda). José (o interessado pediu para omitir seu nome) tentava viver noites calmas na casa que acabara de construir. Ocorre que vizinha, dona Mirian, era amante de gatos. Alimentando, regularmente, 20 deles.

Aqui, vênia para lembrar felinos que viviam na casa do mestre Edson Nery e ficavam enroscados em nossas pernas, quando íamos lá. Ou o amigo Fernando Pessoa que, inspirado em Bocage, escreveu poema (sem título, sem data) sobre eles, dizendo “Gato que brincas na rua/ Como se fosse na cama/ Invejo a sorte que é tua/ Porque nem sorte se chama”.

Recordo por fim os “Fortes gatos suaves”, como a eles se referia (em Flores do mal) um dos precursores do simbolismo, Charles Baudelaire. Curioso é que seu livro, assim que lançado, foi considerado “imoral”. Não era. Mas essa é outra história, com outros personagens, e fica para outro dia.

Certo é que, tão logo construída, passaram os gatos de dona Mirian a fazer Assembleia Geral no telhado da casa – uma placa de concreto, como o dessas casas modernosas – do referido José. E tão grande era o barulho da gatalhada que não dava para ninguém dormir.

Dona Miriam parada, não era problema dela. Assim pensava. E assim dizia, quando reclamavam. Foi quando os pedreiros Chico Muafa (de Passira) e Cleber (de Currais Novos) decidiram ajudar seu amigo e chegaram com a solução.

Em tigelas de plástico, puseram Sardinhas Coqueiro, molho de tomate e cuscuz, tudo misturado com cimento. Enquanto, nas outras, água. Espalharam no telhado, antes de chegarem os gatos. Resultado, no dia seguinte, morreram 19 deles (escapou só um que, adoentado, ficou preso em casa pela dona). Como se tivessem uma parede de concreto armado nas suas barrigas duras, coitados. Bem duras. E daí?, amigo leitor. Daí que crimes, se ocorridos, já prescreveram. José vendeu a casa e não mora mais por lá. Enquanto dona Miriam, ignora-se o que aconteceu com ela.

O episódio lembra nosso Brasil. Onde os escândalos se sucedem e fica tudo por isso mesmo. Como o Petrolão, que pôs muita gente ilustre na cadeia – tesoureiros de partidos, políticos (muito) influentes, ricos empresários. Até que o Supremo anulou tudo, com base em tecnicabilidades (muito) discutíveis. Difícil de entender esse tipo de proceder, uma espécie de prêmio para a corrupção. Devolvidos todos às ruas, proclamam agora terem sido “inocentados”. Só mesmo rindo…

Depois os aposentados, coitados, miseravelmente assaltados. Até um funcionário de nossa casa, Bigode; que sem sucesso reclamou dessa expropriação, por 9 meses, no INSS. Nem CPI o Sistema permitiu. Nenhum dirigente de Sindicato está sendo investigado. Nem parentes de políticos ilustres. A conta? Pagamos nós, com nossos impostos.

Depois o Master. Não morreu, ainda, só por conta do bravo ministro André Mendonça. Mas tudo conspira contra ele. Os poderosos do Brasil estão em ação, para encerrar o caso. Ministros do Supremo (alguns) à frente, claro. Assim, e por confiar no passado, Vorcaro nunca fará Colaboração Premiada. Confia no passado e espera ser solto, em breve, para se juntar a sua turma boa.

Voltando a nossa historinha, para encerrar. Se culpado houve, creio ser quem deveria cuidar dos gatos. E pena, mereciam melhor destino. Eles e hoje, permitam os leitores, todos nós brasileiros.