MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

THE POST – A GUERRA SECRETA

Ontem, por volta das 16h senti o cansaço dominar o corpo e a mente. Um dia extremamente exaustivo, de um trabalho meticuloso que é orientação de tese, dissertação ou artigo, além de tantas demandas administrativas dos projetos do mestrado, que resolvi parar. Liguei a TV e saí procurando algo que valesse a pena, até que parei num filme, que já havia começado, e que tinha o título em epígrafe. Já vi pedaços e resolvi acompanhar.

O enredo trata do escândalo do Water Gate, lá do governo de Richard Nixon que também foi adaptado para o cinema e gerou o bom filme Todos os Homens do Presidente. A invasão do Water Gate era colocar escutas telefônicos no partido Democrata e o trabalho investigativo dos repórteres foi imparcial e graças ao que foi divulgado, Nixon renunciou.

O The Post foi jornal que começou a divulgar os indícios de falcatruas forjadas dentro da Casa Branca e este filme traz a perspectiva de uma pressão sobre o jornal para que não utilizasse determinadas provas. O caso vai parar na Supremo Corte e por 6 x 3 os juízes decidem que a imprensa livre é uma das bases fundamentais da democracia.

Imediatamente veio a comparação com nossa suprema corte e com nossa imprensa. Primeiro, olhe para a imprensa brasileira. É só uma “impressão”. A dependência de recursos públicos mantém qualquer veículo na obrigação de aplaudir até mesmo as baboseiras ditas publicamente pelo presidente. A grana é a motivação mais clara para ser contra ou favor qualquer partido. Existem ressalvas? Acho que sim, mas desconfio que não!

Certa ocasião, nos idos de 2012, eu estava dando aula num curso de graduação quando 4 alunos me pediram para falar com a turma. Concordei e eles entraram e se identificaram como integrantes da UNE. Destilaram mensagens doutrinárias e se posicionaram favorável ao financiamento de campanha e convidaram os alunos para uma “plenária” e depois de uns 10 minutos, perguntaram se os alunos tinham alguma pergunta. Silêncio absoluto. Daí eu perguntei se poderia fazer uma pergunta e eles disseram tudo bem. Então eu mandei essa:

“Por que a UNE era tão combativa no passado e agora eu não ouvi uma nota de protesto contra os escândalos de corrupção do governo? Foi porque a UNE recebeu R$ 25 milhões para construir sua sede e isso acabou com a combatividade?”

Eles se entreolharam e não responderam absolutamente nada. Tentaram dizer que a UNE continuava combativa, mas cada vez mais eu mostrava exemplos contrários. Saíram da sala e foram confabular do lado de fora. Meus alunos tentaram me aplaudir, mas eu não permiti. Disse que eles deveriam se posicionar e questionar as coisas para não servir de cobaias. De modo igual é a imprensa. A grana transferida pelo o governo veda os olhos das redações a ponto de se encontrar repórteres dispostos a defender o indefensável.

Eu vi um vídeo onde o jornalista Reinaldo Azevedo fazia uma intepretação da queda de popularidade do governo e do presidente atual. Dizia ele que a pesquisa foi realizada entre os dias 25 e 27 de fevereiro e que por conta do evento na Paulista, o povo ainda estava na rua se lembrando a Lava Jato – era esse o contexto, não as palavras. A imbecilidade é tanta parece que foram entrevistados apenas as pessoas que participaram do 25/02. Não custa lembrar que esse mesmo Reinaldo era o cara que tratava com Andrea Neves notícias que elevassem a figura de Aécio Neves. Como uma pessoa com esse caráter se acha probo para opinar sobre qualquer coisa? Acrescente-se que ele era crítico ferrenho de Lula, mas agora é defensor público sem procuração. Eu era assinante da Veja e ele colunista. Fiz dois comentários à coluna dele e foram publicados. Depois fiz uma crítica mais contundente e ele não publicou. Esse mesmo paspalho confundiu prisão em segunda instância com prisão preventiva.

Na extensão disso vem a suprema corte. Lá no passado, quando invadiram o capitólio contra o resultado suspeito da eleição norte-americana, ministros do STF foram às redes sociais defender a “essências da democracia”, enquanto não se ouviu uma palavra sequer dos membros da suprema corte americana. O grau de proibições feitas pelo STF em relação a parte da imprensa, a blogueiros, etc. é algo fora do padrão. Viola os preceitos mínimos do Direito e das garantias constitucionais. Liberdade de imprensa, liberdade de expressão, direito de ir e vir, me parecem mecanismos acessórios de um mecanismo podre que é esse espectro de democracia a qual estão nos impingindo.

Bloqueio de contas correntes tem sido uma praxe e tudo isso sob o manto de que estamos defendendo a democracia. Caramba! Morro de medo das escolhas que fazem por mim. Gostaria, imensamente, de continuar sendo responsável pelas decisões que tomo.

O pior é que não vejo sinais de mudança. Vejo um país enorme, com um potencial enorme, atolado na merda.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

SEGUE O BAILE

Não é mais surpresa ver, ouvir ou ler notícias sobre corrupção aqui no Brasil. Em outros países também existem corruptos, mas a diferença é que eles são punidos, algumas vezes com bastante rigor. O aproveitamento do dinheiro público vem de inúmeras formas diferentes e é fruto da ação de profissionais ditos “dignos” de confiança e ilibada reputação.

Como sou da área de educação, com experiência também em projetos de pesquisas, muito me chocou a notícia de que um pesquisador da Fiocruz – uma respeitada instituição no campo das pesquisas – simplesmente utilizou R$ 310 mil para viajar, juntamente com sua esposa, para França, Portugal e Estados Unidos. De onde vem o dinheiro? De um projeto na área de saúde indígena no qual esse professor é coordenador e a esposa, simplesmente, participa como integrante da equipe.

Sinceramente, fosse eu o presidente da instituição isso não passaria. Lembro de um problema semelhante no qual um professor – semideus – queria colocar a esposa na equipe de um projeto e eu não permiti. Ela até poderia ficar, mas sem receber nenhum tipo de bolsa. Lógico que esse cidadão subiu pelas tamancas, mas a esposa dele ficou fora. Dava apoio como uma espécie de secretária, sem receber um tostão por isso.

Um ponto que é importante esclarecer é que os projetos contemplam diárias e passagens, nacionais ou internacionais, para integrantes da equipe, desde que isso esteja no plano de trabalho. Pode ser, inclusive, que o referido professor esteja cumprindo alguma meta de alguma etapa do projeto, mas é estranho que ele e mulher tenham o mesmo interesse no objeto do projeto, com viagens para lugares comuns. Isso me lembra uma passagem de “O auto da compadecida” no qual Chicó dizia ter um cavalo bento que corria, o dia inteiro, atrás de um garrote e um boi e João Grilo pergunta diz: “como é possível Chicó? E os dois corriam juntos, era?”. “Não sei, só sei que foi assim!”.

Em meados da década passada, a Polícia Federal desencadeou uma operação chamada “Pós-doc” na qual descobriu desvios de recursos de projetos para conta pessoal de coordenadores de projetos. A coisa era simples: o coordenador colocava na equipe um aluno como bolsista, o crédito era realizado na conta do bolsista, mas o professor ficava com o dinheiro, ao estilo das famosas “rachadinhas” bem conhecidas nas câmaras legislativas desse país. O pior de tudo isso é que não há punição. O cara não é demitido, não tem suas verbas suspensas, nada. Segue o baile.

Confesso que estou me sentido igual a Kleber Bambam na luta contra Popó. Todos os dias eu levo socos diretos de esquerda no queixo, no baço, na alma. Não tem como recorrer ou a quem recorrer e muitos dizem “confiem na justiça divina!”… eu gostaria de ver essa gente pagando por aqui mesmo, para dar um belo ensinamento aos jovens. Tem aquela história de que “educai as crianças, para não punir os adultos”, mas Pitágoras, não sabia que haveria de ter um país chamado Brasil, onde o quadrado da hipotenusa pode ser furtada quando se fizer a soma dos quadrados dos catetos.

O que mais me choca, de verdade, é a leniência das pessoas, a concordância integral ou o simples desviar a vista das coisas que acontecem. As pessoas olham para outra direção para não ver as falcatruas, mas cobram posturas de honestidade, hombridade, dignidade, dos outros.

Ontem vi um vídeo no qual um repórter esportivo da globo – do canal a cabo – comentava que Robinho foi visto num churrasco no Santos, time no qual ele foi projetado. Dizia, esse repórter, que Robinho tinha levado ao filho para treinar no Santos e lá chegando estava rolando um churrasco e ele foi convidado. Após essa contextualização, o repórter rasgou o verbo contra a justiça lembrando que Robinho havia sido condenado a 9 anos de prisão e que a justiça espanhola havia solicitado extradição – a constituição federal não permite, mas não se surpreenda se o STF mudar de opinião – o fazer que ele cumpra a pena aqui. Salvo engano, dia 20/03 deve ter um desfecho disso.

Eu fiquei vendo a indignação e me perguntando: “como você não se indignou dessa forma quando votou num candidato corrupto?” Isso é apenas um pequeno exemplo de que a justiça, a dignidade, a coerência, são fatores alargados apenas quando temos interesse em algo. O resto é vala comum.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

OCUPAÇÕES

Sem sombra de dúvida o comentário que o presidente brasileiro fez sobre o tratamento de Israel ao grupo terrorista Hamas bateu recorde de comentários, num mundo inteiro. Tanto por pessoas, quanto por instituições ou governos. Se o presidente americano fosse Trump, Lula – difícil pronunciar esse nome – não entraria nos Estados Unidos nem para comer um MacDonald.

Não é a primeira vez que o pessoal da esquerda faz crítica a Israel pela “ocupação” que eles fizeram desde de 1948 quando a ONU propôs a criação do Estado de Israel. Em relação ao mundo árabe, tem-se uma área que representa algo como 0,4%. É nesse ponto que me foge parte do entendimento. Acredito que minha racionalidade se emburre quando leio teoria da esquerda.

A foto abaixo mostra Guilherme Boulos com outros integrantes do PSOL defendendo a “causa palestina” que vem a ser, exatamente, a tal ocupação de Israel na Palestina.

Qual a tônica da vida de Boulos? Favorecer invasões, para nós, porque para eles são “ocupações”. Então, um bando de gente pode “ocupar” um imóvel ou uma fazenda que está tudo bem. Ao longo de toda existência dessas figuras, o incentivo a “ocupação” quer seja de terras, quer seja imóveis, é parte da proposta do partido. Aqui, pode!

O que o nazismo fez com o povo judeu é algo que supera o entendimento humano. Lembro de um cara que morava próximo a mim no passado e era meu colega de faculdade. Certa vez a gente conversando ele disse uma frase que nunca esqueci: “o erro de Hitler foi matar os judeus daquela forma. Deveria ter matado tudo de uma vez só”.

Mais recentemente li uma frase de um cara preguiçoso, e incompetente, que eu conheço. Disse ele: “não sei porque os evangélicos defendem tanto Israel se eles não acreditam em Jesus!”. Apesar da titulação acadêmica, trata-se nitidamente, de um asno. Só isso. A crença religiosa, a fé em Deus ou em Jesus é um problema de cada um, sendo judeu ou não. Para os evangélicos, os judeus eram os escolhidos e ao recursarem essa fé, abriram a porta para outros. Eles estão aproveitando a oportunidade.

O que se destaca, na verdade, é o interesse vil de confundir e a maneira mais prática da esquerda agir é acusando os outros daquilo que eles praticam. Inúmeras vezes vi o presidente acusar os outros de corrupção. Lembro de Zé Dirceu batendo com o indicador numa mesa e dizendo que “esse partido não rouba e não deixa roubar”. O próprio Boulos foi acusado de cobrar taxa de ocupação. Cobrar dinheiro de quem não tinha onde morar.

O fato é que algumas pessoas saíram em defesa das palavras do presidente. Faz gosto ver o conflito vivido pelos jornalistas que apoiam o presidente. As curvas que eles fazem pra afirmar, negando, que o presidente disse merda. Como diria o personagem Chaves: “foi sem querer, querendo”.

O resultado disso aqui, internamente, foi pedido de impeachment do presidente. Ao que se sabe já há 139 assinaturas, mais do que no caso de Dilma. Isso vai adiante? Eu não acredito porque o congresso é formado por pulhas que não pensam no país, mas, sim, nos próprios interesses. Arthur Lira não é macho suficiente para fazer isso e no caso de Dilma, Eduardo Cunha só fez porque não foi atendido nas suas demandas.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

SUCESSÃO E SUCESSORES

Um dos lemas mais comuns e exaustivamente repetidos em diversas situações nas quais uma pessoa se coloca como a única capaz de conduzir determinadas soluções é: “o cemitério está cheio de insubstituíveis”. Nada mais objetivo, nada mais simples e direto. Não aceita quem não quer, mas uma passada rápida no passado vai trazer constatações irrefutáveis. Eu lembro de uma complô armado para matar Idi Amim Dadá, ditador de Uganda. Diante dos “conspiradores” ele chegou a vociferar: “vocês não sabem que EU escolho o dia de minha morte?”.

Existe uma cobrança, natural, muito grande sobre os sucessores. Algumas vezes o compromisso é manter a qualidade de um trabalho que estava sendo bem feito; outra, é refazer tudo que estava sendo feito com uma guinada de 180 e convencer as pessoas mediante a credibilidade dos resultados. As cobranças sempre ocorrerão, as comparações, idem. Há muitos anos, a rede globo (minúsculo mesmo) apresentava nas manhãs do domingo o programa “Som Brasil” comandado por Rolando Boldrini e quando ele saiu, Lima Duarte assumiu e muita gente falava que Boldrini era melhor, apesar de Lima fazer um bom trabalho. Na verdade, Lima Duarte apresentou o programa antes de Boldrini.

Isso se espalha em vários outros ambientes. Um cantor chamado Luiz Américo, lá nos idos de 1974 gravou uma música chamada “Camisa 10” (torcer para Peninha ler esse texto e nos brindar com um vídeo dessa música) na qual ele perguntava a Zagalo, então técnico da seleção brasileira, quem iria no lugar de Pelé. “10 é a camisa dele, quem é que vai no lugar dele?”. Zico honrou magistralmente essa substituição, outros nem tanto. Messi e Maradona guardam esse mesma proporção, mas quem virá depois de Messi?

Na política a coisa não é diferente. A cada quatro anos nós vamos às urnas escolher representantes (sic!). A maioria escolhe fulano e o resto segue a vida. Infelizmente nós perdemos, em 1993, uma oportunidade extraordinária de adotar nesse país um regime parlamentarista. Pare e pense: governo não é do presidente, governo é um gabinete, mas a ideologia é a parte tenebrosa da vida política. Há um sentimento de que o país, quiçá o mundo, deve ser esquerdista.

O mapa político do Brasil, desde a chamada redemocratização, começou com um presidente que passava léguas de distância do esquerdismo. Contra Collor, Lula se apresentou e Maria Amato, então presidente da “poderosa” FIESP chegou a dizer que “se Lula fosse eleito, 800 mil empresários deixariam o Brasil”. Em tese era uma oportunidade de se mostrar algo sustentável para o país, mas as duas coisas mais marcantes do governo Collor foi o fim dos títulos “ao portador” e a abertura das importações que cutucou a indústria automobilística a fazer carros com tecnologia de ponta.

Collor saiu sob o manto da corrupção denunciada por seu irmão, Pedro Collor, e gerenciada por PC Farias, morto em circunstâncias absolutamente estranhas. Itamar preparou FHC para a presidência e ganhou de Lula, duas vezes, por se apresentar como um esquerdista mais brando do que Lula. É aí que nasce o cerne da esquerda no Brasil. O PT sabia que nunca ganharia uma eleição com a pauta partidária que defendia e Zé Dirceu começou a formatar um plano de governo, ou melhor de poder, que pudesse levar o PT à presidência. Deu no que deu. Além dos indícios de corrupção já no primeiro ano de governo, estoura o escândalo do mensalão. Mas, o objetivo aqui é falar sobre sucessão.

Lula sempre foi o único candidato de esquerda no Brasil. Não por competência, mas por sagacidade. Aniquilou Ciro Gomes, humilhando-o em diversas ocasiões. Não formou um sucessor ao longo desse tempo inteiro. Quando Lula morrer, o PT servirá de matéria prima na cremação do corpo. Seguramente, o PT ficará com alguns cargos proporcionais, mas não majoritários. O petista que voltou em Dilma, Haddad o fez com a consciência de quem o mandatário dos governos seria Lula.

De modo igual, com Bolsonaro inelegível até 2030, um cara com seus 66 anos de idade, vai disputar uma eleição com 72 anos? Pode ser. Lula o fez. Mas, dentre todos os apoiadores de Bolsonaro, quem é visto como sucessor? Tarcísio de Freitas? Talvez, mas não para 2026. A questão é a seguinte: Barroso discursou dizendo “nós derrotamos o bolsonarismo”, mas, de fato, não existe esse movimento. Existem pessoas simpatizantes a Bolsonaro e isso é muito pouco para se formar uma base estruturada. Este ano teremos eleições municipais e o PT temendo a influência do ex-presidente, articular pela sua prisão.

Não há sucessores e isso é o quem mais me angustia. Em 2022, inúmeros partidos apoiadores de Bolsonaro lançaram candidatos. Esfaleceram os votos permitindo a coesão esquerdista. Falta muito para termos competividade. Falta uma pauta que convença o trabalhador e o empresariado de que este país é possível.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

UM PAÍS DE MENTIRAS

São mais de 8 milhões de quilômetros quadrados perdidos no meio do nada! O nada parece um pântano de areia movediça que engole o caráter das pessoas e as transforma em simples fantoches. Já há algum tempo venho externando minha indignação com isso tudo e tudo que vejo é um cerco jurídico se fechando cada vez mais em torno de alguns e deixando, outros, totalmente livres. A sensação é de confinamento, para alguns, num grande círculo, enquanto outros apenas observam do lado de fora. A claustrofobia de uns será o remédio para a autofobia de outros.

Buscando frases de Roberto Campos para colocar no rodapé de uma lista de exercícios (sempre coloco em lista de exercícios, provas ou atividades, uma frase de alguém, algumas das vezes, frases minhas) e me deparei com uma frase de Roberto Campos que dizia: “Haverá salvação para um país que se declara “deitado eternamente em berço esplêndido” e cujo maior exemplo de dinâmica associativa espontânea é o Carnaval?”

Ao deitar-se em berço esplêndido, o gigante tornou-se algo diferente daquilo que preconizava a coragem do filho que não foge à luta. A sensação é que ou não existe luta, ou chegamos atrasados ou estamos nos recusando a participar e enquanto isso somos conduzidos de forma bem comportada para dentro do círculo do qual só sairemos curados.

Não sei ao certo qual a fobia que nos contagia, mas os sintomas são bem específicos e estão associados com a rejeição à: corrupção, aparelhamento do estado, justiça seletiva que libera corruptos e prende inocentes, poder absoluto da lei que desrespeita o “quantum” de 1/3 da república. Sim, ter tais sintomas nos transforma em doentes desenganados. Somos a reencarnação dos leprosos que há dois mil anos eram apedrejados nas ruas e precisavam se abrigar nas cavernas. Talvez seja isso: vamos isolar quem pensa diferente e tratar como se tratavam os leprosos.

Confesso que passa pela minha cabeça que a instrumentalização para a cura é o bisturi cirúrgico da lei. Vi um vídeo (no grupo do zap do Cabaré do Berto) que me assustou: um programa desenvolvido especificamente para o STF captar nas mídias sociais tudo que se referir ao órgãos, ao seus deuses e quiçá, aos órgãos dos seus deuses e dependentes também. Liberdade de expressão? Teremos, desde que não pronunciemos tais palavras ou que não chamemos um ladrão de ladrão.

Fica cá com meus pensamentos restritos que teimam em se materializar na forma de perguntas, mas as respostas me assustam, posto que, alguma delas eu deduzo facilmente. Não encontro resposta para “o que fazer?”. Não estou incitando a balbúrdia, a desobediência civil, nada disso, mas o que deve ser feito quando os órgãos institucionais se ergueram contra um governo legitimamente eleito e seus membros, que constitucionalmente deveria ficar isentos de partidarismo, foram os principais responsáveis por esse estado de incerteza?

Vamos fazer uma breve recapitulação: em 1988 o colégio eleitoral elegeu Tancredo Neves presidente com a proposta de fundar uma Nova República, mas quem governou foi José Sarney que vinha de um partido que deu sustentação ao governo militar que ora se findava. Em 1989, Sílvio Santos entrou na disputa pela presidência e deixou Collor de Melo em segundo lugar nas intenções de votos. A diferença era superior a 20 pontos percentuais. A campanha de Sílvio Santos durou dez dias e mediante decisão do TSE a candidatura foi cassada. O resultado é que Collor foi eleito porque naquele tempo o PT de Lula assustava até o bicho papão. Tratava-se de um governo de direita, mas com o impeachment assumiu Itamar que colocou Fernando Henrique Cardoso no ministério da fazenda, que convidou uma equipe – competente – de economistas para implantar o Plano Real e que com isso ganhou a eleição para Lula, em duas ocasiões. Resultado: de 1994 a 2018, o Brasil foi governado por partidos de esquerda.

Eu acredito que o pessoal que se diz de direita não consegue compreender e aproveitar as oportunidades que surgem. Bolsonaro montou um gabinete digno de referência. Teresa Cristina, Tarcísio Freitas, Moro, Paulo Guedes, mas tinha outros bem fracos em outras áreas prioritárias com saúde e educação. Perdeu tempo, dedicou parte do seu tempo a confrontos bobos e com isso perdeu a oportunidade de transformar o pensamento do país e continuar com a política econômica de Guedes que se apoiava na redução da inflação, no equilíbrio fiscal e no crescimento da economia com a redução do tamanho do estado.

Se você observar, Milei está fazendo algo extremamente parecido na Argentina e em poucos meses de governo já se vê protestos da população com medidas que deveriam ser adotadas de modo gradual. Já trocou um ministro por, supostamente, ser um “espião”. A Argentina é uma ilha na América do Sul: cercada de governos de esquerda por todos os lados!

Finalizo, chamando a atenção para a frase do Roberto Campos. Os fatos são assim mesmo: a única expressão espontânea é o carnaval. Talvez o poder espere que ele refresque a cabeça dos rebeldes. Talvez, quando a quarta-feira de cinzas chegar, tenha somente as cinzas de sonho ousado. Até o próximo carnaval vamos dizendo: “louco? Eu já fui louco! Me trancaram num quarto com ratos e os ratos me deixam louco”. Repete isso diariamente até o carnaval de 2025. É melhor.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

A IGREJA E SEU PAPEL: PARTE 2

Na semana passada falamos sobre a questão sexual na Igreja Católica. O desejo sexual reprimido cria um monte de alternativas para pedófilos ou tarados. Hoje vamos falar sobre a questão política da Igreja. Começo dizendo que há uma interpretação errada do Evangelho no que concerne ao posicionamento de Cristo em relação aos ricos. Jesus não condenou ninguém, apenas esclareceu que a riqueza é um óbice à evolução espiritual porque deixa as pessoas presas ao materialismo.

Há uma passagem na qual um jovem rico pergunta o que deveria fazer para chegar ao reino de Deus e Jesus responde dizendo que ele cumprisse os mandamentos e que vendesse tudo que dia e distribuísse com os pobres. Diante da recusa, Jesus sentenciou: “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar nos reinos dos céus”. Muitos ainda pensam que a “agulha” é essa usada para costurar. Agulha eram as ruas estreitas de Jerusalém. Tão estreita que um camelo não conseguia dobrar uma esquina.

A intepretação do Evangelho ao pé da letra levou, sempre, as pessoas a temer a Deus e isso foi um instrumento importante de dominação. Mas, desde a Idade Média que a Igreja exerce um poder político, basta lembrar que o Papa fazia a coroação de reis. Eu entendo que a Igreja tem o direito de cobrar políticas públicas, de se preocupar com a população carente, etc., entretanto, discordo da posição ideológica. Não há como ser cristã assumindo uma ideologia que fere diretamente os preceitos do Cristo.

Uma das representações mais intensas da Igreja Católica é a CNBB – Confederação Nacional de Bispos do Brasil. Essa confederação foi criada em outubro de 1952 e teve como seu primeiro secretário o conhecido Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife durante 21 anos, ou seja, igual período que durou o regime militar no Brasil. Durante esse período surgiram segmentos dentro da Igreja que, eventualmente, ao buscar a defesa de uns, incitava a luta armada de outros.

Uma das vertentes mais fortes na igreja foi a Teologia da Libertação defendida por Leonardo Boff que acabou sendo excomungado da Igreja em 1977 pelo Papa João Paulo II. A base para a expulsão de Boff foi que a Teologia da Libertação era de cunho marxista e violava os preceitos da Igreja. Eu era estudante universitário e havia me tornado fã de Frei Betto e hoje eu digo veementemente que ao ler os livros de Frei Betto eu troquei o Cristo que eu conheci em Tabira – que falava de perdão, amor ao próximo, e por aí – por esse de cartucheira atravessada no tórax e uma submetralhadora em cada mão. Mais tarde, a decepção foi intensa e eu perdi a referência de Cristo que eu tinha.

As pautas da ideologia marxista são, frontalmente, contra aquilo que a igreja prega. Contracepção, por exemplo. Mesmo durante o período de propagação da AIDS no começo dos anos 1980, a igreja se colocou contra o uso de camisinha e essa semana um juiz negou provimento de uma causa movida contra o Hospital São Camilo, em São Paulo, por uma paciente que queria a implantação de um DIU, mas o hospital disse que era contra os princípios que pregados pela instituição e não fez. O juiz entendeu que o hospital tinha razão.

A questão do aborto é colocada como uma política pública e as pessoas que defendem querem que a igreja aceite e até apoie. Dom José Cardoso quando era arcebispo de Olinda e Recife, excomungou um médico e um monte de outros profissionais que fizeram o aborto de uma criança de 9 anos. Esse procedimento foi realizado na maternidade da Encruzilhada, uma das mais conhecidas do Recife.

Eu penso que a questão é simples: se não concorda com os preceitos impostos, saia, concorra a cargo eletivo e procure aprovar projetos de acordo com sua convicção. O padre, o bispo, o Papa, quem quer que seja, tem o direito de defender uma linha de pensamento, mas na hora que faz isso no cargo, mistura homem e instituição e aí fica-se a ideia de que é a instituição quem defende tal proposta.

Uma coisa eu acho interessante: que defende o comunismo, nunca viveu num país comunista. Essa foi uma das coisas que mais me incomodou quando era estudante universitário com a cabeça voltada para o socialismo: o único revolucionário que saiu do Brasil para viver num país comunista foi Gregório Bezerra, enquanto os demais usufruíram das benesses de país capitalista. Miguel Arraes foi para a Argélia, Francisco Julião foi para o México, Leonel Brizola foi para o Uruguai e vai por aí.

Cabe lembrar, no entanto, que um cardeal chamado Karol Wojtyla, viveu na Polônia quando jovem, quando lá havia o regime comunista e que quando se tornou Papa João Paulo II trabalhou, ao lado de Ronald Reagan e Margareth Thatcher, para acabar com o comunismo no leste europeu. E conseguiram. As repúblicas socialistas soviéticas derretam ao calor da liberdade democrática; o muro de Berlim caiu, unificando a Alemanha. Pergunta-se: existem pessoas na Igreja Católica que gostariam de ver tudo como antes?

Confesso que a linha é muito tênue. Alertar sobre direitos e garantias individuais não parece semelhante a doutrinar. No meu entendimento quando a igreja incentiva invasões ela está trabalhando por coisas terrenas e para mim seria de vital importância lembrar: “Dai a César o que é de César. Dai a Deus o que é de Deus”. É por isso que carrego minha igreja nas costas.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

A IGREJA E SEU PAPEL – PARTE 1

Ao pronunciarmos a palavra “igreja” ergue-se, imediatamente, diante de nós a Igreja Católica. Ela imperou desde Cristo e somente no século XVI, Martim Lutero, ex sacerdote católico, instituiu a Reforma Protestante trazendo 95 teses que contestavam o poderio da Igreja e a infalibilidade do Papa. Obviamente, com a Reforma Protestante surgiram interpretações diversas que gerou subdivisões como as igrejas hoje conhecidas como Assembleia de Deus, Batista, Presbiteriana, Pentecostal e mais recentemente surgiram as neopentencostais que visam, apenas, a exploração do povo e nas quais os pastores e pastoras não se envergonham de tirar dinheiro dos miserais.

Essa ramificação imoral e exploratória se solidificou com a Igreja Universal de Edir Macedo, mas o R. R. Soares, salvo engano genro de Macedo, veio com a Igreja Internacional e depois outras com Igreja do Evangelho Quadrangular, Renascer e mais recentemente vi Danilo Gentile entrevistar um pastor cuja igreja se chamava Picas das Galáxias. Segundo ele, era necessário ter um nome que demonstrasse a grandeza como “Universal”.

O fato é que a igreja, seja ela com “i” maiúsculo ou “i” minúsculo, se distanciou soberanamente do Cristo. Imagina, você: um cara que pregou o amor, o perdão, que mudou a contagem do tempo (antes de Cristo, depois de Cristo) jamais pregaria a violência ou a tomada do poder pelas armas. Uma figura, que ao meu ver, é injustiçada na história cristã é Barrabás. Pelo que já pesquisei sobre ele, eu o vejo como um cara que acreditava que o “messias” ia usar armas para derrotar o império romano. Essa minha curiosidade veio com o filme Jesus de Nazaré, de Franco Zeffirelli. Outra figura injustiçada é Madalena. Nunca foi puta como se pregou a vida toda.

O domínio da Igreja, questionado por Lutero, se impôs através do terror. As cruzadas deixaram rastro de mortes em nome de Deus. A Inquisição condenou tocou fogo em muita gente, dentre as coisas Joana D´Arc e quase acendia um lampadário de ignorância queimando Galileu que, sabiamente, preferiu continuar suas pesquisas e trazer lucidez à ciência.

Uma das questões mais importantes no catolicismo é o celibato. A Igreja Católica trata Pedro, o apóstolo, como seu primeiro Papa porque Jesus teria dito: “tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. Pedro era casado e outros apóstolos também tinha esposas e filhos. Uma busca rápida no google você vai encontrar uma relação de papas que foram sexualmente ativos durante o papado. João XII institui uma pornocracia no seu papado e foi deposto porque transformou a Basílica de São João de Latrão num puteiro. Adúltero, incestuoso, etc., vivia ao lado de prostitutas e foi morto por um marido ciumento que o pegou transando com sua mulher.

Em adição tem uma lista de papas como Paulo II, Sisto IV, Leão X, dentre outros, que eram suspeitos de manterem relacionamentos homossexuais. Ou seja, a putaria na Igreja vem de longas datas e continua ao longo dos séculos. Fui “coroinha” de um padre sério, egipciense, chamado Luis Muniz do Amaral. Quando ele faleceu foi substituído por um chamado padre Dutra que era “pederasta”.

A arquidiocese de Los Angeles pagou mais de US$ 660 milhões a mais de 500 vítimas de pedofilia, inclusive o padre responsável por tantos abusos havia falecido em 1987, mas as vítimas processaram a igreja. O filme Spotligh: Segredos Revelados retratou a investigação feita por repórteres sobre os casos de pedofilia na igreja que estavam sendo acobertados pela arquidiocese. Procure na internet que você encontrará casos de pedofilia na igreja em Portugal, França, Polônia, Alemanha, Itália e não poderia ser diferente: no Brasil.

Aqui há mais de 100 padres envolvidos em pedofilia dos quais 60 foram condenados por crimes sexuais. Tem algumas pesquisas sobre o assunto e até livros escritos, relatando tais casos. Um dos casos mais rumorosos sobre abuso sexual de padre foi o caso do padre Airton que comandava a Fundação Terra. Tal entidade desenvolvia um trabalho importante no interior do estado e o tal padre violentou uma mulher que depositava nele absoluta confiança.

O caso do Padre Júlio Lancelloti veio a público com a divulgação de um vídeo no qual o padre se masturba para um menor de 16 anos. Um escritório de perícia atestou que as imagens são reais, que o cara do filme é o padre, que o ambiente do filme é o mesmo que aparece nas suas redes sociais e tudo mais. Outro perito desacreditou o trabalho feito por esse escritório, alegando que era montagem, no entanto, em mais de 2000 frames não se viu o menor indício de que se trata de montagem.

Em São Paulo, um grupo de vereadores iniciou a abertura de uma CPI para investigar o papel das ONG’s que mantem viva a Cracolândia. Ao que se sabe alguns vereadores retiraram a assinatura da CPI quando souberam que as investigações podem atingir o padre Júlio. O vídeo no qual o padre se masturba foi encaminhado a arquidiocese que resolveu arquivar as denúncias.

O fato é que a Igreja Católica tem perdido adeptos ao longo dos anos. Muitas pessoas se dizem católicos por falta de opção ou por pura acomodação. De certa forma, a Igreja não está sabendo conciliar os ensinamentos de Jesus com as práticas dos seus “representantes”. Não se trata de generalizar porque sabemos que há pessoas bem intencionadas, mas o comportamento de alguns não tem nada de cristão.

Eu tenho um amigo alagoano que dizia que a iniciação sexual do tio dele teve início com uma confissão feita a Frei Damião. Ele tinha uns 10 ou 11 anos quando Frei Damião foi fazer uma missão na cidade e aqueles que iam fazer a primeira comunhão deveria se confessar. Qual a porra de pecado que uma criança de 10 anos tem para pedir perdão? (“Deixai vir a mim as crianças e não as impeçais porque deles é o reino dos céus). Bom, o fato é que Frei Damião perguntou se ele fazia “safadezas” e o cara disse “que tipo?”….Bom o frade completou: “daquele tipo que fica brincando com a pintinha”… Ele nem sabia o que era isso, mas correu para casa depois da confissão e… Obrigado Frei Damião!

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

LEVANDO PISA

No início desse século o OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico teve a brilhante ideia de promover um teste de conhecimento para estudantes de, aproximadamente, 80 países, dentre os quais o Brasil. Surgiu o exame do PISA – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, que exige conhecimento em Matemática, Ciências e Leitura. O exame é aplicado para estudantes com até 15 anos.

Desde os primeiros resultados, o Brasil tem ocupado uma sofrível posição dentre os participantes e quando a gente olha o que aconteceu em 2022 dá vergonha. Basta dizer que 50% dos nossos alunos não leem mais do que três páginas de texto… por ano. Menos de 10% conseguem ler mais de cem páginas e o resultado nos colocou em posição distante de países vizinhos como Argentina e Chile.

Nitidamente, o modelo educacional que temos é falho. Fui aluno de escola pública, localizada no interior do estado, no sertão, e meus professores eram mais dedicados a nos ensinar do que meus colegas de escola pública quando passei a ensinar. O tempo entre o término do meu ensino fundamental e minha experiência como professor foi inferior a dez anos e numa década eu não conseguia entender o que aconteceu com a educação.

Dois casos curiosos aconteceram: o primeiro é que não havia as escolas de referência como há hoje – tempo integral – e tínhamos 5 aulas de Matemática por semana em cada turma. Então, numa reunião de planejamento eu propus que dessas 5 aulas a gente reservasse duas, por semana, para ensinar geometria porque era os últimos capítulos do livro e não dava tempo de abordar. Nenhum dos demais professores aceitou e o motivo, soube depois, era que eles não sabiam geometria.

O segundo caso aconteceu quando postulamos colocar o ensino médio nessa escola. Precisávamos garantir que não teria disciplina sem professor e aí eu pedi para assumir as disciplinas de Física e Matemática, no ensino médio. Um professor insistiu pra ficar com uma turma de Física e não vi problema. O fato é que um aluno dele me procurava com frequência para ajudar a resolver a lista de exercícios e depois de tanta “ajuda” eu perguntei: “por que você não pede a teu professor para resolver?” e o aluno respondeu: “prof. não comente com ele, nem com ninguém, mas ele pega essa lista do livro e me pede para falar com o sr. O sr. resolve, eu passo para ele e copia as respostas no quadro”.

É por essa razão que me choquei quando vi que a qualidade dos professores que ensinavam no colégio onde trabalhei era muito inferior à qualidade dos professores que tive. Não preciso dizer que ao longo do tempo isso só piorou e fico estupefato quando vejo alguém defender esse modelo educacional que não produz nada, ou melhor, produz uma maioria de analfabetos. Quando vemos os resultados obtidos na prova do PISA em leitura é que percebemos que não há incentivo para se fazer diferente.

Essa semana, num grupo de zap, um dos colegas afirmou que a escola pública só melhoraria se o filho do governador estudasse nela. Na escola que ensinei, durante uma reunião de pais e mestres eu pedi a diretora da escola que dissesse o nome da escola que os filhos dela estudavam. Ela não disse, claro, mas eu não deixei de dizer que a escola pública que estava era para filho se miseráveis e nenhum professor tinha filho estudando em escola público.

Cabe lembrar que essa ideia de filho de político estudar em escola pública foi dita, exaustivamente, por Eduardo Campos, agora ele nunca tirou os filhos dele de escolas privadas para matricular na escola pública. Deveria ter aproveitado a ocasião e ter dado um bom exemplo. Não fez, porque tudo isso é pura demagogia e o governo, para suprir sua deficiência acerbada, criou um sistema de cotas onde, logicamente, se entende os fins. O sistema de cotas não passa disso: o reconhecimento da falência múltipla dos nossos órgãos governamentais.

De certa forma não soubemos aproveitar o desenvolvimento tecnológico do mundo. Pelo contrário, caímos um pouco mais. Recentemente puseram um anúncio no grupo de professores do meu departamento onde ofertava-se monografias para os concluintes da graduação. Isso mesmo: pague X reais e você não precisa se preocupar para fazer uma monografia com 30 páginas, sem precisar pesquisar nada. Francamente, não condeno quem vende esse tipo de produto e nem quem o compra afinal esse cara que está comprado é só o retrato do que foi feito com ele ao longo de 4 anos de graduação, ou seja, não teve ensinamento necessário para se envolver com uma pesquisa, escrever um texto e defender sua ideia.

O Brasil cometeu um erro crasso: colocou muita política na educação e pouca educação na política. Por isso, externa para o mundo seu alto nível de burrice. Vamos continuar levando PISA e não vamos aprender.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

LÁ VEM 2024

Mais um pouco de paciência e 2023 vai embora. De vez. Morre integralmente deixando apenas algumas lembranças gratificantes e outras bastantes amargas. Não espere milagre porque nada mudará automaticamente, ou seja, o dia primeiro de janeiro não fará o mundo viver melhor. Guerras continuarão vigentes e outras tantas arquitetadas; corruptos continuarão no poder; inocentes continuarão massacrados pela intolerância política ou religiosa; a fome continuará assolando moradores do Nordeste brasileiro que continuarão liderando o ranking de analfabetismo no Brasil. A quantidade de beneficiários do Programa Bolsa Família continuará superando a quantidade de empregos formais no Norte e Nordeste desse país.

Teremos um ano de eleições municipais e a política do panis et circenses será a principal tônica. Basta agradar o eleitor pobre com uma obra sem muito sentido, ou aplicabilidade, e os votos choverão na urna do benfeitor. A miséria continuará gerando votos e os imbecis continuarão miseráveis tanto de patrimônio quanto de espírito.

Caramba! Vai ser pessimista assim no inferno!… pensarão alguns de vocês. Não se trata de pessimismo, mas de realismo nu e cru. As desgraças, geralmente, são sistêmicas, ou seja, atingem a sociedade como um todo, enquanto as alegrias são individuais, familiares ou fraternas. O jogador de futebol que fica no banco de reserva, não está ali torcendo pelo time. Ele torce para que o titular se machuque e quando isso acontecesse ele entrar em campo com as mãos erguidas para o alto como se suas preces tivessem mesmo sido ouvidas por Deus.

Então, o possível Feliz Ano depende do volume de esperanças que carregas contigo. É esse combustível que te move e em função dele executarás os teus atos. O mundo só vai melhorar se colocarmos a esperança a frente das decepções, mas a esperança é uma variável dinâmica: aquele que senta e fica esperando que as coisas melhorem verá, tão somente, o tempo passar diante dos seus olhos sem agregar um milésimo de segundo a ao estoque de felicidade que carregas. “Quem vive de esperança morre de fome” exatamente pela falta de ação, de movimento.

Tem outro dito popular que diz “quem espera sempre alcança”. Pode até ser verdade, no entanto, esse “nirvana” pode demorar a vida inteira. É como a árvore plantada que só recebe incentivo quando chove e não creia que “A esperança é a última que morre”. Ledo engano, a realidade mata de forma mais drástica e muitas das vezes a esperança é um embrião que se perdeu no ventre dos sonhos.

O dito “enquanto a vida, há esperança” está, nitidamente, errado. É ao contrário: enquanto há esperança, há vida porque, de fato, a esperança é, ao mesmo tempo, um ponto de apoio e uma alavanca e como disse Arquimedes “dê-me um ponto de apoio e uma alavanca e eu moverei o mundo”. Creio nisso. Nós precisamos dessa estrovenga se quisermos sair do marasmo. Se quisermos fazer acontecer, não basta falar. Se sabe fazer, faça. Não espere porque o tempo passa e sua ação pode ter sido importante no segundo anterior.

Há quem diga que a “esperança é o pão dos infelizes” e quando ouço isso, lembro tremo nas bases porque entendo que se alarga o conformismo, o entreguismo a situações de penúria porque se delega a outrem a prerrogativa de fazer algo por você. Talvez seja com base nisso que as regiões Norte e Nordeste são repletas de necessitados que acreditaram que Frei Damião traria chuva para região ou que Antônio Conselheiro estava certo quanto disse, em 1833, que o “sertão vai virar mar”. Há uma romaria intensa na região em torno de “Padim Ciço” no qual o sertanejo deposita esperanças e milagres que não existem. Não espere milagre, faça a sua parte.

“A miséria só começa quando a esperança acaba”. Isso está muito sintonizado com o tal “pão dos infelizes”. Não é assim. A miséria não é uma imposição divina. Ela é criada pelo Homem. E aí, as pessoas usam o temor de Deus, a religião, etc. para justificar a miséria e trabalhar para que ela permaneça. Não é de graça que as regiões, Norte e Nordeste, possuem mais beneficiários do Bolsa Família do que empregos formais.

Então, prezado leitor. Faça suas escolhas, baseadas nas suas convicções. Qualquer decisão sua, você será o primeiro a ser afetado. Transforme, cada dia de 2024, num altar de esperança, mas trabalhe para que haja ação.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

NOTA DE FALECIMENTO

É com profundo pesar que comunico que a República Federativa do Brasil, no dia 31/10/2022, foi submetida a uma cirurgia delicada para extirpar do seu organismo males históricos, como corrupção, leniência judicial, desvio de conduta, bem como seus efeitos colaterais. A equipe médica, comandada pelo Dr. Alegilbarchin, não percebeu a infecção generalizada que acometia o pobre paciente e ao invés de ministrar antibiótico, receitou placebo levando o paciente a um estado vegetativo que atingiu a esperança e fez o paciente sangrar até a exaustão.

O processo cirúrgico começou às 8h do dia 31/10/2022 e terminou às 17h, no entanto, somente às 22h, com a divulgação do boletim médico, era notório que a agonia do paciente, respirando por aparelhos, causou um excesso de tristeza nos seus dependentes. A equipe comandada pelo Dr. Alegilbarchin, alegou que era apenas 58 milhões de imbecis que não entendiam das novas técnicas cirúrgicas e não considerou a formação de cada membro da equipe cirúrgica.

Familiares da combalida paciente, desde então, se mantiveram em vigília entoando cânticos de louvor numa medida desesperada de que outra equipe fosse reanimar o enfermo. Ledo engano, pois sem comando a equipe consultada “lavou as mãos” replicando o gesto de Pôncio Pilatos.

Durante mais de um ano, o óbito da República Federativa do Brasil não foi divulgado de forma correta, no entanto, a equipe do Drl. Alegilbarchin, devidamente treinada em sistemas de saúde de países de tecnologia de ponta como Cuba, Irã, Nicarágua, não assinou o atestado de óbito e aciona a justiça sempre que qualquer pessoa indagar a “causa mortis” do referido paciente, que foi falência múltipla do órgãos e das instituições.

Para a equipe médica, nada disso! Para eles o paciente renasceu das cinzas que se encontrava e passou a mostra que o referido paciente sofreu apenas uma operação plástica ficando revigorado, com expectativa de vida secular e condições de gerar e distribuir riqueza de forma igualitária. Todavia, a poupança formada por esse rebento, arrebentou já no seu primeiro ano de vida, pós cirurgia, visto que, passado um ano, essa criança traz as malezas congênitas dos seus ancestrais que o conceberam na primeira metade desse século.

A plástica realizada sob a égide da idiocrasia, trouxe a face cruel de uma criança perdulária que a cada dia gera um mal maior do que o do dia anterior. Cerca por 38 padrinhos diretos, alguns dos quais envolvidos em falcatruas e outros que no passado chamaram seu genitor de ladrão, Pindorama Luljan, em apenas em um ano, mostrou ao cordão de idiotas que torceu pelo seu nascimento, fez os seus responsáveis torrar milhões em cartão corporativo, comprar sofá e colchão por R$ 80 mil, pagar viagens de “papai e mamãe” para que eles percorressem pouco mais de duas voltas ao mundo.

O problema é que Pindorama Luljan tem padrinhos muitos fortes. Daqueles 38 padrinhos diretos, tem um “tiozinho”, conhecido marmitex de porta de cadeia, que numa trama bem arquitetada, convenceu 375, dos 513, vizinhos a aprovar um protocolo de intenções chamada “reforma tributária” na qual o bolso dos idiotas será penalizado duramente.

Lamentavelmente, os doadores de sangue, os crédulos que a República Federativa do Brasil era capaz de sobreviver aos ataques bacterianos do hospital onde o paciente estava internado, vai precisar esperar até 2026 para tentar mudar alguma coisa, visto que os adeptos da limpeza moral aceitaram o remédio amargo ministrado pela equipe do Dr. Alegilbarchin.