MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

LÍNGUA FERINA

Língua Ferina era a coluna escrita por Adônis Oliveira no Jornal da Besta Fubana. Quando Cheguei ao JBF como colunista, Adônis já protestava de foram veemente contra as mazelas desse país criticando, desde a corrupção desacerbada à leniência do sistema judiciário. Sua opinião, sobre os temas que abordava, eram extremamente contundentes e, quando incomodado com algum texto publicado por outro colunista, Adônis não se fazia de rogado e contra argumentava, quase sempre, de forma ácida. Seu estilo ganhou trocas de “amabilidades” com dois colunistas: Altamir Pinheiro e Fernando Gonçalves, sendo este caso bem mais leve.

O debate com Altamir foi publicado na íntegra, sem cortes e sem censura como é o estilo do JBF. De certa forma, a gente se divertiu com aquilo. Eu digo a gente que estava fora da discussão, mas cada um atribuía à mãe do outro o exercício natural da prostituição. Tudo isso porque Adônis discordou de um texto de Altamir. Com Fernando, foi bem mais leve, mesmo porque Fernando não entrou no debate. Trago estes episódios ressalvando meu profundo respeito ao Altamir, de quem guardo profunda admiração e tenho a pretensão de visitá-lo em Garanhuns, e também a Fernando. Meu objetivo, aqui, é apenas externar o jeito natural de ser de Adônis Oliveira.

Aos domingos, a leitura da coluna Língua Ferina era algo obrigatório porque a lucidez, o conhecimento de Adônis sobre o que escrevia era notório. Um cara absolutamente plural que, com o rigor da formação acadêmica em engenharia mecânica, gostava de demonstrar suas teses, as quais eram baseadas em pesquisas. Poderiam acha-lo arrogante? Sim! Mas, na minha opinião, era apenas um cara realista.

Há pouco mais de seis meses, entrei no JBF para atualizar-me (faço aqui outra ressalva: o JBF, atualmente, é o único meio de divulgação que pinta os quadros com cores reais) e não encontrei a coluna de Adônis. Lógico que fiquei sem entender, mas seguindo as diretrizes democráticas do JBF, não busquei saber o que tinha acontecido, até mesmo porque Adônis continuava como participante do grupo de zap Cabaré do Berto. Confesso que não pensei se tratar de qualquer divergência com Chupicleide. Entendi que se tratava de um momento próprio no qual ele pretendia dar uma pausa. Já aconteceu isso com outros colunistas.

É bom dizer que o JBF é tem uma característica ímpar: tem um Papa, um cardeal e tem um Jesus e no Cabaré do Berto tem uma santa, Tereza. Eis que o Jesus serve de ponte para unir Adônis e santa Tereza numa nítida tentativa de “catequizar” aquela pedra bruta e foi através da santa Tereza que nós que participamos do Cabaré do Berto tomamos conhecimento que Adônis, o mestre, estava acometido de ELA – Esclerose Lateral Amiotrófica. Essa doença, conhecida como doença de Lou Gehrig. Lou foi um jogador de beisebol americano nascido em 1903 e falecido em 1941. O físico inglês Stephen Hawking foi um dos casos mais conhecidos em datas recentes.

Essa doença é degenerativa. Ela quebra, progressivamente, as células nervosas. Dados da literatura médica indicam que 50% dos pacientes morrem em até 3 anos após os sintomas; 20% tem sobrevida de 5 anos; 10% sobrevivem por 10 anos e poucos, pouquíssimas pessoas chegam a viver por 30 anos. No fundo é uma condenação à morte lenta e sofrível.

Isto posto, cabe dizer que soubemos de tudo isso graças a Terezinha, a santa deu a Adônis a oportunidade de viver bem por 4 meses. Infelizmente, esse cuidado não se estendeu por mais tempo porque Terezinha acabou sofrendo um AVC no final de outubro passado e não teve mais condições de cuidar de Adônis. De volta ao Recife, ficou num abrigo localizado no bairro de Candeias e no dia primeiro desse mês, eu eu Marcos André fomos visitá-lo.

Foi bom ver Adônis. Ver a pessoa de Adônis. Assim que entramos, vinho e tábua de frios à mão, ele olhou pra gente e nos saudou: “Professor….vocês aqui? Vocês são foda mesmo!” Claro que fiquei incomodado em ver aquela inteligência limitada pela doença. Conversamos, tomamos vinho, falamos dos quatros meses ao lado de Terezinha e colocamos Neto Feitosa na reunião através de uma ligação. Ao vê-lo, Adônis ergue a taça e disse “se fui pobre, não me lembro!”. Neto disse que faria um esforço para visitá-lo em janeiro e ele respondeu: “Traga o vinho!”

Pois é. Adônis não suportou e socorrida para uma unidade hospitalar, deu entrada na UTI, ficou entubado, respirando por aparelhos e, seguindo sua vontade … não era assim que ele queria viver. Se essa era a única alternativa, então que se desligassem os aparelhos e assim foi feito. Adônis partiu e, do meu ponto de vista, foi melhor assim. Não tem graça entrar nas estatísticas que falei acima apenas para prorrogar a batida de um coração.

Diante do que vi, não corro risco em dizer que Terezinha salvou Adônis de uma morte solitária. Não fosse por ela – parece até trocadilho – Adônis poderia morrer engasgado no seu apartamento e só ser descoberto o óbito dias depois. Foi uma relação curta, mas cheia de significados. Adônis precisava de alguém para socorrê-lo. Terezinha precisava demonstrar sua dedicação por causas humanas.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

ISSO É NORMAL?

Confesso que me sinto meio perdido nesse país. Não sei mais o que são limites de moralidade, decência, honradez e afins. Não sei mais se temos fronteiras que separa o digno do indigno. Parece tudo normal. Parece que eu estou andando na contramão a uma velocidade expressiva que não vejo, nem de relance, a paisagem da estrada.

Há um adágio que diz “se quiseres conhecer o homem, dê poderes a ele”. Quem tem poder tem tudo, inclusive crise de consciência porque o mal uso desse instrumento não deixará nenhuma alma passar pelo crivo da justiça divina, impunemente. Pena que quem sofreu agruras do excesso do poder de uns, não terá chance de ver o cara penar nos portais do umbral.

O STF tem se comportado, desde 2018, como único poder republicano no Brasil. Dias Toffoli disse numa palestra, em Portugal, que o STF agiu como poder moderador. Barroso disse que “eleição não se ganha, se toma”. Gilmar Mendes disse que a eleição de Lula deve ser creditada à atuação do STF. Isso é normal?

Basta entrar no site do STF e consultar as estatísticas para verificar que entre 2010 e 2020 foram tomadas mais de um milhão de decisões e dessas 278 mil são decisões colegiadas, enquanto o resto são decisões monocráticas. Ressalve-se que algumas dessas decisões monocráticas vão de encontro a decisões colegiadas, ou seja, o ministro do supremo tribunal federal é, na pior das hipóteses, algo como um deus todo poderoso.

Esta semana a panela ferveu. O senado aprovou um projeto que limita os poderes dos ministros e a choradeira foi grande. Gilmar Mendes ligou para Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, implorando que ele falasse com os senadores do partido para não votar favorável a essa PEC. Ao que se sabe, apenas Romário – que decepção – votou contra a medida e há quem defenda que foi apenas como uma forma de agradecimento pelo favor prestado pelo STF quando prendeu Daniel Silveira que seria seu principal oponente na disputa pelo senado no Rio de Janeiro.

Jacques Wagner, senador petista, votou a favor da PEC e angariou mais 5 votos de apaniguados. Foi com isso que Gilmar Mendes afirmou que a eleição de Lula só foi possível graças ao STF e que o voto de Jacques era traição. Teve ministro dizendo que iria sair do PT. Isso é normal? Essa gente quer ter poder ilimitado. Chegou-se num nível tão sútil que a política brasileira está sendo feita mediante processos judiciais, agora, apenas um lado é punido.

Pense um pouco e busque entender o voto de Jacques Wagner. Por que o um cara do PT votaria contra o STF que ajudou a eleger um cara do PT? “Esmola grande o cego desconfia”, não é assim? Tenha absoluta certeza que por trás disso tudo há argumentos obscuros aos olhos dos pobres eleitores! Talvez, Jacques Wagner esteja apenas sendo cortês com o senado para angariar votos para projetos do seu partido.

Não custa lembrar que quando se tentou a implantação da impressão do voto, o ministro Barroso que presidia o TSE, foi até o congresso falar com as lideranças dos partidos para que o projeto fosse enterrado. O cara foi pessoalmente solicitar que fossem retirados da comissão parlamentares simpáticos à causa … e assim foi feito. O STF tem uma estratégia interessante: quando alguma votação no legislativo afeta seus ministros, o STF desengaveta um processo contra o presidente da casa, contra o autor de um projeto, etc. lembro de Arthyr Lyra arrotando brabeza na ocasião da votação de cassação do mandato de Deltan Dallagnol. Bastou o STF retirar da gaveta um processo contra ele que….Deltan foi cassado, mesmo não existindo nenhum processo administrativo disciplinar contra ele. É muito mais simples.

Finalmente, diante de tudo isso é me lembro do Macaco Sócrates no programa humorístico chamado Planeta dos Homens: “não precisa me explicar, eu só queria entender.”

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

RECONSTRUÇÃO

É muito mais simples destruir do que construir. A construção envolve projeto, planejamento, cumprimento de metas, alcance de objetivos. Destruir não precisa de muita coisa. Nem inteligência diferenciada é necessária. Basta um carro desgovernado para destruir uma parede, basta um avião pilotado por terroristas para destruir uma edificação, basta uma mentira para destruir um sonho, basta um corrupto na presidência para destruir a credibilidade de um país.

Até antes das eleições de 2022 eu experimentei opinar, publicamente, sobre diversos temas que envolviam aquele momento político. Falei da incoerência de candidatos e da leniência da justiça com o maior corrupto desse país. Engraçado é que esse título era utilizado como referência a Paulo Maluf, mas o tempo mostrou o quanto estávamos enganados. Paulo Maluf, por exemplo, não tem seu nome nas planilhas da Odebrecht. Foi corrupto, foi condenado por corrupção em 1995 e a sentença transitou em julgado em 2014. Maluf foi preso, mas ficou poucos dias na cadeia. O STF que destrói a moral jurídica, concedeu prisão domiciliar por questões humanitárias.

Depois dos resultados da eleição, parei de falar. Deixei o facebook de lado porque descobri que vítima não tem voz e nem vez. Entendei que tudo que fizeram para salvar das amarras judiciais o corrupto-mor, não tinha mais o que dizer. Era aquele sentimento estranho de não ter ninguém para me ouvir. Um sentimento de incapacidade por não ter conseguido mudar a opinião de certas pessoas, embora meus argumentos fossem mais sólidos. Fui bloqueado no facebook por pessoas amigas. Vi uma figura importante dos laços familiares me criticar porque eu “defendia a sandice econômica de Paulo Guedes”. Entendi que não tinha mais o direito de me expressar livremente, embora sempre aceitei a posição política de quem quer seja. Aprendi a separar a pessoa da ideia.

Recentemente, fui convidado para uma entrevista numa rádio. O tema era economia, ou seja, a perspectiva de que o crescimento econômico do Brasil supere o Canadá. Eu gostaria que fosse assim. Apesar de tudo eu sou brasileiro e sei que há pessoas na fila de espera por um emprego. Não tenho como me sentir bem sabendo que alguém precisa de renda para se alimentar, para alimentar a família. Estamos no penúltimo mês do ano e temos previsão de crescimento entre 2,3% e 3,3% para 2023 e um crescimento de 2% para 2024. Eu espero que seja assim, embora desconfie de que as contas estão infladas.

O que mais me surpreende é o comportamento de alguns. Começo por Ciro Gomes. Tenho recebido diversos vídeos de Ciro criticando o governo. Falou sobre a autorização do MEC para abertura de 95 cursos de medicina por parte da iniciativa privada, falou da roubalheira do governo via codevasf, etc. Ciro parece um candidato em campanha. De novo? Ele não disse que 2022 era a última vez? Vocês acreditam nas palavras de Ciro? Acho que só ele mesmo acredita.

O importante é que teremos eleições municipais em 2024 e esse momento serve de termômetro para 2026. A região Sul, embora com o governador do Rio Grande do Sul pertencente a um partido de esquerda, tem se mobilizado para surpreender. Romeu Zema tem conseguido aglutinar esse pessoal num consórcio e ele sabe que não ganha eleição apenas com votos do sul/sudeste. Se quer fazer algo, então que se comece a planejar. Vamos trazer dados comparativos das regiões, vamos mostrar quem governa a região nordeste por anos, vamos nos perguntar porque nossos municípios possuem uma dependência de mais de 90% de transferências governamentais enquanto o cenário no sul/sudeste é diferente.

Nós temos essa obrigação de reconstruir o país. Não é fácil quando a justiça luta pra deixar como está, mas a gente precisa continuar tentando.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

COMO SE DIZ… O CHORO É LIVRE

Beth Carvalho cantava uma música que dizia: “chora, não vou ligar, chegou a hora, vais me pagar, pode chorar, pode chorar”. Torce para que o bom Peninha complete esse texto acrescentando essa música. O choro é livre. Essa expressão ficou marcada, inclusive quando a Maju a pronunciou numa reportagem durante o período da pandemia. Agora, as lágrimas que rolam são do Filipe Neto. Eu tenho visto alguns vídeos dele declarando que perdeu contratos. Mais precisamente dois contratos que somados totalizavam R$ 7 milhões.

Filipe Neto usou e abusou do espaço que tinha para atacar apoiadores de Bolsonaro. Por sua vontade não deveria sobrar um eleitor de Bolsonaro na face da Terra. E, com essas tais voltas que o mundo dá, eis o cara nas suas redes sociais pedindo uma trégua. Como assim? Uma trégua apenas porque você perdeu contratos por conta do posicionamento contrário que essa massa que deveria ser exterminada tomou? O caro chutou o pau da barraca, fez live com o Barroso, soltou o verbo contra as pessoas que acreditavam numa proposta diferente e agora…. “tudo bem, olha, passou, vamos deixar isso no passado e recomeçar…” Não é bem assim. Palavras machucam e por isso devem ser bem pesadas antes de proferidas.

A mais recente onda que envolve o jovem “arrependido” envolve o chocolate Bis. Ao anunciar que seria patrocinado pela marca, o preço das ações da empresa despencou nas bolsas de valores e o mais interessante foi um vídeo que eu vi de uma jovem analista de mercado dizendo que a queda no preço das ações não era por conta do patrocínio de Filipe Neto, mas por conta da guerra que Israel declarou ao hamas. Eu pensei cá com meus botões: puta que o pariu! Como é fácil jogar merda no ventilador e ter um monte de gente para se sentir perfumado com essa merda.

É bem verdade que o mercado de ações oscila em função de uma série de fatores macroeconômicos. É bem verdade que uma guerra pode afetar o preço de determinados produtos, principalmente porque a guerra reduz a oferta de insumos tornando a produção mais cara e com isso o preço sobe, no entanto, relacionar essa queda ao ataque de Israel, me pareceu algo extremamente precipitado. No caso do Filipe Neto com a Bis, a gente precisa aguardar um tempo mais para ver o comportamento, mas de qualquer forma, o boicote que é feito com determinadas marcas e pessoas parece funcionar bem direitinho.

Eu entendo que por trás desse sentimento pio que faz o cara pedir uma trégua, pedir para recomeçar, passar um pano limpo e seguir a vida, tem apenas a incomoda perda de contratos, de grana, que sempre atestou ser o bolso a parte mais sensível do corpo humano. Quem, em sã consciência, acredita que esse cara viria a público pedir uma trégua se não tivesse perdido nenhum contrato? É mais do que claro que o sentimento dele é apenas superficial, que no fundo ele continua com os mesmos sentimentos expostos quando se trata de bolsonaristas.

Tudo isso traz uma forte lição: respeite as divergências. Debater uma ideia não é bater na ideia dos outros quando difere da sua. E nesse sentido eu vejo tanta coisa que fico me perguntando se as pessoas perderam a noção do que fizeram. Por exemplo, o Ciro Gomes teve a coragem de beijar a mão de Antônio Carlos Magalhães apenas por interesse no seu apoio político. Passada a eleição, estava criticando ACM a ponto de levar uma invertida sem precedentes num discurso feito por ACM no plenário do senado.

Pessoas públicos precisam medir bem o que dizem, medir bem as palavras. Qualquer pessoa pode declarar apoio a qualquer candidato ou qualquer corrente de pensamento, no entanto, é preciso respeitar porque como se diz, o mundo dá muitas voltas e numa dessas tu estarás frente a frente com teu passado. Cuidado, para não seres o Filipe Neto da vez.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

MAIS DO MESMO

Mês passado meu texto – De Goela abaixo – falava da imposição de coisas que estão nos fazendo diariamente nesse país. Queria muito voltar a falar de Economia, de comentar os indicadores financeiros que foram gerados sob a batuta de Paulo Guedes e de tantas outras coisas que se constituíram como ações importantes dentre as quais a inserção do Brasil na OCED que é um grupo de 37 países mais ricos do mundo. O Brasil estava avançando na pauta para entrar nesse seleto grupo, com mais de 50% de compromissos já firmados e cumpridos. Hoje, o país avança na puta…ria.

O governo atual chutou o pau da barraca e deixou claro que não quer a companhia dos ricos e que prefere a miserabilidade dos pobres. Importante dizer: não é vergonha nenhuma em ser pobre e quando falo aqui eu estou me referindo, exclusivamente, as condições de vida desses países ricos, onde um pobre lá é duzentas mil vezes melhor do que um pobre aqui. Lá existem políticas públicas voltadas para atender a população carente. Aqui existem políticas eleitoreiras.

Diariamente a gente vê uma ação do governo que afronta a dignidade humana e quando falo em governo não me refiro ao desgraçado que senta na cadeira presidencial, mas ao gabinete. Governo é um gabinete, não uma pessoa. Se a gente for coletar o que este governo atual faz… digo com toda sinceridade: é um teste para qualquer coração, para qualquer organismo honesto. Algo como: “quem suporta isso aí, tem uma saúde de ferro”.

O governo beira a anarquia em nome de uma minoria que querem, a força, transformar em maioria. A porra da Constituição diz que “todos são iguais perante a lei”, mas as ações governamentais vão na direção de que alguns devem ser melhores do que outros. Não sou contra nenhuma etnia, não tem preconceito de cor – a família de minha mãe é negra – tenho alunos que são gays, participei de um programa do governo – quando jovem estudante de Matemática – para dar aula a presidiários e meus alunos eram ladrões, assassinos, estelionatários, traficantes, etc. e os tratei como alunos. Nunca fiz qualquer julgamento de suas ações porque isso cabia à justiça fazer e não a mim. Um detalhe: havia alunos presos por atentados ao pudor, mas o único caso de estupro que eu conheci foi de um vigilante de uma escola, em Olinda, que violentou uma criança de oito anos, asfixiou e introduziu um pedaço de pau de goiabeira na vagina da criança. Esse cara vivia isolado porque os demais presos queriam matá-lo.

Quando falo sobre uma minoria, não me refiro aos pobres que neste país, assim como em outros, são maioria. A minoria que me refiro é, por exemplo, a quantidade de bandidos que tem esse país. Um percentual muito pequeno dos duzentos e três milhões de brasileiros são bandidos e a turma dos direitos humanos focam essa minoria esquecendo o restante da população. É como se você tivesse um saco com cem laranjas, das quais 5 são podres e ao invés de tirá-las do saco para fazer um suco de boa qualidade, você obrigar que elas permaneçam ali apenas porque elas têm o direito de virar suco. E de laranja podre em laranja podre, aqueles que desejam um suco de qualidade vão ter que engolir. Os desmandos são muitos.

A falência moral desse estado se abriu de vez com essa volta desse bandido infeliz à presidência. Eu tenho dificuldades em entender certas medidas adotadas, mas talvez seja apenas uma fuga para reconhecer que não temos chance de transformar esse país num país sério. Quem acredita, apela para a questão da evolução espiritual, ou seja, seria necessário um cataclismo que depurasse o país tirando do ar aqueles que moralmente não se adequaram. Francamente, eu não gostaria de ver esses bandidos pagando sua pena diante do “Criador”. Gostaria, imensamente, que essa pena fosse paga aqui para servir de exemplo e coibir o surgimento de outros bandidos.

Enquanto isso, o estado continua falhando nas suas prerrogativas de ser estado, de trabalhar para defender o bem estar social das pessoas. A morte dos médicos no Rio de Janeiro é uma falha grave, mais uma falha grave, do estado de defender seus cidadãos. A ação dos traficantes de executar os assassinos antes mesmo da polícia iniciar as investigações é a pura constatação de um poder paralelo muito mais aparelhado e capaz do que as instituições formais. Como os traficantes chegaram aos nomes dos assassinos? Como os localizaram – juntos – em menos de 24 horas? Que rede de informação poderosa é essa? O que está por trás dessa capacidade? Infelizmente, a certeza de que nós somos alvos claros e que qualquer um de nós pode ser vítima na hora que bandidagem bem escolher. Eles sabem onde estamos e as instituições organizadas para nos defender parece não ter nem ideia de quem são essas pessoas.

Não para por ai: rombo de R$ 154 bilhões nas contas públicas quando o ano passado tivemos superavit; multa para Uber de R$ 1 bilhão e o jumento do ministro do trabalho dizer “se a uber quer sair do país, que saia. A gente acha outra para substituir”. Eu desafio essa anta de dizer qual empresa teria interesse em operar um sistema de aplicativo sabendo que terá que contratar cada prestador de serviços. Esses filhos da puta estão acabando com esse país. Economia é assim: basta um evento simples para derrubar a economia, mas a recuperação é lenta e gradual. É como um prédio: implodir é bastante rápido, reconstruir é outra coisa. Numa entrevista sobre a economia brasileira com a pandemia eu disse que eram necessários, pelo menos, dez anos para gente voltar ao nível de emprego, produção e preços ideais. Agora precisaremos de vinte.

Enquanto isso não acontece a gente vai batendo o cu. Se num evento oficial do ministério da saúde dançaram o Bate Cu, acredito que essa é a mensagem formal que o governo quer passar: tá com problema de saúde? Bate o cu. Não posso terminar sem agradecer aos caras que votaram nesse bandido e/ou que permitiram a volta desse bandido.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

DE GOELA ABAIXO

Direitos constitucionais foram, violentamente, desrespeitados nesse país exatamente por aqueles que deveriam preservar tais direitos. Tivemos prisões por crime de opinião, tivemos prisão em flagrante por um vídeo gravado, tivemos um advogado preso porque disse que o “STF era uma vergonha”, tivemos caso de impeachment no qual a presidente não teve seus direitos cassados, tivemos um ex-presidente inelegível por 8 anos porque numa reunião com embaixadores emitiu uma opinião sobre a insegurança das urnas e, em contrapartida, tivemos uma nota de repúdio – apenas isso – para a presidente de um partido que disse que a justiça eleitoral só existe no Brasil e que custa muito mais do que o fundo partidário. Certamente, se fosse alguém contrário estaria com o mandato cassado.

Temos o SUS adotando o candomblé como pratica integrativa, tivemos o ministério da saúde autorizando tratamento hormonal para crianças acima de 14 anos e ontem tivemos um decreto assinado pelo ministro de direitos humanos liberando geral o uso de banheiros unissex. Não há mais problema sua filha 10 anos entrar num banheiro e um cara de 18 anos entrar também, abrir a calça e urinar ao lado dela. Afinal, o destino de quem cresce é o sexo, não?

Não faz muito tempo, fui devolver um livro numa biblioteca e na entrada do centro havia muitos grupos de alunos conversando. A minha direita tinha uma roda com quatro mulheres e dois homens biológicos. Um deles era loiro, o cabelo arramado com um rabo de cavalo, vestido vermelho a palmo do joelho, de alças, naquele estilo do tomara que caia e as sandálias eram traçadas como aquelas dos romanos. Dava para perceber tudo isso porque o grupo estava a uns 5 metros da entrada. Passei reto! Problema do cara se ele quer andar daquele jeito. Ele tem direito de se vestir como quer.

Na semana seguinte, eu tinha uma aula às 16h e cheguei cerca de 15 minutos mais cedo. A aula anterior estava em andamento e eu sentei um banco próximo para esperar. Eis que esse mesmo jovem vem, senta num banco ao lado, tira um cigarro da bolsa e acende. Eu olhei para ele e perguntei, educadamente, “você vai fumar aqui?” Ele me olhou com profundo desdém e começou a jogar fumaça no ar. Eu poderia ter reivindicado meu direito, ter dito que a lei não permite tabagismo dentro de repartições públicas, etc. Não fiz nada disso com absoluto receio de que ele me denunciasse a direção do centro por homofobia. Levantei, me afastei e fique na porta da sala onde iria dar aula. Ele continuou a fumar tranquilamente porque o sistema induz o cara a achar que ele tem esse direito.

Eu confesso que sou meio lento para processar determinadas coisas. Essa inversão de valores é uma delas. Não dá. Simplesmente, não dá e olha que eu tento me colocar no lugar das pessoas que tomam tais decisões para checar o que eu faria se estivesse nos seus lugares. Escuro total. A única coisa que eu entendi é que seremos obrigados a conviver com isso sabe-se lá por quanto tempo.

Essa coisa de gênero está extrapolando os limites da racionalidade. Não se trata de criticar a opção sexual de ninguém. Se o cara se sente bem transando com outro homem, certamente isso não começou agora. Basta consultar os registros históricos, dá uma passada pela Roma Antiga e verás que em termos de sexo sempre houve criatividade. A questão é uma clínica ser multada porque chega uma mulher trans para ser atendida por um ginecologista e o cara diz que não vai atender.

Os espiritualistas costumam dizer que as grandes catástrofes fazem parte da engenharia divina e funcionam como um instrumento para separar os espíritos inferiores daqueles que estão em regeneração ou num nível de evolução maior. Caramba! Quando eu vejo a situação do Brasil fico pensando que isso é pura lorota. Quem é ruim continua vivendo magnificamente à custa da miséria alheia e não está nem um pouco preocupado com essa tal evolução espiritual. Ah! Quando morrer verá o julgamento do Criador. Mesmo? Não é bem assim o meu sonho ou o sonho de uma grande maioria da população brasileira.

Aliás, por falar em maioria da população, um desembargador aposentado disse em audiência pública no STF que os ministros eram as pessoas mais odiadas do Brasil e Alexandre de Morais chegou a rebater dizendo que era por uma minoria. Nenhum deles tem capacidade de sair às ruas sem guarda-costas. Barroso saiu de um voo porque entenderam não ser seguro visto que havia tantos outros passageiros esculhambando com o cara. Teve que voltar ao Brasil de jato.

Infelizmente, as coisas estão sendo empurradas de goela abaixo como diz. Temos um presidente eleito pelo TSE, temos um ministro dizendo que as provas da Odebrecht foram forjadas, temos um presidente que não anda nas ruas e só se apresenta em plateias previamente organizadas. Não queria esperar pela justiça divina. Queria ver, somente isso, esses canalhas chorando e rangendo os dentes na toada da Salve Rainha.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

MEDIDAS EXTREMAS

Esta semana o Tribunal de Justiça de São Paulo reconheceu o vínculo empregatício entre a Uber e os motoristas por aplicativos. A coisa passa a valer para todo Brasil e deve atingir demais aplicativos como estes de entregas de encomendas. Dizia Rui Barbosa que a pior ditadura era a do judiciário porque contra ela não há a quem se recorrer. No bojo da decisão tem uma multa de R$ 1 bilhão por danos morais e outra de R$ 10 mil por dia para cada motorista que não tiver seu contrato de trabalho assinado.

A gente fica estupefato com tamanho absurdo. A Uber nunca foi uma empresa de transportes de passageiros. Ela fornece uma ferramenta para colocar em contato pessoas que necessitam se deslocar com profissionais cadastrados no seu sistema. Por essa ponte, a Uber ganha 25% do valor da corrida. O absurdo vem do fato de que todo contrato de trabalho tem elementos fundamentais como: a) ser assinado entre uma empresa e uma pessoa física; b) ter subordinação, ou seja, só há um contrato formal de trabalho quando o empregado tem um chefe que lhe atribui atividades e cobra resultados. Pergunte a qualquer motorista de Uber o nome de chefe dele. Como se diz aqui no Nordeste “se tiver, eu cegue!”

A decisão judicial dá um prazo de 6 meses devendo tudo ser cumprido ao final desse prazo, mas a Uber recorreu. Pode perder a causa e as implicações socioeconômicas serão desastrosas. De modo simples e direto as alternativas são sempre dolorosas e dentre as quais a Uber deve sair do Brasil deixando mais de 3 milhões de pessoas sem gerar renda e dependendo dos programas sociais do governo. Claro que ser uberista não é uma meta ou uma proposta de geração de renda perpetua. Muitas pessoas entraram nessa porque não conseguiram emprego formal e viram nesse mercado uma oportunidade para ganhar dinheiro.
No passado o Citi Bank encerrou suas atividades no Brasil por conta da justiça do trabalho. O banco tinha operações aqui que representavam cerca de 1% do que ele tinha em outros países, no entanto, 93% das suas causas trabalhistas era na justiça brasileira. Fez o lógico: encerrou as pendências e também as atividades gerando desemprego. No Japão o total de causas trabalhistas anuais chega a 7 mil por ano. No Brasil a gente atinge 1 milhão.

Recentemente, vi o relato de um empresário que mostra o quanto somos incipientes. A empresa dele recebeu uma reclamação trabalhista e ele juntou toda documentação pertinente sobre o processo, ou seja, todos os comprovantes de recolhimento de INSS, FGTS, anotações na carteira, tudo. Até que o juiz perguntou sobre eventuais descontos referente ao almoço do trabalhador. Ele não fazia e foi obrigado a pagar uma multa por isso.

Não faz muito tempo um colega fez um comentário sobre a dívida histórica que temos em relação aos negros e, embora ele seja da área do Direito, eu o lembrei que, de acordo com o Código Penal, a pena não passa da pessoa do acusado, ou seja, um filho não pode ser punido pelos desvios de conduta do pai ou vice-versa. Não devemos nada a ninguém, mas esse tipo de raciocínio é o conduto para comportamentos similares aos problemas da Uber. Cria-se provas para usá-las como a bel prazer e o pior é que o caso não se resume a se trabalhar com uma prova, mas garimpar provas, ou seja, com o pretexto de investigar um crime, faz-se busca por provas que não tem relação e passam a acusar o cara por isso. É preciso ser sórdido o bastante para uma atividade dessa natureza, mas estamos no Brasil, país onde futebol, carnaval e, sobretudo, da impunidade.

De forma geral, o judiciário assumiu as rédeas governamentais desse país. Em 2022, o Dias Tóffoli – o mesmo que anulou as provas da Odebrecht em cujas planilhas era conhecido como o amigo do amigo do meu pai – proferindo uma palestra em Portugal disse que o Judiciário atuou como poder moderador no Brasil não sendo este o papel constitucional que lhe cabe. Eu volto a dizer: somos culpados quando elegemos parlamentares bandidos que não se posicionam com altivez frente ao judiciário porque são denunciados por crimes contra a administração pública. Sem a moralidade necessária, essas pessoas são meros bonecos a mercê do culto vodu do satanismo do judiciário. Eles fazem o que querem e você obedece, simplesmente.

Nesse caso absurdo da Uber, vamos nos preparar para contar com os serviços ruins e caros prestados pelos taxis que nunca estão disponíveis no momento que você precisa. É só um retrocesso, mas diante da grandeza de tantos outros, qual o problema?

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

QUE NO NOS PASE LO MISMO

Quando a gente pensa que chegou ao fundo do poço, a gente descobre que era um fundo falso que vamos descer um pouco mais. É assim esse Brasil: a cada dia mais fétido, mas imoral, mais amoral e a podridão emana dos poderes constitucionais, hoje, sem qualquer exceção.

O título da coluna eu peguei da chamada de um jornal peruano e abaixo transcrevo:

Como é do conhecimento público, a Odebrecht envolveu-se em falcatruas em diversos países do mundo. No Peru, os presidentes amigos de Lula foram pra cadeia. Foram quatro ex-presidentes presos e dentre eles Alan Garcia cometeu suicídio. Ia ser preso, mas preferiu dar um tiro na cabeça por conta de um mandado de prisão por corrupção, enriquecimento ilícito. Alejandro Toledo, Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczinsky foram para cadeia.

A matéria é um chamamento para a absurda decisão do ministro Dias Tóffoli que anulou todas as provas fornecidas pela Odebrecht. E o fez de maneira estupenda: Lula foi vítima de uma armação para lhe impedir ganhar a eleição em 2018. A alma mais honesta do Brasil, acaba de ganhar uma procuração “passada no cartório do STF” de que o crime, em alguns casos, compensa bastante.

Marcelo Odebrecht foi claro com a luz do sol: deu dinheiro diretamente e através dos seus executivos para “o amigo do meu pai”. Não eram reais apenas, eram 200 milhões de reais e segundo ele Palocci ainda falou em 300 milhões. Cara! É milhão que só a porra e vem Dias Tóffoli e diz que nada disso vale. A Odebrecht era escrota demais nos seus apelidos e dentre eles tinha um chamado “o amigo do amigo de meu pai” que é, simplesmente, Dias Tóffoli. Esse ministro incompetente que tem no seu currículo apenas o fato de ter sido advogado do PT e, por isso, chegou ao STF conduzindo por Lula para fazer, exatamente, isso: mostrar que a impunidade é a tônica desse país.

O mais incrível é que com base na decisão dele, tem-se um pedido de investigação dos integrantes da Lava Jato, numa pura demonstração de revanchismo, de perseguição, a exemplo do que só se vê em republiquetas ditatoriais. O STF sempre atuou como um escritório advogatício de Lula e para completar, está lá Cristiano Zanin que ao longode todo o processo foi advogado de Lula.

De quem é a culpa? Do eleitor que colocou esse pária no poder. Que elegeu um congresso sacana, constituído por corruptos que vivem pendurados em processos por improbidade no STF. Qualquer coisa, o STF pode na pauta um processo contra fulano o beltrano. Foi assim com a cassação de Deltan Dellagnol: Arthur Lira esbravejou que apenas a câmara tinha poder para definir a cassação de um deputado e Dias Tóffoli colocou na pauta um processo contra Arthur Lira. Isso foi de manhã e quando a mesa abriu o trabalho, a cassação de Deltan foi aprovada e no final da tarde o processo contra Lira foi arquivado. Simples assim.

O Peru apela para que lá não aconteça o mesmo que ocorreu aqui. Tudo indica que lá não se observa cafajeste como os daqui. Mas, tem uma coisa que Tóffoli não pode apagar: a condenação da Odebrecht em tantos outros países. Eles se aproveitaram de políticos corruptos e pagaram por isso. Agora, o bom de tudo isso vai ser quando as empresas começarem a solicitar a devolução dos valores pagos nos acordos de leniência. Vai ser lido, pois se não houve crime, não há razão para ter-se pago.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PRAZO LIMITE

Durante o período de transição após a eleição de 2022, arrombaram o orçamento para dar sustentação as promessas feitas pelo presidente eleito na manutenção de programas sociais como bolsa família. O governo anterior pagou auxílio emergencial com recursos oriundos dos dividendos da petrobras e outras fontes sem desrespeitar os a PEC 95/2017 que limitava as despesas do governo até o ano de 2036. A proposta do governo eleito era violar esse preceito constitucional e apresentar, até agosto de 2023, o desenho do equilíbrio fiscal. Tudo bem que temos ainda alguns dias do mês, mas não parece que tenham qualquer proposta a apresentar.

A bem da verdade, puseram à mesa uma proposta tributária vazia, ou melhor cheia de vácuo, que “acabava” com cinco impostos (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS), centralizando a cobrança de um novo imposto substitutivo a ser pago para a União e daí ser repartido entre os municípios e estados na forma de quota-parte. Eu, francamente, não sei onde as pessoas estão com a cabeça para não ver os riscos que esse procedimento traz. Basta citar três: esse modelo tira do estado/município a autonomia de aplicar como bem entender os recursos próprios arrecadados internamente; estados e municípios passarão a depender ainda mais da administração central, numa forma de subjugar governadores e prefeitos e atender, preferencialmente, aqueles que são simpáticos ao governo em detrimento daqueles que se colocam na oposição; o governo pode contingenciar créditos comprometendo projetos estaduais e municipais.

Os fatos são simples de interpretação: passados oito meses o Brasil caiu vertiginosamente em desgraça. Uma gama de empresas fechando suas portas e gerando desemprego. O caso das Lojas Americanas é mínimo diante do abismo que se avizinha. Um detalhe técnico é que é possível uma empresa trabalhar tendo prejuízo, mas quando o nível de preços fica abaixo da curva de custo médio, acabou: é hora de sair do mercado. Numa visão primária é isso eu enxergo. O aumento do custo de produção, com o fechamento da economia em 2020, induziu o aumento dos custos e, embora, tenha havia aumento de preços, aparentemente, estes foram mais de reposição dos custos.

Além disso, a desconfiança de que o governo não teria nenhum comprometimento com o equilíbrio fiscal, haja vista o fechamento das contas com um déficit negativo de R$ 40 bilhões, nenhum incentivo à produção, etc. trazem a certeza de que vamos ter mais empresas quebrando. O detalhe é que o governo não busca com a reforma tributária fortalecer o sistema produtivo – alguns podem até ganhar -, mas o foco é garantir recursos para manter a população carente na mesma linha de miséria e com isso se manter no poder.

O que fazer então? A primeira coisa é mudar o foco e para isso é necessário contar com a cumplicidade da mídia e com os órgãos internos para atacar o governo anterior e particularmente, a pessoa do ex-presidente. Não parto aqui numa defesa cega de sua inocência, mas acredito que é preciso ser muito burro para participar de um esquema de vendas de joias, ainda mais, pela internet. Eu fico surpreso com o fato de que ao longo de 4 anos nenhuma matéria de corrupção foi publicada. Tentaram com a questão da vacina e tudo não passou de uma questão de um funcionário e nenhum centavo foi pago pelo governo; feito a coisa do leite condensado e se calaram porque no governo Dilma foi adquirido muito mais; depois teve a questão do tadalafila – que é usado para combater, também alterações na pressão – e era só uma tomada de preços. Obras e mais obras foram feitas e/ou concluídas e ninguém é capaz de citar o nome de uma empreiteira que tenha levado vantagem financeira, no entanto, se falarmos Odebrecht, OAS, UTC, etc… todos sabem em que governo elas se locupletaram.

Teremos 4 anos de um país devastado, com necessidade de reconstrução. E esse ponto é crucial: sucessores! Jair Bolsonaro ficou inelegível e está fora do pleito, muito embora eu tenha minhas desconfianças de que não seria muito diferente do que foi em 2022, com ele concorrendo. Restam dois nomes: Tarcísio e Zema. Como se sabe os governadores do Sul-Sudeste criaram uma espécie de consórcio que tem sido duramente criticado pelo governo atual. Disseram que Zema está implantando uma visão separatista, mas francamente, eu acho que precisamos ser realistas: não tem como ajudar uma pessoa que não quer ajuda e mesmo sendo nordestino entendo que temos uma parcela de responsabilidade por votar em canalhas corruptos como Lula e eleger desgraças como Fátima Bezerra.

O nordeste capenga e tudo que se faz aqui é para manter o estado de miséria do povo. Acho que todos sabem a ciclovia de 10 km que o governo petista do Piauí entregou à população por uma bagatela de R$ 6 milhões. A ciclovia, em cor vermelha, ocupava a faixa central de uma BR sem a menor proteção para quem por ela se aventurasse. Depois de ganhar os noticiários, o governo resolveu acabar com a ciclovia, gastando mais dinheiro para isso. Quanto aos R$ 6 milhões … bem, é dinheiro público que volta para fortalecer a campanha à reeleição do governador.

Não sei você, mas vou me colocar à disposição para contribuir com uma possível candidatura de Zema ou Tarcísio.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

REFORMA MORAL

Lembro que Lula perguntou: “cadê as mulheres de grelo duro?”. A ideia era, com isso, incentivar que tais mulheres pressionassem o STF em seu favor. Não preciso de grelo duro nenhum porque uma bimba mole resolveu, tranquilamente, as pretensões desse canalha. Talvez a pergunta que se pudesse fazer, hoje, seria assim: “cadê os homens de ovo roxo?”. Estendo questionamento para o congresso nacional. Por uma simples razão: a quantidade de mulheres eleitas é muito menor do que a dos machos e entra legislatura e sai legislatura e o congresso continua subserviente representando eleitores que não sabem o significado da porra de um voto.

Quem está no congresso, salvo raras exceções, é um “penduricalho de forca”, um corrupto como Renan Calheiros que tem seus processos arquivos no STF por prescrição. O STF deixa o processo caducar e depois manda arquivar. Renan fica um instrumento nas mãos do STF. Na faz nada que incomode as decisões arbitrárias daquela corte. Como Renan há muitos e é nesse campo que o STF se impõe: arquiva o processo e ganha um aliado. No meu entendimento a culpa exclusiva disso é do eleitor, ou seja, do sacana que vende voto, do sacripanta que vota em corrupto em troca de um milheiro de tijolos, de um saco de cimento e vai por aí.

Não sei se falta macho no senado, mas sei que falta vergonha. Falta dignidade. Falta comprometimento com a sociedade. Sempre foi assim, mas depois de Lula isso piorou de vez, por dois motivos: o primeiro é que, como uma vil prostituta, eles se venderam recebendo propinas no mensalão, no petrolão, Renan levou R$ 12 milhões na Transpetro, Sarney levou R$ 7 milhões, etc. isso não cria parceira, cria cumplicidade. A segunda questão é que o aparelhamento do STF induz a decisões simpáticas ao corrupto mor. Daí ninguém tem coragem de abrir um processo de impeachment contra algum ministro do STF. Os caras devem demais na justiça e são estes ministros os responsáveis pelo julgamento da ação contra eles. Então, é simples: ou faz o que se quer ou entra numa auditoria.

Alcolumbre e Maia procuraram o STF para permanecerem como presidente do congresso e da câmara. A constituição diz que não pode, mas Gilmar Mendes proferiu um voto dizendo que “mesmo ao arrepio da lei” era possível essa permanência. Lewandowski julgou o impeachment de Dilma e na constituição é dito que o presidente impedido terá seus direitos políticos cassados por oito anos. Esse cafajeste deu voz de prisão a um advogado que disse ser o “STF uma vergonha” e se formos olhar a constituição, é fácil ver que apenas em casos de flagrante delito ou por ordem da autoridade judicial competente, ou seja, tem um mandato de prisão contra o cara, mais aqui, não faz diferença.

Tudo isso foi dito para falarmos um pouco do ministro Barroso que num congresso da UNE declarou que “nós derrotamos o bolsonarismo”. Ato falho seu ministro? Se o Brasil fosse um país sério, era simples abrir um processo de impeachment, mas Pacheco não aprova. O ministro Barroso violou regras constitucionais porque eles não podem fazer política partidária. Barroso faz, assim como todos que ali chegaram pelas mãos do presidente atual. Coragem para abrir um processo de impeachment? Rodrigo Pacheco não. O que tem são interesses difusos.

A questão principal é tudo depende do eleitor. Nós precisamos conscientizar as pessoas da importância da Lei de Ficha Limpa. Uma conquista popular que está sendo avacalhada constantemente. Gilmar Mendes, por exemplo, já disse que esta lei foi elaborada por um bando de bêbados. Na cabeça dessa gente o que é sensato é tudo aquilo que eles fazem. Obrigaram-nos a acatar coisas que não queremos, empurram-nos, goela abaixo, um bandido para governar o país. Sabemos que vai piorar, diariamente.

No fundo, não pouco importa se o cara tem o ovo roxo. O que importa é que o senado não tem maioria para aprovar o impeachment de nenhum ministro. O presidente do senado não faz porque sabe que há maioria e ele, simplesmente, não quer se expor. Afinal, ele precisa do STF para cobrir suas falcatruas.