Eu sigo o perfil no Instagram de um jovem e promissor artista. Luís Carlos “Violeiro” encanta e resgata a essência mais fantástica da nossa musicalidade, na raiz da arte que ele abraçou.
Não bastasse o seu dom para dedilhar a viola, Luís Carlos, em parceria com sua mãe Maria de Lourdes, tem nos deixado vídeos de tirar o fôlego.
Juntos resgatam canções e modas que me são como uma espécie de máquina do tempo, porque me transportam em pura emoção a um paraíso antigo que há muito vem sendo esquecido e trocado por músicas sem sentido algum.
Cada vez que eles lançam um vídeo novo eu penso “há esperança para a MPB”, e agradeço a Deus por haver gente abraçando a beleza da arte.
A simplicidade e a facilidade com que cantam, as vozes, as figuras sem os trejeitos forçados da maioria, a graça da senhora Maria de Lourdes, o palco das gravações, o cenário escolhido… Tudo! Tudo isso traz paz ao meu espírito, quando eu paro para assistir filho e mãe.
Não os conheço pessoalmente. Mas eu auguro em breve ouvir ao vivo essa parceria divina.
Para ele eu escrevi sigelamente:
CORAÇÃO VIOLA (Ao querido amigo Luís Carlos Violeiro)
Faço da minha viola Instrumento de paixão Extensão da minha vida No dedilhar da canção Ela é a minha amada Quando ao peito está colada Meu segundo coração.
Minha alma está nela A dela está em mim Ninguém pode explicar Tal magia sendo assim Se um dia ela calar Meu coração vai parar E eu chegarei ao fim.
Abaixo um vídeo para que vocês também possam se deliciar com a beleza da dupla.
Eu me pego refletindo sobre esses vinte e dois anos anos de humilhações incessantes pelas quais temos passado. Nós os torcedores do Clube de Regatas Vasco da Gama.
A escassez de títulos, as goleadas humilhantes sofridas e que a cada ano aumentam dentro unclusive do São Januário, as derrotas muito mais frequentes, os quatro rebaixamentos e as vezes que escapamos por um triz, as gozações inesgotáveis por parte de torcidas que são dwz oir cento da nossa e não têm um por cento da grandeza que tínhamos, a contumaz falta de planejamento na contratação de jogueiros, o complexo de cachorro morto crescendo, a infeliz retórica de que o árbitro ajudou ao adversário sendo usada para camuflar as contratações equivocadas não rendendo em campo, erros conscientes, má vontade dos diretores etc.
É a história extraordinária de um clube fantástico sendo jogada no lixo!
E enquanto o clube era usado para o enriquecimento de particulares, que se achavam donos dele, a entidade ia apequenando, se curvando à posição fetal pelas dores que só ela sentia. A torcida junto.
Tudo isso nos deixa triste.
Eu não sou nada. Não sou ninguém. Não tenho voz. Mas, mesmo assim, critiquei por minhas redes virtuais oitenta por cento das contratações desde o início da SAF. Mantendo contato particular com pessoas dentro de São Januário, para eles também enviei os “meus desconfortos”. Em vão.
A culpa é da 777? Não creio que ela seja a principal culpada para esse caos instalado. No entanto, vejamos por outro ângulo: é certo que os caras não entendem de futebol e colocaram o dinheiro deles há dois anos para salvar um barco que vinha afundando havia vinte. Antes de tudo eles confiaram naqueles que lhes disseram “venham”, que são os mesmos que indicaram administradores para o futebol. Já esses “gerentes”, por exemplo, usaram só este ano cento e dez milhões para trazer jogadores que jamais seriam titulares absolutos nos quatorze melhores colocados do Brasileirão, Serie A de 2023. Alguns desse jogadores sequer merecem a reserva do Vasco, mesmo com muitos dos nossos titulares não merecendo a reserva nos cinco primeiros colocados do ano passado.
O Campeonato Carioca/2024 foi um laboratório nos mostrando o que viveremos no Brasileirão. Ora! Vencemos com dificuldades times que nem série têm! Perdemos feio pela falta de reação para times montados às vésperas do campeonato, sendo nossa base treinada há seis meses.
Não estou passando pano, mas se não fosse o capital investudo pela 777 não teríamos nem subido em 2022!
Os Dias – a eles todo o meu respeito e gratidão – nunca conseguiram de fato implantar um padrão de jogo. Culpa deles? Não creio também. O nível técnico em oitenta por cento do nosso elenco é sofrível. Está muito mais para abaixo do meio da tabela na Série B, que para permanência na Série A. É nítido!
Sinceramente? Torço para que venha uma comissão técnica que saiba tirar leite de pedra, conseguindo dar um padrão de jogo à equipe e nos livrar da humilhação de outro rebaixamento.
Permanecer na Série A com esse elenco já será um grande feito.
Seu garçom, traga logo a saideira Vou seguir biritando em meu caminho.
Sob o mote acima, do poeta Marco Silva, eu recebi por WhatsApp os versos em glosa do tabirense Marcílio Pá Seca Siqueira, poeta de coturno alto:
Eu deixei um bilhete sobre a mesa Rasurado com gotas de bebida Frases parcas falando em despedida Num enredo de drama e de tristeza Sugeri ao garçom traga a despesa Se tiver bem gelado traga um vinho Minha dama não veio e eu sozinho Vou beber minha mágoa derradeira Seu garçom, traga logo a saideira Vou seguir biritando em meu caminho.
Então este colunista, potiguar de Acary do Seridó, respondeu no mesmo estilo:
Fingirei não ouvir o violão Nem a voz do cantor bem afinado No bolero com verso esmerado Suplicando às horas “passe não”. Mas farei de relógio o coração No compasso batendo bem baixinho E nas horas passando de mansinho Solidão será minha companheira Seu garçom, traga logo a saideira Vou seguir biritando em meu caminho.
Homenagem deste colunista para o Açude Gargalheira, 3ª Maravilha do Rio Grande do Norte, que há treze anos não transbordava.
De em ti deitar meus olhos O meu olhar não se cansa Percorro teu corpo todo Até onde a vista alcança Tua beleza é completa E à vista deste poeta És portal de esperança.
Contigo meu olho dança No verde te rodeando Na água te invadindo No concreto bloqueando Nas serras que são teus braços Por todos esses teus traços Sigo te admirando.
Do meu querido Acary Eu canto sua beleza Algumas obras dos homens Outras da Mãe Natureza Canto o velho e canto o novo Canto também o meu povo A nossa maior riqueza.
A mais formosa represa Entre serras está deitada O Açude Gargalheira De esperança renovada “Dá gosto de se olhar” Pois, parece até o mar Sua água abençoada.
Nossa fé foi aprovada Desde os tempos de outrora Manoel Esteves de Andrade Construiu sem mais demora Um templo pra devoção De louvor, de oração Erguido à Nossa Senhora.
Virgem do Rosário agora Tem templo na freguesia Mas outra igreja se fez Pois, a cidade crescia E o povo muito feliz Construiu uma Matriz À Nossa Virgem Da Guia.
Nossa cidade é magia É orgulho, é paixão, Na limpeza de suas ruas No exemplo de educação Do velho Grupo Escolar Onde o prazer de estudar Era quase devoção.
Por isso eu ergo a mão E digo a Deus “obrigado” Por essas tão belas serras Por este céu azulado Por cada nova manhã Por nosso Rio Acauã Que há muito tem nos banhado.
Um riacho represado E um açude se criou Com nome “Das Oiticicas” Porém, “Da Santa” ficou Por estar nas terras dela E a sede, nossa mazela, Por muitos anos matou.
No centro homenageou Dois homens lá do passado Com o busto do coronel Silvino homem respeitado E Otávio, o corajoso Homem forte e brioso Brutalmente assassinado.
Outro lugar festejado É o nosso belo museu À nossa gente lembrando Da História, o lugar seu Casa de Câmara e Cadeia Hoje o museu nos norteia Tudo que nos pertenceu.
Já se comprou e vendeu Naqueles velhos mercados Construídos como um só Porém, depois separados Se um ficou na estrutura O outro a arquitetura Fez seus traços reformados.
Temos também os sobrados Três ao todo, na verdade, São três raras construções Nos evocando a saudade Dos tempos de antigamente E hoje em dia, no presente, Enfeitam nossa cidade.
Foi Deus quem, por caridade Me fez crescer em Acary Lugar de raras belezas Da gente melhor que vi E a Deus vou agradecendo Por me deixar ir vivendo E por ter nascido aqui.
Eu também me atirei do mesmo jeito Nos abraços dos braços de Maria Lambuzei-me do doce da orgia Bem mais doce que doce de confeito Vi meu peito batendo no seu peito Num compasso de gelo se quebrando Eu gostando do beijo, ela gostando E o romance rondando o lugarejo Eu senti seu amor naquele beijo E até hoje seguimos nos amando
Inspirado na extraordinária glosa acima, do poeta tabirense Marcílio Pá Seca Siqueira – porém, como sou fã de versos hoje em dia chamados de “sofrença” – eu imaginei uma situação ao contrário e escrevi a poesia que ora segue abaixo.
DESPEDIDA
Fim de tarde você me abandonando Me dizendo “adeus e fique bem” Eu calado, na dor, virei refém Do olhar que lhe dei se afastando. Eu confesso também fiquei chorando Abraçado ao passado com carinho Escorrendo do olhar, como um espinho, Certa água furando o meu rosto Você foi e eu fiquei a contragosto Me lembrando que agora estou sozinho.
Você não sabe quanto eu chorei.
“Vá em paz” você disse e foi embora Eu sozinho na rua atordoado Sem saber onde ir, ou qual o lado Deveria seguir naquela hora. O passado apenas me escora Me ampara de vez na solidão Pois, por mais que você diga que não Eu ficava feliz quando voltava E a você, meu amor, eu me entregava Como sendo só seu meu coração.
Você não sabe quanto eu chorei.
Mas agora acabou. O que fazer? Lhe desejo também que vá em paz E o destino brincando uma vez mais Eu lhe juro não vou mais lhe perder. Só me resta saudade e escrever Alguns versos compostos de lamento E viver de momento em momento Sem saber o que a vida nos reserva Guardarei no meu peito, em conserva, Meu amor, meu mais nobre sentimento.
Eu me lembro daquela tarde quente de um fevereiro no calendário perdido no registro do ano. Não da minha mente.
Nós tínhamos acabado de almoçar, e os pratos ainda repousavam sujos sobre a mesa.
Era meu aniversário e nada demais havia sido feito para aquela refeição. Tampouco existia em mim qualquer expectativa de presente. Papai sentado à mesa, na esquina do móvel, limpava uma laranja girando-a contra a faca, sem deixar se romper a casca. Eu balançava os dois cubos de gelo no fundo do copo, numa água levemente avermelhada do restante do suco sem graça de beterrabas.
De repente ele parou, deixou a casca totalmente retirada no prato e olhou para mim.
Do nada começou a me falar. Senti nos seus olhos calmos a necessidade de me repassar algo.
– Nunca deixe de colocar um parafuso no lugar do prego, quando quiser que a madeira fique mais segura.
A minha juventude não me deixou compreender muito bem aquela alegoria. E ele continuou:
– É sempre mais difícil extrair o parafuso.
Na inquietude de todo jovem, que se alia com a curiosidade própria da idade pouca, eu lhe perguntei “por que o senhor está me dizendo isso?”
Metade da laranja estava ocupando a sua fala. Seus olhos me passaram a mensagem “espere! Já, já eu digo”.
Um silêncio mastigado durou alguns segundos, talvez minutos, enquanto as sementes eram jogadas para fora da boca para a mão dele.
Antes de colocar a outra metade da laranja na boca ele piscou os olhos algumas vezes, olhando pela janela da cozinha aberta para o nosso muro.
– Não sei bem. Só não esqueça. O parafuso dá mais trabalho para entrar. Mas segura muito mais.
Disse isso, colocou a outra metade da laranja na boca, se levantou e saiu.
Nunca mais tocamos naquele assunto, ou falamos sobre algo que fizesse aquele conselho ter algum sentido. Nunca mais.
De vez em quando eu lembrava aquela cena, e um parafuso de incompreensão me tomava o raciocínio.
Até ontem eu não tinha a mínima ideia do que deveria pensar sobre a estranha conversa jamais esquecida em seus pormenores.
Hoje cedo estávamos sentados na calçada da mesma casa e eu tenho a idade que ele talvez tivesse à mesa naquele dia; Papai agora é um homem idoso com Alzheimer, sem a compreensão do que eu represento para ele e, se não fosse o tom sério emprestado à sua fala de vez em quando, eu não poderia dizer que a sua consciência é a do pai que me criou.
Assobiava algo alegre e eu olhava para o seu perfil. Tamborilava no braço da cadeira de plástico e eu olhava o seu perfil.
Do nada, como se um fragmento de qualquer tempo tivesse sequestrado a sua consciência por alguns instantes, ele se virou para mim e disse.
– O cabra só se apresenta parecido com quem ele acompanha.
Eu refleti urgente que Papai estava, do seu jeito, querendo me dizer “diga-me com quem andas, que eu te direi quem tu és”.
Mal deu tempo da frase ser completada em minha mente, ele virou o rosto para a frente e terminou:
– Por isso o sujeito só deve se acompanhar com madeira que segure parafuso. A amizade é de verdade e segura.
De onde Papai tirou isso?!
Não sei. Mas, por alguns segundos eu vi ali o emblema moral do meu velho pai.
Sim! Ali estava meu pai. Se ele não tem essa consciência, eu a tenho.
Doravante, Papai, não apenas nas relações de amizade, mas, em tudo buscarei por madeira que segure parafuso.
Semana que vem farei cinquenta e três anos. O presente veio adiantado.
Seu Moço, meu carnaval Eu brinco só na vontade Ouvindo o som do passado Bailando sobre a cidade Marchinha, frevo e samba… Hoje meu passo descamba Na folia da saudade.
Seu Moço, hoje me invade Um bloco de nostalgia Cantando um samba enredo Na avenida da alegria A letra diz que restou Naquele jovem Pierrot Só saudade da folia.
Carnaval sem euforia Sem pandeiro, tamborim, Sem treme-terra, agogô… Seu moço, hoje é assim: O surdo sem marcação Esvaziaram o salão Já não chora o Arlequim.
Sinto falta do cetim Da ilusão por fantasia Dos confetes, serpentinas Do apito que fremia… O lança não me apraz Eu penso nem sentir mais A saudade da folia.
Porque sem toda magia Da batucada contida Naqueles dias, Seu Moço, Essa saudade sentida É folia repentina Passista tal Colombina Que passou na avenida.
Um dia puxa um outro Que puxa um outro dia Na roda viva do tempo Seu eixo é pura magia O seu motor jamais cessa E o tempo cumpre a promessa De passar, não se desvia.
Afinal, quem nos diria Quem rola a roda dos anos? Ou onde está escrito, Do tempo, todos os planos? Se o destino vem traçado Nele tenho registrado A minha salva de enganos.
Por meus tiros mais insanos O tempo abre feridas São chagas em minh’alma, Medonhas, tão doloridas Como eterna endecha Que o tempo abre e fecha Em rimas não repetidas.
Nesse corpo divino e sensual Viajei até alta madrugada.
O mote abrindo hoje esta coluna é de autoria do poeta Fernando da Bodega.
Eu o recebi do tabirense Marcílio Pá Seca Siqueira, pelo WhatsApp, com os seguintes versos:
Quando eu era feliz eu dirigia Contornando teus pontos divinais Mapeando na mente teus sinais Carregando prazeres na orgia Comulei muito afago nesta via Sinuosa e de curva acentuada Beijo longo, gemido, mão suada Nossos corpos inertes no final Nesse corpo divino e sensual Viajei até alta madrugada.
Glosando o mesmo mote, eu lhe enviei os versos meus:
Desejei viajar e acelerei Pela mesma estrada, à exaustão, Na boleia da cama a sensação De que horas sublimes transportei. Quantas vezes eu me aventurei Na delícia que é essa estrada Uma faixa contínua liberada De paixão, de prazer, de amor carnal Nesse corpo divino e sensual Viajei até alta madrugada.