Alzheimer é o sobrenome mais apropriado para o termo “morte lenta”. O sujeito vai deixando de existir aos poucos.
Vai vivendo como uma garrafa que caiu e se rachou, deixando o líquido que lhe ocupava ir saindo devagar, devagar, devagar, até o momento que restará apenas o vidro vazio.
Certamente a garrafa será descartada. A vida também descarta o homem com Alzheimer.
É duro para quem vai vendo o “líquido” escorrer, sem nada poder fazer.
Dia desses papai passava diante de um espelho. Quando se viu ele cumprimentou seu reflexo como se não o conhecesse. E não o conhecia de fato.
O espelho passou a ser para ele uma porta. Pediu licença para passar, e insistiu ao não receber resposta.
– Hômi, eu quero passar. Saia do meio – pedia ao seu reflexo calado no espelho. Segurou com as duas mãos a moldura, como se segurasse nos umbrais de uma porta. E pedia insistentemente, suplicando por passagem livre. A neta mais velha gravou a triste cena.
Quando viu que “o outro” não lhe dava passagem, agrediu o espelho com uma joelhada leve, exclamou um palavrão e saiu irritado. De tão fragilizado também fisicamente, o espelho nenhum dano sofreu com a agressão.
Minha garrafa, ou melhor, o meu pai, vai perdendo o seu conteúdo, como um vidro que se rachou na queda. Ainda tem o cheiro do meu pai, a voz do meu pai, a “casca” do meu pai… ainda é o meu pai e não deixará de sê-lo!
Havendo sido inspirada sobre o mote do poeta Natan Medeiros a glosa do poeta tabirense Marcílio Pá Seca Siqueira, abaixo publicada, chegou-me por WhatsApp.
Ei-la:
Quando olho seu canto em nossa cama Que reparo seu canto está vazio O meu corpo sem febre sente frio O meu sonho amoroso vira drama Sem seu corpo fogoso, minha chama É tacanha, gelada, fraca e injusta Pode ter outra dama, bela e justa Mas igual minha dama desconheço É preciso perder quem não tem preço Pra saber a saudade quanto custa.
Eu respondi assim pelo mesmo meio, com uma glosa da minha autoria, sobre o mote do poeta Natan:
Não lhe dei o valor que era devido E por falta da minha experiência Ofertei um amor com negligência No mercado do peito corrompido. Não podia jamais ter lhe perdido Por ações que minh’alma jamais susta Pois no caixa do tempo não se ajusta Uma venda mal feita pelo avesso É preciso perder quem não tem preço Pra saber a saudade quanto custa.
Eu tenho dito nas rodas por onde ando que o tabirense Marcílio Pá Seca Siqueira é um dos maiores poetas do nosso tempo, no que tange a poesia popular.
Inspiração não lhe falta. Tampouco lirismo.
E ele reclama de não saber “muito das letras”. Imagine se soubesse!
Então. Eu tomo a liberdade de repetir o que Paulo disse em sua segunda carta aos coríntios, na última parte do versículo 6, trazendo sua fala para o nosso contexto: “a letra mata, mas o espírito vivifica.”
Ou seja, eu acredito no dom dado por Deus valendo muito mais que o conhecimento da gramática passado por qualquer outro homem.
E esse dom Marcílio tem de sobra.
Ademais, aqui no ambiente de poesia, este Jesus é apenas um apóstolo seguidor e fã de Marcílio Pá Seca Siqueira!
Recebi do amigo Manoel Pinheiro Netto, por mensagem de WhatsApp:
Meu amigo Jesus, hoje saiu essa glosa, com o mote do poeta Dênis Chalega, mas modificado… o outro lado da moeda.
Espero que seja do agrado.
Lá vai:
No silêncio de minh’alma revisito Tudo aquilo que na vida já vivemos Foram tantos os momentos que tivemos Que daria um poema erudito Assim sendo, que levemos pro infinito E que o destino não nos faça encrudescer Pra qu’eu possa para sempre agradecer Mesmo em versos de tão pouca Inspiração Eu jamais vou tentar te esquecer Nem tampouco te tirar do coração.
Daí eu peguei na pena deixada por ele, e escrevi a seguinte glosa, considerando o novo mote desenvolvido pelo próprio:
Vou lembrar do teu cheiro, do teu gosto, Do teu toque que me arrepiava, Do teu hálito quando me beijavas Do teu beijo delicado no meu rosto. Reviver tudo isso estou disposto Renovar com fervor essa paixão E acabar de uma vez a solidão Que me faz de saudade enlouquecer Eu jamais vou tentar te esquecer Nem tampouco te tirar do coração.
Eu volto à coluna para comentar sobre mais um fracasso da Seleção Brasileira.
Como nossa seleção consegue ser tão inoperante, mesmo com “craques” de milhões de dólares em seu elenco?
São todos saídos dos nossos campos para gramas mais verdes e badaladas, e nelas esses meninos perdem a referência do drible, do toque genial, da tabela em busca do gol (e não apenas para posse de bola, com passes para trás), da alegria do gol… deixam escapar a honra de vestir a Amarelinha!
Perdem também o contato com uma torcida que os viu crescer nas preliminares dos jogos principais.
Ganham seus milhões. Perdem o valor do “servir à pátria de chuteiras”.
Ganham cortes estilizados de cabelos e tatuagens coloridas e de gosto duvidoso, enquanto perdem a referência com o Brasil do povo simples. Humilde. Tatuado apenas na alma pelas humilhações diárias.
Ganham mulheres lindas, modelos perfeitas. Se perdem no sentido do amor sem interesses.
Utopia minha? Talvez.
E para completar o quadro, de uns anos para cá os treinadores dos times brasileiros têm que ser estrangeiros.
Vamos perdendo nossa identidade aceleradamente.
Mas, convenhamos, o futebol não é mais a paixão número um dos brasileiros. Perdeu seu espaço para a política. E na política contemporânea os torcedores, digo, eleitores, estão mais fanáticos que qualquer membro de torcida organizada gritando num estádio.
Na política o processo de decadência e piora está mais adiantado que no futebol. Nela já definhamos a cada dois anos há mais de três décadas. Afinal, desde a Carta Magna de 1988 que nada no Brasil funciona como deveria. Ou seja, de fato, em favor do povo.
A cada eleição um “7×1” é assistido das arquibancadas ocupadas pelas nossas duas fanáticas torcidas partidárias, divididas sempre entre o ruim e o menos pior.
Ultimamente para completar o quadro da partida no jogo da política a “arbitragem” dita o jogo, cria regras, expulsa, põe para jogar, escolhe o placar, desempenha o papel de um VAR viciado em traçar linhas à sua conveniência e manda retirar do “estádio” qualquer um que ameace a festa do perdedor.
Perdedor sim! Porque no jogo político há muito não temos vencedores. Apenas derrotados. Nós. O povo.
No entanto, igualmente aos jogadores da Seleção Brasileira de Futebol, no jogo político cada vez mais os milhões recebidos pelo seus jogadores (do executivo ao legislativo, passando pela “arbitragem”) só beneficiam a eles mesmo. Não honram a “amarelinha” no exercício de suas funções, quando se vendem fácil, sendo raras as exceções. Suas tatuagens são desenhos feios na consciência sem remorsos, corrompendo a moral. A sua falta de Ética é semelhante ao fair play deixado de lado. Importa apenas o grito enlouquecido da parte da torcida lhe sendo favorável. Flertam, namoram e casam com uma mulher terrível: a corrupção. Com ela ganham a paixão desenfreada pelo dinheiro fácil.
Os torcedores, ou melhor, os eleitores, seguem nas arquibancadas e se iludem vez em quando quando um placar magro lhe traz algum empate bobo. No máximo.
Parece-me mesmo que não temos na política o mesmo poder de indignação demonstrado por poucos torcedores quando a Seleção Brasileira de Futebol perde dentro de campo.
Não importa se no futebol, ou na política, nós temos sido vencidos constantemente de “sete a um”.
O ruim é que se no futebol já são poucos os que se importam, na política o número é ainda menor.
Você pode tentar me esquecer Mas não vai me tirar do coração.
Mote do poeta Dênis Chalega, cria do Pajeú
Você diz que está se afastando Que já tem outro alguém em sua vida Pra curar do seu peito a ferida Que abriu quando estava me amando. Você fala e eu sigo anotando Com a caneta da minha ilusão No caderno da minha solidão Sobre nós eu não paro de escrever Você pode tentar me esquecer Mas não vai me tirar do coração.
Você pode deitar em outra cama Abraçar outro corpo por loucura Se entregar sem fazer qualquer censura Mas só eu sei arder a sua chama. Chama ainda meu nome quando inflama No entanto não tem satisfação E descobre no fim que foi em vão Sua busca endoidada por prazer Você pode tentar me esquecer Mas não vai me tirar do coração.
O futebol é um céu De infinitas vibrações De astros riscando espaços Compassando corações Nesse céu surge uma Estrella Que foi um prazer em vê-la Luzindo mil emoções.
Diante das explosões Sua luz se viu brilhar Lá no mais alto espaço Sobre céu, terra e mar Estrella! Estrella forte! Os deuses desse esporte Querem hoje te abraçar.
“Se a escada não estiver apoiada na parede correta, cada degrau que subimos é um passo mais para um lugar equivocado. (Stephen Covey)”
As manhãs estão se indo e os seus meios-dias trazem a luz mais forte do Astro Rei. Também as tardes, outrora chorosas sem que ninguém soubesse por quem, encaminham-se nas ladeiras colossais das milhares de cores, muitas delas imperceptíveis, para o seu crepúsculo mais quente.
E as noites? Pobres noites de lua sumida e de estrelas opacas. Mas são elas, as noites, que fecham esses dias de mudanças e quebra de paradigmas divinos; pois elas trazem a esperança de que uma nova era está em seu limiar, fazendo com que a massa possa aperceber-se que o eterno ideal é aquele sem soberanos invencíveis e sem aldeões subservientes, esses pobres súditos presos ao juramento de submissão e fé. A liberdade urge e grita como um leão feroz que ninguém pode conter. Um leão que não pertence a tribo alguma, mais é tão universal quanto o novo será quando descoberto por todos.
A verdade está com a liberdade, e ambas nasceram no mesmo ambiente e têm como pais a virtude e o desprendimento.
Havia em todos nós o anseio de inventar uma liberdade, ou descobri-la como ela é de fato. De fazermos dessa noite de descobertas um portal dimensional para a terra da segurança, da liberdade verdadeira e da vida sem opressões. É verdade, creiam-me! Estamos todos instigados pelos séculos e não nos cabe jamais desprezarmos o tempo, e fingirmos que a vida não passa, ou que somos indoutos, esquecidos dos ensinamentos dela – a vida.
Embora ainda estejamos todos sobejados das promessas feitas nas manhãs passadas e mais distantes, compreenderemos por fim que a vida é feita desses dois elementos antagônicos, mas tão próximos um do outro: amor e ódio. Perceberemos com a virada da noite que estar por vir o amanhecer de um novo dia, e que a vida em síntese era como uma bola cheia de promessas pseudo-esperançosas.
Na noite que virá, não! Pois o seu amanhã, quando as infinitas falso-certezas estiverem surradas e as dúvidas, finalmente, puderem subir ao limbo da racionalidade, aí, enfim, seremos mais justos e melhores. Excluiremos a fragilidade e adotaremos a coragem de sermos apenas nós mesmos, assumindo nossos pensamentos, escritos e discursos, embalados pela música da nossa vontade livre. Abandonaremos a nossa busca sedenta pelas vaidades e suprimiremos a insolente suposição da eternidade como deuses.
Nessa noite começará um tempo em que cada homem será um astro, e a plêiade será formada por homens de verdades e nunca por espectros. Homens sem receios, homens semelhantes em tudo, inclusive por serem todos de carne e osso. E isso será fantástico! Todas as coisas perderão aquela importância débil de antes e, assim, será uma noite que abrirá dias escassos de mártires, desprovidos de heróis da fé, e a totalidade das coisas será vinda do sentimento mais puro de que, antes de tudo, somos humanos.
De todas as coisas apenas uma será eterna: a certeza de que em tudo restará somente a vida. Apenas ela. Nada além. E finalmente o homem verá que, não obstante o poder ter sido corroído no azinhavre da imbecilidade, dali em diante todas as manhãs, todas as tardes e todas as noites passarão em paz.
Meu mundo é mal-assombrado Pelas lendas do Sertão.
O Poeta Felipe Amaral criou o mote acima e escreveu a décima:
Rasga-mortalha que voa No escuro do firmamento, À noite, um canto agourento, Por cima da casa, entoa. Triste daquela pessoa Que escuta a sua canção, Que dá até a impressão Que a ave arranha o telhado. Meu mundo é mal-assombrado Pelas lendas do Sertão.
O poeta Chico Potengy escreveu sobre o mesmo mote, e me enviou por WhatsApp a seguinte obra:
Nos tempos da meninice Vivendo noutro lugar Ouvia o povo contar Tudo o que era crendice Para mim, uma tolice Estórias de assombração Mas jamais eu abri mão De um causo bem contado “Meu mundo é mal-assombrado Pelas lendas do Sertão.”
Eu recebendo os dois trabalhos acima, devolvi a Chico os seguintes versos meus:
Naquela curva fechada De branco toda vestida Perdeu precoce a vida A noiva recém casada. À noite na mesma estrada Seu vulto na escuridão É visto dando com a mão Num aceno desesperado “Meu mundo é mal-assombrado Pelas lendas do Sertão”.
Quando voltava da escola Em casa sequer entrava Debaixo da Castanhola Todo dia eu me sentava. Reunião de amigos Naqueles dias antigos Que a lembrança me traz… Saudade, diga ao presente Quando voltar novamente Talvez não me encontre mais.
Uma roda de cadeiras Formando lá na calçada, Um reino de brincadeiras Tudo virando piada. De vez enquanto uma briga Que não gerava intriga Pois logo voltava a paz… Saudade, diga ao presente Quando voltar novamente Talvez não me encontre mais.
Naquele reino de encantos De carinhos, de afetos, De zelos, cuidados tantos, Entre vizinhos diletos, Havia uma irmandade Recheada de bondade Que nem o tempo desfaz… Saudade, diga ao presente Quando voltar novamente Talvez não me encontre mais.
A legítima rainha Daquela sombra e reinado Era Dona Raimundinha Seu rei Aprígio ao lado. O casal nos recebia Sob a sombra e a magia Daquele tempo fugaz… Saudade, diga ao presente Quando voltar novamente Talvez não me encontre mais.
Hoje há só o vestígio A lembrança me consola De Raimundinha, de Aprígio Da sombra da Castanhola. Mas não ficou no passado Meu olhar vê o reinado Nas águas que o tempo traz… Saudade, diga ao presente Quando voltar novamente Talvez não me encontre mais.
Futebol é o único esporte que eu conheço com resultados injustos. Porque nem sempre vence quem joga melhor a partida.
O Fortaleza ontem foi superior em 70% do tempo normal. Tática e tecnicamente.
Se muito o Vasco talvez teve seus vinte e sete minutos de organização, mas ainda é um time precisando de muitos ajustes. Muitos!
Para o time cearense ficou a lição de que não existe jogo vencido no futebol.
Quando se acomodou, levou dois empates e uma virada.
Já ao Vasco a lição de que quando se tem o domínio da bola no pé não há risco nenhum de tomar gol, parexe nunca haver sido ensinada. Nunca!
Vencia aos quarenta e três minutos do segundo tempo, estava com a posse de bola num dos raros momentos de organização, quando um chutão para frente entregou a pelota para o adversário que trabalhou e empatou com o terceiro gol. Aliás um belíssimo gol, num daqueles chutes espíritas indefensáveis, pegando na chamada “Barriga da Rede”. Somente o comentarista da transmissão achou falha do goleiro.
Quase levou uma “revirada”, se Léo Jardim, o dito goleiro, não estivesse usando um par de luvas maior que o seu número (aqui há ironia). Literalmente pôs a bola para escanteio com a costura da luva.
Do lado do Vasco eu fico com a sensação de que Payet pode crescer ainda mais quando tiver ao seu lado alguém pelo menos com um terço de sua técnica, Vegetti mostrou outra vez seu lado artilheiro e Adson fez sua melhor partida pelo Gigante da Colina.
Pelo Fortaleza deu novamente gosto ver a equipe de Vojvoda jogar. Um time muito bem arrumado. Só pecou ontem no excesso de confiança nas duas vezes que esteve à frente do placar. Destaco também as atuações de Zé Welison marcando Payet enquanto teve fôlego, dou visão à classe e técnica do craque argentino Pochettino e o talento do jovem Hércules. Esse terá futuro, se Deus quiser.
Na outra partida pela mesma copa, o Red Bull Bragantino despachou o Sousa. Com um justíssimo três a zero. Não obstante a goleada, mesmo assim, o time paraibano merece nossos aplausos.
Hoje teremos outros jogos e o leitor já sabe qual o clube que eu desejo ver perdendo.