JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

Meu mundo é mal-assombrado
Pelas lendas do Sertão.

O Poeta Felipe Amaral criou o mote acima e escreveu a décima:

Rasga-mortalha que voa
No escuro do firmamento,
À noite, um canto agourento,
Por cima da casa, entoa.
Triste daquela pessoa
Que escuta a sua canção,
Que dá até a impressão
Que a ave arranha o telhado.
Meu mundo é mal-assombrado
Pelas lendas do Sertão.

O poeta Chico Potengy escreveu sobre o mesmo mote, e me enviou por WhatsApp a seguinte obra:

Nos tempos da meninice
Vivendo noutro lugar
Ouvia o povo contar
Tudo o que era crendice
Para mim, uma tolice
Estórias de assombração
Mas jamais eu abri mão
De um causo bem contado
“Meu mundo é mal-assombrado
Pelas lendas do Sertão.”

Eu recebendo os dois trabalhos acima, devolvi a Chico os seguintes versos meus:

Naquela curva fechada
De branco toda vestida
Perdeu precoce a vida
A noiva recém casada.
À noite na mesma estrada
Seu vulto na escuridão
É visto dando com a mão
Num aceno desesperado
“Meu mundo é mal-assombrado
Pelas lendas do Sertão”.

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  1. A lenda diz que quando a coruja Rasga Mortalha passa por uma residência, é sinal de mau agouro. O problema é que a lenda, muito comum nas regiões norte e nordeste, faz com que a ave, também conhecida como coruja de igreja e Suindara, seja mais uma das vítimas de violência e preconceito popular, que no mundo de hoje, os babacas chamam de “corujafobia”. Lindos versos Jesus de Ritinha, voltei no tempo e ganhei o domingo.

  2. Não tem como esses desassombrados serem assombrados mas como disse Pinto do Monteiro, que poeta tira de onde não tem e coloca onde não cabe, quem sou eu pra desafiar?
    Forte abraço, poetas!

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