DEU NO JORNAL

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UNIVERSIDADE É LOCAL DE PLURALISMO, NÃO DE CENSURA AUTORITÁRIA

Editorial Gazeta do Povo

editorial universidade censura

Universidades públicas brasileiras têm sido cada vez mais palco de censura e agressões por motivos político-ideológicos

A universidade é, por excelência, o local da busca sincera e incansável pela verdade, e um dos meios pelos quais essa busca ocorre é o debate livre de ideias. Tem sido assim desde as disputationes medievais, e não raro as universidades foram focos de resistência contra regimes dispostos a impor ideias únicas. Mais recentemente, no entanto, as próprias instituições de ensino superior se tornaram exatamente aquilo que combateram no passado: centros em que a intolerância reina absoluta, nos quais se impõe o pensamento único em termos políticos e ideológicos, e onde qualquer dissidência é combatida – a socos e pontapés, inclusive.

Por isso, é muito louvável que um grupo de acadêmicos de faculdades e universidades públicas de todo o país tenha lançado um manifesto “pelo pluralismo e pela liberdade acadêmica” – o nome é autoexplicativo. O texto é resultado de uma reunião ocorrida em abril, no Centro Universitário Maria Antônia, da USP (uma escolha altamente simbólica, dado o papel do prédio na resistência à ditadura militar), e já conta com mais de 1,2 mil assinaturas; os signatários representam 167 instituições de ensino superior de todos os estados e do Distrito Federal. As reivindicações são básicas, resumidas no tripé neutralidade institucional (“universidades devem evitar adotar posições oficiais sobre questões políticas ou ideológicas”), liberdade acadêmica (“ninguém será sancionado por suas opiniões – seja por pressões externas, seja por grupos de pressão internos à própria instituição”) e pluralismo (“a universidade deve adotar um ethos institucional que incentive o ensino das posições em disputa nas controvérsias e a análise de perspectivas divergentes em temas sensíveis”).

Se é preciso pedir algo tão óbvio quando se trata de uma universidade, é porque o espírito de busca pelo conhecimento foi substituído pela imposição do pensamento único há tempos. Os episódios se acumulam; nem todos chegam ao extremo da pancadaria na Universidade Federal de Pernambuco após a exibição de um documentário sobre Olavo de Carvalho, em 2017, mas nem por isso são menos graves. Citamos, por exemplo, os protestos e confusões que impedem palestras ou a participação de certas pessoas em debates: foi o caso de Deltan Dallagnol na UFPR, em 2023; do professor Jorge Gordin na UnB, em 2024; de Matheus Alexandre (da ONG StandWithUs) e do professor Michel Gherman na Federal do Ceará, também em 2024; ou do advogado Jeffrey Chiquini e dos vereadores Guilherme Kilter e Rodrigo Marcial, também na UFPR, em 2025. A intolerância não se resume a convidados externos: alunos hostilizam professores da mesma instituição onde estudam, como ocorreu no ano passado com Gabriel Cepaluni, chamado de “racista” e “fascista”, e acusado de promover “posições políticas perigosas” e “elitismo” por alunos da Unesp.

Outra frente do totalitarismo intolerante nas universidades é a tentativa de calar determinadas abordagens sobre assuntos controversos. Em 2018, por exemplo, uma dissertação de mestrado na Universidade Federal do Pará foi alvo de nota de repúdio do Diretório Central de Estudantes da instituição. Tudo porque a mestranda Dienny Riker pesquisou e defendeu o conceito de casamento entre homem e mulher segundo a perspectiva do Direito Natural, com base em autores como São Tomás de Aquino e John Finnis. O trabalho foi classificado pelo DCE como “discurso de ódio”. Ao menos neste caso, no entanto, a universidade não endossou os protestos; Dienny Riker obteve o título de mestre, e depois ainda se tornaria doutora em Direito, pela mesma UFPA.

Essa observação é importante porque, na quase totalidade dos casos, a postura de reitores e diretores tem sido lamentável. Usando argumentos como o da “proteção da integridade física” dos envolvidos, as instituições, em vez de reforçarem a segurança contra protestos que normalmente são convocados com alguma antecedência, preferem cancelar os eventos e palestras, dando aos autoritários exatamente o que eles queriam. Por isso, os signatários do manifesto pedem “regras e protocolos que diferenciem claramente o direito legítimo ao protesto da prática ilegítima de impedir a expressão alheia. Grupos organizados não podem deter poder de veto sobre quem tem permissão para ser ouvido. A universidade deve manter-se firme contra quaisquer formas de perseguição, assegurando que o ambiente acadêmico não imponha falsos consensos por meio da coerção”.

Até pouco tempo atrás a universidade pública era o sonho de dez entre dez famílias cujos filhos terminavam o ensino médio, mas isso mudou. O manifesto cita uma pesquisa de 2025 na qual 59% dos entrevistados disseram confiar pouco ou não confiar nas universidades públicas, e 54% afirmaram que as instituições públicas promovem mais ideologia que ensino de qualidade. Os estudantes autoritários que reprimem qualquer discurso de que discordam, e os reitores omissos que se curvam aos agressores (ou, talvez, até concordem com eles) têm participação privilegiada nesta erosão de confiança. Quando aqueles já não tiverem lugar no ensino superior, e estes tiverem a coragem de proteger a liberdade de expressão como ela merece, talvez seja possível recuperar a boa imagem que as universidades públicas já tiveram.

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A SOMBRIA MISSÃO DE LULA NOS EUA

Guilherme Fiuza

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Casa Branca, Washington, D.C.

O encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos na Casa Branca teve vasta cobertura da imprensa. Afinal, ali está supostamente um grande foco de tensão política. Se Donald Trump fez o que fez com Nicolás Maduro, a princípio todos os aliados do ex-ditador venezuelano estão nessa incômoda berlinda.

E o que essa vasta cobertura da imprensa mostrou sobre o tão aguardado encontro? Nada. Ou melhor: mostrou uma coletânea de especulações obtidas pelo buraco da fechadura dos vazamentos mais ou menos confiáveis. Tudo aconteceu nas sombras.

Não deixa de ser curioso que a imprensa brasileira dedique tanto espaço a um evento que, na última hora, foi sonegado à própria imprensa. A decisão de barrar toda e qualquer cobertura jornalística antes, durante e depois da reunião entre Lula e Trump foi atribuída a um pedido do governo brasileiro — segundo uma dessas fontes pelo buraco da fechadura. E não foi isso que dominou as manchetes na tal vasta cobertura. Incrível…

Ao contrário: a imprensa barrada agiu como mulher de malandro. Mesmo sem o direito a uma entrevista coletiva dos dois presidentes após a reunião, ou, pelo menos, a uma oportunidade de fotografá-los juntos e fazer-lhes perguntas breves antes da reunião, boa parte dos veículos saiu cantando vitória para Lula.

O presidente brasileiro não poderia sonhar com uma mídia mais compreensiva. Fez seu stand-up sozinho na Embaixada do Brasil em Washington, ajeitou sua “narrativa” sobre o encontro fechado do jeito que bem entendeu e emplacou manchetes de todos os tipos: mandou Trump sorrir mais, disse que o colega americano ainda vai fazer um pix etc. E a decisão grave de barrar a imprensa no grande encontro? Deixa pra lá.

Isso foi manchete na grande mídia — essa mesma que teve de se contentar com migalhas especulativas sobre o encontro na Casa Branca após a blindagem pedida pelo governo do Brasil, o país-sensação da liberdade de imprensa.

Esse coquetel de especulações e deduções aproximadas — típico de quando o jornalismo é barrado na porta — tem dado conta de que o encontro Lula-Trump foi marcado pelo empresário Joesley Batista. Então, além de driblar o circuito da imprensa, aparentemente o Brasil adotou também um circuito diplomático “alternativo”, por assim dizer. Sai o Itamaraty, entra a picanha. Muito saudável para a democracia.

Mesmo depois de todos esses sinais de movimentação subterrânea, a vida seguiu seu curso no faz-de-conta da grande mídia: Lula é a resistência democrática contra o fascismo imaginário. Jornalistas são impedidos de discutir um projeto de lei, e moradores são obrigados a retirar faixas de suas varandas. Mas está tudo normal.

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INVESTIMENTO ENGANAÇÃO

O “Programa Brasil contra o Crime Organizado”, que Lula lançou ontem (12) para ter o que dizer nas eleições de outubro, não deve produzir nem mesmo cócegas nas organizações criminosas.

O investimento prometido por Lula para o “combate a facções”, no valor de R$ 1,065 bilhão, é uma enganação.

Essa quantia, a ser aplicada em inteligência e capacidade operacional das forças policiais, é uma gota no oceano dos bandidos: o lucro anual das organizações criminosas é estimado em R$ 146,8 bilhões.

O lucro anual foi apontado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública no documento “Follow the Products”, de fevereiro de 2025.

A grana dos bandidões é muito maior.

Os R$ 146,8 bilhões somam só quatro pilares de produtos explorados e não inclui tráfico de drogas.

Se estados e municípios quiserem uma fatia dos R$ 10 bilhões a mais do programa, aí terão de pagar financiamento a cargo do BNDES.

A desconexão de Lula com o tema é tão grave que a PEC da Segurança está na gaveta de Davi Alcolumbre há dois meses. Nem relator tem.

* * *

Isso é cara do Brasil atual: os bilhões na mão da bandidagem atingem um nível desconcertante!!!

É pra arrombar!

A expressão “desconexão de Lula com o tema” que fecha esta nota aí de cima, resume tudo.

A desconexão do Descondenado não é apenas com esse tema.

É com todos os temas fundamentais que precisam ser tratados neste país.

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BRASILEIRO DESPICANHADO

O brasileiro já sentiu e, agora, pesquisa do Dieese comprovou: o custo dos alimentos da cesta básica ficou mais alto.

É a segunda leitura consecutiva que registra a carestia em todas as 27 capitais do Brasil.

* * *

Lamentável.

Uma cacetada no lombo da sofrida população deste país.

E parece que a tendência é piorar.

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