DEU NO JORNAL

LULINHA E O BRASIL EM ESTADO DE COMA

Ricardo Gomes

lulinha

O senador Eduardo Girão exibe cartaz de “procurado” com foto de Lulinha

Em qualquer país decente, os indícios que fazem de Lulinha um investigado seriam suficientes para um grande escândalo que tomaria a capa de todos os jornais e revistas. Não só isso, mas também a abertura de todos os telejornais. Promoveria indignados protestos por todas as cidades. Mas o Brasil vive, ao menos até aqui, um certo estado de coma ético – uma complacência subserviente de quem desistiu de consertar a República.

Talvez seja a proximidade da eleição, e a pretensão de resolver tudo na urna diretamente. A urna, no entanto, não é o ponto de partida de uma transformação – ela é o ponto de chegada. A eleição não é a causa, ela é o efeito.

Compare-se o que vivemos hoje com as duas últimas eleições presidenciais brasileiras. Em 2018 vivíamos o pós-impeachment. A ressaca de um processo de agitação cívica que floresceu nas ruas. Manifestações de verde-amarelo, somadas à Operação Lava Jato, o breve governo Temer a mostrar que uma correção de rumo era possível… tudo isso somado ao ressurgimento daquilo que se pode chamar de “a direita”. Todos esses elementos antecederam a eleição de Jair Bolsonaro.

Bolsonaro foi resultado, e não causa, dessa movimentação toda. A pressão da sociedade e os processos políticos (que resultaram no impeachment de Dilma Rousseff) criaram o caminho para que Bolsonaro viesse a se tornar uma alternativa possível, depois provável, e por fim eleita.

Depois, em 2022, o processo contrário se deu. Várias forças foram postas em marcha e resultaram, ao fim e ao cabo, no retorno do PT e de Lula. O arquivamento da Lava Jato, a hostilidade da imprensa com Bolsonaro, a reestruturação da esquerda com uma revisão programática. Lula foi a consequência.

Por isso, a expectativa de que se produza uma mudança de rumo abrupta na urna é uma fantasiosa esperança que não encontra respaldo na realidade. A complacência do brasileiro, hoje, não será redimida pela urna; ao contrário, ela tende a ser confirmada na eleição.

Mas, aparentemente, o paciente começa a reagir. Talvez sejam apenas espasmos musculares, memória de um tempo de plena atividade (cívica, lembremos). Mas talvez possa ser um sinal de que em breve o Brasil saia do coma.

Pela esquerda, houve um empenho em equiparar moralmente os dois lados – jogando para baixo do tapete um “pequeno detalhe”: Lula é presidente da República. Se seu ex-chefe de gabinete e seu filho nutriram relações espúrias, possivelmente estamos diante de um sistema de captura de verbas públicas (dinheiro dos brasileiros), e é fundamental investigar até onde, no Planalto, chegou a infiltração.

Em transparente português: comparar escândalo com verbas públicas ao financiamento do tal Dark Horse é um artifício de nivelamento moralmente descabido. O argumento de que há faltas morais em ambos os campos da eleição faria a corrupção deixar o topo da pauta do dia e sumir entre as manchetes e as conversas.

O escândalo de Lulinha, no entanto, furou a bolha. Não coube embaixo do tapete. O bom jornalismo, onde sobreviveu, se manifestou. As capas dos jornais começaram a reportar os fatos (reportar é um verbo que sempre fez bem à imprensa, e remete a uma era em que o repórter investigativo tinha tanto ou mais espaço que o jornalista “de opinião”).

À medida que os fatos vêm à tona, o Brasil se mexe, ainda no leito. As pesquisas, tal qual os monitores que medem os sinais vitais do paciente na UTI, mostram evidências de que há, sim, esperança de sobrevivência (de novo: cívica).

No Planalto, há nervosismo. Lula abandonou uma entrevista ao ser questionado sobre Lulinha. Até o nome da operação que investiga Lulinha incomoda o Lula. Podem ser sinais de que a sociedade brasileira é capaz de uma recuperação ética, ainda que parcial. Se a tese é correta, o tempo dirá, e a urna mostrará, mais uma vez, que é resultado da vontade da sociedade, e não sua fonte.

DEU NO JORNAL

LOROTA

Lula (PT) disse ontem que “o Brasil está pronto” para o fim da escala 6×1.

Ele nem sabe o que diz, na busca da transformar em votos o projeto oportunista, mas especialistas advertem: os índices brasileiros de produtividade do trabalho no Brasil estão estagnados há décadas, e em padrões muito baixos, com quedas em segmentos como indústria e serviços.

Em termos relativos e de eficiência agregada, a produtividade no Brasil está em patamares próximos ao final dos anos 1950. Vexame.

Para aumentar a produtividade, o Brasil precisa de tudo que Lula não faz: reformas estruturais, educação de qualidade, infraestrutura, investimento.

Reduzir jornada para 40 horas, mantendo salário, exige ganhos reais de eficiência para evitar pressão inflacionária, desemprego e informalidade.

Dados do Observatório Regis Bonelli (FGV) apontam crescimento médio anual irrisório da produtividade brasileira, de 0,2% a 1%.

* * *

Logo no início dessa nota aí de cima, está dito que o Descondenado “nem sabe o que diz”.

Isso é o óbvio ululante.

A gente sabe que ele não sabe o que diz.

Isso é parte integrante do atual gunverno banânico.

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

NÃO CONVENCE NINGUÉM

Editorial Gazeta do Povo

editorial dario durigan mercado financeiro

Dario Durigan vem tentando convencer o mercado financeiro de que Lula não tem nada a ver com a inflação e os juros altos

Dario Durigan está em campanha – não para si, mas para seu chefe. Catapultado ao comando do Ministério da Fazenda com a saída de Fernando Haddad para disputar o governo de São Paulo, Durigan foi encarregado por Lula de fazer a interlocução com o mercado financeiro e convencê-lo de que os juros altos, a inflação persistentemente acima da meta, a explosão da dívida pública, os recordes de endividamento e inadimplência, e os sucessivos déficits primários são culpa de tudo e de todos, menos do presidente da República e de sua gastança. Uma tarefa ingrata, sem dúvida; e, ainda que Durigan acredite piamente na lorota que vem contando, aqueles que ele deveria convencer vêm mostrando que não estão dispostos a acreditar no ministro.

Poucos dias atrás, durante um evento do Banco Santander, Durigan afirmou que, “se a gente pegar todas as Leis de Diretrizes Orçamentárias desde 2023, temos projetado um caminho para o superávit fiscal, desde sempre”. Se é que esse caminho existe, no entanto, o governo se desviou dele há muito tempo, pois o Brasil só registrou déficits primários desde que Lula subiu a rampa do Planalto, e o próprio Ministério da Fazenda estima que 2026 não será diferente. E isso, recorde-se, considerando que inúmeras despesas não são incluídas para efeitos de cálculo e cumprimento da meta fiscal, o que transforma o dado oficial em ilusão pura que a maioria dos economistas já nem considera em suas análises, como afirmou em novembro de 2025 Marcos Lisboa, que trabalhou com Lula no primeiro mandato do petista.

Mais recentemente, em entrevista, o ministro da Fazenda também tirou do governo a culpa pela inflação e pelos juros altos: “não é o governo que gasta, é a guerra feita pelo governo dos Estados Unidos no Irã, apoiada pelo bolsonarismo, que está trazendo aumento de preço no país”, disse, sem resistir à tentação eleitoreira de mencionar os adversários políticos de Lula. Esta é uma tecla em que Durigan vem batendo ao menos desde julho, quando disse algo parecido em outro evento do mercado financeiro. A este respeito, no entanto, muito mais certeiro tem sido o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central; seus integrantes (todos indicados por Lula) de fato concordam que a guerra afeta os preços, e seria insensato negar essa realidade, mas recentemente eles têm sido mais explícitos quanto aos efeitos nefastos da gastança do governo. Desde junho, os comunicados e atas passaram a mencionar, como risco de alta para a inflação, os “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial” – uma referência direta às bondades eleitoreiras de Lula.

Não contente em vender ao mercado financeiro uma narrativa que não condiz em nada com o presente das contas públicas, Durigan também inventa um futuro em que um Lula reeleito conduzirá um ajuste fiscal. Aqui, o ministro terá de brigar com o próprio plano de governo do presidente-candidato, segundo o qual “o resultado fiscal virá, como fizemos até aqui, da retomada do crescimento econômico, do controle do aumento do gasto primário, investindo na melhoria da eficiência e da qualidade do gasto público, da promoção de justiça tributária e do combate aos privilégios e às distorções” – o “como fizemos até aqui” importa, pois, fazendo o que fez até aqui, o governo só colheu resultados negativos e aumento alarmante da dívida pública como proporção do PIB, apesar de bater recordes seguidos de arrecadação.

A resposta da “Faria Lima” ao discurso de Durigan tem sido pragmática: “precificar” a vitória do petista, elevando juros futuros e posicionando carteiras de modo a transformar limão em limonada, na medida do possível, diante da manutenção de uma política fiscal expansionista e que reduzirá o valor da moeda brasileira. Os poucos que falam em um ajuste durante um eventual “Lula 4” o fazem não por imaginar um petista subitamente convertido à responsabilidade, mas por julgar que a deterioração será tão severa que não haverá outra opção, como Dilma Rousseff teve de fazer em 2015 ao trocar Guido Mantega por Joaquim Levy. Como aquela história terminou, todos sabemos; acreditar que desta vez será diferente é ingenuidade pura.

DEU NO JORNAL

SÓ QUER APLAUSOS

A dificuldade de Lula (PT) em enfrentar o escândalo de corrupção e tráfico de influência no núcleo mais íntimo de seu governo ficou escancarada nesta terça (25), durante sua visita ao QG do Exército.

No evento, ele mesmo se ofereceu aos jornalistas, mas, indagado sobre revelações devastadoras envolvendo principalmente seu próprio filho Lulinha em negócios milionários no seu governo, simplesmente caiu fora.

Constrangedor. Pensava estar em “ambiente controlado”, só que não.

Lula condiciona presença em eventos e entrevistas, como definem seus assessores, a “ambientes controlados”, sem riscos de “surpresas”.

Nos bastidores, a falta de respostas convincentes sobre o escândalo é vista como a principal razão para Lula fugir do debate da Band, domingo.

Quando Lula foge de perguntas sobre o próprio filho e seus amigos de décadas, o discurso de “não haverá privilégio” soa mais uma lorota.

Lula já tentou a tática do “não sabia”, mandou Lulinha “provar inocência”, mas não consegue dizer, olho no olho, que nada tem com o esquema.

* * *

Essa nota aí de cima resume com perfeição o caráter o descondenado.

Tira o furico da reta diante de arrochos que escancaram sua patifaria familiar.

Nada de novo.

Tudo dentro dos conformes.

DEU NO JORNAL

ZORRA TOTAL

Flávio Bolsonaro (PL) já tem algumas promessas feitas para um eventual governo.

Diz que, logo no início da gestão, vai desinchar a Esplanada e cortar pelo menos 10 ministérios, além de cargos comissionados.

* * *

Extinguir uma dezena de minstérios???

Êita peste!!!

Se vão ser extintos, é porque não há razão para existirem.

O desmantêlo do desgoverno lulo-petralha é uma coisa surrealista.

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

PESQUISA

Apesar das perseguições, a pesquisa BTG /Nexus (BR-09028/26) de ontem (24) aponta que o número de bolsonaristas convictos bateu recorde este mês: 30%.

Grupo maior que lulistas convictos (25%).

* * *

Tá errado!

Segundo apuração do Data Besta, o número de lulistas convictos é de 13%.

Um percentual coerente.

DEU NO JORNAL

ANUNCIANTE

Após a proibição de anúncios do governo Lula (PT) nas redes sociais por conta da legislação eleitoral, o Partido dos Trabalhadores (PT) assumiu a posição de maior anunciante do grupo Meta (Facebook e Instagram) no Brasil.

O partido de Lula, que denunciava Jair Bolsonaro (PL) por turbinar posts e defende “regulação” das redes sociais, torrou mais de R$ 1,74 milhão, só nos últimos 30 dias, para promover Lula e Fernando Haddad.

Só os anúncios para fazer propaganda para Lula custaram R$ 779,3 mil.

Foram mais de 150 postagens pagas apenas desde 27 de julho.

* * *

Que absurdo!

Se o PT quiser anunciar aqui no JBF, a gente vai cobrar apenas 13% dessa fortuna citada na nota aí de cima.

E vai ter uma repercussão enorme, com muitas aplausos e gritos de “Viva o Honesto!!!”.

Façam contato: estamos às ordens!

DEU NO JORNAL

O DIPLOMA DE JORNALISMO

Paulo Briguet

No longínquo ano de 1989, poucos meses antes da eleição presidencial, tive a minha mais importante aula no curso de jornalismo, ministrada pela saudosa professora Maria Helena Viana. Na ocasião, graças a ela, este futuro cronista de sete leitores, que era um moleque bobo de 19 anos, com a estrelinha do PT no peito, aprendeu a definição de lead, ou seja, aquelas seis perguntinhas a que todo texto jornalístico deve responder: Quê? Quem? Como? Quando? Onde? Por quê?

O problema foi a aula do dia seguinte, quando um professor comunista veio e apresentou a famosa 11ª tese sobre Feuerbach, formulada pelo jovem Karl Marx em 1845:

“Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de diferentes maneiras; a questão, porém, é transformá-lo”.

Quase todas as aulas que tive durante os quatro anos de curso foram um prolongamento da frase de Marx, e não da aula de Maria Helena. Em outros termos: se quisesse ser jornalista, bastar-me-ia aquela primeira aula. Infelizmente, o maior objetivo dos cursos de jornalismo não é preparar bons jornalistas, amantes da verdade factual, mas sim adestrar militantes de redação. E foi isso que eu me tornei, até abandonar as ilusões esquerdistas pelas razões que já descrevi em meus livros e crônicas.

A frase de Marx, aparentemente inocente, teve gravíssimas consequências, não apenas para o jornalismo, mas para a própria civilização. Como explica Olavo de Carvalho em seu magistral “O Jardim das Aflições”, a 11ª tese sobre Feuerbach significa “a abolição do conceito de verdade objetiva e submissão de toda atividade cognitiva às metas e critérios da práxis revolucionária; a absorção da lógica na retórica, da ciência na propaganda ideológica”.

O decreto que impôs a obrigatoriedade de diploma para o exercício do jornalismo foi promulgado em 1969, durante a vigência do AI-5. Era uma forma que os militares da ditadura, com sua estupidez positivista, encontraram para controlar as redações de jornais. O efeito foi exatamente o contrário: duas décadas do tal decreto, a maioria das redações estava dominada pela militância petista (como denunciava, naquele ano de 1989, o grande jornalista sem diploma Paulo Francis).

A esquerda, com sua estratégia gramsciana de ocupação de espaços, transformou quase todas as redações em valhacoutos de militantes esquerdistas, com poucas e honrosas exceções, como a Gazeta do Povo. Uma pesquisa realizada em 2022 pela Universidade Federal de Santa Catarina mostrou que 81% dos jornalistas brasileiros se declaram de esquerda, e apenas 4% dizem ser de direita. Levando-se em conta que no Brasil até a direita é de esquerda, imagino que o quadro real seja ainda mais devastador.

É por isso que Alexandre de Moraes e Flávio Dino querem agora desenterrar a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Trata-se de uma medida preventiva para evitar que qualquer informação incômoda para o regime venha a ser divulgada por cidadãos livres que amam a verdade, e não a ideologia. No fim das contas, tudo se resume, como bem lembrou um amigo, o professor Eduardo Cabette, ao diálogo entre Alice e Humpty Dumpty no capítulo VI de “Alice Através do Espelho”:

— Quando eu uso uma palavra — disse Humpty Dumpty, num tom bastante desdenhoso —, ela significa exatamente o que eu quero que ela signifique… nem mais, nem menos.

— A questão é — disse Alice — se você pode fazer as palavras significarem tantas coisas diferentes.

— A questão — disse Humpty Dumpty — é saber quem é que manda… e ponto final.