ALEXANDRE GARCIA

A CESTA BÁSICA SOBE SEM PARAR: MÁS NOTÍCIAS PARA LULA

cesta básica

Cesta básica subiu em todas as capitais no primeiro semestre de 2026, segundo Dieese

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sempre faz o levantamento da cesta básica e, neste ano eleitoral, o meio sindical está mostrando a Lula – que é oriundo desse meio – um dado que não é bom para ele, candidato à reeleição: a cesta básica subiu em todas as capitais do país no primeiro semestre. Há diferença de números – em Fortaleza, subiu 21%; em São Luís, 4% –, mas o aumento aconteceu em todas as capitais. E sabem o que mais subiu? Feijão e arroz, o prato básico do brasileiro.

O Dieese também diz que o salário mínimo, que segundo a Constituição tem de ser a renda mensal que propicie o mínimo de sobrevivência para o trabalhador – suficiente para comida, transporte, aluguel, vestuário, material escolar e material de limpeza –, deveria ser de R$ 8.110, quando é de R$ 1.621. São dados que importam muito na campanha eleitoral. O governo Lula está desaprovado mesmo por aqueles que lhe dão liderança nas pesquisas: na pesquisa Meio/Ideia que saiu há pouco, ele tem 45% contra 40% de Flávio Bolsonaro, mas 48,5% desaprovam o governo e só 33% acham que Lula está fazendo uma boa gestão.

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Lula se intromete e coloca nas mãos do MEC um exame que deveria ser feito pelo CFM

Um assunto que diz respeito à saúde de você que me ouve ou lê, da sua família, de todos nós é o excesso de escolas de Medicina no Brasil e a formação de médicos. O Brasil é o campeão do mundo na quantidade de escolas de Medicina, em números relativos; em números absolutos, só perde para a Índia – mas a Índia está chegando a 1,5 bilhão de habitantes e tem 650 escolas, enquanto o Brasil tem quase 500 escolas para 215 milhões de pessoas. O Estados Unidos não chegam a ter 200 faculdades de Medicina para 350 milhões de habitantes.

E essas 500 faculdades formam médicos aos borbotões. Não há hospitais suficientes para recebê-los como residentes, para que terminem o aprendizado. Às vezes não há nem laboratórios, mas cobram R$ 10 mil de mensalidade; têm dinheiro, mas não têm laboratório. E terão professores qualificados? Sei de casos em que uma pessoa nem teve tempo de exercer a medicina, mas já é professora de escola de Medicina, estando recém-formada. É incrível – e perigoso.

Está na Câmara dos Deputados um projeto de lei que criará um exame de proficiência para saber se a pessoa tem conhecimento, técnica e domínio da medicina. O projeto já passou pelo Senado: foi proposto pelo senador Marcos Pontes e teve como relator um médico oftalmologista, Dr. Hiran. Ele prevê que o Conselho Federal de Medicina realize a prova: o CFM é uma autarquia, assim como a OAB, que organiza o Exame de Ordem para os aprovados nas faculdades de Direito se tornarem advogados. Que essa filtragem exista também na medicina, para não acontecer o que aconteceu em Manaus, por exemplo, onde morreu uma criança porque a médica não sabia o que fazer – por causa desse episódio, o senador Eduardo Braga, que era contra esse projeto, votou a favor.

O que faz o presidente Lula? Com uma medida provisória, metendo-se a legislar, ele manda que esse exame seja organizado pelo MEC – o mesmo ministério que autorizou a abertura indiscriminada de escolas de Medicina. Isso não faz o menor sentido. Ao menos se tivesse deixado a prova a cargo do Ministério da Saúde. Mas ainda assim estaria errado: se a OAB faz o exame, o CFM faz também. Isso serve para vermos em que mãos está um assunto tão importante quanto a vida e a saúde das pessoas.

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Metodologia da pesquisa citada na coluna

1,5 mil pessoas foram entrevistadas pelo instituto Ideia entre os dias 3 e 6 de julho de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Canal Meio S.A.. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,5 pontos percentuais. Registro no TSE n.º BR-05628/2026.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O MOSQUITO ESCREVE – Cecília Meireles

O mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois, treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.

O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U e faz um I.

Esse mosquito
esquisito
cruza as patas, faz um T.

E aí, se arredonda e faz outro O,
mais bonito.

Oh!
já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever o seu nome.

Mas depois vai procurar
alguém que possa picar,
pois escrever cansa,
não é, criança?

E ele está com muita fome.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (1901-1964)

DEU NO JORNAL

O ROMBO

O ministro Bruno Moretti (Planejamento) é outro integrante da equipe econômica do governo Lula que parece viver no mundo da fantasia e por essa razão virou piada entre economistas e especialistas.

Ao contrário de toda essa turma, que recomenda um brutal corte de gastos para evitar o colapso das contas públicas, ele acredita em duendes: acha que apesar de toda gastança irresponsável, que produziu rombo de R$ 140 bilhões em 12 meses, acha que haverá superávit primário em 2027.

O impressionante rombo fiscal produzido pelo governo Lula torna risível a pregação contra projetos no Senado que seriam “pautas-bomba”.

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A nota aí de cima diz que o ministro luloso “parece viver no mundo da fantasia”.

Todos eles, a começar pelo chefe do bando, vivem nesse mundo.

Com as cabeças cheias de fantasias fedorentas.

E nós outros, os contribuintes, aqui embaixo pagando as contas.

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

COMENTÁRIO DO LEITOR

MISSÃO PATÉTICA

Comentário sobre a postagem A PROPAGANDA MENTIROSA

Mauro Pereira da Silva:

De braços dados com a farsa e a empulhação, pt e seus puxadinhos cumprem a patética missão de serem emissários vulgares das novas – que invariavelmente não são boas e cuja celeridade dos malfeitos não permite que se tornem velhas -, advindas do feudo lulopetista.

Submissos, curvam-se ao poder emanado das profundas da voz roufenha que os encanta e vicia.

DEU NO X

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS

A REPÚBLICA DOS CARRASCOS DE SOFÁ OU COMO EXECUTAR UM HOMEM SEM JAMAIS TER CARREGADO SUA CRUZ

Há uma profissão em franca expansão no mundo moderno. Não exige diploma. Não exige inteligência. Não exige coragem. Não exige experiência. Basta uma língua afiada, uma memória seletiva e uma impressionante incapacidade de enxergar além do próprio umbigo. É a profissão de juiz da vida alheia. Jamais houve tantos. Estão por toda parte. Nas famílias. Nas igrejas. Nos grupos de WhatsApp. Nas mesas de jantar. Nas redes sociais. Nos corredores das empresas. São criaturas curiosas. Nunca aparecem quando a casa está pegando fogo. Mas surgem pontualmente para comentar as cinzas.

Desaparecem durante a batalha. Retornam para avaliar os estragos. Jamais carregam o piano. Mas possuem opiniões detalhadas sobre a qualidade da música. Observava-se um homem sentado diante desse espetáculo grotesco. Um homem que já havia conhecido o desemprego. A humilhação. A rejeição. A escassez. A solidão. As noites em que o amanhã parecia uma ameaça. As manhãs em que levantar da cama exigia mais coragem do que muitos imaginam. Mas nada disso interessava ao tribunal. Os tribunais populares não apreciam contextos. Contextos atrapalham condenações. Explicações humanizam. E a humanidade é uma inconveniência para quem deseja apontar o dedo.

Por isso a sociedade desenvolveu uma técnica extremamente eficiente. Apaga-se a história. Preserva-se apenas a acusação. Décadas inteiras são comprimidas até caberem numa frase miserável: “Ele sempre foi assim.” Que maravilha. Que prodígio intelectual. Que demonstração espetacular de preguiça mental. Uma existência inteira reduzida a um slogan. Os anos desaparecem. As lutas desaparecem. Os sacrifícios desaparecem. As renúncias desaparecem. As noites sem dormir desaparecem. As contas pagas com dinheiro inexistente desaparecem. Os empréstimos feitos para ajudar filhos desaparecem. Os sonhos adiados desaparecem. Tudo desaparece.

Exceto o erro. O erro permanece. Brilhante. Intacto. Polido diariamente pela memória seletiva dos acusadores. A sociedade possui um estranho fetiche por falhas. Uma pessoa pode passar vinte anos construindo pontes. Basta um único tropeço para que a multidão passe a descrevê-la como especialista em quedas. É fascinante. Os mesmos indivíduos incapazes de administrar a própria existência tornam-se especialistas em administrar retrospectivamente a vida dos outros. E o fazem com a arrogância característica dos ignorantes. Porque o ignorante possui uma vantagem invejável. Ele desconhece a própria ignorância. Por isso fala com tanta convicção.

O homem observava tudo aquilo e chegava a uma conclusão amarga. Poucas pessoas querem conhecer a verdade. A verdade é trabalhosa. A verdade possui camadas. A verdade exige escuta. A verdade exige humildade. A verdade frequentemente destrói preconceitos. E preconceitos são móveis confortáveis. Pouca gente deseja levantar-se deles. É muito mais fácil construir caricaturas. O irresponsável. O fracassado. O sonhador inútil. O pai ausente. O incompetente. Os rótulos são baratos. A investigação é cara. A multidão prefere promoções. E então acontece o fenômeno mais perverso de todos. Os beneficiários dos sacrifícios transformam-se em auditores dos resultados. Não sabem quanto custou. Não sabem o que foi perdido. Não sabem quantas vezes o homem precisou engolir o orgulho para continuar de pé. Não sabem quantas humilhações foram suportadas em silêncio. Não sabem quantas derrotas foram escondidas para não preocupar ninguém.

Mas apresentam-se diante dele com a segurança de quem acredita possuir o monopólio da verdade. A verdade. Essa palavra magnífica. Tão frequentemente usada por quem jamais se deu ao trabalho de procurá-la. O homem percebeu então uma das grandes tragédias da maturidade. Chega uma idade em que você descobre que algumas pessoas não querem compreender sua história. Elas querem apenas confirmar a versão que inventaram sobre você. São coisas completamente diferentes. A compreensão procura fatos. A condenação procura munição. E munição nunca falta para quem decidiu atirar.

O mais irônico de tudo é que muitos desses juízes ocasionais se consideram virtuosos. Falam de bondade. Falam de empatia. Falam de justiça. Falam de amor. Mas não conseguem oferecer cinco minutos de escuta honesta. Pregam compreensão enquanto distribuem sentenças. Defendem misericórdia enquanto afiam guilhotinas emocionais. São pacifistas armados até os dentes. E talvez seja por isso que o mundo esteja tão cansado. Não pela falta de opiniões. Mas pelo excesso delas. Não pela falta de julgamentos. Mas pela abundância deles. Não pela escassez de palavras. Mas pela miséria de compreensão. O homem olhou para os escombros das próprias memórias. Ali estavam os fracassos.

Sim. Ele os possuía. Como qualquer ser humano minimamente real. Mas ali também estavam as tentativas. Os recomeços. As renúncias. As batalhas invisíveis. As derrotas suportadas sem testemunhas. As responsabilidades assumidas quando seria mais fácil fugir. E percebeu algo libertador. Os seus acusadores conheciam seus erros. Mas ignoravam seu percurso. Conheciam os resultados. Mas desconheciam os custos. Conheciam os boatos. Mas jamais estudaram os fatos. E foi então que compreendeu a insignificância moral de muitos julgamentos. Afinal, uma sentença pronunciada por quem desconhece a história vale tanto quanto um diagnóstico feito por quem nunca examinou o paciente. Produz barulho. Não produz verdade. E enquanto os carrascos de sofá continuavam distribuindo veredictos, o homem fez algo que eles jamais compreenderiam: Continuou vivendo. Continuou escrevendo. Continuou criando. Continuou sonhando. Porque descobriu uma verdade terrível para os seus detratores.

O valor de uma vida não é determinado pelos que a julgam. É determinado pela coragem de continuar quando todos já decretaram o seu fim. E não existe vingança mais elegante do que essa: Prosseguir. Enquanto os juízes falam. Enquanto os acusadores apontam. Enquanto os ingratos esquecem. Enquanto os covardes comentam. Prosseguir. Porque a história tem um hábito curioso. Muitas vezes ela absolve aqueles que a multidão condenou. E condena aqueles que acreditavam possuir o direito de julgar.

PENINHA - DICA MUSICAL