Desde a posse de Donald Trump nos EUA, as cinco eleições realizadas na América Latina foram vencidas por candidatos conservadores ou da direita: Equador, Bolívia, Honduras, Chile e Costa Rica.
E faltam definir Colômbia e Peru, onde a eleição pode ser decidida por só 4 mil votos.
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E em Banânia?
Será que trilharemos o mesmo caminho nas próximas eleições?
Vamos torcer pra que esse sofrido recanto de mundo siga a mesma tendência do resto do continente.
O ministro Benedito Gonçalves em sessão do TSE, em janeiro de 2023
Embora tenha sido aprovado por 21 a 5 na Comissão de Constituição e Justiça, o ministro do STJ Benedito Gonçalves não terá vida fácil para se tornar corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que é o órgão que julga os juízes – menos os do Supremo; esses só o Senado pode julgar, mas não quer, ou pelo menos o presidente do Senado não quer. Gonçalves vai encontrar oposição no plenário do Senado, tal como aconteceu com o “Bessias”, que foi aprovado na CCJ e recusado pelo plenário, algo inédito nos últimos 135 anos. Benedito Gonçalves é aquele que soprou “missão dada, missão cumprida” no ouvido de Alexandre de Moraes no dia da diplomação de Lula, e a frase foi captada pelos microfones. Ele foi integrante do Tribunal Superior Eleitoral, e a oposição se queixa de posições politizadas dele contra Jair Bolsonaro e Deltan Dallagnol.
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Americanos não estão interferindo na soberania de ninguém ao classificar facções como terroristas
Falam tanto em soberania nesse caso da classificação de terroristas para os grupos armados brasileiros que aterrorizam populações inteiras. Cinquenta milhões de brasileiros vivem sob o medo imposto por essas facções, e dizem que são os EUA que invadem a soberania brasileira. O diretor-geral da Polícia Federal chegou a afirmar que a decisão era um equívoco do governo americano; depois, disse que está disposto a trabalhar junto com os Estados Unidos para combater o crime. Como assim, “equívoco”? O governo americano tomou uma decisão com base na lei americana; não há relação alguma com a lei brasileira, que não considera terrorismo o que fazem as facções. A lei americana vale para o território americano; a lei brasileira continuará dizendo que as facções não são terroristas, porque para caracterizar terrorismo é preciso ter motivação religiosa, étnica, política etc.
As facções já estão presentes em 12 a 19 estados nos EUA, lavando dinheiro em empresas e bancos que operam lá. Agora, o governo americano poderá coibir isso, fazendo uma asfixia financeira, mas não vai agir no Brasil. Só quem pensa que pode agir em outro país é Alexandre de Moraes, que está sendo processado e tem até o dia 12 para se defender em um tribunal da Flórida. Ele invadiu a jurisdição americana, dando ordens a empresas americanas (inclusive uma de Donald Trump, vejam só) para bloquear contas de pessoas que vivem nos EUA, são cidadãos americanos e estão, portanto, sob a lei americana.
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Uns combatem o crime, outros têm “diálogo cabuloso” com ele
No Brasil o governo fala em soberania sobre a Amazônia, em combater o crime, mas não combate. Estão tomando conta da Amazônia. A última notícia que se tem é de 2019, quando o ministro Sergio Moro, da Justiça, e a Polícia Federal estavam combatendo o crime, e o bandido lamentava que com o governo do PT tinha um “diálogo cabuloso”.
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A imprudência nas estradas no Brasil mata mais que grandes terremotos no exterior
Alguma coisa deve estar errada no Brasil. Nas Filipinas, houve um terremoto de 7,8 graus na escala Richter. É um senhor terremoto, e morreram 30 pessoas. Aqui no Brasil, no feriadão de Corpus Christi, morreram 98 pessoas – mais que o triplo do terremoto filipino – só nas estradas federais.
A Janja tem abrido caminhos para que os cidadões brasileiros tomem a pírula do conhecimento. Como uma faraôna, Janja não é coadjuvante, é atora principal. Segura, dá para ouvir ela dizer: no português eu se garanto. Vamos ouvir o compilado Janja’s fail. pic.twitter.com/77FGyz777X
Xico Bizerra apresenta nesta letra uma bela demonstração de humildade artística e reverência aos grandes nomes da literatura mundial.
Utilizando o texto para se colocar como um mero aprendiz, o autor cita nominalmente gigantes da poesia para marcar a distância que enxerga entre seus versos e a genialidade consagrada do timaço de poetas que ele reverencia.
Ao fechar o poema com as expressões “nunca PESSOA” e “fingidor poeta de versos à toa”, ele faz uma clara alusão ao famoso conceito de Fernando Pessoa de que “o poeta é um fingidor”.
O autor brinca com essa ideia para reforçar sua própria autoimagem de “pretenso esteta”.
A letra faz parte do álbum MEU SAMBA É ASSIM, que conta com a direção musical do renomado mestre Jorge Simas – que tem histórico de trabalho semelhante com diversos craques da MPB – o que indica que, além da forte carga literária, a estrutura foi pensada para ganhar ritmo e melodia nas rodas de samba.
Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor.
O álbum MEU SAMBA – com as composições de Xico Bizerra – vem em boa hora, chegando para levantar o astral e servindo como uma importante contribuição para não deixar o samba morrer.
Policiais levam presos da Operação Contenção, no Rio, em outubro de 2025: candidato que prometer linha-dura contra o crime terá mais chances
O que será que as pessoas desejam no continente mais violento do mundo?!
No Peru, acabamos de ter o segundo turno das eleições presidenciais, disputado entre a direitista Keiko Fujimori (filha do homônimo ex-ditador) e o esquerdista Roberto Sánchez. Fujimori é a favorita, a apuração ainda está em curso, mas de qualquer forma o fator que mais a impulsiona é exatamente a promessa de combater com punho duro o crime. Na Colômbia, a mesma coisa está prestes a acontecer.
No ano passado, no Chile, José Antonio Kast ganhou as eleições, entre outras coisas, por sua plataforma para a segurança pública – que apesar de ser relativamente boa no Chile em comparação com os vizinhos, estava piorando. Na Bolívia e no Paraguai, Rodrigo Paz e Santiago Peña, respectivamente, também foram eleitos em parte por isso.
Destaque para o Equador, um país que piorou muito nos últimos anos, virou centro do narcotráfico mundial – graças à máfia albanesa, que escoa cocaína para os portos europeus – e com criminalidade e violência crescentes. Houve tentativa de golpe de Estado, e a população vive como refém, assustada. Não por acaso Daniel Noboa ganhou recentemente as eleições com a promessa de acabar com tudo isso, com o apoio de Donald Trump.
O emblema de toda essa situação é, claro, a linha-dura de Nayib Bukele em El Salvador, com 96% de aprovação popular.
Até na Argentina, onde Javier Milei foi eleito principalmente para reverter o caos econômico, a segurança também preocupa. Milei usa a “mão dura”, e já reduziu os homicídios em 11,5%, chegando à menor taxa dos últimos 25 anos.
A contraprova disso é o Uruguai, a “Suíça da América do Sul”: um país tão seguro que essa agenda não cola muito por lá.
É o movimento pendular latino de séculos. Há autoritarismo, vêm os marxistas prometendo direitos sociais, direitos humanos e igualdade, e em vez disso entregam mais pobreza, mais autoritarismo e mais criminalidade; então, volta a direita militarista com a linha dura. Um vaivém. A segurança é o calcanhar de Aquiles do marxismo, e no Brasil não é diferente.
Até 2018 pouco se falava de segurança no debate público brasileiro; os debates presidenciáveis nem mencionavam o assunto. O problema parecia não existir, como se estivéssemos na Suíça. Foi Jair Bolsonaro quem deu visibilidade ao tema, e isso o ajudou a vencer.
A criminalidade chegou ao topo da discussão a partir de 2025, com o governo Lula. Hoje, as pesquisas de opinião mostram que a segurança é uma das maiores preocupações da população: 41% dos entrevistados pelo Ipsos a mencionaram como prioridade, mas 90% disseram estar preocupados com a violência. Não por acaso 53% concordam em classificar PCC e Comando Vermelho como terroristas. Além disso, 70% das pessoas culpam o governo federal pelos números da criminalidade e veem a questão como responsabilidade da União.
Ou seja, se e quando um candidato se decidir a colocar esse tópico no topo da lista, e prometer (e depois concretizar) linha-dura, como no resto do mundo, ganhará com facilidade. Se alguém propuser prisão perpétua (sem revisão e sem condicional) para homicídio doloso, e maioridade penal de 14 anos, ganhará de lavada. Não é “rocket science”, é obviedade. Repito isso há anos. A famosa Pirâmide de Maslow coloca em ordem as prioridades das pessoas, e a segurança vem em segundo lugar, logo depois das necessidades fisiológicas (comer, dormir etc.).
Em 1992, um dos slogans da campanha de Bill Clinton era “it’s the economy, stupid!”. O lema surgiu porque, enquanto o governo George W. Bush tentava focar nos sucessos da política externa, a campanha de Clinton redirecionou o debate para a realidade prática dos eleitores: a perda de empregos e o custo de vida. A frase tornou-se um marco na análise política global, reforçando que, independentemente de questões ideológicas, a percepção do bem-estar econômico é quase sempre o fator que mais pesa na decisão do eleitorado. Parafraseando o mote de Clinton, “é a segurança, estúpido!” A economia vem depois. As pessoas querem isso, ainda mais na América Latina.