DEU NO JORNAL

MULTIDÃO EM MOTOCIATA

Alexandre Garcia

O grande acontecimento desse final de semana foi a motociata a favor do governo federal em São Paulo. Aliás, foi o maior acontecimento do mundo. Nunca se viu no planeta terra uma tal concentração de motos.

O discurso que o presidente fez ao final do passeio foi uma prestação de contas. Finalmente eu entendi porque o general Rego Barros não durou como porta-voz do governo, porque Bolsonaro não precisa de um.

Não é do feitio e nem do temperamento de Bolsonaro ter alguém falando por ele. O presidente quer um contato direto com a população. Ele faz isso todos os dias ao conversar com quem está na frente do Palácio do Alvorada.

Portanto, ele não precisa de um intermediário e um secretário de imprensa. Não adianta. Ele precisa conversar diretamente com o público dele, como foi na campanha eleitoral. Durante o discurso ele não citou a eleição, ele só prestou contas para quem o apoia.

A gente nunca viu um presidente fazendo esse tipo de prestação de contas, porque todos faziam à distância. Nós já tivemos presidentes distantes e de biblioteca e que só fazia contato por televisão. Mas Bolsonaro faz contato todos os dias, inclusive, via rede social. Bolsonaro é atualizado e contemporâneo.

Eu vi pessoas que ficaram furiosas por conta da quantidade de motos durante a manifestação. Teve gente que reclamou porque a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo gastou R$ 1,2 milhão para fazer o policiamento. Mas também arrecadou bastante em imposto já que o combustível tem ICMS, os hotéis, as pousadas, os restaurantes e as padarias têm taxa de ISS.

* * *

Ministro do Turismo quer “vender” o Brasil

O turismo está ajudando e participando desse momento de tentar reerguer o país. O Brasil tem vocação turística – assim como para agropecuária – pelas belezas naturais.

O turismo sustenta a Espanha, a França e o Egito. Nós temos um número pequeno de movimento turístico, mas o atual ministro está tentando mudar essa situação.

No final de semana, o ministro Gilson Machado mostrou que tem o dom da ubiquidade. Ele foi ao Rio de Janeiro visitar três grandes parques. Um deles foi no Porto Maravilha que tem uma roda gigante maravilhosa, o outro foi o AquaRio que tem um aquário incrível, e terminou a visita no Zoológico Bioparque.

No dia seguinte já estava no Mirante das Galhetas no Guarujá (SP), crente de que o turismo vai ser talvez o número dois nesse movimento de reerguer a economia brasileira.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

A INUTILIDADE DA DETENÇÃO CASEIRA

O Instituto Americano para Pesquisa Econômica (AIER) publicou análise de uma série de 35 estudos de 2020 questionando a eficácia de lockdowns adotados em todo o mundo.

A conclusão foi que esse tipo de fechamento não deu certo como previsto “por uma variedade de razões”, entre elas substituir “100 anos de conhecimento sobre saúde pública por imposições não testadas”, que impactam a liberdade e direitos humanos.

Estudo alemão mostrou que “lockdown completo e testagem em massa não foram associados à redução de casos críticos ou mortalidade geral”.

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Esta notícia aí de cima pode ser surpresa pra muita gente que se deixou levar pela onda de apavoramento que invadiu o planeta.

Uma onda diariamente agitada pela grande mídia funerária.

Pra mim não foi surpresa alguma a conclusão do estudo dos zamericanos e alemães.

Sempre considerei essa história de lockdown, a ridícula prisão domiciliar, uma tremenda duma inutilidade.

E nunca me submeti a essa baboseira que afetava o meu direito de ir e vir.

Aprecio muito vagabundar pelos cantos e ficar olhando os pés de rabos passando pra lá e pra cá!!!

XICO COM X, BIZERRA COM I

CORAÇÃO VERMELHO E DOIDO

Se for manhã, deixe-me ficar lençol, abraçado a fronhas e travesseiros cor do mar. Ao meio-dia, serei apenas o cheiro de um baião-de-dois distante colorido por um pequi bem amarelinho. De tardezinha, me tornarei opaco e nem sequer verei o pôr do sol. Na boca da noite, viro céu azulado e enluarado cortejando estrelas e me escondendo nas nuvens brancas. Em noite alta, aí sim, serei eu a te espreitar, tez ardente, coração vermelho e doido. E assim, madrugada adentro, ficarei absorto até que a janela fechada deixe passar pela mais tênue fresta a larga luz do teu sorriso da cor do amor, não permitindo que eu me faça incolor.

Toda a obra do colunista Xico Bizerra, Livros e Discos, pode ser adquirida por e-mail xicobizerra@forroboxote.com.br ou através de seu site Forroboxote, link BODEGA. Entrega para todo o Brasil.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ADONIS OLIVEIRA – RECIFE-PE

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Prezado Senhor Jair Messias Bolsonaro, Presidente da República Federativa do Brasil

Caro Presidente,

Sirvo-me desta modesta mensagem a fim de implorar ao senhor, homem amplamente reconhecido como tendo altíssimo princípio de justiça e que personifica os mais elevados princípios da caridade pregada pelo Nosso Senhor, Jesus Cristo, que se digne emitir um firme posicionamento, em nome da Presidência da República, contra a imensa injustiça que está prestes a se consolidar no processo em andamento no Supremo Tribunal Federal, relativo à revisão da vida toda, como é conhecida a ação que pode aumentar o valor do benefício de um grupo de aposentados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Com o placar empatado, o STF suspendeu a votação, nesta sexta-feira (11), por causa de um pedido de vistas do ministro Alexandre de Moraes, o último a votar. Votaram a favor dos aposentados o relator, Marco Aurélio Mello, e os ministros Cármen Lúcia, Rosa Weber, Edson Fachin e Ricardo Lewandowski. Os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Nunes Marques votaram contra. Ficaram de dar a decisão final no próximo dia 17 de junho, quinta-feira próxima.

A revisão da vida toda beneficiaria os aposentados que atendem as seguintes condições: começaram a contribuir com o INSS até 26 de novembro de 1999; aposentaram-se entre 27 de novembro de 1999 e 13 de novembro de 2019; e receberam o primeiro benefício da aposentadoria há menos de dez anos.

Esta questão surgiu por causa da reforma da Previdência de 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Na época, o governo criou duas novas regras para o cálculo da aposentadoria. Para quem já era segurado do INSS até 26 de novembro de 1999: o cálculo do valor do benefício consideraria 80% das maiores contribuições feitas A PARTIR DE julho de 1994. Para quem começou a contribuir a partir de 27 de novembro de 1999: o cálculo do valor do benefício consideraria 80% das contribuições mais altas desde o início dos recolhimentos.

A consequência desta norma injusta é que, para todos aqueles que, como eu, tinham pago as maiores contribuições ao INSS antes de julho de 1994, esses valores mais altos não entraram no cálculo do benefício. Foi desta forma que, apesar de ter contribuído sobre VINTE SALÁRIOS MÍNIMOS durante quase toda a minha vida, fui reduzido, após uma batalha judicial de alguns anos contra o INSS, a uma aposentadoria que não chega aos R$ 3.500,00 (Três Mil e Quinhentos Reais) mensais, valor que mal cobre as minhas necessidades mais básicas.

Este julgamento do STF analisa um recurso do INSS contra decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que FOI FAVORÁVEL AOS APOSENTADOS, e que tem também parecer favorável da P.G.R.

O ministro Nunes Marques, foi o primeiro a votar contra os aposentados. Ele justificou o voto citando um dado da Secretaria de Previdência do Ministério da Economia, que estima em R$ 46,4 bilhões o impacto da revisão para os cofres públicos em um período de dez anos. Que fosse de UM BILHÃO! NÃO INTERESSA! O que há é um direito líquido e certo, pelo mais simples princípio de JUSTIÇA. Paguei durante décadas e meu patrimônio (O fundo de aposentadoria) está sendo expropriado indebitamente. Ele decidiu pelo aspecto econômico, e baseado em estimativas amplamente exageradas, e não pelos princípios do direito.

Fico me perguntando porque será que esta preocupação com os cofres públicos só acomete aos ministros do Supremo quando se trata de se apropriar indebitamente de direitos líquidos e certos de pobres aposentados, e nunca quando aumentam os próprios altíssimos rendimentos e vantagens, com impactos em cascata em toda a caríssima estrutura de um judiciário que nos custa algo em torno de 1,2 % do PIB, quando dezenas de países similares limitam seus gastos a 0,1 ou 0,2 % do seu Produto Interno.

Outrossim, a estimativa apresentada é questionada pelo Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário. O método de cálculo adotado não foi apresentado no processo. Seria necessário que todos os aposentados tivessem direito para que se chegasse a esse valor. O voto do ministro, e dos que o seguiram, está totalmente alinhado com a defesa do INSS, que prima sempre em negar todas as demandas dos solicitantes, encaminhando-os todos para longas e desgastantes batalhas judiciais, como foi o meu caso, mesmo sabendo-se perdidos.

O receio de um possível gasto também não se sustenta, pois, segundo advogados especialistas em Direito Tributário, a quantidade de beneficiados deverá ser muito restrita. “Via de regra, um trabalhador começa recebendo salários menores e, no final da sua vida de trabalho, é que está com salários mais altos. Então a parcela da população [beneficiada] é bem menor, uma exceção”, afirma Renata Severo, advogada especialista em direito previdenciário do Vilhena Silva Advogados. Outro ponto que diminui a quantidade de segurados que teriam direito à revisão da vida toda é o período de decadência, que é de dez anos contados a partir do saque da primeira aposentadoria. Muita gente, que talvez tivesse esse direito, nem pode mais pedir a revisão porque já se passaram esses dez anos.

O parecer do Ministério da Economia diz que, se o INSS for derrotado no STF, haverá considerável aumento dos atendimentos nas agências, já que caberá ao segurado comprovar as contribuições pagas antes do Plano Real. Esta alegação também é falsa pois, como já estarão aposentados, todas aquelas contribuições devem já ter sido computadas.

Por todas estas razões acima expostas, venho muito humildemente solicitar ao nosso bravo presidente que se posicione frontalmente contra mais esta imensa injustiça que está prestes a ser pratica pelo nosso STF. Caso estas previsões sombrias venham a se concretizar, através de um voto contrário do Ministro Alexandre de Morais, rogaria ao Senhor Presidente que emitisse uma Medida Provisória assegurando este direito que, por uma questão da mais absoluta e primária justiça, É NOSSO!

Que Deus o proteja e lhe dê forças para continuar na sua luta, que também é nossa, pois bem sei quanto esta deve ser extenuante.

Atenciosamente,

Recife, 14 de junho de 2021

ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

FRASES SÁBIAS DE RUBENS ALVES

“Não havíamos marcados hora, não havíamos marcados lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempo, nossos tempos e nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro.”

“Pessoas que sabem as soluções já dadas são mendigos permanentes. Pessoas que aprendem a inventar soluções novas são aquelas que abrem portas até então fechadas e descobrem novas trilhas. A questão não é saber uma solução já dada, mas ser capaz de aprender maneiras novas de sobreviver.”

“Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.”

“Aprenda a gostar, mas gostar mesmo, das coisas que deve fazer e das pessoas que o cercam. Em pouco tempo descobrirá que a vida é muito boa e que você é uma pessoa querida por todos.”

“O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: Se eu fosse você…”

“Antes que qualquer árvore seja plantada ou qualquer lago seja construído, é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma. Quem não tem jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles.”

“Minha alma é um quarto onde os objetos mais estranhos estão colocados, um ao lado do outro, sem ordem, sem nenhuma intenção de fazer sentido.”

“Quantas vezes não re-encontramos alguém por acaso, em uma tarde qualquer, e aquela pessoa nos traz tantas lembranças boas ou uma palavra que nos faz ver tudo de outra maneira.”

“Tem razão o poeta: ‘O amor é a coisa mais triste quando se desfaz’. É triste por causa do retrato: porque ele faz lembrar uma felicidade que se teve e que não se tem mais. O retrato é uma sepultura.”

“E bem pode ser que as pessoas descubram no fascínio do conhecimento uma boa razão para viver, se elas forem sábias o bastante para isto, e puderem suportar a convivência com o erro, o não saber e, sobretudo, se não morrer nelas o permanente encanto com o mistério do universo.”

“Na verdade, o intelecto puro odeia a repetição. Está sempre atrás de novidades. Uma vez de posse de um determinado conhecimento ele não o fica repassando e repassando. ‘Já sei’, ele diz, e prossegue para coisas diferentes.”

“Ao final de nossas longas andanças, chegamos finalmente ao lugar. E o vemos então pela primeira vez. Para isso caminhamos a vida inteira: para chegar ao lugar de onde partimos. E, quando chegamos, é surpresa. É como se nunca tivéssemos visto. Agora, ao final de nossas andanças, nossos olhos são outros, olhos de velhice, olhos de saudade.”

“Não sabia que era precisamente esse fracasso que me levaria ao lugar que desejava. As correntes do rio profundo foram mais generosas que o meu remar contra elas. Não cheguei aonde planejei ir. Cheguei, sem querer, aonde meu coração queria chegar, sem que eu o soubesse.”

“Escrever e ler são formas de fazer amor. O escritor não escreve com intenções didático-pedagógicas. Ele escreve para produzir prazer. Para fazer amor. Escrever e ler são formas de fazer amor. É por isso que os amores pobres em literatura ou são de vida curta ou são de vida longa e tediosa.”

“Para isso existem escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.”

“Quem é movido pela avareza não tem olhos nem coração para sentir o sofrimento dos outros, porque estes lhe são apenas um valor econômico. A avareza tira a capacidade de compaixão. E, com isso, nossa capacidade de seres humanos.”

“O essencial é aquilo que, se nos fosse roubado, morreríamos. O que não pode ser esquecido. Substância do nosso corpo e da nossa alma… Os poetas são aqueles que, em meio a dez mil coisas que nos distraem, são capazes de ver o essencial e chamá-lo pelo nome. Quando isto acontece, o coração sorri e se sente em paz…”

“Cada momento de alegria, cada instante efêmero de beleza, cada minuto de amor, são razões suficientes para uma vida inteira. A beleza de um único momento vale a pena de todos os sofrimentos.”

“Aprendi que hoje as pessoas procuram os terapeutas por causa da dor de não haver quem as escute.Não pedem para ser curadas de alguma doença. Pedem para ser escutadas. Querem a cura para a dor da solidão.”

“Somos donos dos nossos atos
mas não donos dos nossos sentimentos.
Somos culpados pelo que fazemos
mas não pelo que sentimos.
Podemos prometer atos,
mas não podemos prometer sentimentos.
Atos são pássaros engaiolados.
Sentimentos são pássaros em voos.”

Rubens Azevedo Alves (1933-2014) foi psicanalista, educador, teólogo, escritor e ex-pastor presbiteriano brasileiro. Foi autor de livros religiosos, educacionais, existenciais e infantis. É considerado um dos maiores pedagogos brasileiros de todos os tempos, um dos fundadores da Teologia da Libertação e intelectual polivalente nos debates sociais no Brasil. Foi professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

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J.R. GUZZO

DELIVERY

Talvez haja alguma explicação que esteja sendo mantida em sigilo. Talvez exista alguma verdade de ordem superior que ainda não esteja disponível para o cidadão comum. Mas, quando se faz uma lista das decisões que o Supremo Tribunal Federal toma em todos os casos nos quais a vítima é o erário – todos -, o único entendimento possível, pela lógica elementar, é o seguinte: a corrupção está oficialmente autorizada, no Brasil de hoje, para todos os efeitos práticos. Na lei continua sendo proibido roubar o Estado; não se pode levar para casa nem um apontador de lápis. Mas, quando se vê o que realmente acontece, na vida real, para os que são acusados de corrupção, fica claro que está valendo um “liberou geral”: não acontece nada, nunca, para ninguém. Não é uma opinião. É o que mostra a contabilidade fria das sentenças assinadas pelos 11 membros do tribunal.

Como chegar a alguma conclusão diferente quando se olha, com toda a boa vontade do mundo, para o que acaba de acontecer com o governador do Amazonas? O homem foi objeto, dias atrás, de uma operação de busca e apreensão, tanto em sua casa como no escritório, por suspeitas de ladroagem na gestão da covid. Eis aí uma pessoa-chave para ser ouvida na tal CPI que se diz encarregada de “investigar” tudo o que aconteceu a respeito do assunto, não é mesmo? Não, não é. A ministra Rosa Weber decidiu que o governador não precisa ir à CPI, para não passar por “constrangimentos”; ele pediu seu habeas corpus com a tranquilidade de quem pede uma pizza no delivery, e foi atendido com a mesma rapidez.

Como assim? Todo mundo que vai lá, e que está na lista negra do presidente, do relator e da esquerda nacional, tem sofrido os constrangimentos mais agressivos, desonestos e grosseiros já registrados na história das CPIs no Brasil. Por que estes podem ser massacrados em público e o governador do Amazonas não pode responder nem a uma perguntinha?

É incompreensível, pura e simplesmente – embora não haja nada de simples, e muito menos de puro, nessa história toda. Foi murmurado, aqui e ali, que havia problemas com a “independência de Poderes” – um governador, homem do Executivo, não podia ser interrogado pelos senadores, gente do Legislativo. É uma piada. O STF meteu na cadeia um deputado federal em pleno exercício do seu mandato, e ninguém falou em interferência nenhuma. Dia sim, dia não, o tribunal manda o presidente ou algum dos seus ministros fazerem alguma coisa em “cinco dias”, ou, às vezes, menos: explicar por que não usa máscara, resolver em três anos o problema das penitenciárias, informar o que o Exército está fazendo na Amazônia, e por aí afora. (Num dos seus melhores momentos, acaba de autorizar a disputa de um torneio de futebol.)

Falou-se, também, que o governador está sendo investigado pela polícia e, se fosse ouvido na CPI, corria o risco de incriminar a si próprio. Heimmm? Mas de que lado o sujeito está? Se ele não fez nada, e não tem nada a esconder, por que raios iria se incriminar? Bastaria dizer a verdade. A CPI é presidida por um senador do Amazonas – o lugar onde mais se roubou dinheiro da covid no Brasil, e possivelmente no mundo. Foi acusado de meter a mão na área da saúde, sua mulher foi presa pelo mesmo motivo e seus três irmãos também foram parar no xadrez. Se um cidadão assim pode ser o presidente da CPI, e ninguém está preocupado se ele vai se “incriminar”, qual é o problema com o governador?

Fala-se muito do ministro Gilmar Mendes, mas Rosa Weber é a mesma coisa; todos, no fundo, são a mesma coisa. Daqui a pouco a turma que precisa de habeas corpus nem vai mais mandar advogado ao STF. Vão resolver por telefone.