DEU NO JORNAL

TÁ NO DNA

A crise que assombra Lula (PT) se agrava com a devastadora revelação, desta sexta (21), de que seu filho Lulinha é “destinatário de pagamentos” originados de contrato milionário que uma empresa de tecnologia obteve no governo do seu pai graças à sua interferência direta.

Diálogos recuperados pela Polícia Federal da lobista Roberta Luchsinger apontam que os pagamentos eram de Cléber Ribas de Oliveira, da 3Structure, dona de contratos com Dataprev e Ministério do Desenvolvimento Social.

Mensagens mostram Roberta pedindo dinheiro para “despesas de Lulinha” e cobrando pagamentos citando o filho do presidente.

Tem mensagem de Lulinha também: “Emite a NF pro Cleber”, que pagou ao menos R$  2,5 milhões a lobista. Em troca ela abria portas no governo.

Lulinha reconhecia que a lobista “cuidava” de suas finanças e discutia viagens caras sem “dim dim nem origem”.

Indícios de sociedade oculta e tráfico de influência investigados pela PF fragilizam mortalmente o governo.

* * *

Gostei da expressão usada no final desta nota aí de cima “fragilizam mortalmente o governo”.

Tomara que ela se concretize.

Seria um grande prêmio para a banda decente deste país.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

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CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

ANTIGAMENTE

Mídia externa de bonde com reclame de Spalt,, Recife, 1940/1950.

Essa palavra tão conhecida – antigamente – exerce sobre nós, falantes e escreventes, momentos importantes, capazes até de compensar falhas de memória importantes, porque substituem, de certo modo, as datas. Excetuam-se, porém, quando se escreve em documentos, porque, as datas são os fundamentos do que se deseja comprovar. Os discursantes, usam-na para suprir alguma deficiência momentânea quando o juízo “dá o branco”, no instante em que é necessário salientar a data.

Antigamente, tornou-se uma espécie de artifício; virou “tábua de salvação”; uma escapatória decente para se completar uma narração.

É o meu momento de lançar mão da palavra antigamente, que conforme os especialistas nos lembram, é um advérbio de tempo; quando se precisa dizer, sem datar: “em tempos passados”, “outrora”, “em época anterior à atual”, “no passado”; ou mesmo para atender a um “escorrego de memória”.

Não significa necessariamente um passado muito distante. Entende-se ser um período anterior ao presente. Há ainda uma observação interessante para uma crônica: “Antigamente é uma palavra essencialmente relativa, porque, para uma pessoa jovem, algo ocorrido há 20 anos, pode ser antigamente”.

Para um historiador, o termo pode remeter a períodos muito mais recuados, assim como: há anos, jurássicos, que englobam 56 milhões de anos. É antigamente pra valer!

Podemos até considerar a palavra como sinônimo: outrora, dantes, em tempos passados, no passado ou outrora. Na linguagem para uma crônica, antigamente, costuma carregar também um sentido afetivo, saudoso; evocando costumes, pessoas, lugares e modos de viver que já nos esquecemos.

Esta “enrolada” toda foi para atualizar o leitor quanto ao tema complementar: os tempos dos reclames nos bondes, a propaganda no Rádio, a publicidade nos jornais e a promoção de vendas. Assim, vamos a algumas propagandas inesquecíveis das placas vistas na lataria dos bondes elétricos, nos jornais e emissoras de rádio.

De analgésico: Spalt era um famoso comprimido para dores, com o célebre slogan publicitário: “Com Spalt na boca, a dor é sopa“. De aguardente: “No frio ou no calor, Chica Boa é um amor”. De fogão: “Dako na cozinha, felicidade no lar”. De energia – “Seu Kilowatt, o criado elétrico”. De sapatos – “Clark. Quem experimenta, não troca!”. De geladeira – “Gelomatic a querosene, a chama que gela“.

Biscoitos – Essa, exclusivamente apresentada na modinha: “Todo gordo quer emagrecer, todo magro quer engordar, para o gordo, não tem que fazer, para o magro: Biscoitos Pilar.” Antigamente se fazia propaganda com os reclames. Hoje, dispomos de inimagináveis recursos, em mídias mais atraentes. Mas nunca me saíram da cabeça aquelas de antigamente.

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O JUIZ NATURAL

Editorial Gazeta do Povo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que remeta para a primeira instância um dos três inquéritos nos quais Fábio Luís Lula da Silva – o Lulinha, filho do presidente da República – é investigado por tráfico de influência. O inquérito citado no pedido da PGR é aquele que trata de supostas negociações para a aquisição de cannabis medicinal pelo Ministério da Saúde, e no qual também estariam envolvidos Antônio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”; a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha; e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”, ex-chefe de gabinete de Lula.

A alegação da PGR é a de que nenhum dos envolvidos tem prerrogativa de foro que justifique a manutenção do inquérito no STF. Em condições normais de temperatura e pressão, e se de fato não houver nenhuma autoridade com foro privilegiado envolvida, o destino natural seria a remessa à primeira instância, e ninguém haveria de ver nada de extraordinário nisso, pois é assim que funciona o princípio constitucional do juiz natural. Até por isso, podemos afirmar que, não havendo mesmo nenhum detentor de prerrogativa de foro sendo investigado, Mendonça deveria acatar o pedido.

Se o pedido da PGR causa tanto estranhamento, no entanto, é porque não estamos em condições normais de temperatura e pressão há muitíssimo tempo. São inúmeros os processos – o inquérito das fake news, a repressão aos atos de 8 de janeiro, os casos do whistleblower Eduardo Tagliaferro e do entrevero no aeroporto de Roma, e tantos outros – em que a PGR, seja sob Augusto Aras, seja sob o atual procurador-geral, Paulo Gonet, ignorou completamente o princípio do juiz natural.

Nem a cabeleireira Débora, nem nenhum outro manifestante do 8 de janeiro, tem prerrogativa de foro; tampouco o têm Tagliaferro, os Mantovani, os empresários que discutiam pelo WhatsApp, os jornalistas e influenciadores desmonetizados, censurados, que tiveram passaportes revogados e contas bancárias bloqueadas. Isso não impediu a PGR de investigar, denunciar e pedir punição a todos eles. Que Gonet (no cargo desde 2023) tenha se lembrado dos incisos XXXVII e LIII do artigo 5.º da Constituição justamente quando o STF está investigando o filho de Lula é algo notável, uma reversão de amnésia que mereceria a atenção de todo neurologista da capital federal.

Por isso, Gonet não pode culpar ninguém que veja no pedido mais uma tentativa de tirar as investigações das mãos de André Mendonça, tido como bastante rigoroso. A Polícia Federal já havia feito outras movimentações bastante atípicas, ao pedir a abertura de vários inquéritos separados, quando as circunstâncias justificavam um inquérito único; e, depois, ao alegar que não havia conexão entre as investigações para pedir que houvesse novos sorteios de relatores. Como o máximo que ocorreu foi o envio de um dos inquéritos ao ministro Flávio Dino, restando os outros dois com Mendonça, entra em cena a PGR para tentar o que a PF não conseguiu.

Não dizemos isso para desmerecer a primeira instância – basta comparar a forma como a Lava Jato foi conduzida na primeira e segunda instâncias, e depois no STF, para perceber que é perfeitamente possível que o inquérito de Lulinha caia nas mãos de um juiz criterioso e responsável. O que salta aos olhos, aqui, é o duplo padrão da PGR de Paulo Gonet, que passa anos ignorando o princípio do juiz natural para poder colocar todos os “inimigos da democracia” nas mãos de Alexandre de Moraes, e se lembra da garantia constitucional exatamente quando o investigado é o filho de Lula, em inquéritos conduzidos por um ministro tido como severo. Cumpra-se a Constituição para Lulinha, mas que se reconheça, também, o abuso cometido contra todos os demais que não foram julgados e condenados “pela autoridade competente”.

PENINHA - DICA MUSICAL