CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Mídia externa de bonde com reclame de Spalt,, Recife, 1940/1950.

Essa palavra tão conhecida – antigamente – exerce sobre nós, falantes e escreventes, momentos importantes, capazes até de compensar falhas de memória importantes, porque substituem, de certo modo, as datas. Excetuam-se, porém, quando se escreve em documentos, porque, as datas são os fundamentos do que se deseja comprovar. Os discursantes, usam-na para suprir alguma deficiência momentânea quando o juízo “dá o branco”, no instante em que é necessário salientar a data.

Antigamente, tornou-se uma espécie de artifício; virou “tábua de salvação”; uma escapatória decente para se completar uma narração.

É o meu momento de lançar mão da palavra antigamente, que conforme os especialistas nos lembram, é um advérbio de tempo; quando se precisa dizer, sem datar: “em tempos passados”, “outrora”, “em época anterior à atual”, “no passado”; ou mesmo para atender a um “escorrego de memória”.

Não significa necessariamente um passado muito distante. Entende-se ser um período anterior ao presente. Há ainda uma observação interessante para uma crônica: “Antigamente é uma palavra essencialmente relativa, porque, para uma pessoa jovem, algo ocorrido há 20 anos, pode ser antigamente”.

Para um historiador, o termo pode remeter a períodos muito mais recuados, assim como: há anos, jurássicos, que englobam 56 milhões de anos. É antigamente pra valer!

Podemos até considerar a palavra como sinônimo: outrora, dantes, em tempos passados, no passado ou outrora. Na linguagem para uma crônica, antigamente, costuma carregar também um sentido afetivo, saudoso; evocando costumes, pessoas, lugares e modos de viver que já nos esquecemos.

Esta “enrolada” toda foi para atualizar o leitor quanto ao tema complementar: os tempos dos reclames nos bondes, a propaganda no Rádio, a publicidade nos jornais e a promoção de vendas. Assim, vamos a algumas propagandas inesquecíveis das placas vistas na lataria dos bondes elétricos, nos jornais e emissoras de rádio.

De analgésico: Spalt era um famoso comprimido para dores, com o célebre slogan publicitário: “Com Spalt na boca, a dor é sopa“. De aguardente: “No frio ou no calor, Chica Boa é um amor”. De fogão: “Dako na cozinha, felicidade no lar”. De energia – “Seu Kilowatt, o criado elétrico”. De sapatos – “Clark. Quem experimenta, não troca!”. De geladeira – “Gelomatic a querosene, a chama que gela“.

Biscoitos – Essa, exclusivamente apresentada na modinha: “Todo gordo quer emagrecer, todo magro quer engordar, para o gordo, não tem que fazer, para o magro: Biscoitos Pilar.” Antigamente se fazia propaganda com os reclames. Hoje, dispomos de inimagináveis recursos, em mídias mais atraentes. Mas nunca me saíram da cabeça aquelas de antigamente.

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