Arquivo diários:28 de maio de 2026
JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE
PROMOÇÕES E EVENTOS
LIVRO DO COLUNISTA FUBÂNICO XICO BIZERRA
Dia desses andei relendo esse livrinho e me encantei, de novo. 30 conversas interessantes com gente do Nordeste, tipo Dom Hélder, Manoel Bandeira, Luiz Gonzaga, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Jackson do Pandeiro, Sivuca, dentre outros.
Como se não bastasse tem prefácio e apresentações de Dr. José Paulo Cavalcanti Filho, Maciel Melo, Luiz Berto e Paulo Rocha.
Gostei e recomendo.
É só pedir pelo imeio xicobizerra@gmail.com – que eu entrego em todo o Brasil.
E custa só R$ 46,00, frete incluso.

DEU NO JORNAL
BADALANDO NA WHITE HOUSE
Após o encontro com Donald Trump, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) retornou à Casa Branca para encontros com outras autoridades.
Incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice, Christopher Landau.
* * *
Ô sujeito amostrado!!
Tirando retrato ao lado de Trumpão e falando ingrês dentro da Casa Branca!
OK, good boi e tankiu.
BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS
ELE NÃO DISSO ISSO!
MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS
A SOFISTICAÇÃO DA BURRICE ORGANIZADA
A burrice, em sua forma primitiva, raramente assusta. Ela é barulhenta, previsível, quase folclórica. Costuma apresentar-se sem disfarces: no grito desproporcional, na opinião mal digerida, na certeza produzida sem reflexão e naquele orgulho quase atlético de quem desconhece tudo e, ainda assim, fala como se houvesse sido nomeado oráculo da civilização. Essa modalidade rudimentar da estupidez é facilmente reconhecível. O problema começa quando a burrice se educa: Quando aprende vocabulário; quando descobre protocolos; quando veste terno; quando cita autores que não compreende; quando adquire cargos; quando frequenta auditórios; quando domina jargões; quando fala pausadamente; quando aprende a transformar superficialidade em método e presunção em aparência de inteligência. Aí ela deixa de ser apenas burrice. Torna-se sofisticação da burrice organizada.
Há uma diferença monumental entre ignorância honesta e estupidez institucionalizada porque a ignorância pode aprender, a dúvida pode amadurecer e o desconhecimento pode ser corrigido. Mas a burrice organizada é mais ambiciosa. Ela não quer compreender. Quer administrar. Não deseja refletir. Deseja normatizar. Não busca a verdade. Busca autoridade. Seu habitat natural não é apenas a mente individual, mas o coro. Ela prospera em ambientes onde repetir vale mais que examinar, onde consenso vale mais que raciocínio e onde a estética da convicção substitui o trabalho árduo da inteligência. A burrice solitária tropeça. A burrice organizada marcha. E marcha com uma segurança admirável: Ela redige manifestos, produz cartilhas, cria comissões, forma tribunais morais, estabelece consensos apressados, distribui certificados simbólicos de lucidez, condena heresias intelectuais e confunde volume com razão e unanimidade com verdade. É uma maquinaria surpreendentemente eficiente.
Há indivíduos incapazes de formular pensamento próprio, mas extraordinariamente talentosos em repetir o pensamento dominante com solenidade quase sacerdotal. Tornam-se especialistas em eco. Não analisam; reverberam. Pensar é exaustivo. Imitar é administrativamente mais simples. E há uma beleza tragicômica nisso. O sujeito que jamais leu profundamente determinado tema fala com feroz autoridade sobre ele. O que conhece apenas resumos distribui pareceres. O que compreendeu meia frase de um autor transforma-se em missionário intelectual de terceira mão. O que decorou terminologias técnicas acredita haver domesticado a complexidade. É a ilusão erudita do papagaio. Uma criatura verbalmente equipada e conceitualmente faminta. A burrice organizada raramente se apresenta como grotesca. Seu maior triunfo está justamente na aparência de respeitabilidade pois ela pode surgir em discursos pomposos, em burocracias autossatisfeitas, em círculos de autoelogio intelectual, em instituições que confundem tradição com infalibilidade, em grupos que chamam repetição de consciência crítica, em coletivos que chamam alinhamento de maturidade e em ambientes onde discordar passa a ser tratado como infração estética.
Ali, o pensamento começa a adoecer. Não por ausência de informação — vivemos cercados dela —, mas por excesso de certezas mal metabolizadas. O homem contemporâneo, cercado por bibliotecas, ciência, arquivos, história, filosofia, arte e acesso quase ilimitado ao conhecimento, ainda assim conseguiu realizar um prodígio melancólico: organizar a superficialidade com eficiência admirável. Criou painéis para debater o óbvio. Seminários para repetir slogans. Comitês para legitimar trivialidades. Debates onde ninguém debate. Fóruns onde todos concordam com variações decorativas da mesma ideia. É a coreografia refinada da mediocridade. Nada mais perigoso do que a estupidez que aprendeu etiqueta.
Porque a brutalidade intelectual explícita ao menos se denuncia. Mas a burrice sofisticada argumenta mal com elegância, erra com segurança, simplifica com arrogância, dogmatiza com educação impecável e sorri enquanto reduz a complexidade humana a fórmulas mastigáveis. Ela adora frases definitivas. Detesta nuance. Desconfia da dúvida. Tem alergia a ambiguidades.
Prefere sistemas fechados porque a inteligência genuína, com sua natureza inquieta e indisciplinada, sempre ameaça a estabilidade confortável dos simplistas organizados.
O espírito verdadeiramente inteligente frequentemente hesita. Examina. Revê. Corrige. Suspende juízo. Tolera incertezas.
A burrice organizada considera isso fraqueza. Ela prefere certezas musculosas. Mesmo que sejam ocas. Talvez por isso tantos grupos pareçam mais apaixonados por parecerem lúcidos do que por tornar-se lúcidos. A aparência de profundidade virou uma indústria. Há jargão sem pensamento. Militância sem reflexão. Autoridade sem estudo. Fervor sem lucidez. Convicção sem lastro. Discurso sem alma. E, paradoxalmente, tudo isso pode soar extremamente sofisticado. Mas verniz nunca foi sinônimo de substância. Senão, vejamos: Uma biblioteca não salva um tolo de continuar tolo; um cargo não converte mediocridade em sabedoria; uma plateia não absolve a estupidez; uma instituição não santifica erro repetido; uma unanimidade não corrige raciocínio defeituoso e um coro jamais substituiu consciência.
A sofisticação da burrice organizada reside exatamente nisso: sua capacidade quase genial de parecer respeitável enquanto empobrece o pensamento. Por isso, talvez uma das formas mais raras de inteligência hoje seja algo escandalosamente simples: duvidar, pensar, examinar e não ajoelhar-se diante de toda estupidez. E lembrem-se que essa estupidez, tem nove dedos.
COMENTÁRIO DO LEITOR
LEMBRANÇAS DE IAIÁ
Comentário sobre a postagem NÃO SABEM LER, MAS SABEM VOTAR
Welinton Alencar:
Tenho 72 anos no costado, e já vi e vivi coisas, que como diria minha bisavó Iaiá Alexandrina Belarmina Alencar, só Deus com jeito, pra acreditar.
Vi secas terríveis, gente com um saco vazio nas mãos querendo invadir locais onde se sabia, o Governo guardava “dicomê”; vi homens mendigando, trocando filhos, doando filhos (meu avô paterno teve dez e criou mais seis, doados pelos compadres;); vi fazendeiros trabalhando em frentes de serviço, limpando estradas ou velhos açudes em troca de um quase nada; vi muita gente arribando para nunca mais voltar, (eu fiquei 47 anos mundo a fora), e também vi a aposentadoria rural (aposentado pelo funrural, como dizia o povo), uma das medidas mais eficazes do governo militar.
Deu dignidade ao idoso rural, que de pedinte passou a ser árrimo da família. (Meu avô paterno foi um deles, o vei Adonias Alencar).
Mas também vi, esse mesmo instrumento de redenção, virar moeda de troca, fábrica de um novo tipo de sertanejo: “Sou apusentado graças ao gunverno”, recebo minha bolsa família, o gunverno paga minha luz, e ainda me dá um botijão de gás! Promode que eu vou curtir sole nas cacundas? Não matou ninguém de vergonha, mas viciou o cidadão…
Na maioria dos Estados nordestinos, segundo a imprensa, já existem mais pessoas dependentes dessas “benesses” , que com um trabalho formal.
A conta não fecha, e vai cair, ou melhor, já está caindo, no colo de quem trabalha, ou gera trabalho, imposto e renda. E só aumenta.
O que fazer não sei. Só sei que é assim com bem dizia Chicó.
E mais, temo que nada ou muito pouco vai mudar, tomando por base o Status Quo vigente.
E essa multidão de “novos escravos” vai elegendo de dois em dois anos os de sempre, ou os filhos dos “de sempre”…
Cada dia mais, me lembro de Iaiá Alexandrina.
DEU NO JORNAL
A REDUÇÃO DE JORNADA, O FIM DA ESCALA 6X1 E AS PERGUNTAS CERTAS QUE NÃO SÃO FEITAS
Editorial Gazeta do Povo

É natural querer mais tempo para descanso e família, mas brasileiro também quer produzir, prosperar e ter melhores condições de vida
O governo Lula e o Congresso Nacional, não contentes em correr o máximo possível com a PEC que reduz a jornada semanal de trabalho e acaba com a escala 6×1, querem fazer o setor produtivo correr também. O plano é aprovar o projeto rapidamente – a comissão especial na Câmara dos Deputados aprovou o texto nesta quarta-feira, e na mesma noite o plenário aprovou a PEC em dois turnos, remetendo-a ao Senado – e impor às empresas um prazo exíguo, de apenas dois meses, para que a jornada semanal já seja reduzida em duas horas, de 44 para 42, com mais um ano para completar a redução para 40 horas. O formato foi acertado após acordo entre Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta.
Pouco importa que o prazo seja ainda menor que o originalmente previsto até mesmo nas propostas de parlamentares de esquerda, e que uma alteração tão drástica seja extremamente difícil de executar em tão pouco tempo sem causar uma disrupção severa nas cadeias de produção, distribuição e comercialização. O objetivo é apenas um: fazer com que o eleitor sinta na pele o benefício de trabalhar menos ganhando o mesmo salário, ainda antes que vá às urnas em outubro, para que assim possa recompensar os muitos pais da criança – a começar pelo principal deles, o presidente da República que busca a reeleição.
Mas a pressa também serve a outra finalidade: impedir que o brasileiro trabalhador, aquele que será diretamente afetado pelas mudanças, comece a se fazer as perguntas certas. O apoio popular à PEC que reduz a jornada e acaba com a escala 6×1 é enorme, e não poderia ser diferente: quando alguém é questionado se gostaria de trabalhar um pouco menos, sem deixar de receber menos por isso, quem haveria de dizer que não? É natural querer mais tempo para a família, o descanso, o lazer, os hobbies. Mas e se os institutos de pesquisa perguntassem se as pessoas querem mais oportunidades de crescer, de prosperar economicamente, de dar uma vida melhor para si mesmos e para suas famílias – inclusive para aproveitar melhor os momentos de folga –, a resposta não seria ainda mais positiva?
E, com essa resposta em mãos, viria em seguida outra pergunta: a imposição (eis o termo fundamental, pois não estamos falando do resultado de negociações livres entre patrões e empregados, intermediada por sindicatos) da escala 5×2 e a redução forçada do número semanal de horas trabalhadas levará à prosperidade que o brasileiro trabalhador deseja para si e para sua família? Os defensores da PEC estão vendendo uma ilusão: a de que o brasileiro será capaz de produzir mais riqueza trabalhando menos, nas mesmíssimas condições que ajudam a emperrar a produtividade do trabalhador – que no Brasil é muito inferior à de países que também reduziram suas jornadas de trabalho. E desejam que essa ilusão seja mantida ao menos pelo tempo necessário para que triunfem eleitoralmente usando a redução da jornada como trampolim.
Menos trabalho, multiplicado pela mesma produtividade, resulta em menos produção e renda. Por outro lado, o custo do trabalho será elevado, e só os adeptos da escola janjista de economia acreditam que essa elevação não será repassada, ao menos parcialmente, aos preços finais. Por fim, o risco de demissões de funcionários mais “caros”, substituídos por outros cujo custo por hora seja menor, não é nada desprezível. O setor produtivo tem se cansado de alertar os parlamentares e a sociedade, com estudos mostrando o efeito da PEC sobre a inflação e o emprego, mas tem sido ignorado.
Como ninguém pergunta o que o brasileiro realmente prefere (prosperar e ter uma vida melhor), e muito menos como concretizar esse desejo (criando condições para elevar a produtividade), a população acaba enganada por uma proposta simpática à primeira vista, mas que reduzirá oportunidades no médio e longo prazo – se não o fizer já no curto prazo. Trabalhar melhor para produzir mais e, então, pensar em trabalhar menos foi o caminho dos países ricos; o Brasil, em vez disso, escolhe um atalho que não nos levará a lugar nenhum.
PENINHA - DICA MUSICAL
NANCY SINATRA
BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS