DEU NO JORNAL

INSTITUIÇÃO DOENTE

Segundo Osmar Terra (PL-RS), quem precisar de consulta no Sistema Único de Saúde corre o risco de esperar até 800 dias para ser atendido, como num caso que conhece.

“O SUS está doente”, conclui o deputado.

* * *

Fazendo as contas, 800 dias correspondem a mais de 2 anos.

Besteira. Os doentes esperam poquinho.

Quase nada.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

CRESCIMENTO MÍNIMO

Em 2026, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

No ano que vem, a previsão é que a situação não vai melhorar muito: 2%.

* * *

A taxa de 1,9 deste ano deveria ser de 1,3.

O número 13 é perfeitamente coerente com a atual situação deste nosso sofrido país.

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

A MÃE DO MENINO QUE ESTUDAVA INGLÊS (*)

Essa é a história da mãe de um menino chamado Francisco. Mas é difícil falar da mãe de Francisco sem falar dele. É mais ou menos como no Evangelho de Mateus, quando se fala da mãe dos filhos de Zebedeu. A diferença é que da mãe de Francisco sabe-se o nome: Maria José. Embora ela mesma não gostasse desse nome, preferindo ser chamada apenas de Mazé.

Comecemos, então, falando de Francisco, um menino pobre, nascido em Crateús, no interior do Ceará. Franzino, com a pele queimada pelo sol que açoita o sertão nordestino, era parecido, nessas características, e em muitas outras, com os meninos com quem compartilhava a infância.

O que ele tinha de diferente dos seus amigos era um interesse pouco comum, naquele tempo e lugar, pelo idioma que tem seu berço no Reino Unido da Inglaterra.

Qualquer livro, qualquer revista, qualquer recorte de jornal que trouxesse algo escrito em inglês, chamava a atenção de Francisco. À noite, quando o rádio captava melhor as frequências que vinham de longe, era comum encontrar o menino colado àquele aparelho mágico, ouvindo programas da BBC de Londres.

Não entendia nada, mas gostava de ouvir. Aliás, não entendia nada no começo. Mas depois começou a entender.

Naquele tempo, havia um pequeno cinema em Crateús, onde Francisco assistia a alguns filmes americanos, prestando menos atenção ao enredo que às legendas e às falas dos atores. Assim, foi juntando os rudimentos adquiridos na escola com o que aprendia nesses filmes, e logo estava entendendo frases inteiras, inclusive algumas captadas através das ondas curtas da emissora londrina.

E, talvez por causa dos filmes que via no cinema, nasceu em Francisco um sonho: ser ator. Mas, não em novelas ou no cinema brasileiro. Queria ser ator no cinema americano.

É a partir deste ponto que se abre o espaço para falar da personagem central da história: Dona Mazé, mãe de Francisco.

Essa mulher, acostumada à dura lida da atividade agrícola, teve sensibilidade suficiente para perceber que Francisco não era como os seus outros nove filhos. Todos frequentaram a escola, mas vontade mesmo de estudar, somente Francisco, o caçula, a demonstrava. Seus irmãos aprenderam a ler, escrever, fazer algumas contas, mas nada que os levasse além dos primeiros anos do ensino fundamental. Gostavam mais dos trabalhos manuais ou de ajudar os pais na roça.

Com Francisco acontecia o contrário. Até ajudava os pais no trabalho pesado, mas gostava mesmo era de estudar, principalmente a língua inglesa. E gostava de ouvir músicas em inglês também. Não era fácil conseguir, nas suas condições, discos de bandas e cantores estrangeiros, mas ele conseguia. Fosse em bancas de revistas ou lojas de produtos usados, Francisco sempre garimpava alguma coisa. Para isso, contava com o apoio de sua mãe.

Aliás, não era só assim que Dona Mazé ajudava o filho a buscar seu sonho. Com muito jeito, ela também conseguia afastar Francisco dos trabalhos mais pesados, dando-lhe mais tempo livre para estudar e ouvir aquelas músicas que ela não entendia.

Foi assim que, quando Francisco ainda era um rapazinho, Dona Mazé, articulou para que ele fosse morar com uma prima sua, na capital cearense.

– Prima Ciça, eu queria lhe fazer um pedido – anunciou Mazé. – Deixe o Francisco morar na sua casa uns tempos, pra ele ter uma condição melhor de estudar em Fortaleza.

Dona Ciça atendeu o pedido de bom grado. Já estava com seus filhos criados, e sabia que Francisco não lhe daria trabalho ou preocupação. Era um bom menino.

O certo é que não foi preciso mais que aquele empurrão da mãe e da tia para que Francisco pusesse em prática seus próprios planos de dominar totalmente o idioma bretão. Sempre no propósito de, um dia, mudar-se para os Estados Unidos e tentar a sorte no cinema americano.

-*-

Em Fortaleza, Francisco mergulhou no seu sonho. Frequentava o colégio pela manhã, fazia as tarefas obrigatórias após o almoço, e passava o resto da tarde estudando inglês. À noite, ouvia música em discos e fitas K7, e, no rádio, a programação da BBC.

Receberia outro apoio decisivo antes de terminar o primeiro ano estudando na capital. O professor de inglês do colégio, impressionado com a dedicação de Francisco, convidou-o para tomar aulas grátis no cursinho onde ensinava:

– São três dias por semana, Francisco. Segunda, quarta e sexta. As aulas vão das quatro às cinco e meia da tarde. Fale com sua mãe que, se ela autorizar, a bolsa é sua.

– Ela autoriza! – respondeu Francisco eufórico, quase sem acreditar no que estava acontecendo.

Na semana seguinte, lá estava ele, sem caber em si de tanta felicidade, para ter sua primeira aula no cursinho de inglês. Entrou em uma turma no meio do semestre, mas isso não foi dificuldade para quem vinha se preparando a vida toda por um momento assim.

A partir daí, nada mais seguraria Francisco. Continuava sendo um bom aluno em todas as matérias do colégio, mas no estudo da língua inglesa era simplesmente insuperável. Nas tardes livres – terças e quintas – frequentava a biblioteca do cursinho e deleitava-se com livros e filmes. Além das músicas que ouvia. A essa altura, já sabia de cor letras inteiras de canções dos Beatles, Pink Floyd e da sua banda preferida, o Iron Maiden. Passou a auxiliar o professor. Até ganhava algum dinheiro com aulas de reforço.

Toda essa evolução era acompanhada à distância por Dona Mazé, que continuava morando em Crateús. Francisco lhe escrevia quase toda semana. Cartas que eram lidas com certa preguiça por algum de seus irmãos, mas que deixavam a mãe cada vez mais feliz, por saber dos bons resultados de sua aposta.

Nas férias, Francisco passava alguns dias em Crateús, enchendo Dona Mazé de alegria e orgulho. Mas, logo que podia, voltava às atividades na capital.

-*-

A conclusão do segundo grau (hoje ensino médio) trouxe novo impulso para o sonho de Francisco, já então chamado pelos colegas de Frank. Fora selecionado para um curso de inglês… Nos Estados Unidos da América!

Seriam seis meses de duração. A escola americana cobriria todos os custos, inclusive de passagens aéreas, hospedagem e alimentação. Parecia um sonho. Até a cidade onde ficaria morando tinha seu nome: São Francisco, na Califórnia.

Na noite da premiação, Francisco escreveu duas cartas para a mãe. Uma, mais curta, falando sobre a alegria de ir estudar nos Estados Unidos, a maneira como fora selecionado e a gratidão que tinha a ela, à tia e ao professor, por tudo que estava vivendo.

A outra carta, mais longa, ele somente enviaria depois que estivesse estabelecido na América. Nela, Francisco revelava seus verdadeiros planos. Não pretendia voltar. Tentaria tudo o que fosse possível para ficar por lá e seguir seu sonho de trabalhar em Hollywood. Tornar-se-ia um imigrante ilegal, se fosse o caso. Por isso, talvez ficasse muito tempo sem dar notícias. Dona Mazé deveria estar pronta para longos períodos sem saber onde Francisco estava.

E foi exatamente o que aconteceu. Concluído o curso na Califórnia, Francisco sumiu. Ninguém, nem de sua família, nem do cursinho onde estudara, sabia de seu paradeiro.

Em Crateús, Dona Mazé seguia sua vida, carregando dentro de si um vazio que nada era capaz de preencher. Nem a companhia do marido e dos outros filhos era suficiente para suprir a falta que Francisco lhe fazia.

-*-

Passaram os anos. Dona Mazé ficou viúva. Os irmãos de Francisco já haviam casado e lhe dado alguns netos. Alguns ainda moravam em Crateús, outros em Fortaleza, mas sempre davam um jeito de visitar a mãe.

E nada de notícias de Francisco. Cada vez que membros da família se reuniam, o irmão caçula era assunto das conversas. As crianças ficavam maravilhadas com as histórias do tio desaparecido. Estaria ainda vivo? Uns diziam que sim. Outros duvidavam.

Até que, alguns dias antes do Natal do ano de 1999, em uma ocasião na qual quase todos os irmãos de Francisco estavam em Crateús, chegou à casa de Dona Mazé uma correspondência misteriosa.

Uma caixa grande, com coisas escritas em inglês. Colada em um dos seus lados, uma etiqueta com a anotação do que parecia ser o nome do remetente: Frank Patterson.

Juntou gente para ver a encomenda. Filhos, netos e vizinhos de Dona Mazé puseram-se em volta da caixa. O próprio gerente da loja dos Correios, senhor Herivaldo, ajudou a abri-la, para garantir que seu conteúdo não seria danificado. Com muito jeito, foi cortando o papelão com um estilete e revelando o que havia ali dentro.

Eram três itens: uma carta, um aparelho de videocassete e uma fita de vídeo do filme “O Resgate do Soldado Ryan”.

Nas várias páginas da carta, Francisco contava em detalhes a sua trajetória nos Estados Unidos. A vida como imigrante, as diversas profissões que aprendera trabalhando ilegalmente, as cidades onde morou, um casamento mal sucedido, a mudança do nome, a legalização de sua situação, e, finalmente, a razão de não ter dado notícias antes:

Minha mãe, já estou vivendo de cinema faz um tempo, mas sempre atrás das câmeras. E eu tinha tomado a decisão de só lhe escrever quando conseguisse trabalhar como ator.

É por isso que só agora estou escrevendo. Porque eu consegui.

O aparelho de videocassete, que estou enviando junto com essa carta, é para a senhora poder assistir. E o filme é esse que também vai no mesmo pacote.

O ator principal é muito famoso, inclusive aí no Brasil. Eu apareço só um pouco, mas para mim já é a realização de um sonho.

E seguia para a parte final da missiva, mandando lembranças para irmãos, amigos e a Tia Cícera.

-*-

“O Resgate do Soldado Ryan” havia sido lançado no Brasil há mais de um ano, mas, por aquele tempo, o pequeno cinema que tinha despertado os sonhos de Francisco havia fechado. Pouca gente na cidade havia assistido ao filme. Dos que estavam na casa de Dona Mazé, naquela tarde, ninguém.

Talvez por isso, enquanto uma vizinha lia a carta para Dona Mazé, alguns dos irmãos de Francisco empenhavam-se em ligar o vídeo cassete e fazer as conexões com o televisor.

O sol já havia se posto quando tudo ficou pronto. Uma pequena multidão acomodava-se em cadeiras e no chão da sala para ver o filme. Que já não era mais o filme de Tom Hanks ou de Steven Spielberg, e sim o filme de Francisco. A prova da vitória de um filho de Crateús na América!

A Dona Mazé coube uma posição privilegiada, em uma cadeira de balanço, bem à frente do aparelho de TV.

E fez-se um silêncio praticamente absoluto quando as barcas apinhadas de soldados começaram a se aproximar da Praia de Omaha. Alguns, de patente mais alta, davam orientações aos seus comandados. Tentavam passar segurança. Mas era possível ver a tensão e o medo nos seus semblantes. A mão trêmula do personagem interpretado por Tom Hanks, mostrada em close, fez alguns telespectadores se encolherem em seus lugares.

Começa o desembarque. E o tiroteio. O filme é famoso pelos seus vinte e sete minutos de batalha na costa da Normandia, logo no começo.

Alheia à importância histórica do desembarque, e com os olhos fixos na tela da TV, Dona Mazé concentrava-se em um objetivo único: encontrar Francisco. Procurava, em cada um daqueles jovens, um sinal, uma característica do seu filho. Um rosto, uma mão, algo no jeito de andar… Emocionou-se ao ver um jovem com as vísceras expostas, gritando pela mãe. Mas os chamados eram para outra mãe.

Na cena seguinte, surgiu a inusitada imagem de um soldado transportando nas mãos uma máquina de escrever. Falava alguma coisa com o seu comandante – aquele da mão trêmula. Dona Mazé praticamente não os viu. Estava completamente absorta, observando o soldado posicionado logo à frente deles.

Era apenas mais um dos que tentavam se proteger atrás de uma das muitas estruturas de ferro espalhadas pela praia. Mas, não para Dona Mazé. Enquanto olhava para aquele soldado, soltou a voz de maneira emocionada, mas quase imperceptível:

– Francisco!

Sim, aquele era seu filho! Não havia dúvida. A altura, o perfil, a maneira como se punha de pé, tudo denunciava a presença de Francisco.

E Dona Mazé reconheceria seu filho caçula em qualquer lugar, a qualquer hora. Ainda que ele estivesse em meio a uma tempestade, ou a um tiroteio, como, de fato, era o caso.

Naquele momento, era como se Francisco estivesse novamente na sala de sua casa…

Mas, isso foi só por um segundo, no máximo dois. Subitamente, um disparo atingiu o capacete do soldado, atravessando-o e atingindo-lhe o crânio. Dois outros disparos perfuraram-lhe o tórax, um o atingiu no braço, outro ainda arrebentou-lhe a perna.

O soldado Francisco caiu morto.

Dona Mazé baixou a cabeça, com o rosto entre as mãos. As lágrimas, que já haviam brotado desde o primeiro instante em que reconhecera o filho, pela emoção, molhavam agora de tristeza o vestido.

Demorou-se com a cabeça abaixada ainda por uns minutos. Quando reuniu forças, levantou-se da cadeira e procurou ar puro na calçada de casa.

A exibição do filme prosseguia na sala. Somente o Seu Herivaldo foi até lá fora, perguntar se Dona Mazé precisava de alguma coisa. Ela disse que estava bem.

– Mas é difícil, Seu Herivaldo, pra uma mãe, passar tantos anos sem saber do filho… e, quando ele aparece, a gente vê ele morrer assim… crivado de bala…

– É filme, Dona Mazé…

– Eu sei, Seu Herivaldo. Mas, pra mim, que sou mãe, a dor é de verdade… mãe nenhuma merece ver o filho morrer assim…

E não falou mais nada. Apenas ficou ali, olhando a rua.

Seu Herivaldo entrou novamente na casa. Trouxe-lhe um copo d’água e foi ver o restante do filme.

-*-

Semanas depois, chegou outra carta de Francisco, que voltara a escrever regularmente para a mãe. Ele a visitou ainda uma vez em Crateús, poucos meses antes de ela falecer.

Mas aquele foi o único filme em que ela o viu atuando como figurante. Dona Mazé não se arriscaria a ver o filho morrer de novo.

(*) Dedicado ao querido amigo Zico. Que também é um Francisco, filho de Dona Mazé, nascido em Crateús. O maior conhecedor da língua inglesa que conheci até hoje.

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

MINISTRO TEM DE SE LEGITIMAR TODO DIA, MAS ALGUNS SE ESQUECERAM DISSO

Cármen Lúcia stf legitimidade

A ministra do STF Cármen Lúcia

Outro dia comentei uma fala da ministra Cármen Lúcia, quase um desabafo, quando ela disse que a família a estava pressionando para que deixasse o Supremo, parasse de se incomodar. Agora ela disse que a legitimidade de um ministro do Supremo não ocorre só na entrada, mas todos os dias. E como ele se legitima? Mantendo todos os dias aquilo que é exigido pelo artigo 101 da Constituição: o notável saber jurídico – e esse quem tem não perde – e a reputação ilibada, que o ministro pode até ter tido no início, quando passou pela sabatina no Senado, mas pode não ter mais. Foi um bom aviso.

Ela ainda lembrou de uma fala do seu pai: “Minha filha, juiz não tem família”. Ela tinha de dizer isso para Alexandre de Moraes. Estamos vendo que juiz tem irmãos, como Dias Toffoli. Gilmar Mendes se separou por algum motivo. Da maneira como Cármen Lúcia se expressou, parece que ela está sentindo que há ministros do Supremo que estão devendo satisfações à sociedade – e efetivamente estão.

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Se vamos trabalhar menos, vamos produzir menos também; é isso que queremos?

O relator dos projetos sobre o fim da escala 6×1 na Câmara, deputado Paulo Azi (União-BA), deu parecer favorável às PECs que reduzem a jornada de 44 para 36 horas. Parece achar que não vai acontecer nada. Mas é claro que vai: produziremos menos riqueza, menos bens; haverá menos dinheiro para pagar as pessoas; menos rendimento é igual a menos riqueza, menos salário, menos tudo. Não existe almoço grátis. O Bolsa Família não é grátis; alguém trabalhou, suou e pagou impostos para que as pessoas recebam o Bolsa Família. Metade do Brasil está trabalhando para sustentar a outra metade, e o governo ainda gasta muito. Com isso, faz os juros ficarem altos, porque o governo também toma dinheiro emprestado para poder pagar tudo o que compra.

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Acusaram Bolsonaro de atrapalhar investigações, mas quem tem feito isso é o Supremo

Jair Bolsonaro foi acusado tantas vezes de tentar prejudicar investigações sobre Marielle Franco, e todos já descobriram a verdade. Mas agora ninguém – ao menos não no Supremo – está apontando a responsabilidade dos ministros ao prejudicar investigações nas CPIs. Dias Toffoli tentou blindar o Master, congelou a investigação da Polícia Federal; só andou depois que foi para as mãos de André Mendonça. O critério que aplicaram para Bolsonaro não está servindo para o próprio Supremo, que responde falando em “ataques à democracia”. Ninguém está atacando nada; só estão criticando ministros do Supremo que, como disse Cármen Lúcia, não têm mais reputação ilibada, nem seguem a obrigação de moralidade que está no artigo 37 da Constituição, que exige moralidade em todo o serviço público.

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Não são apenas os mais jovens que precisam ser incentivados a votar bem

Nós, eleitores acima de 60 anos, somos 36 milhões, ou um em cada quatro votantes, e precisamos ir às urnas. Com 60 anos de vida, de aprendizado, de experiência, de conhecimento dos candidatos – e muitos de nós fomos enganados por mentiras e promessas –, é impossível seguir errando; está na hora de votarmos sabendo em quem votar. Nikolas Ferreira está fazendo campanha para que os jovens de 16 e 17 anos, que não são obrigados a votar, façam o título e votem também, para já decidirem o futuro. E vejo que, cada vez mais, uma nova geração está aí com outra cabeça, para defender os valores da civilização ocidental judaico-cristã. O voto também é facultativo para quem tem mais de 70 anos; precisamos lembrar deles.

DEU NO JORNAL

COISAS DA PATOTA

Preso nesta quarta-feira (15) na batida da Polícia Federal contra lavagem de dinheiro que movimentou R$ 1,63 bilhão, Raphael Sousa Oliveira é dono do perfil de fofocas “Choquei”, que coleciona nas redes bajulação ao PT e acusações de diálogos ensaiados para promover o governo e emplacar “versões oficiais”.

Foi o caso quando anunciou que a “taxa das blusinhas” não pegava o consumidor e ainda deu espaço para a primeira-dama Janja insistir na lorota que a taxa seria só “para empresas”.

Não demorou e o diálogo entre Janja e Choquei logo ganhou o selo “Isto é falso!”, no X.

A cobrança caiu mesmo na conta do consumidor final.

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Não há motivo pra espantos.

Tá tudo em casa e dentro dos conformes.

Normal, normal, normal.

MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS

O BRASIL NÃO FOI CONSTRUÍDO. FOI SABOTADO. (DESDE 1500, COM ORGULHO)

O Brasil não deu errado. Essa é a primeira mentira que nos contaram. O Brasil deu exatamente certo — para quem sempre esteve no comando. Desde 1500, este território não foi pensado como nação, mas como negócio. Nunca como projeto coletivo, mas como extrativismo humano, material e simbólico. E a elite brasileira — essa entidade sem pátria, sem vergonha e sem espelho — sempre foi a gerente fiel do saque.

1500–1822: Nascemos Colônia; Morremos Colônia

Portugal não veio fundar um país. Veio abrir uma planilha. Aqui não se plantou cidadania, plantou-se monocultura. Não se formou povo, formou-se mão de obra descartável. Não se construiu Estado, construiu-se Casa-Grande. E atenção: a elite que nasce aí nunca se brasilizou. Ela falava português olhando para a Europa, vivendo aqui como quem mora num hotel decadente, apenas esperando o momento de ir embora com os bolsos cheios.

Machado de Assis teria resumido assim, com aquele sorriso assassino: “Não tivemos senhores de escravos. Tivemos escravos de senhores. ”

1822: Independência Sem Povo (O Golpe Mais Bem Sucedido)

A independência brasileira foi um milagre: conseguimos trocar de dono sem mudar nada. Mesma elite. Mesma estrutura. Mesmo desprezo pelo povo. Mudou a bandeira, manteve-se o chicote — agora invisível, jurídico, elegante. Enquanto outros países fizeram revoluções, o Brasil fez um acordo de condomínio. Orwell aplaudiria de pé: “Todos são livres, mas alguns continuam mandando mais que os outros. ”

República: O Nome Moderno do Mesmo Casarão

A República prometeu cidadania: Entregou coronelismo. Prometeu democracia: Entregou clientelismo. Prometeu igualdade: Entregou CPF, dívida e humilhação. A elite brasileira percebeu algo cedo: educar o povo é um risco existencial. Por isso: escola sempre foi improviso, universidade, exceção, ciência, luxo, professor, estorvo. Millôr Fernandes não pediria licença: “No Brasil, o futuro sempre foi uma ameaça ao presente de quem manda. ”

A Grande Obra da Elite: Produzir um Povo que se Acuse

Aqui está o golpe mais perverso: a elite brasileira não se sustenta só no dinheiro — ela se sustenta na culpa que o povo carrega. O brasileiro é ensinado a pensar: “Somos corruptos. ” “Não damos certo. ” “Isso aqui não tem jeito. ” Enquanto isso, quem: escreve as leis, controla o orçamento, define prioridades, protege privilégios permanece fora do banco dos réus morais. Machado gargalha do túmulo: “A culpa coletiva é o álibi perfeito para o crime individual. ”

Brasília: A Obra-Prima Da Desconexão

Brasília é o ápice estético da sabotagem. Não foi feita para governar um povo. Foi feita para governar à distância do povo. Lá, tudo é largo: avenidas largas, gabinetes largos, salários largos, privilégios largos. E tudo é estreito: empatia estreita, responsabilidade estreita e consequência estreita. Orwell anotaria: “Quanto mais longe do povo, mais fácil chamá-lo de problema. ”

O Mito Da “Falta de Vocação”

Dizem que o Brasil não tem vocação para ciência. Mentira. Dizem que não tem vocação para organização. Mentira. Dizem que não tem vocação para excelência.

Mentira. O que o Brasil não tem permissão é para que a excelência vire regra. Porque excelência cobra, Ciência questiona, Educação denuncia e Consciência desestabiliza.

Millôr pisaria fundo: “Aqui se premia o medíocre leal e se pune o brilhante incômodo.”

O Complexo de Vira-Latas: Uma Engenharia Psicológica

O brasileiro não se acha menor por acaso. Ele foi treinado. Treinado a: admirar o que vem de fora, desconfiar do que é seu, aceitar migalhas como destino e confundir sobrevivência com fracasso. Enquanto isso, a elite brasileira: estuda fora, investe fora, sonha fora, e governa aqui como quem cuida de um ativo temporário. Machado fecharia com navalha: “A pátria é um discurso conveniente. O lucro, permanente. ”

Conclusão: O Crime Perfeito

O maior crime da elite brasileira não foi roubar. Foi normalizar o roubo. Não foi explorar.

Foi convencer o explorado de que a culpa era dele. Não foi falhar. Foi chamar sabotagem de destino. O Brasil não precisa ser salvo. Precisa ser desmascarado. E quando o povo finalmente entender que: não é incompetente, não é inferior, não é o problema, a elite — essa sim — ficará nua, sem discurso, sem mito, sem álibi. E isso, meus caros, é o único terror que Brasília realmente teme.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

RETALIAÇÃO E INTIMIDAÇÃO

Editorial Gazeta do Povo

Como um boxeador nas cordas e que não tem mais nada a perder, os ministros do STF resolveram que não basta simplesmente continuarem blindando uns aos outros enquanto sofrem críticas de todos os lados. Agora, eles irão contra-atacar, e para isso não hesitarão nem em usar sua autoridade, nem em abusar da prática de se pronunciar fora dos autos. Gilmar Mendes e Dias Toffoli já afirmaram claramente que gostariam de ver punidos – seja na esfera criminal, seja em ações de inelegibilidade – os senadores da CPI do Crime Organizado que foram favoráveis ao indiciamento de Gilmar, Toffoli, Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O relator da CPI, Alessandro Vieira (MDB-SE), havia solicitado o indiciamento dos três ministros e do procurador-geral por atos ligados ao escândalo do Banco Master: a condução atípica do caso no STF por Dias Toffoli; as decisões de Gilmar Mendes que blindaram a investigação da empresa familiar dos Toffoli; o possível conflito de interesses envolvendo Alexandre de Moraes, e a tentativa de intimidar servidores por meio de inquéritos sobre vazamento de dados; e a omissão de Gonet, que continua sem ver motivos para a investigação dos ministros. No dia 14, quando o relatório seria votado, o governo, com a ajuda de aliados no Senado, manobrou para alterar a composição da CPI e o relatório, que antes tinha maioria para aprovação, foi rejeitado por 6 votos a 4. No entanto, isso não bastou para os ministros.

Por mais que houvesse uma conexão, mesmo tênue, que tem em uma ponta o resort Tayayá e, em outra, o PCC – por meio da Reag Investimentos, que administrava o fundo Arleen –, pode-se questionar a opção do relator por incluir os ministros e Gonet em seu relatório final. Pode-se, ainda, considerar frágil, ou até mesmo equivocado, o pedido de indiciamento dos ministros e do procurador-geral por crimes de responsabilidade, que não são caso para a esfera criminal, mas para um julgamento no próprio Senado. O que é inaceitável é o desejo escancarado de retaliação contra Vieira e os outros três senadores favoráveis ao relatório – Eduardo Girão (Novo-CE), Espiridião Amin (PP-SC) e Magno Malta (PL-ES) –, que, segundo a Constituição, são invioláveis também por seus votos, e não apenas por suas palavras.

Gilmar Mendes, sempre o mais exaltado, insinuou uma ligação de Alessandro Vieira com milícias em entrevista; durante sessão da Segunda Turma do Supremo, no dia 14, ainda antes que a CPI votasse o relatório de Vieira, afirmou que a Procuradoria-Geral da República deveria apurar “rigorosamente” o que classificou de abuso de autoridade – no dia segunte, Gilmar de fato formalizou o pedido de investigação à PGR. Na mesma sessão, Toffoli acrescentou que gostaria de ver inelegíveis os responsáveis pelo que chamou de “relatório aventureiro”: “não podemos deixar de nos furtar a cassar eleitoralmente aqueles que abusaram, atacando instituições para obter voto e conspurcar o voto do eleitor”, afirmou, dirigindo-se ao colega Nunes Marques, que assumirá em breve a presidência do Tribunal Superior Eleitoral – Magno Malta está no meio de seu mandato, mas Vieira, Amin e Girão encerram em 2026 seu período de oito anos no Senado e deverão sair candidatos em outubro.

Trata-se de retaliação e intimidação em estado puro. Com suas decisões, os ministros (com a ajuda de Gonet) já haviam declarado a toda a nação que ninguém haveria de botar os olhos ou encostar as mãos nos negócios próprios ou de suas famílias, não importando a quantidade enorme de suspeitas que pesam sobre eles. Agora, os integrantes do Supremo vão além e dizem que a insistência em investigar os laços dos ministros com Daniel Vorcaro trará consequências legais ou eleitorais aos que tiverem essa ousadia. Até o presidente da corte, Edson Fachin, reforçou a ideia de que ele e seus colegas são uma casta intocável, em nota sobre a “indevida inclusão” dos ministros no relatório de Vieira, na qual Fachin “se solidariza” com Gilmar, Toffoli e Moraes – como também fizeram André Mendonça e Flávio Dino.

“Cada qual reage de alguma forma a esse tipo de contingência. Alguns enfrentam. Eu, como sabem, adoro ser desafiado”, bravateou Gilmar Mendes durante a sessão da Segunda Turma em que criticou o relatório de Vieira. É fácil chamar para a briga quando se tem na mão um poder ilimitado, já que o contrapeso constitucional do Supremo abriu mão covardemente de exercer sua função. Afinal, falamos do ministro que coloca a Polícia Federal atrás de um servidor porque não suporta ser interpelado em um aeroporto, e que processa senadores por piadinhas; seria até estranho se ele não tivesse reagido ao relatório da forma como reagiu. “Lá no meu Mato Grosso, as pessoas dizem: ‘Não me convide para dançar porque eu posso aceitar’”, afirmou, ainda, Gilmar Mendes; de fato, ele hoje é o dono do salão de baile; resta saber até quando o Senado deixará que ele continue pisando nos pés de todos impunemente.