DEU NO X

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

RÚSSIA, VOCÊ CONHECE A LIBERDADE?

Na véspera de se completarem quatro anos da invasão da Ucrânia pela Rússia, em larga escala, recordo a virada dos anos 1980 para os 1990, quando a banda Scorpions fazia uma turnê pela União Soviética e lançava a canção “Wind of Change”.

Uma canção que fala de mudança dos ventos, de povos vivendo em paz, com o fim da Guerra Fria, e de liberdade, com a decadência do socialismo.

Hoje, minha vontade é perguntar ao povo russo: vocês conhecem a liberdade?

Para isso, pedi a uma professora de russo que traduzisse minhas palavras para o seu idioma. Depois, contei com a ajuda da IA Suno para juntar às palavras uma melodia de rock. Talvez uma maneira de homenagear o pessoal do Scorpions, embora eu não tenha pensado nisso quando estava escrevendo.

Bem, a seguir, as minhas reflexões sobre o povo russo. No vídeo, a letra está em russo, mas tem legendas. Aliás, o clipe ficou bem bonito e com roteiro de curta metragem. Vale a pena ver.

Rússia dos czares, dos palácios e dos príncipes!
Rússia que se estende da Europa à Ásia
Tu sempre foste um grande país,
Mas eu sinto que te falta algo.

Rússia da cultura e das artes.
De grandes escritores, música e dança,
Tu sempre foste tão rica,
Mas eu sinto que te falta algo.

Será que seu povo já teve liberdade?
Será que seu povo conhece a verdadeira liberdade?

Rússia, você já passou por revoluções.
Substituiu o czarismo pelo socialismo
E depois viveu a perestroika.
Mas não sei se conheceu a liberdade.

Será que seu povo já teve liberdade?
Será que seu povo conhece a verdadeira liberdade?

Povo russo, talvez vocês ainda precisem
banir seus últimos tiranos,
Para viver em paz com outros povos.
E finalmente conhecer a verdadeira liberdade.

Será que vocês já tiveram liberdade?
Será que vocês conhecem a verdadeira liberdade?

DEU NO X

XICO COM X, BIZERRA COM I

SEU FRANCISCO E SEU LUIZ

O universo político de Gonzaga era incolor, totalmente desprovido de matiz ideológico. Discutível, dizem alguns. Não importa muito diante de seu baião, sua música, seu talento, uma bandeira desfraldada acima de qualquer regime dominante à sua época. Amizades e compromissos por ele assumidos durante a ditadura devem ser atribuídos à inconsistência de sua formação política e à vontade de, através de apoios pontuais, trazer ao seu chão progressos por ele desejados. Conseguiu. Nunca misturei essas querelas tão pequenas com a grandeza artística do Rei. Nem acho que se deva misturar. São coisas distintas, a meu modesto ver.

Transportando para os dias atuais, diante da imensidão da obra poética e literária de Chico Buarque, é de se perguntar: seu conceito diminui ou cresce ante o posicionamento político por ele adotado? Nem uma coisa nem outra. Lógico que não se pode desprezar a convicção ideológica do Buarque, homem de esquerda, defensor consciente e intransigente de pautas favoráveis ao povo brasileiro. Mas pouco importa a cor de seu coração partidário. Ele, por sua obra, é imenso e muito maior que qualquer discrepância de princípios. Como imenso seria se outra preferência tivesse seu poético coração. Francisco e Luiz, cabeças e pensamentos talvez conflitantes, diferentes entre si, são imensamente iguais no talento. Viva Chico, Viva Luiz, corações semelhantes, talentos similares.

PENINHA - DICA MUSICAL