RODRIGO CONSTANTINO

A ORGIA MAIS LONGEVA DA HISTÓRIA

Fictor

Grupo Fictor pediu recuperação judicial após crise do Banco Master

Todos estão falando de Toffoli, mas uma manchete chamou minha atenção: “Fictor inclui bordel e ex-traficante na lista de credores”. Em recuperação judicial, a holding financeira é acusada de fraude na tentativa de compra do Banco Master, e possui uma dívida declarada de R$ 4,2 bilhões. Entre os 13 mil credores, há um tradicional bordel da zona leste de SP.

Li num grupo esta quinta e gostei da síntese: o Brasil é a orgia mais longeva da história. Lembrei da frase ao ler essa reportagem, além de todos os textos sobre o caso Toffoli. Tenho receio de generalizar, de buscar no passado distante casos escandalosos de corrupção, pois isso de certa forma alivia os culpados de hoje, dilui sua responsabilidade num histórico mais abrangente.

O Brasil sempre foi um bordel. Isso não quer dizer que não tenha piorado. Nas últimas duas décadas, com a forte predominância petista no poder, era inevitável essa deterioração do que já era um tanto ruim. Se o patrimonialismo sempre foi um câncer em nossa “república”, ele piorou muito com o PT. Se o nepotismo era um problema frequente, tornou-se pior. E por aí vai.

Flavio Gordon, em coluna publicada na Gazeta do Povo, busca em Calígula e no modelo soviético paralelos para o que aconteceu com o Brasil nos últimos anos. Toffoli seria o cavalo Incitatus que o imperador pervertido quis indicar ao Senado Romano, para humilhar de vez o que já estava bastante degradado. E os soviéticos, ao colocar lealdade ideológica acima de tudo, alçaram a mediocridade a um novo patamar na gestão pública. Diz Gordon:

Sim, mais do que simplesmente repetir o patrimonialismo brasileiro consagrado, o lulopetismo deu-lhe a fundamentação teórico-ideológica, sem nunca deixar de fingir que o combatia. Antonio Gramsci – pai intelectual do partido e grande teórico do aparelhamento – forneceu o mapa: conquistar a hegemonia por meio da ocupação capilar das instituições; transformar a cultura em instrumento de poder; converter tribunais, universidades, agências e estatais em pontos de sustentação de um projeto de longo prazo; enfiar seus militantes (os “companheiros”) nas mais variadas posições de poder e influência. Inspirando-se na ideia gramsciana de “Estado ampliado”, o PT traçou o objetivo de governar não apenas o Executivo, mas dirigir o imaginário, a linguagem e os próprios critérios de legitimidade social.

Somente assim se pode entender a chegada de alguém como Dias Toffoli ao STF. “Quando a seleção institucional deixa de operar por mérito intelectual e moral e passa a operar por afinidade ideológica, o resultado é previsível: a mediocridade militante substitui a excelência, e o ressentimento converte-se em critério de promoção”, explica Gordon.

Em suma, o Brasil não é um país sério faz tempo, é uma esculhambação total, várzea, paraíso dos bandidos, terra da impunidade, ícone do patrimonialismo que confunde a coisa pública com a privada. Mas é inegável que o que era terrível piorou muito com o petismo. O resultado está aí: uma Corte Suprema que mais parece um bando!

DEU NO JORNAL

DEU NO X

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

O ANJO

Morava em Nova Cruz (RN) um rapaz de nome José Teixeira, filho de uma viúva, pertencente a uma ramificação de tradicional família daquela cidade.

Dizem que, desde criança, sempre demonstrou tendência feminina nos gestos, preferindo os brinquedos das meninas e desprezando carrinhos e bolas com que os meninos brincavam. Cresceu assim, e, dessa forma, tornou-se rapaz, passando a se dedicar às prendas domésticas.

Revelou-se um verdadeiro artista, aprendendo a bordar, pintar, confeccionar flores e chapéus femininos ornamentados.

Com o passar do tempo, José Teixeira dedicou-se completamente à decoração de ambientes e preparação de festas, difundindo cada vez mais suas habilidades artísticas. Com elas, passou a ganhar dinheiro, ajudando no sustento da mãe, viúva pobre, e suas duas irmãs.

Era religioso, educado, e sabia respeitar as pessoas, sendo por isso também respeitado. Nenhuma festa acontecia na cidade, sem que estivessem presentes a sua arte e o seu bom gosto. O preparo de altares na Matriz da Imaculada Conceição, Padroeira da cidade, os andores para as procissões, festas de casamento, aniversários, enfim, quaisquer acontecimentos festivos contavam com a sua indispensável participação.

Tornou-se o decorador oficial da cidade, nos eventos públicos ou privados, inclusive nas festas religiosas do final do ano, onde havia uma Quermesse para angariar fundos para a Igreja.

Eram frequentes os jantares, os saraus, os bailes, as procissões e novenas, como manifestações da realidade artística, religiosa e social da cidade. Em tudo, estava a presença marcante desse filho de Nova-Cruz.

Merece destaque, o fato de José Teixeira nunca ter escondido sua tendência feminina, mantendo, entretanto, uma conduta discreta e digna. Vivia para o trabalho, e nunca se meteu em fofocas. Seu excelente círculo de amizade incluía moças, senhoras casadas, senhores e rapazes. Até o Padre da Paróquia de Nova-Cruz lhe fazia elogios publicamente, em agradecimento pelo seu trabalho de embelezador e colaborador das festas e procissões.

Nessa época remota, o distúrbio genético apresentado por José Teixeira era raro, e a cidade que o viu nascer o aceitava como era.

Sua presença tornou-se indispensável nas festas de aniversários, casamentos e bailes. Também ocupava lugar de honra na vida familiar da cidade, sendo sempre convidado para almoços e jantares, e ainda para padrinho de crianças. Tornou-se amigo e confidente de todos.

A cidade se desenvolveu e passou a ter mais festas, aumentando também o prestígio de José Teixeira. Era um verdadeiro “patrimônio” artístico de Nova-Cruz.

Surgiu o primeiro bloco de carnaval da cidade, tendo José Teixeira como organizador, decorador e figurinista. Esse bloco saía às ruas de Nova-Cruz no tríduo carnavalesco, “assaltando” as residências de pessoas da cidade, onde era recebido com bebidas e salgadinhos, à vontade.

As calçadas e ruas transformavam-se em salões de festa e a alegria era imensa.

O nosso Tio Paulo, uma figura inesquecível, era um dos maiores incentivadores do bloco, e o “assalto” à sua casa era indispensável! Irmão do nosso pai, Francisco, as casas eram vizinhas, e o “assalto” era aproveitado por nós, ainda crianças. Dançávamos no meio da rua, jogando confetes e serpentinas, presenteadas por ele, num clima de felicidade sem igual.

Tio Paulo distribuía lança-perfumes para os seus amigos, compradas em Natal, que eram usadas para perfumar o cangote das moças. E o cheiro se espalhava pelo ar. Não havia porre, loló nem brigas. O carnaval era só alegria e higiene mental.

O Rei Momo e a Rainha do Carnaval eram eleitos, uma semana antes, por uma comissão apontada por José Teixeira, da qual fazia parte.

José Teixeira confeccionava a alegoria, porta-estandartes e as fantasias para o carnaval.

Pierrôs, Colombinas, Arlequins, Odaliscas (vem Odalisca do meu harém vem, vem vem… ) e Piratas eram as principais fantasias.

A tarde entrava pela noite, com trombones, tamborins e outros instrumentos, executando os mais belos e tradicionais frevos e marchinhas de carnaval. A cidade era calma e o povo todo era conhecido.

Não havia o carnaval sensual/sexual de hoje, e os seios e nádegas eram guardados com recato.

As marchinha e frevos não tinham maldade. Tinham beleza e poesia.

Podemos dizer que, em Nova-Cruz, foi José Teixeira quem inventou o carnaval, o bloco, a alegoria e o estandarte, quando a maldade não tinha nascido.

Assim era José Teixeira. Totalmente feminino, amado, respeitado, e aceito por todos, sem sofrer exclusão pelo seu modo involuntário de ser.
Para mim, ele era um Anjo. E Anjo não tem sexo…

Hoje, desapareceu a pureza. Os Pierrôs, Colombinas, Arlequins, Odaliscas e Piratas se desnudaram. Restaram expostos, em abundância, seios, nádegas e tatuagens.

A modernidade nos deixou apenas o direito de nos fantasiarmos de PALHAÇOS!!!Palhaços das nossas ilusões!

Decepcionados, abafamos no peito a saudade dos velhos carnavais.

O cheiro de lança-perfumes sumiu! Roubaram as fantasias do nosso povo!

Roubaram o sorriso de felicidade, que existia nos rostos nos dias de carnaval.

Ó, abre alas, que eu quero passar!

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

DEU NO X

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

SOBRECARGA DE TRABALHO

A divulgação de despesas do governo Lula (PT) com viagens está parada desde 16 de janeiro.

Nos primeiros dias de 2026 foram torrados R$ 1,23 milhão.

De lá para cá, a Transparência deixou de divulgar dados.

* * *

O problema é que o opaco Portal da Transparêndia está numa situação difícil:

O esbanjanjamento viajatório da atualidade é um caso inédito na história da repúbliqueta banânica.

São tantas viagens e tantos gastos, que o órgão não tem tempo pra fazer a divulgação.

Mesmo trabalhando 24 horas por dia e todos os dias da semana!!!