DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

A PRIORIDADE É DESTRUIR

Existem muitas nações mal governadas, onde o povo sofre nas mãos de tiranos e corruptos: Coreia do Norte, Cuba, China, Nicarágua, Nigéria, Brasil, a lista é longa.

Poucos governos no mundo atual trabalham em prol de seu povo, mas o Irã se supera.

Os aiatolás não escondem nada. Em nome de Allá eles matam quem conseguirem.

DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O CARNAVAL – Zito Batista

Põe a máscara e vai para a folia,
Na afetação de uns gestos singulares,
Esquecida dos íntimos pesares
Que te atormentam todo santo dia…

Mulher doente, perdida nesses mares
Tenebrosos da dúvida sombria,
Vê que há lá fora um frêmito de orgia,
Mesmo através das coisas mais vulgares!

Põe-te a cantar, desabaladamente!
Vai para a rua aos trambolhões, às tontas,
Como se enlouquecesses de repente…

Agarra-te à alegria passageira:
Olha que o que te espera, ao fim de contas,
É o triste Carnaval da vida inteira…

Raimundo Zito Baptista, Monsenhor Gil-PI (1887-1926)

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

COMENTÁRIO DO LEITOR

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

“QUANDO TU IAS PARA OS CAJUS, EU JÁ VINHA COM AS CASTANHAS”: RAIMUNDA BURETAMA

Cajueiro “carregado” de cajus

A Natureza é pródiga. É algo divino, e, felizmente, nada tem a ver com a vontade dos homens. Assim, quando termina o inverno e se inicia a primavera, em meados de agosto e setembro, no sertão, na caatinga ou em qualquer parte do planeta, tem início a floração dos cajueiros. A árvore que, às vezes, por mais de um mês frutifica com a castanha e o caju. No Ceará, nunca atrasa. Ainda que não aconteça o inverno.

Durante anos, criança ainda, imaginava que o fruto do cajueiro era o caju. Depois, com os avós e pessoas mais antigas, fui cientificado que, o fruto do cajueiro não é o caju. É a castanha. Prova disso é que, se alguém semear um caju, o cajueiro nunca vai nascer. Mas, em local adequado, plante a castanha e o resultado virá.

Início da torração da castanha

A castanha tem início na fase embrionária. No Ceará, rotulamos esse embrião com o nome de “maturi”, que provavelmente tem origem indígena. O “maturi” nada mais é que a castanha verde, repito, em fase embrionária.

Durante dias, o “maturi” se desenvolve e dá sustentação ao caju, com várias espécies e coloração (amarela, róseo ou vermelha).

De forma artesanal, castanha e caju servem de alimento, muito rico em Vitamina C – nos anos da década de 50, um empreendedor desenvolveu a Fazenda Jandaia que, no Ceará, criou o suco de caju (da polpa) e “descobriu” mais uma utilidade do fruto e da polpa. Antes disso, indígenas já usavam o conjunto como fonte alimentícia. Uma mistura do suco, de forma não industrializada, com a castanha assada. A essa mistura deram o nome de “mocororó”. Durante anos, no período da safra de cajus e castanhas, o “mocororó” funcionou como único alimento de muitos.

Castanha assada sendo descascada

Floração iniciada, “maturis” desenvolvidos, cajus maduros e, claro, castanhas secas.

Mas, percebia-se a ausência de um dos componentes daqueles momentos especiais: a criançada. As férias escolares estavam distantes, e, 7 de setembro, Dia de Finados e 15 de novembro não tinham os “feriadões” criados, como atualmente, num país que precisava se desenvolver. A solução dos pais e/ou avós, era juntar as castanhas para assá-las nas férias escolares das crianças.

Finalmente chegava o mês de dezembro. Com ele, as férias escolares. A safra anual dos cajus terminara, mas as castanhas, os verdadeiros frutos do cajueiro foram juntadas para a festa da chegada.

Alguns, nas sombras das árvores, improvisavam o jogo do “quila” ou do “castelo” – a uma distância regulamentada era colocada isoladamente uma castanha pequena, de onde os jogadores tentavam acertá-la e derrubá-la. O prêmio: o amontoado de castanhas que se formava ao redor do alvo.

Afastado dali, algum adulto continuava assando as castanhas.

Quem nunca comeu, procure comer peixe salgado (no Maranhão, dá-se o nome de “peixe salpresado”) temperado com castanha de caju assada e socada no pilão.

Uma festa que justificava a fala de minha Avó: “Quando você ia para os cajus, eu já vinha com as castanhas”, assadas e descascadas.

Castanhas de caju assadas e descascadas