Minha mãe me criou dentro do mar Com o leite do peito de baleia Me casei no oceano com a sereia Que me fez repentista popular Canto as noites famosas de luar E linguagem das brisas tropicais Entre abraços e beijos sensuais Nos embalos das ondas seculares Conquistei a rainha mãe dos mares E o que é que me falta fazer mais?
* * *
Francisco Ferreira
O amor é força bruta O estrondo do trovão, Quando ele chega domina As forças do coração, É a claridez do relâmpago Clareando a escuridão.
* * *
Luís Campos
Esse negócio de chifre É coisa muito comum Já levei chifre de noite De manhã e em jejum O remédio é paciência Pitu e Cinquenta e Um.
* * *
Sebastião da Silva
No outono, verão e no inverno Eu vivi trabalhando no roçado Aboiando feliz atrás do gado E vendo mato mudar seu próprio terno Mas, com ordem do Santo Pai Eterno Eu comprei a viola, o meu piano, Nela ganho meu pão cotidiano, É amiga, divina e predileta, Obrigado meu Deus por ser poeta Nos dez pés de martelo alagoano.
* * *
Dimas Batista
Ali na cabana de alguns pescadores Fitando a beleza do mar, do arrebol, Bonitas morenas queimadas de sol, Alegres ouviram cantar meus amores. O vento soprava com leves rumores, O pinho a gemer, depois a chorar. Aquelas morenas à luz do luar Me davam impressão que fossem sereias, Alegres, risonhas, sentadas nas areias, Ouvindo meus versos na beira do mar.
* * *
João Paraibano
Cai a chuva no telhado, a dona pega e coloca uma lata na goteira, onde a água faz barroca: cada pingo é um baião que o fundo da lata toca.
* * *
Poeta Anízio
A saudade é sentimento Que amarga e dá prazer Mas faz parte do viver Do amor é o fermento Se é parte do tormento Ver as lágrimas derramando Mesmo triste vou cantando Não posso ficar fingindo Saudade é chorar sorrindo Com o coração chorando.
* * *
Onésimo Maia
Eu sou tão analfabeto, Que nem sei dizer o tanto; Vendo um lápis, tenho medo; Vendo um caderno, me espanto, Mas, quando um jumento rincha, Eu penso um poema e canto.
* * *
O CEGO NO CINEMA – José Soares
Um mudo disse a um mouco Que lembra quando nasceu. O mouco disse também Que um aleijado correu. O cego disse que viu Quando um defunto morreu.
O mudo, cego e o mouco, Cada um com seu problema. Os três então se uniram Pra resolver o dilema. E depois se encaminharam A uma sessão de cinema.
Foram ao cinema Glória Que não fica muito além, E quando chegou a vez Do cego pagar também, Ele disse: – Eu vou pagar Com uma nota de cem!
Quando a moça demorou Para trocar o dinheiro O cego abriu o bocão E disse pro companheiro: – Uma velha parideira Pare muito mais ligeiro!
Pareciam três babacas Cego, o mudo e o mouco, Três figuras impolutas Dois otários e um baiôco. Ouvindo a conversa deles Eu me ri que fiquei rouco.
No programa Em Pauta da Globonews, na sexta da semana passada, o jornalista Guga Chacra deu importante opinião em defesa da Liberdade de Expressão. Trechos de sua fala:
“A administração americana está de olho no ministro Alexandre de Moraes. Ele proíbe cidadãos americanos e residentes permanentes, que são brasileiros e vivem nos Estados Unidos, no caso Paulo Figueiredo e Rodrigo Constantino (tem o Alan dos Santos que eu não sei o estatuto migratório dele especificamente) se manifestem… Eu acompanho aqui as redes sociais e posso ver opiniões diversas. Na visão dos Estados Unidos, e de muita gente aqui, eles estão sendo calados por um ministro do Supremo Tribunal. Hoje é ele, no outro dia pode ser eu”.
Relevante é que, pela primeira vez, alguém da Grande Mídia fala sobre esse tema. É algo interdito. No tanto em que seus colegas se prostam, em um silêncio cúmplice, no altar do Poder Supremo. Calados, todos. Curiosamente, domingo passado, o mesmo Guga Chacra não participou de seu programa semanal, o Globonews Internacional. Que aconteceu? Segundo informaram, laconicamente, “estava de férias”. Repentina e fora de época. Estava mesmo?, eis a questão. Ou foi só advertência para os coleguinhas de bancada? Veremos depois. Seja como for, começo o texto dessa coluna com ele.
E já lembro que, para o filósofo da Universidade de Veneza (Itália) Umberto Galimberti (Il Gioco delle Opinioni), “o símbolo do herói moderno deveria ser Ulisses”. Não o brasileiro, Ulisses Guimarães, que conduziu a resistência democrática ao Golpe de 1964. Ou o Ulisses de Joyce, que nem se chamava Ulisses e eram dois; com o romance relatando um dia (16.06.1904) nas vidas de Leopold Bloom e Stephen Dedalus, em Dublin (Irlanda).
Galimberti propõe, como esse herói, o Ulisses grego, Rei de Ítaca (no mar Jônico). Por sua invenção do Cavalo de Troia. Em cujo ventre teriam se escondidos soldados que, dentro dos muros, à noite abriram as portas da cidade. Quando se acredite no que se diz nas escolas. Porque Ulisses seria portador dos valores básicos que se exigiria de uma sociedade moderna, mentira e astúcia.
Retraduzindo essas palavras, para dar-lhes mínimos de dignidade, astúcia passaria a ser a “capacidade de encontrar o ponto de equilíbrio entre forças contrárias”. Enquanto mentir significaria “habitar a distância que separa aparência da realidade”. E “escapar da ingenuidade dos que acreditam que as coisas são, sempre, o que aparentam ser”. Com Ulisses, inaugura-se a dupla consciência da realidade e sua máscara.
Digo isso porque se vê, no Brasil de hoje, a sagração da censura, sobretudo na mídia eletrônica, como instrumento de coação a quem pretenda exercer a Liberdade da Expressão. Para evitar opiniões contra o governo. Ou sob o pretexto de impedir a propagação de mentiras e astúcias. Em qualquer caso com restrições que resultam inaceitáveis em qualquer país verdadeiramente democrático.
Nos Estados Unidos por exemplo, lá como (em tese) também aqui (art. 220, § 2o de nossa Constituição), existe vedação a qualquer tipo de censura. A regra está na primeira emenda do Bill of Rigths (Carta dos Direitos, nome coletivo que se dá às 10 primeiras emendas à Constituição Norte-Americana, de 1789), redigida em 1791 por Joseph Madison; depois presidente da República, de 1809 a 1817 e considerado um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos. Nasceu em Conway (EUA) e morreu longe, em Montpellier (França), mas essa é outra história. Diz a emenda: Congress shall make no law… abridging the freedon of speech, or the press…. (O Congresso não fará nenhuma lei… cerceando/restringindo a liberdade de expressão, ou a imprensa…).
Verdade que a Suprema Corte passou a permitir, desde 1919, limites pontuais à livre expressão. Com a doutrina do Clear and Present Danger¸ sagrada no case Schenck x United States. Confirmada, posteriormente, com as doutrinas do Gravity on the Evil (1924) e Free Speech (1945). Princípios esses renovados e alargados em 1982 com a doutrina, hoje dominante no país, das Unprotected Speech, estabelecida no case New York x Ferber.
Mas isso, atenção senhores, ocorre em apenas três situações específicas: pornografia (especialmente infantil), dados do governo (sobretudo aqueles classificados como reservados) e segredos das empresas (como a fórmula da Coca-Cola).
Sem quaisquer implicações com ideologias, ou supostas tentativas de golpe, como vem usualmente ocorrendo por aqui. E sem uma única lei nos Estados Unidos, bom lembrar, para prevenir Fake News. Sem que se possa dizer que a democracia, por lá, não ande bem.
Fosse pouco, em 1996, o Congresso americano aprovou a Lei de Decência nas Comunicações; em que, na Seção 230, as redes sociais restam isentadas sobre conteúdos postados pelos usuários. Os Democratas, em contradição aberta com a defesa da Liberdade de Expressão que adotam em seus discursos, queriam o fim da tal seção 230. Sem sucesso, na via legislativa, recorreram à Suprema Corte. Já tinham lá quatro ministros (Justices, assim se chamam, para diferenciar dos juízes de carreira conhecidos como Judges) indicados pelo próprio Partido Democrata.
Bastaria um voto apenas, entre os cinco ministros indicados pelo Partido Republicano, e tiveram um susto. Quando a Corte, por 9 x 0, decidiu estar a Seção 230 conforme a tradição americana da Liberdade de Imprensa. Certo que nos Estados Unidos, tão cedo, haverá qualquer mudança nesse campo.
Complicado é que falsear essa verdade, no sentido de esconder a realidade, é a marca do Brasil de hoje. A da banalização da esperteza. A das certezas construídas sem nenhuma base. A das mentiras usadas para beneficiar partidos políticos. A das astúcias utilitárias.
Ao lado das mídias tradicionais (rádio e TV), é cada vez mais relevante o espaço digital. No mundo inteiro. E ele precisa ser livre. Devemos agora nos perguntar se aqui vai ser tudo controlado. Teremos em vigor, afinal, o Big Brother (o Grande Irmão) previsto por George Orwell (no livro 1984)? Com quem?, controlando a informação. Será desalentador, leitor amigo, se assim vier a ser. E, grave, tudo caminha nessa direção.
Em seu comovente painel sobre a eterna luta entre indivíduo e sociedade, que é Servidão humana, escreveu Somerset Maugham: “O poder é a lei, a consciência e a opinião pública”. Deveríamos seguir nessa trilha. Reconhecendo a lição de que homens livres são não apenas aqueles que têm consciências livres. Mas, também, os que sejam capazes de se expressar livremente. De dizer o que quiserem (respondendo por seus eventuais excessos, claro, com base no Código Penal).
Longe da “musa da autocensura”, como a ela se referia George Steiner (no Livro da revolução). E sem a censura oficial, hoje crescentemente exercida pelos tribunais. Como denunciado por Guga Chacra, vimos isso no começo do texto. Essa, leitor amigo, é que é a verdadeira Democracia.
Nosso País está fervendo de escândalos e perseguições. Estamos assistindo a uma réplica do Calvário de Jesus.
A cada dia que se passa, um ser humano é tratado como se humano não fosse, por tiranos desalmados e sem sentimento de caridade. Mas o mundo dá muitas voltas e quem planta o mal não pode colher o bem.
Conhecer a história é ter a certeza de que o amanhã nascerá sem erros. O hoje que olha o passado é o mesmo olhar que projeta o futuro. A roda viva gira mais rápido do que se espera. A maldade que se pratica retorna em dobro.
Gosto de catar pedaços de sonhos que encontro no caminho. Guardo-os na alma. Desses pedaços sou construída.
O tempo passou sem me avisar. Fiquei sentida.
Não espere que as pessoas adivinhem o que você pensa ou quer. Diga, fale, grite.
A telepatia não é um atributo humano.
“Erra o país que nega aos filhos o direito à memória” (Cézar Britto).
Perguntaram-me o preço de um presente que comprei. A resposta: o preço do meu gostar. O meu querer não se mede em valores.
Defender a liberdade implica em defender quem a defende.
A liberdade de perguntar deve apenas ter limite na liberdade de não responder.
Liberdades absolutamente iguais.
O que impede a Reforma Política: pensa-se mais nas próximas eleições do que nas próximas gerações. Nada mais óbvio.
Empresas não são o povo. Eleição não pode ser um investimento econômico. O Estado não pode ser um balcão de negócios.
O financiamento privado das campanhas eleitorais beneficia os homens de bens.
E afasta da política o homem de bem.
A liberdade de pensamento é direito personalíssimo, não cabendo aos tiranos tentar arrancar, sob tortura, os vários pensamentos e portas que a vida oferece ao ser humano.
O esquecimento alimenta a corrupção. O corrupto sabe que o seu escândalo particular logo será absolvido por um novo escândalo nacional. É o que vemos nos dias atuais.
Existir é a arte de fazer escolhas sobre todos e tudo, pois escolher é a tarefa que a vida nos impõe.
O desenvolvimento sustentável sem desenvolvimento social, não se sustenta. Nem se desenvolve.
Liberdade é sonhar, exprimir e agir. É querer mudar as coisas. É lutar para fazer o que se acha certo. É não ter medo de ousadia.
As utopias são irmãs gêmeas dos sonhos. Nascem todos os dias em que a vida pede atenção.
Qual o limite dos nossos sonhos? Sonhar é infinito. Não se acomoda ou se limita. Sejamos livres sonhadores.
Não nasci nordestina, por ordem do acaso. Parece até que já sabiam do gosto do meu gostar. E acertaram em cheio.
Em evento no Vale do Jequitinhonha, Lula voltou a provocar Donald Trump por causa das tarifas
Finalmente o ministro Alexandre de Moraes se pronunciou, dizendo que Jair Bolsonaro, quando foi à Câmara mostrar a tornozeleira, descumpriu medida cautelar. Mas acrescentou que não mandaria prendê-lo porque foi a primeira vez, só fez um alerta pra Bolsonaro. E aí Moraes dizendo que “inexiste qualquer proibição de concessão de entrevistas ou discursos públicos ou privados” para Bolsonaro. Mas a defesa continua perguntando: como é que é? Porque ainda está tudo muito estranho.
* * *
O mundo inteiro está atrás de Trump para negociar, mas Lula acha que resolve com provocação
O ministro Fernando Haddad disse, em entrevista à rede Itatiaia, de Minas Gerais, que “a família Bolsonaro tem de parar com isso e abrir caminho para a gente negociar com os Estados Unidos. Eles [os Bolsonaro] estão bloqueando negociações”. Mas querem negociar provocando Donald Trump? Porque também em Minas Gerais, no Vale do Jequitinhonha, Lula disse que Trump “acredita em bruxa. Alguém aqui acredita em caça às bruxas?”. E continuou atacando: “Ele pediu para parar de perseguir Bolsonaro. Isso é um desaforo desrespeitoso com o Brasil e a Justiça brasileira. Se ele quisesse conversar, pegava o telefone e me ligava. Se quiser, vamos negociar. Já temos os melhores negociadores do mundo. O Lulinha está aqui pronto para negociar”.
Lula acha que está em um boteco, conversando com um bando de idiotas. Ele realmente acha que Trump está só esperando o ok de Lula para telefonar? Que Trump está louco para ligar para Lula? O japonês ligou e negociou, a mexicana ligou e está negociando, o chinês está negociando, o indiano está negociando, o paquistanês está negociando. Todos tomaram a iniciativa, e Lula é o único que acha que não precisa fazer isso.
Trump aplicou as tarifas para exigir negociação: “Vamos sentar à mesa, vamos conversar. Vocês estavam fazendo isso e aquilo, protegendo seus produtos e enfraquecendo a indústria americana. Essa é a nossa reação, qual é a proposta de vocês?” A mexicana, por exemplo, disse que a proposta dela é provar que a fronteira está fechada para a entrada de drogas e imigrantes ilegais nos EUA. Javier Milei já negociou, e ainda conseguiu vantagens ainda na compra de material bélico. Mas Lula acha melhor brigar e provocar. “Eu sou bom de truco. Se Trump estiver trucando, ele vai tomar um seis”, disse. Eu não sou bom de truco, mas foi pesquisar. Pedir seis é dobrar a aposta. Se Lula dobrar a aposta, aí é que a situação piora de vez e a coisa não termina nunca.
O pessoal das mineradoras foi procurar o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, dizendo que deseja ir aos Estados Unidos negociar com os importadores. Sabem quem foi lá? O Instituto Brasileiro de Mineração. Quem é o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração? O ex-ministro da Defesa Raul Jungmann, que é um nacionalista, uma pessoa de confiança das Forças Armadas, e que deu a informação: o fluxo comercial nessa área é de US$ 1,5 bilhão por ano, ida e volta, porque os norte-americanos também vendem minérios para nós. A balança está bem equilibrada no setor de mineração, mas, se Lula pedir seis, acaba tudo.
* * *
Energia “de graça” não é gratuita: alguém vai pagar mais
Lula ainda prometeu que quem consome até 80 kWh de eletricidade não vai pagar nada. Se consumir 100kWh, só vai pagar a diferença, ou 20kWh. Acho que até eu me beneficiei: tenho um apartamento fechado e uma casa à venda que não consomem mais que isso. É justo que eu não pague? Alguma coisa está errada. Mas no fim eu vou pagar de qualquer maneira, porque isso vai pesar na conta de onde eu moro. Todos vão pagar, a maioria que consome mais que 80 kWh pagará mais, porque não existe almoço grátis. Alguém sempre paga. O Bolsa Família? Alguém paga. E nós sabemos quem paga: não é o Lula.
* * *
Estados governados pela esquerda são mais violentos
Saíram dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, com levantamentos proporcionais à população. Quem são os campeões de violência? Exatamente os estados com governos de esquerda, como Bahia, Ceará e Pernambuco. Todos os dez municípios mais violentos são desses três estados. E o estado menos violento? São Paulo. Mesmo o município de São Paulo ainda tem muitos crime, mas, em relação à população, a taxa é muito menor que a de municípios cearenses ou baianos. Nós vemos governadores em Mato Grosso, Goiás, São Paulo, agindo contra o crime. Mas, para os governos de esquerda, o bandido é coitadinho, é vítima da sociedade, tem de ser deixado em paz. O resultado está aí.
A guerra do passado era uma questão de poder e ego: os poderosos brigavam entre si e obrigavam o povo a participar. Eles, os poderosos, iam para as batalhas junto com seus comandados, então pelo menos podemos dizer que eles “colocavam o deles na reta”.
Hoje, a guerra é uma questão de economia e política. É feita para dar lucro e criar oportunidades, como disse um assessor do ex-presidente Obama: “Nunca devemos desperdiçar uma crise. Na crise, podemos fazer aquilo que normalmente não poderíamos”. E como Orwell ensinou em “1984”, não há crise melhor e mais eficiente do que uma guerra contra um inimigo externo a quem podem ser atribuídos todos os males do mundo.
Se o objetivo das pessoas comuns, no mundo todo, é construir coisas, o objetivo dos senhores da guerra é gastar dinheiro em uma coisa que vai se auto-destruir destruindo outras coisas junto com ela. Nos dias de hoje, quanto mais riqueza destruída melhor. Generais, políticos e empresas de defesa adoram brinquedos caros de alta tecnologia.
Uma comparação rápida: o P-51, o caça mais eficaz da 2ª Guerra Mundial, foi de um papel em branco para a linha de produção em seis meses, e cada um custava cinquenta mil dólares. Hoje, os mesmos EUA têm o caça F-35 que ficou sendo projetado durante 10 anos e custa algo entre cem e duzentos milhões de dólares, dependendo de como se olhe uma contabilidade feita para não ser entendida e para ocultar os desvios, desperdícios e propinas que fazem parte do custo. Já foram fabricados 1200 deles, e após esse gasto de mais de um trilhão, eles não servem para nada porque hoje se usam drones, e um caça de cem milhões é inútil contra um drone de dez mil. (vale lembrar que isso ocorre em praticamente todo o mundo: o Brasil, por exemplo, também está gastando bilhões em caças suecos para se defender sabe-se lá de quem ou do quê)
Então, nos últimos sessenta ou setenta anos, as guerras existem para justificar o gasto de enormes quantias de dinheiro. Um exemplo mais recente: No mês passado, depois que Israel atacou o Irã, este respondeu lançando montes de foguetes em direção a Israel. Para interceptá-los, foram usados entre 60 e 80 mísseis THAAD, cada um custando quinze milhões de dólares. Em uma única noite, um bilhão de dólares virou fumaça. Os políticos adoraram. Um deputado não pensa em termos de eficácia das armas, ele pensa apenas em quantos dólares serão gastos e quantos empregos serão criados na região que é sua base eleitoral se uma indústria de equipamentos militares se instalar lá.
O mais irônico é que os trilhões gastos em equipamentos sofisticados não se destinam a enfrentar países que usam equipamentos similares. A arma preferida dos supostos inimigos é um estoque inesgotável de adolescentes semi-analfabetos e fanáticos o suficiente para sacrificar a própria vida em atentados terroristas. São “armas” baratas e muito mais eficazes do que mísseis e aviões bilionários. Se realmente os tais “inimigos da democracia e da liberdade” quisessem atacar os EUA ou os países da OTAN, estas armas, isto é, estes adolescentes, já estão instalados aos milhares dentro dos países-alvo, apenas aguardando uma ordem de agir. E as modalidades de ataque são inúmeras, além das primitivas (mas ainda assim eficientes) bombas: ataques químicos, biológicos, cibernéticos, destruição de infra-estrutura.
Mas nada disso interessa muito aos senhores da guerra. O que importa é manter a máquina funcionando, manter o dinheiro fluindo, e manter o cidadão comum quieto e confiante de que o governo está zelando por ele.