LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

DEU NO JORNAL

EDUCADEIRO

Assim como faz o chefe Lula, Camilo Santana, Ministro da Educação, terceirizou a culpa pelo MEC não atingir a meta de alfabetização infantil.

O ministro inovou: resolveu responsabilizar as enchentes do Rio Grande do Sul.

* * *

Esse ministro da educação tem uma educação de primeira.

Sabe fazer deduções geniais: a culpa é das enchentes.

Toda vez que um rio encher, vai prejudicar a alfabetização infantil.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

PARA O MEU PERDÃO – Adelmar Tavares

Eu que proclamo odiar-te, eu que proclamo
querer-te mal, com fúria e com rancor,
mal sabes tu como, em segredo, te amo
o vulto pensativo e sofredor.

Quem vê o fel que em cólera derramo,
no ódio que punge, desesperador,
mal sabe que, se a sós me encontro, chamo
por teu amor, com o mais profundo amor…

Mal sabe que, se acaso, novamente,
buscasses o calor do velho ninho
de onde um capricho te fizera ausente,

eu, esquecendo a tua ingratidão,
juncaria de rosas o caminho
em que voltasses para o meu perdão…

Adelmar Tavares da Silva Cavalcanti, Recife-PE, (1888-1963)

DEU NO JORNAL

SE DEFENDENDO DO MAL

Deu ruim o plano do PT, que acionou o ‘gabinete do ódio’ e mobilizou influenciadores com a campanha “Defenda o Brasil”.

Foi um fiasco.

E as redes sociais subiram a hashtag “Defenda o Brasil do PT’.

* * *

De fato, as redes sociais foram inundadas com o lema “Defenda o Brasil do PT”.

Uma enxurrada impressionante de postagens.

Fiquei besta de ver a quantidade.

Não é por acaso que o bando vive sonhando com a censura.

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JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

AS BANHAS E SEUS MILAGRES

Eu gosto da vida na roça, pois foi lá que aprendi tudo que sei e a praticar o bem ao próximo – ali é (ainda) onde moram a verdade e a sensatez. Por isso, meus temas são interligados ao sertão e aos meus avós – minhas raízes fortes e tão profundas quanto as raízes do ipê.

Pobres de valores materiais, mas, abastados de valores morais e religiosos, não tínhamos geladeira (naqueles tempos idos, a maioria funcionava à base de querosene) – em casa. Isso significa dizer que, tudo que comíamos era “natural” e as carnes e peixes eram salgados (salpresados, como falamos no Maranhão) para não estragar. Isso, fez com que quase todos fôssemos hipertensos.

Banha de porco

Durante anos – provavelmente por herança de hábito cultural dos mais antigos – não conhecíamos o óleo como parte da preparação culinária. Nenhum óleo – a não ser o “óleo de rícino” (intragável) usado como purgante para expulsar as lombrigas.

Toda comida era “temperada” com banha de porco, ou a variante, banha de coco. E, até onde sabemos, essas duas banhas são extremamente saudáveis – e vendidas em porções nas bodegas de todo o Brasil. Poucos conseguiam comprar a lata pequena de banha de coco.

Banha de coco

Mas, sabemos também, o que chamam de evolução, um dia chegaria. E chegou trazendo o óleo comestível da marca Pajeú, produzido a partir do caroço do algodão e da amêndoa do babaçu – largamente produzido no Maranhão.

A partir de então, a hispertensão provocada pelo consumo do sal deu lugar a inúmeros problemas de saúde causados pelo consumo dos óleos industrializados – incluindo o “óleo extra-virgem” produzido em Portugal.

Mas, sabemos, nem tudo era tão ruim ou provocador de problemas de doenças. Havia, sim, as vantagens curativas ao ser humano, além do “óleo de rícino”: a banha extraída da galinha caipira. Ou, como dizem alguns, asa galinhas de capoeira criadas soltas e comendo tudo que encontra.

Banha de galinha caipira

Qualquer que fosse o problema de saúde – de crianças ou adultos – recorríamos à um unguento: banha extraída da galinha caipira para curativo. Principalmente para feridas contusas ou inflamação na garganta. Não era degustada. Era usada como massagem. E curava com muita eficácia.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

NOVAS TARIFAS SOBRE O BRASIL

Desde que assumiu o governo nos Estados Unidos, Donald Trump vem impondo uma política de tarifas comerciais, afetando países como o Brasil e o México. Tomando por base o ano de 2024, o volume de importações americanas foi US$ 3,30 trilhões, algo da ordem de 1,5 vezes o PIB do Brasil no mesmo ano. A balança comercial entre Brasil e EUA é, ligeiramente, favorável a eles, pois nós importamos US$ 40,6 milhões e exportamos US$ 40,3 milhões. Embora os números sejam próximos, a natureza dos produtos comercializados diz muita coisa: nós importamos tecnologia, produtos químicos, remédios etc. e exportamos produtos agrícolas.

A notícia recente é de uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros e num contexto bem amplo, as teorias mais esdrúxulas surgem desde o mais ignorante cidadão até um renomado economista, dono de um prêmio Nobel. Para este, a motivação de Trump é favorecer um ditador como Bolsonaro e, nesse contexto, o presidente brasileiro declarou, semana passada, que isso é decorrente da atuação de Eduardo Bolsonaro. Hoje, foi noticiado que haverá tarifas sobre os produtos mexicanos (segundo maior exportador) e União Europeia. Aqui morre a teoria de conspiração: o que tem a ver Bolsonaro com o México ou com a União Europeia? Se o motivo é ele, por que essa tarifa para o México e União Europeia?

A imputação de tarifas americanas sobre produtos brasileiros não é uma coisa nova. No ano 2000, por exemplo, George Bush aumentou a tarifa sobre o aço de 8% para 30% e o intuito era proteger a indústria nacional, ou seja, a justificativa era conter o excesso de produção global e proteger indústria local. O governo americano alegou que a indústria siderúrgica nacional precisava ser resguardada da concorrência estrangeira, especialmente de países que subsidiam suas exportações. Apesar de não termos o mesmo tamanho de importância na matriz de comercio exterior que a China tem, o Brasil foi incluído no pacote de medidas por pressão de grupos industriais americanos e pela busca de maior equilíbrio comercial

Confesso que tenho muitas dúvidas de motivação política, mas não se pode deixar de lembrar que questões ambientais e agrícolas contribuem para a disputa. Do ponto de vista ambiental, os Estados Unidos, e outros países, se tensionam com a questão do desmatamento na Amazônia, mas a outros fatores envolvidos nisso, que nós não estamos captando, ainda, por conta do apoio das big techs, a esta política.

Atribuir tudo isso apenas a um apoio de Trump a Bolsonaro, talvez não seja correto. Não quero dizer que isso não pode ser retaliação, porque pode ser, sim! mas se for, acredito que se deve aos infelizes comentários do presidente brasileiro, pincipalmente quando propôs a criação de uma moeda que substituísse o dólar nas transações internacionais. Naquela ocasião, Trump avisou que taxaria os produtos brasileiros em 100%. Além disso, o governo brasileiro tem se aliado a inimigos declarados do governo americano e cada movimento feito nessa direção, abre a oportunidade de mais punição. Até quando? Não sabemos, mas o que se sabe é que os efeitos dessa taxação vão impactar negativamente a economia brasileira.

No caso da União Europeia, a questão é mais complexa e envolve alguns setores cruciais como aviação, tecnologia, vinhos e queijos. Quem não lembra do quebra pau entre Boeing (EUA) e Airbus (UE) que gerou sanções recíprocas e com tarifas bilionárias, devidamente autorizadas pela OMC. Além disso, os EUA têm criticado fortemente os subsídios agrícolas europeus e as regulamentações sobre serviços digitais, que afetam diretamente empresas americanas como Google, Apple, Amazon e Facebook.

Em relação ao México, a política tarifária dos EUA tem sido utilizada como ferramenta de contenção migratória e como instrumento de renegociação de acordos comerciais. Durante a transição do NAFTA para o USMCA, os EUA impuseram tarifas a produtos mexicanos para forçar concessões em temas como propriedade intelectual, direitos trabalhistas e regras de origem automotiva. Também houve ameaças tarifárias vinculadas ao controle da imigração ilegal, o que mostra o uso político das tarifas em contextos não diretamente econômicos. Só para lembrar um detalhe: uma das regras no NAFTA era qualquer empresa americana, ou canadense, poderia comprar qualquer empresa mexicana, mas a recíproca não era verdadeira.

Qualquer tarifa onera significativamente as cadeias produtivas, dado o alto grau de integração entre as economias envolvidas. As tarifas não apenas elevam os preços para os consumidores, mas também dificultam a operação de empresas multinacionais que dependem de insumos importados.

Antes de qualquer coisa, os Estados Unidos utilizam as tarifas como uma forma de reequilibrar sua balança comercial e reforçar sua posição hegemônica no sistema internacional. Trata-se de um protecionismo seletivo que visa preservar setores considerados estratégicos, como o aço, a tecnologia e a agricultura, frente à crescente concorrência global. Entretanto, isso tem limites e um deles é a incerteza do mercado.

Finalmente, por enquanto eu prefiro acreditar que as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, à União Europeia e ao México, refletem uma política comercial cada vez mais instrumentalizada por objetivos estratégicos, mas não sou inocente de pai e mãe para não acreditar que esse tipo de medida de proteção econômica, também serve como instrumentos de poder e barganha política.