PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

MINHA MUSA – Adolfo Caminha

Minha musa é a lembrança
Dos sonhos em que eu vivi,
É de uns lábios a esperança
E a saudade que eu nutri!
É a crença que alentei,
As luas belas que amei
E os olhos por quem morri!

Os meus cantos de saudade
São amores que eu chorei,
São lírios da mocidade
Que murcham porque te amei!
As minhas notas ardentes
São as lágrimas dementes
Que em teu seio derramei!

Do meu outono os desfolhos,
Os astros do teu verão,
A languidez de teus olhos
Inspiram minha canção…
Sou poeta porque és bela,
Tenho em teus olhos, donzela,
A musa do coração!

Se na lira voluptuosa
Entre as fibras que estalei
Um dia atei uma rosa
Cujo aroma respirei…
Foi nas noites de ventura,
Quando em tua formosura
Meus lábios embriaguei!

E se tu queres, donzela,
Sentir minh’alma vibrar,
Solta essa trança tão bela,
Quero nela suspirar!
E dá repousar-me teu seio…
Ouvirás no devaneio
A minha lira cantar!

Adolfo Ferreira dos Santos Caminha, Aracati-CE (1867-1897)

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

O DIABO VESTE SHORT

Semana passada caminhando numa bela manhã de sol pelo calçadão da praia de Jatiúca, fui abraço por trás, era Salomão, estava sério. Andando a meu lado foi desabafando:

– “Tudo pode acontecer com qualquer cidadão do mundo, com qualquer cristão, com qualquer homem de bem”.

Fiquei ouriçado com a confidência espontânea e tempestiva, perguntei o que havia acontecido. Salomão baixou o ritmo da andança e abriu o jogo.

– “O Satanás está solto, provocando! Veja você meu irmão, um homem como eu, crente em Deus, assisto à missa todos os domingos, temente ao castigo divino, caí na tentação do Cão. O Diabo tomou forma de uma morena cor de mel, sorriso cativante, lábios grossos, uma simpatia encantadoramente diabólica. Ângela, minha querida e santa mulher, contratou essa moça para trabalhar em casa. A capeta veste um curto short para suas atividades; normal para ela, para mim, uma tentação. O sangue ferve nas veias ao me deparar com as pernas roliças, perfeitas, daquela mulher. Todo dia Ângela sai para o trabalho, eu fico sozinho em casa na companhia da jovem Severina, esperta, na cozinha prepara um gostoso almoço, ela tem mãos de ouro, mãos encantadas, em tudo que pega, dá vida. Tenho até engordado. A diabinha em forma de mulher percebeu meus olhares cheios de maldades para seu corpo enfeitiçado. Certo manhã, ela entrou no meu gabinete, eu trabalhava em cima de um processo difícil. Severina varria distraída, vestia short de jeans, minúsculo, salientando o maravilhoso traseiro. Acabou-se minha concentração, eu olhava com o rabo do olho para a endiabrada, o sangue esquentava. O Demo conhece bem as fraquezas humanas. Ela se aproximou perguntando se eu era advogado, se tirava preso da cadeia. Foi direta, contou-me que um amigo, um ex-namorado, que tirou sua virgindade (uma provocação, detalhe desnecessário), estava na Detenção São Leonardo porque assaltou um posto de gasolina. No maior dengo, me chamando de patrão, disse que faria tudo, tudo mesmo (outra provocação da diabinha) para soltar o amigo. Eu me contive, a satânica, ao mesmo tempo angelical, chegou-se bem junto, o decote mostrava os seios pequenos e duros. Levantei-me respirando fundo, disse que iria pensar no caso, evitei continuar olhando, estava à beira do pecado. Sai do escritório antes que fizesse uma besteira.

À noite contei à Ângela que iria defender um amigo da empregada, omiti os detalhes da Belzebu que me acendeu uma constante fantasia. No sábado fui com a jovem Severina à cadeia falar com o marginal. Como não houve ferimento e ser primário crime, solicitei habeas-corpus para o preso esperar o julgamento em liberdade. Na volta, quando estávamos passando pelos motéis da Via Expressa, ela se abriu, falou no maior descaramento, notava meus olhares e queria agradecer na cama pelo que fiz por ela. Meu amigo… foi uma tarde maravilhosa de amor. A diaba sabe tudo na cama, me ensinou o caminho do purgatório. Ainda não tive coragem de me confessar, se eu morresse hoje, iria para o inferno! Fico torcendo para chegar logo quinta-feira, dia marcado para desfrutar de minha tinhosa. Em casa me seguro para não agarrá-la, estou encantado com a diabinha. Nunca pensei que um dia poderia ser envolvido pelos caprichos do Demônio. Esse pecado pode acontecer com qualquer cristão, o Cão sabe onde provocar nossas fraquezas”.

Perto de casa nos despedimos, atravessei a rua pensando, avaliando como Lúcifer serve de remissão à imperfeição humana.

DEU NO JORNAL

QUE VENHAM MUITAS LABAREDAS

O Palácio do Planalto faz uma caça às bruxas para tentar identificar quem vazou o vexame de Janja na reunião “confidencial”, como classificou o marido, cobrando do presidente da China, Xi Jinping, atitude de censura ao TikTok.

Seja porque a plataforma é orgulho dos chineses, como empresa mais valiosa do país, ou porque Janja não tinha “direito de fala” na reunião dos dois presidentes e seus ministros.

Ela se queixou do “algoritmo” que favoreceria “a direita”, no TikTok.

Petistas aproveitam para queimar uns aos outros.

A turma de Haddad (Fazenda) espalha que o traíra seria o desafeto Rui Costa (Casa Civil).

Lula ficou irritado ao constatar que o vazamento foi obra de ministros ou dos suspeitos de sempre, ou sejam, representantes do Congresso.

Lula ficou irritado porque foi pego em flagrante, na tentativa de envolver o presidente da China na censura das redes sociais que não controla.

* * *

Que coisa boa:

Petistas aproveitam para queimar uns aos outros.

Tá escrito na nota aí de cima.

Quanto mais fogo e combustível pra aumentar as chamas entre eles, melhor para o país.

Que as labaredas aumentem cada dia mais no meio do bando lulo-petralha.

DEU NO JORNAL

COMENTÁRIO DO LEITOR

PAPÉIS FUNDAMENTAIS

Comentário sobre a postagem ATÉ O PORTA-VOZ PERDEU A PACIÊNCIA COM A AMOSTRADA

Lindomar:

Nem dá para comparar com papel higiênico.

Nem todas as funções essenciais da vida recebem o devido reconhecimento.

Tomemos como exemplo dois elementos subestimados, mas absolutamente indispensáveis ao bom funcionamento de qualquer civilização minimamente organizada: a Primeira-Dama e o papel higiênico.

Ambos, à sua maneira, cumprem papéis silenciosos, porém fundamentais.

A Primeira-Dama, sempre presente, discreta quando necessário, firme quando exigido, cuida da imagem pública, ameniza crises com um sorriso, e muitas vezes é o elo mais humano entre o poder e o povo.

Já o papel higiênico, digamos… age nos bastidores, lidando com as consequências daquilo que o governo, com frequência, não consegue evitar.

Se o papel higiênico some, é notado na hora.

Se a Primeira-Dama se ausenta, algo também parece fora de lugar — e não é só protocolo.

Ambos evitam constrangimentos. Ambos sabem a hora certa de entrar em cena e, principalmente, quando é melhor sair calados.

E se por acaso alguém ousar pensar que a comparação é indevida, talvez falte compreender que elegância não é sinônimo de inutilidade.

Tanto a Primeira-Dama quanto o papel higiênico provam que aquilo que parece simples, ou decorativo, pode ser, na verdade, aquilo que impede a completa desordem — pública ou privada.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

COMENTÁRIO DO LEITOR

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR