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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

XICO COM X, BIZERRA COM I

PIRILAMPOS E VAGALUMES

Bem sei, deveria pirilampear em tua noite escura na mais pura esperança de te abraçar. Mas uma nuvem ainda mais negra e espessa, de tão carregada, me carregou de volta à solidão, velha companheira, não me deixando ser o vagalume desejado. Tentei, em vão, relampejar a minha claridade mas a cidade, sonolenta, preguiçosa e não desperta, impediu que meu sonho prosperasse. Neblinei-me, então. Convenci-me do nada a fazer a não ser enuvencer-me cinzento e chorar as mágoas junto com a chuva que avisava cair com trovões fazendo coro ao meu sofrer e a tristeza molhando o ao redor do meu rosto. Minha vida é noite e choro tempestades.

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SOBERANIA NACIONAL RELATIVA

Luís Ernesto Lacombe

O pária internacional é Bolsonaro… O criminoso é Bolsonaro… Ele é tirano, fascista, nazista, golpista, genocida. Toda punição a ele será pouca. E, como sangue não é água, Eduardo Bolsonaro, um de seus filhos, trabalha incansavelmente contra a soberania brasileira… Um absurdo. Onde já se viu a pessoa se licenciar da Câmara dos Deputados para ficar nos Estados Unidos, denunciando sem parar uma tirania que teria tomado conta do nosso país? A turma do Lula tenta insistir nesses papinhos e, para não entregar sua hipocrisia de vez, fecha os olhos e os ouvidos, de novo, para o que o petista fez e disse nos últimos dias. Não só ele, o presidente do STF também…

Depois de encontros com ditadores do mundo todo em Moscou, Lula foi a Pequim dizer que “a relação entre Brasil e China nunca foi tão necessária”. E ele não se referia apenas à questão comercial… O petista resolveu comparar suas “vitórias eleitorais” com a revolução de Mao Tsé-Tung… Tudo o que o sujeito queria para o nosso país já foi e é feito pelo Partido Comunista Chinês. E esse é desejo antigo do Lula. Em 2021, ele andava por aí, dizendo: “Esse partido na China tem poder e um governo forte. Quando tomar decisões, o povo respeitará essas decisões. Isso é algo que não temos no Brasil.” É, talvez ainda não completamente, mas a aliança STF-PT está empenhada nisso.

Lula e Janja, ou Janja e Lula, capricharam na ação. Na visita a Pequim, falaram a Xi Jinping dos “efeitos nocivos do TikTok”, destacando que o algoritmo da rede social chinesa favorece “o avanço da extrema direita no Brasil”… O anfitrião respondeu que nosso país tem o direito de regulamentar ou até banir a plataforma, se assim desejar. Resposta perfeita, do ponto de vista de um ditador. E Lula encheu o peito para dizer que “o companheiro Xi Jinping mandará ao Brasil um homem de sua inteira confiança, para debater com os brasileiros a melhor maneira de controlar o TikTok e, por extensão, as redes sociais”.

A soberania nacional pode esperar. O governo brasileiro parece mesmo aceitar de bom grado a intervenção da ditadura chinesa no controle de redes sociais, mídias digitais… De toda a internet, por que não? Se o objetivo é ser como a China, um passo de cada vez, até a censura total — no que os comunistas sempre foram mestres. Se o discurso do inimigo político é mais bem-sucedido nas plataformas, alguma atitude precisa ser tomada, e com autoridade. Só é importante ressaltar que, quando Janja, em Pequim, disse que o filme Ainda estou aqui mostra “os horrores de um regime autoritário”, ela estava se referindo apenas ao regime militar no Brasil e ao terrível período em que Bolsonaro foi o presidente. O Partido Comunista Chinês é só lindeza.

Se Lula acha que as leis que já temos não são suficientes para abarcar seu totalitarismo, que forças externas malignas assumam o controle e elaborem nova legislação… Talvez uma nova Constituição, já que a atual fala em democracia (não a relativa), em direitos humanos… Que mal pode haver em ser satélite de uma ditadura? Que mal pode haver em estar sempre do lado errado, bajulando os bandidos do mundo? Subserviência aos “malvadões certos” deve ter um lado bom. Se o povo não é soberano, por que o país como um todo deveria ser?

Soberania nacional, isso é tão relativo… Eduardo Bolsonaro é quem a ataca. Menino rebelde. Bom mesmo é o presidente do STF, Luís Roberto Barroso. Em evento em Nova York, esta semana, ele disse que, na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral, pediu ajuda ao governo de Joe Biden para que fizesse declarações de apoio à “democracia brasileira”. Ele esteve muitas vezes com o encarregado de negócios americano, com representantes do Departamento de Estado. O ministro contava com a influência, com a pressão de Washington no Alto Comando das Forças Armadas brasileiras, para evitar a eventual adesão a um golpe. Ele afirmou que nossos militares “não gostam de se indispor com os Estados Unidos”… Na época, até o secretário de Defesa americano desembarcou em Brasília para uma série de encontros com autoridades militares e civis.

Assim, viramos um país pelo avesso, invertido, pervertido, corrompido, em que tirania é a solução de todos os problemas, em que liberdade é desnecessária, perigosa, a grande ameaça. Somos, enfim, um país de cabeça para baixo, bagunçado, em que bandidos viraram mocinhos e mocinhos viraram bandidos. Somos um país de ponta-cabeça, como no insano mapa-múndi do IBGE, exibido em Pequim pelos sorridentes Márcio Pochmann e Dilma Rousseff. Somos um país sem a soberania do povo, com a soberania nacional ameaçada, se fingindo muito mal de “protagonista”, de “líder importante”… Somos já uma ditadura, que a turma do STF e do PT teima em chamar de democracia.

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A CRISE JÁ ESTÁ CONTRATADA

Editorial Gazeta do Povo

Lula crise fiscal

Governo Lula está armando bomba fiscal que pode explodir em 2027

“Herança maldita” era uma das frases favoritas de Lula em sua primeira passagem pelo Palácio do Planalto, para se referir ao país que recebera de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Era mentira, obviamente: apesar dos percalços, em 2003 o tucano entregara ao petista um país em que a hiperinflação havia se tornado coisa do passado, e que tinha uma Lei de Responsabilidade Fiscal e um tripé macroeconômico destinado a perpetuar as conquistas do Plano Real. Agora que está de volta ao governo, Lula voltou a usar a expressão para culpar a gestão de Jair Bolsonaro por todos os problemas atuais. Na verdade, “herança maldita” foi o que o petismo deixou em 2016, na forma da pior recessão da história do país – e é o que Lula entregará a seu sucessor (ou a si mesmo, caso concorra e vença no ano que vem) em 2027.

Ao fim de 2026, o Brasil será um país com contas públicas gravemente desequilibradas e crescimento acelerado da dívida. A Dívida Bruta do Governo Geral já subiu 4,5 pontos porcentuais desde que Lula iniciou seu terceiro mandato, chegando a 75,9% do PIB. O indicador já está acima da média de países emergentes e da América Latina, mas deve subir ainda mais. Levantamento do Banco Central com instituições financeiras aponta para uma dívida de 94% do PIB em 2034; a Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, estima que a dívida subirá para 84% do PIB até 2026, 90% entre 2028 e 2029, e ficará na casa dos 95% no início da próxima década. Nas contas do FMI, que usa uma metodologia diferente por incluir na conta os títulos do Tesouro em poder do Banco Central, a dívida brasileira chegará perto de 100% do PIB ainda nesta década.

Enquanto isso, o governo segue incapaz de controlar seus gastos. O arcabouço fiscal proposto pelo próprio PT para substituir o teto de gastos implantado em 2016 já nasceu frouxo, e foi desmoralizado antes de completar seu primeiro ano de vigência, com mudanças nas metas de resultado primário. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, já afirmou que o ajuste fiscal ficará para o próximo mandato presidencial. Ainda que parte das dificuldades se deva ao engessamento do Orçamento da União, algo que não foi produzido pelo PT, é inegável que Lula piora o problema ao insistir no gasto sem fim do governo como meio de manter a economia artificialmente aquecida.

O resultado de políticas irresponsáveis não poderia ser outro, a não ser a combinação mortal de inflação, resultado da desvalorização da moeda causada pela sandice fiscal, e juros altos, que são a reação do Banco Central para frear o processo inflacionário, já que o governo não faz sua parte. Essa dupla prejudica especialmente a população mais pobre, aquela que o petismo diz defender. Enquanto os mais ricos têm recursos e informação para se proteger da inflação, inclusive usando os juros altos a seu favor, aos pobres só resta ver seu poder de compra sendo corroído, as linhas de crédito tornando-se cada vez mais caras e escassas, e o endividamento subindo. Diante desse cenário, a única resposta que o governo sabe dar é estimular ainda mais a demanda, o que só serve para alimentar a espiral de inflação e juros.

Em 2014, os sinais da recessão futura já estavam disponíveis para quem quisesse vê-los, mas Dilma Rousseff conseguiu segurar artificialmente alguns indicadores e garantiu a reeleição – só depois a inflação, os juros e o desemprego dispararam, enquanto o PIB afundava. Agora, os juros já estão altos e o país vem colecionando déficits primários desde o início de Lula 3, mas o petista tentará a todo custo fazer a população crer que a economia vai bem, para conseguir mais quatro anos no Planalto. A irresponsabilidade fiscal que caracteriza este governo, no entanto, nos dá a certeza de que a crise já está contratada; só resta saber quando ela explodirá.

PENINHA - DICA MUSICAL

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