Bem sei, deveria pirilampear em tua noite escura na mais pura esperança de te abraçar. Mas uma nuvem ainda mais negra e espessa, de tão carregada, me carregou de volta à solidão, velha companheira, não me deixando ser o vagalume desejado. Tentei, em vão, relampejar a minha claridade mas a cidade, sonolenta, preguiçosa e não desperta, impediu que meu sonho prosperasse. Neblinei-me, então. Convenci-me do nada a fazer a não ser enuvencer-me cinzento e chorar as mágoas junto com a chuva que avisava cair com trovões fazendo coro ao meu sofrer e a tristeza molhando o ao redor do meu rosto. Minha vida é noite e choro tempestades.

Essa coluna do gênio Xico Bizerra lembra episódio do passado. A Gráfica Flamar decidiu fazer propaganda a partir das cores. A mim coube o azul. Escrevi assim:
Em volta da mesma luz
As borboletas azuis
Dos meus tempos de menino
Parecem voltar nos anos
E agora são desenganos
Em volta do meu destino.
Meu caro Doutor, sem a beleza de seus versos, ousei falar de cores e assim disse:
Coubesse-me falar de cores,
Da amarela dos amores
Diria de sua beleza;
E por estar tão presente,
É feliz, nunca ausente,
Brincando com a natureza ..
Amar ela
Amar ele.
Amar é lei.
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