Rapaz! A freira mandou um beatbox ao vivo enquanto a amiga quebra tudo na dança! pic.twitter.com/j4Ra3kOb0U
— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) May 22, 2025
Rapaz! A freira mandou um beatbox ao vivo enquanto a amiga quebra tudo na dança! pic.twitter.com/j4Ra3kOb0U
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Em vez de reduzir despesas, o governo se utiliza de sua conhecida falta de escrúpulos para aumentar impostos.
Aproveita para reiterar seu ódio à classe média, que viaja, passando o IOF de 1,1% para 3,5%.
* * *
A nota aí de cima fala em “ódio à classe média”.
O ódio que esse bando tem pela classe média já foi bem exposto por uma militante lulo-esquerdoide, fundadora do PT.
“Eu odeio a classe média”, bradou ela, com Lula ouvindo e se rindo-se.
Aumentar taxas e impostos está dentro do padrão odioso.

Aluisio Lopes glosando o mote:
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.
Um pequeno vivente exilado
Canta o solo agrural da orfandade
No pequeno calabouço da saudade
Uma lágrima, no canto afinado
Lembra o laço que o tornou destronado
Do seu reino, velho angico altaneiro
Dos filhotes, não sabe o paradeiro
Um covarde caçador desfez seu ninho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.
Vá na mata , sinta o cheiro da ramagem
O olor das flores, seu verdume
As abelhas doidivanas, no costume
Um regato cristalino, bela imagem
Borboletas multicores em passagem
Pergunte lá; se está tudo prazenteiro
Se, sem musica, sem cantor, isto é certeiro
Fauna e flora lhe responde: é só espinho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.
Sob o visgo da covarde armadilha
De um covarde que não teve coração
Mente má que semeia escuridão
Mão cruel que apaga a luz que brilha
Que descarta a liberdade da cartilha
Que despreza o que disse o conselheiro
Ainda há tempo se arrependa companheiro
Deixe o menestrel voltar pro seu cantinho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.
Quem não fez nenhum crime, o que merece?
Sem juízo, viver posto na prisão?
Pegar pena perpétua, sem razão?
Então, o que quer que ele confesse?
Se o homem é o rei, por que se esquece?
Que liberdade, só presta por inteiro
Que esse bicho pequenino é o curandeiro
Dos que sofrem na mata sem carinho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.
O pentagrama natural da mãe natura
Sente a falta das notas do cantor
Quando em solo delirante, o torpor
Invadia tudo em sua tablatura
O compasso da pequena criatura
Fez-se pausa no tempo, em tempo inteiro
Em exílio eternal do seu terreiro
Melancólico, canta então pobre bichinho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.
Um corista está faltando no coral
A sinfônica sente a falta do cantor
Sente a flora, o gorjeio que faltou
A cantata de então não é igual
Sua falta faz falta no festival
Se perturbe, se comova carcereiro
Quebre as talas, abra a porta do viveiro
Deixe a mata ter de volta o cantorzinho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.
* * *
Jó Patriota de Lima glosando o mote:
Passa tudo na vida, tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece.
Passa dia por mês e mês por ano
Passa ano por era, era por fase
Nessa base tão triste eu vejo a base
Do destino passar de plano em plano
Com a mão da saudade o desengano
Passa dando um adeus fazendo um S
Vem a mágoa o prazer desaparece
Quando chega a velhice, foge a graça,
Passa tudo na vida, tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece.
* * *
Gregório Filó glosando o mote:
Meu engenho de saudade
Quebra cana todo dia.
O meu engenho de aço
Não moeu mais uma cana
Já faz mais de uma semana
Que um alfenim eu não faço
Não vendi mais um cabaço
De garapa a freguesia
A máquina da nostalgia
É que trabalha à vontade
Meu engenho de saudade
Quebra cana todo dia.
Nunca mais fiz uma farra
Por causa da falta dela
Vou como um boi de barbela
Atrelado à almanjarra
A moenda só esbarra
De encontro à melancolia
E a fornalha não esfria
Queimando a felicidade
Meu engenho de saudade
Quebra cana todo dia.
* * *
Manoel Xudu glosando o mote:
A viola é a única companheira
Do poeta nas horas de amargura.
Se eu morrer num sábado de aleluia
E for levado ao campo mortuário,
Se alguém visitar o meu calvário,
Jogue água em cima com uma cuia.
Leve junto a viola de imbuia,
Deixe em cima da minha sepultura.
Muito embora que fique uma mistura
De arame, de pus, terra e madeira,
A viola é a única companheira
Do poeta nas horas de amargura.
Lula deve ter notado que foi vaiado três vezes na Marcha dos Prefeitos, no Centro Internacional de Convenções, lotadíssimo — dizem que havia 14 mil entre prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Foi vaiado três vezes. E, no dia seguinte, Bolsonaro foi recebido lá como se presidente da República fosse, aos gritos de “mito, mito, mito”. Ele deve ter notado isso. E vai olhar as pesquisas, vai ver que a reprovação já está ficando cada vez mais longe da aprovação. Mesmo com o Sidônio, o marqueteiro, fazendo força. Mas está difícil. Os erros dele e de Janja puxam para baixo.
Aí ele quer compensar fazendo bondades com o nosso dinheiro. A mão que dá é a dele. Agora, o bolso que paga é o nosso. Eletricidade de graça para quem ganha até meio salário-mínimo por mês, R$ 759. E com desconto de 12%, que vem de um fundo — que é descontado —, do qual não será cobrado quem ganha de meio até um salário-mínimo. Os demais vão pagar na conta de luz. E dizem que isso dá uns bons R$ 3,6 bilhões que os consumidores de energia elétrica usuais vão pagar.
Nenhuma medida para resgatar os pobres da pobreza. Por quê? Seria pelo ensino, não é? Fazer com que as pessoas tenham possibilidade de alcançar empregos que paguem mais. Porque o próprio Lula revela isso. Ele fez um discurso, perante sindicalistas, dizendo que o metalúrgico, quando passa a ganhar R$ 4 mil ou R$ 5 mil por mês, deixa de votar no PT. Quem sai da pobreza deixa de votar no PT, segundo Lula. Então, tem que manter um grande número de pobres — eleitores — com Bolsa Família, sem saída, e com presentes de gás, de energia elétrica, essas coisas, para estimular o não fazer nada.
Como há uma queixa generalizada no Nordeste: as pessoas precisam de mão de obra, e a mão de obra recebe Bolsa Família e não se oferece para trabalhar, porque pode ganhar sem precisar trabalhar.
* * *
Crime institucionalizado
Um outro assunto: procurei o deputado Joaquim Passarinho (PL-PA) para confirmar, mas não obtive retorno. Em uma reunião hoje, da frente parlamentar que reúne a livre iniciativa em geral — agricultura, comércio, indústria —, há grande preocupação com a segurança pública. E citaram o deputado Joaquim Passarinho, que teria dito que o crime está em toda parte no Brasil — inclusive dentro do Congresso. E a gente sabe que o crime elege deputado, elege prefeito, vereador, senador, governador. Há coisas feitas na área de combustíveis, por exemplo, onde o crime atua.
Vocês sabem que o crime, hoje, tirando as grandes estatais — Petrobras, os grandes bancos, Banco do Brasil, Itaú, etc. — é o quinto grupo econômico mais poderoso do país. E prefere a área de combustíveis. Há ações que só acontecem com anuência do secretário da Fazenda, do governador, de senador, etc. Então, está mesmo infiltrado.
Só para entendermos: resolver o crime não é função apenas da polícia. A polícia é só a ferramenta. Resolver o crime é função da lei. Lei que precisa ser feita no Congresso Nacional. Não leis lenientes, que favorecem o criminoso. “Ele tem dez passagens na polícia”, “foi solto por várias audiências de custódia e continua assaltando”, “cumpre um sexto da pena e vai embora”, “ganhou tanto que é vantagem ficar três anos na prisão”. São essas leis que precisam ser mudadas.
Só para lembrarmos desse assunto — além da corrupção, suborno, juiz… tem de tudo. A pessoa que era séria acaba obrigada a ser cúmplice. Coisa pesada.
* * *
Desenvolvimento travado
E só para lembrar — que eu não mencionei aqui — o Senado aprovou uma mudança no licenciamento ambiental, que agora vai para a Câmara. Tomara que seja votado logo, para destravar o país. Meu Deus do céu! Essa gente é contra o país, não quer que o país se desenvolva. Veja só a história da — acho que é — Ferro Norte, uma ferrovia necessária.
E mais: a conquista do território brasileiro. O Brasil só é Brasil quando tem pé de brasileiro em cima. Senão, está sujeito a vir estrangeiro explorar de tudo, inclusive terras raras, minerais raros e estratégicos.
Nacionalismo é aquilo que Aldo Rebelo prega — e ele era um homem do PCdoB. Só para lembrarmos que temos que cuidar da soberania, sim.
Comentário sobre a postagem FIQUEM CALADOS!!!
Luci Oliva:
QUE CULTURA?
Será que é por ter “abrido” algo para ele?
Se for ele é “inresponsável” e cheio de “ploblemas”.
Até os “cidadões” estão pedindo uma “salma” de palmas para ela.
Está se achando uma “faraona”.
Os 91 veículos para ministros e outros funcionários do Supremo Tribunal Federal (STF) custaram R$ 746.031,71 aos pagadores de impostos, apenas entre janeiro e fevereiro deste ano.
A frota conta com belas pick-ups como Toyota Hilux e Nissan Frontier, além de modelos mais confortáveis como Toyota Corolla e Ford Fusion.
O mais antigo é um Ford Landau, de 1977, que fica exposto no museu da Corte.
Com combustível, o Supremo torrou mais de R$ 112,5 mil nos dois primeiros meses deste ano; R$ 81,2 mil só em fevereiro.
Para não andar em carro empoeirado, o tribunal banca as lavagens: foram R$ 22,7 mil para dar aquele trato e só em janeiro.
* * *
Não há razão alguma para a imprensa publicar este tipo de notícia, com ironias ferinas.
Os veículos devem estar à altura das autoridades que transportam.
Bem limpinhos, bem lavados.
E o gasto com combustível está normal, normal.
Tudo dentro do padrão.
Lisboa. Mais conversas, hoje só com escritores e afins, em livro que estou escrevendo (título da coluna).
ALBERTO VENÂNCIO, da Academia Brasileira Letras – ABL. Perguntei, no passado que passou,
– Amigo, o que é preciso para entrar na Academia?
– Primeiro entrar, depois ser eleito.
ANTONIO CARLOS SECCHIN. Na Academia Brasileira de Letras, candidato pediu seu voto com um soneto lastimável. Secchin preparou resposta, na hora, Homero ou Petrarca?
– Amigo, seu soneto é um colosso,
Isso eu faço questão de lhe dizer.
Porém votar está virando osso
Cada vez mais difícil de roer.
Como escolher entre Homero e Petrarca?
Melhor um narrador ou um sonetista?
Todos deviam entrar nessa arca,
Cabe um topázio e cabe uma ametista.
Todavia, o comboio é bem restrito:
São quarenta lugares, nada mais.
Se pudesse, confesso, bem aflito,
Duzentos eu faria imortais!
Agora, amigo, revelo sem jeito
Voto em você, mas num próximo pleito.
* * *
Manuel Bandeira dizia que um poema de Racine, composto por 12 versos monossílabos, seria impossível de igualar: Le jour n´est pas plus pur que le fond de mon coeur (O dia não é mais puro que o fundo do meu coração). Secchin conseguiu essa proeza memorável, e talvez até superou, no enorme poema Luz:
– Ao ver
o não
que sai
da dor
o som
da voz
já vai
no sim
no tom
do céu
não vi
mais luz
do que
no sol
que há
em mim.
* * *
ARIANO SUASSUNA, da ABL. Em uma de suas aulas-espetáculo disse, de nosso país,
‒ Alemanha bebe cerveja
Já Brasil bebe Pitú
Alemanha toma na taça
O Brasil toma na rima.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, poeta. Tinha barco a vela que batizei com verso de seu Poema de sete faces (aquele do “Mundo mundo, vasto mundo), que era “Mais vasto é o meu coração”. Mandei foto e ele respondeu:
‒ Meu verso num barco ‒ haverá maior prêmio para um poeta?
DOMÍCIO PROENÇA, escritor. Marcos Vilaça (presidente da ABL) recebeu convite para falar, em São Paulo, sobre a literatura brasileira. Sem tempo para escrever, explicou ao amigo que estava numa enrascada. Sem dizer nada ele, dia seguinte, lhe entregou o discurso já pronto. Depois, Vilaça disse como foi:
‒ Seu Domício, você foi aplaudidíssimo.
EDUARDO GALEANO, escritor. Em seu livro Os filhos dos dias, escreveu:
‒ Dezembro, 11.
No final de 2010, o escritor José Paulo Cavalcanti concluiu sua Pesquisa de muitos anos sobre alguém que sonhou ser tantos. Cavalcanti descobriu que Pessoa não abrigava cinco, nem seis: levava cento e vinte e sete hóspedes em que corpo magro, cada um com seu nome, seu estilo e sua história, sua data de nascimento e seu horóscopo. Seus cento e vinte e sete habitantes haviam assinado poemas, artigos, cartas, ensaios, livros… Alguns deles tinham publicado críticas ofídicas contra ele, mas Pessoa nunca havia expulsado nenhum, embora deva ter sido difícil, suponho, alimentar uma família tão numerosa.
EMÍLIO DE MENEZES, poeta, da ABL. Morreu amigo dos dois conhecido como Enxada. E Emílio informou a Machado de Assis, então presidente da ABL:
– MACHADO, ENXADA FOI-SE.
FERNANDO SABINO, romancista. Informado pelo filho de que Otto, Paulo Mendes Campos e Hélio Pelegrino estavam na Europa, seu Domingos (pai de Oto) não se conteve:
‒ E é tempo de jaboticaba, por lá?
* * *
Chega um jovem escritor com seu primeiro livro, de 800 páginas, e pede:
‒ Por favor, mestre, dê sua opinião sobre minha obra.
‒ Perdão, mas não tenho tempo.
‒ Então escreva o prefácio.
‒ Se não vou ler, como posso fazer isso?
‒ Pelo menos dê o título.
Sabino achou que era demais e respondeu à altura:
‒ Tem tigres?
‒ Como?
‒ No seu livro tem aqueles animais da África?
‒ Não.
‒ E tubas?, como nas bandas do interior.
‒ Também não.
‒ Então esse título poderia ser Nem tigres, nem tubas.
‒ E o senhor vá para a puta que o pariu.
‒ Vou, com prazer, desde que não tenha que ler a merda do seu livro.
FRANCISCO SEIXAS DA COSTA, Escritor e embaixador de Portugal na ONU, no Brasil e outros países. Anos 70, estava em sua sala no Ministério dos Negócios Estrangeiros de Lisboa e toca o telefone:
‒ Pode fornecer o telefone da casa do embaixador (e deu o nome)?
‒ Não prefere ligar para a central?
‒ Sou filho do embaixador. Ou me quer dar o número ou não quer.
Como esse pai era seu amigo (preferiu não dizer o nome), perdoou a grosseria. Procurou e informou, ao jovem que ligava. Sem agradecimentos, por isso. Dia seguinte, um colega:
‒ Já sabes do filho do embaixador “fulano”? Suicidou-se ontem.
Conferiu a hora, foi pouco depois do telefonema que recebeu.
GILBERTO FREYRE, sociólogo. No solar de Santo Antônio dos Apipucos (Recife), para José Lins do Rego o “Vaticano do Recife”, era usual receber pessoas ilustres ‒ de Jânio Quadros a Carlos Lacerda, do cineasta italiano Roberto Rosselini ao conde inglês sir John Russel. Servindo sempre, a todos, seu famoso Conhaque de Pitanga. Preparado por ele mesmo com pitangas vermelhíssimas, colhidas em seu pomar e colocadas em garrafas com cachaça de cabeça. Mais canela da casa e um licor de rosas fabricado por freiras do Convento do Bom Pastor (Garanhuns), que exigia fossem virgens. Quanto ao sabor, não há consenso. Segundo lenda, o romancista norte-americano John Roderigo dos Passos bebeu uma garrafa inteira sem reclamar. Enquanto Rubem Braga provou só meio cálice, fez muxoxo e disse “prefiro uísque”. Naquela tarde a liturgia e a pompa, na sala, eram as mesmas. Ocorre que sua mulher interrompeu a conversa mostrando, a todos, um envelope fechado:
– Querido, correspondência para Gilberto Freire sem ipslon. Que faço?
– Devolva, destinatário desconhecido.
Admitindo fosse algo importante, ou mesmo alguma conta para pagar, insistiu:
– Mas não seria bom abrir, antes, para saber do que se trata?
– Magdalena, é crime violar correspondência alheia.
* * *
Apesar de brigar com Oswald de Andrade, sempre o elogiava, reconhecendo ter sido fiel aos ideais da semana de 22. E ele próprio contou essa história, numa conferência. Quando morreu o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva (Lampião), Oswald reclamou:
– Puxa, e por que não aproveitaram para também matar Gilberto Freyre?
HUMBERTO WERNECK, cronista (e contador de histórias). Em seu discurso de posse na Academia Mineira de Letras, comentando o fato de que muitos engordam depois da posse na Academia Brasileira:
‒ É mais fácil entrar na Academia que naquele fardão.
JESSIER QUIRINO, poeta. Fotografou na Feira do Rangel (bairro do Cristo Redentor), em João Pessoa, cartaz de uma empresa desentupidora de fossas com essa placa que é verdadeira poesia:
‒ Limpa fossas “A Rainha da Merda”.
JORGE AMADO, romancista. No livro Toda a saudade do mundo (A correspondência de Jorge Amado e Zélia Gattai), palavras de Jorge Amado:
– “Ontem jantávamos, à noite, no Leite… No outro extremo da sala, numa mesa grande, jantava uma família. Dessa mesa saíram duas meninas, de uns dez ou onze anos, e vieram me pedir autógrafo num caderno de notas (eram, pelas idades, Lia e Hebe – irmãs logo abaixo de mim). Dei o autógrafo e cumprimentei, com a cabeça, o pessoal da mesa. Pai e mãe das crianças. Muito bem. Jantamos lauta e esplendidamente. Boa comida e refrescos de mangaba e cajá. Sobremesa, café. A família da outra mesa retirava-se já, nós nem notamos quando saíram. Chamamos o garçom para pagar mas, em vez da conta, ele trouxe uma garrafa de champagne Viúva Clicquot, francesa legítima. Serviu-nos, declarando que o jantar nosso estava pago, incluindo champagne, conhaque, licores e tudo o mais que quiséssemos, pelo doutor José Paulo Cavalcanti, meu leitor e pai das duas meninazinhas. Diante de que Paulo e Dóris Loureiro, logo acompanhados por Tânia e Carlos Pena, puseram-se a cantar o hino de Pernambuco”.
Meu pai teria gostado, se lesse.
JORGE LUIS BORGES, romancista. Em 1955, um ano depois da morte de Evita (que o prestigiava), Perón demitiu Borges de uma sinecura na Biblioteca Nacional de Buenos Aires. Reação de Borges:
‒ Perón é um miserável.
Mas não durou muito, no poder; que, logo, foi para o exílio. Voltou depois brevemente, ao governo, para morrer em 1973. Pediram opinião de Borges, sobre ele, na esperança de que fosse generoso. Resposta:
‒ Perón é um miserável morto.
ROBERTO DA MATTA, antropólogo. Dei parabéns por ter recebido o prêmio Machado de Assis (votei nele), da ABL. Respondeu:
‒ Você é o melhor amigo de infância que fiz depois de velho.
* * *
Lembrava sempre, ao mestre Onésimo Teotônio Almeida, provérbio popular italiano atribuído a um autor célebre:
‒ Il Dante dice:
Si la forza é bene,
Avante con il pene
Si la forza mingua,
Avante con la lingua
Si l’esforzo è nulo,
Avante con il culo.
Ma… sempre avante!
RUBEM BRAGA, cronista. Era de Cachoeiro de Itapemirim, como Roberto Carlos. A Ditadura Militar proibiu Oswaldo França Júnior, piloto da Força Aérea Brasileira, de voar. Sob acusação de ser subversivo. Decisão cruel porque não sabia fazer outra coisa, na vida. Ruben, com sua conhecida ironia, observou:
‒ Ainda bem que não era Oficial de Infantaria. Poderiam tê-lo proibido de andar a pé.
RUY CASTRO, da ABL. Carioca da gema, foi contratado como jornalista para passar algum tempo em São Paulo e voltou só 16 anos depois. Perguntei:
– Por que demorou tanto?, amigo.
– É que o Rio nos seduz e São Paulo nos suborna.
XICO BIZERRA, poeta e músico. Certo dia, viu o doido de estimação da rua subindo num poste. E o interpelou:
– Que vai fazer lá em cima, doidinho?
– Vou chupar manga.
– Mas isso não é uma mangueira.
– Eu sei, é um poste, a manga está no meu bolso.
BR-3 é uma canção composta por Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, defendida por Tony Tornado no V Festival Internacional da Canção de 1970. Trata-se de uma canção soul music.
Tony Tornado, nome artístico de Antônio Viana Gomes, é um renomado cantor e ator brasileiro, nascido em 26 de maio de 1930, em Mirante do Paranapanema, São Paulo.
Tony Tornado teve uma infância difícil. Aos 12 anos, fugiu de casa e se mudou para o Rio de Janeiro, onde viveu como menino de rua, vendendo amendoim e engraxando sapatos. Aos 18 anos, serviu na Escola de Paraquedismo de Deodoro e, em 1957, lutou no Canal de Suez.
A canção BR-3, foi defendida por Tony Tornado, no V Festival Internacional da Canção de 1970, onde conquistou o primeiro lugar. É um ícone da Black Music nacional e deu nome ao primeiro álbum da carreira de Tony Tornado.
Essa composição representa a Corrida Contra o Tempo e o Sistema, uma poderosa crítica social embalada pelo ritmo da soul music brasileira.
A letra da canção, que se repete em um refrão contagiante, fala sobre a corrida incessante na BR-3, uma metáfora para a vida e suas adversidades. A repetição das frases ‘A gente corre’ e ‘A gente morre’ na BR-3 sugere um ciclo vicioso de esforço e fatalidade, onde as pessoas estão constantemente em movimento, mas também constantemente enfrentando o risco de morte.
O trecho que menciona um ‘foguete rasgando o céu’ e um ‘Jesus Cristo feito em aço’ pode ser interpretado como uma crítica à modernidade e ao progresso tecnológico que, apesar de avançados, ainda são incapazes de salvar a humanidade de suas próprias mazelas. A imagem de Jesus Cristo crucificado novamente evoca a ideia de sofrimento recorrente e a ineficácia das soluções oferecidas pelo sistema.
A ‘viagem multicolorida’ e o ‘novo herói de cada mês’ podem representar as distrações e as efêmeras figuras de idolatria que surgem na sociedade, desviando a atenção das questões mais profundas e perenes. A ‘notícia fabricada’ e o ‘crime no longo asfalto’ apontam para a manipulação midiática e a violência que permeiam o cotidiano, sugerindo que a realidade é muitas vezes distorcida ou ignorada. Em suma, BR-3 é um retrato crítico da sociedade, que desafia o ouvinte a refletir sobre a direção em que estamos correndo e o preço que pagamos por isso.
O trecho que menciona um ‘foguete rasgando o céu’ e um ‘Jesus Cristo feito em aço’ pode ser interpretado como uma crítica à modernidade e ao progresso tecnológico que, apesar de avançados, ainda são incapazes de salvar a humanidade de suas próprias mazelas.
A imagem de Jesus Cristo crucificado novamente evoca a ideia de sofrimento recorrente e a ineficácia das soluções oferecidas pelo sistema.
A ‘viagem multicolorida’ e o ‘novo herói de cada mês’ podem representar as distrações e as efêmeras figuras de idolatria que surgem na sociedade, desviando a atenção das questões mais profundas e perenes.
A ‘notícia fabricada’ e o ‘crime no longo asfalto’ apontam para a manipulação midiática e a violência que permeiam o cotidiano, sugerindo que a realidade é muitas vezes distorcida ou ignorada.
Em suma, BR-3 é um retrato crítico da sociedade, que desafia o ouvinte a refletir sobre a direção em que estamos correndo e o preço que pagamos por isso.
A gente corre (E a gente corre)
Na BR-3 (Na BR-3)
E a gente morre (E a gente morre)
Na BR-3 (Na BR-3)
Há um foguete
Rasgando o céu, cruzando o espaço
E um Jesus Cristo feito em aço
Crucificado outra vez
A gente corre (E a gente corre)
Na BR-3 (Na BR-3)
A gente morre (E a gente morre)
Na BR-3 (Na BR-3)
Há um sonho
Viagem multicolorida
Às vezes ponto de partida
E às vezes porto de um talvez
A gente corre (E a gente corre)
Na BR-3 (Na BR-3)
A gente morre (E a gente morre)
Na BR-3 (Na BR-3)
Há um crime
No longo asfalto dessa estrada
E uma notícia fabricada
Pro novo herói de cada mês