De tudo o que foi escrito na coluna, implicitamente notamos uma coisa boa:
O cidadão pode ser o maior ignorante em tudo que é quanto assunto, ele pode não estar nem aí para qualquer análise feita por qualquer “especialista” sobre qualquer coisa, ele pode ainda morar em uma caverna sem qualquer contato com o mundo externo!
Se, no entanto, inadvertidamente ele for perguntado sobre qualquer assunto, ele só precisa devolver com outra pergunta:
– A imprensa e o PT são a favor? Se sim, a coisa não presta e sou contra!!!
Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, protocolou requerimento de urgência para o PL da Anistia
Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, já protocolou o pedido de urgência para a votação do projeto de lei da anistia. Urgência, no caso, significa votar depois da Páscoa. Tem a assinatura de mais de metade dos deputados, embora um ou dois tenham retirado a assinatura, sabe-se lá por quê. Esse pedido de anistia foi empurrado por decisões do Supremo, como a que não contemplou a necessidade de Clezão ir para casa se tratar, e ele morreu na cadeia. Ou o caso da Débora; todos sabem que ela não estava armada a não ser com um batom, que ela não causou nenhum dano à estátua granítica da deusa da justiça. Esses exageros do Supremo é que levaram a esse pedido de anistia.
E é bom lembrar que a anistia está prevista na Constituição. O artigo 48, inciso VIII, diz que é competência do Congresso Nacional conceder anistia. Então, não existe essa de dizer que não pode. O Congresso pode, porque o poder do povo foi transferido aos congressistas pelo voto. Ou então não é democracia.
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8 de janeiro e facada em Bolsonaro têm inúmeras questões sem resposta
Quando se fala do 8 de janeiro, surgem alguns nomes que estão fora dos processos. Por que não investigaram o general Gonçalves Dias? Ele aparece em várias gravações dentro do Palácio do Planalto, ciceroneando, oferecendo água para os primeiros que entraram lá, e mesmo assim não foi citado em nada. É inexplicável.
Este é apenas um caso, há outros ainda mais misteriosos, em que nem os nomes aparecem. Vejam a facada de Adélio Bispo em Jair Bolsonaro; ela continua tendo efeitos que vão durar por toda a vida de Bolsonaro. Essa provavelmente não será a última cirurgia, porque a consequência de operações que abrem o abdômen e manipulam o intestino delgado é exatamente isso: aderências que vão grudando e dificultando a circulação dentro do intestino. A cirurgia resolve o problema agora, mas daqui a um tempo ele volta.
O que as pessoas se perguntam é: Adélio agiu sozinho? Aí aparecem nomes de pessoas que poderiam ter influenciado Adélio, que criaram o álibi autorizando Adélio a entrar no gabinete de um deputado – um falso Adélio, um falso registro, um álibi – no mesmo dia em que ele atacaria Bolsonaro. Estava tudo pronto. E parece que, depois da facada, Adélio ficou perturbado e acabou preso. Isso não estava no script. Aí aparecem advogados de repente. Quem chamou os advogados? Quem pagou os advogados? Tudo isso volta a ser falado, até que seja esclarecido. Enquanto não responderem a essas grandes perguntas, o assunto vai permanecer.
A manifestação do 8 de janeiro também tem a ver com perguntas não respondidas. Ela aconteceu porque as pessoas não entenderam a apuração de votos. Vejam a quantidade de gente que se mobilizou espontaneamente em Natal, ao saber que Bolsonaro estava por lá. E o resultado da eleição em Natal diz que Lula ganhou. Mas comparem as manifestações de rua com Bolsonaro e as viagens de Lula; o povo tem dúvidas, e elas continuarão até que o Congresso decida como se faz uma apuração de voto confiável e, sobretudo, transparente, auditável. Na Alemanha aconteceu assim: fizeram tudo digital, e depois a Justiça decidiu que não pode, porque o eleitor não está entendendo como o voto dele foi contado.
Carolina Maria de Jesus (1914-1977), no dia do lançamento de Quarto de Despejo
Tom Farias, pseudônimo de Uélinton Farias Alves, Rio de Janeiro (1960), biógrafo negro de mão-cheia, relança a história de vida da poetisa, contista, memorialista, compositora, atriz, mulher, independente, Carolina Maria de Jesus, favelada, catadora de lixo por mais de doze anos na favela Canindé (SP), que se tornou uma das maiores escritoras do Brasil.
Nascida no município de Sacramento (MG), em 14 de março de 1914 e encantada no dia 13 de fevereiro de 1977, em São Paulo, onde viveu boa parte de sua vida na favela Canindé, Zona Norte de Sampa, sustentando, sozinha, três filhos de pais diferentes, apenas catando papéis.
Foi nesse período, 1960, que teve seu diário, “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada,” publicado pela Editora Francisco Alves, com o auxílio do jornalista alagoano Audálio Ferreira Dantas, que visitou a favela para fazer umas reportagens para a revista O Cruzeiro, tornando-a mundialmente conhecida. Nesse livro ela retrata o realismo cruel e degradante da favela de Canindé, onde parecia que o mundo da miséria tinha sua sucursal ali.
Depois do estrondoso sucesso do lançamento do quarto de despejo, Carolina Maria de Jesus, mais uma vez incentivada pelo jornalista Audálio Dantas, publica Casa de Alvenaria 1, onde registra os primeiros meses que morou em Osasco (SP) e Casa de Alvenaria 2: registra os meses que ela viveu em Santana (SP), onde ela descreve sobre as contradições cruéis de seu tempo, que não é diferente hoje. A fome, a miséria e o abandono ceifando vidas, e restos de comida jogados no lixo pelos donos dos armazéns todos os dias, não sendo distribuído com os pobres catadores de lixo; Pedaços de Fome e Provérbios (1963), são relatos dessas histórias desumanas do cotidiano da favela que estavam guardados em mais de quinze cadernos que Carolina mantinha num baú especial do seu barraco de madeira.
Carolina Maria de Jesus, é uma grande escritora negra brasileira sobrevivente da miséria, da fome, disse Tom Farias, seu biógrafo. Foi chamada de Machado de Assis de saia, Jorge amado do povo, e Shakespeare de cor. Tem muito peso nisso. Então os romances, os contos, os provérbios, as poesias de Carolina precisam estar no panteão da literatura com letra maiúscula, junto a todos os escritores de peso que o Brasil pariu, pela sua importância literária.
No dia 28 de julho de 2019, o colunista do JBF, José Domingos Brito, memorialista pródigo, prestou uma homenagem singular a Carolina Maria de Jesus na sua coluna domingueira: AS BRASILEIRAS aqui no JBF (clique aqui para ler), detalhando sua descoberta pelo jornalista da revista O Cruzeiro, Audálio Dantas e a sua ascensão após a publicação do seu best seller aqui e no exterior: Quarto de Despejo: O Diário de uma Favelada.
Dentre seus livros lançados constam ainda: Casa de Alvenaria Um (diário 1961), Casa de Alvenaria Dois (diário 1961), Provérbios (memórias 1963), Pedaços da Fome (memória – 1963), Diário de Bitita (memória – 1986), Antologia pessoal (poemas – 1996), Meu estranho diário (1996), dentre outros tão mais importantes quanto quarto de despejo.
Carolina Maria de Jesus, escritora de raro talento, encantou-se no dia 13 de fevereiro de 1977, aos 62, de insuficiência respiratória, em seu quarto, no bairro de Parelheiros, onde ela viveu os últimos 20 anos de sua vida, na Zona Sul de São Paulo, na chácara que ela havia comprado com o dinheiro recebido dos direitos autorais da venda do livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, sucesso de venda aqui e no exterior.