LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

A PALAVRA DO EDITOR

UM DIA ESPECIAL

Hoje, terça-feira, 1º de Abril, é celebrado o Dia da Mentira.

Que aqui no meu calendário-agenda, da Editora Vozes, é eufemisticamente chamado de “Dia do Trote”.

Tô tentando me lembrar de alguma figura banânica que represente este dia, mas não consigo.

Acho que tô ficando meio leso com a idade…

Que personalidade famosa deste país representaria bem esse dia de hoje?

Se algum leitor fubânico se lembrar de alguém, diga aqui pra gente.

Mas diga falando a verdade!

Conheça a história de 1º de abril, Dia da Mentira - Sertão na Hora

ALEXANDRE GARCIA

OS “ESTUDANTES FANTASMAS” DO PÉ-DE-MEIA

O Estadão fez uma denúncia importante sobre o programa Pé-de-Meia, que o governo está anunciando agora, dando R$ 200 por mês para alunos do ensino médio que comprovem necessidade, além de mais R$ 1 mil por ano – no total, daria R$ 9,2 mil por aluno, com o dinheiro dos nossos impostos. É um programa que leva adiante a ideia do estudante mercenário. O jovem tem de estudar para seu próprio bem, mas agora ele vende sua dedicação ao estudo. O Estadão descobriu que há cidades com mais beneficiários que alunos na escola.

Em Riacho Fundo (BA), só existe uma única escola de ensino médio, com 1.024 alunos. Mas, em fevereiro, o governo pagou (e não foi pouco) para 1.231 estudantes, ou seja, 207 beneficiários além dos alunos matriculados, 20% a mais. A Secretaria da Educação da Bahia diz que os estudantes de ensino médio naquela cidade são 1.677; o MEC acha que são 1.860. Nada bate! Os órgãos de governo não sabem nem sequer o número de alunos nessa escola pública, que em fevereiro somou R$ 1,75 milhão em pagamentos do Pé de Meia.

Em Porto de Moz (PA), as duas escolas somam 1.382 alunos, mas o governo pagou para 1.687 (22% a mais). E o MEC diz que o município tem 3.105 estudantes de ensino médio. Como assim, se as duas escolas, somadas, têm 1.687? Natalândia (MG) tem uma escola, com 317 alunos. O MEC diz que está pagando para 326 e que, na verdade, o município tem 600 estudantes. É muito preocupante isso, pois quer dizer que a estatística está mostrando mais alunos do que realmente estão na escola. Não está batendo, e é dinheiro dos nossos impostos.

* * *

Sanções econômicas

A mudança de tempo aqui em Portugal me pegou a garganta, vocês devem ter percebido. Muita autoridade brasileira deve estar perdendo o sono com as sanções econômicas pesadas anunciadas pelos Estados Unidos contra seis autoridades importantes da segurança e da polícia de Hong Kong. O território já foi do Reino Unido, agora pertence à China. Eles perseguiram 19 militantes pela democracia, quatro dos quais estão refugiados nos Estados Unidos, e um é cidadão americano.

As sanções incluem bloqueio de empresas em que tenham mais de 50% de capital e que estejam vinculadas aos Estados Unidos; proibição de entrar nos Estados Unidos ou mesmo de transitar por aeroportos americanos; e proibição de qualquer contato bancário, financeiro, econômico, com qualquer coisa vinculada a empresas ou bancos americanos; e controle de contas bancárias americanas. Eles são párias nos Estados Unidos de agora em diante, por terem promovido repressão contra manifestações pela democracia e contra o Partido Comunista Chinês. E o que os brasileiros têm a ver com isso? É sinal que os americanos não estão brincando com a proteção dos direitos humanos e das liberdades.

DEU NO JORNAL

NORMAL, NORMAL

Como não é razoável supor que um presidente ignore assunto que está na pauta de discussões, Lula continua difundindo a mentira de que o projeto de anistia beneficiaria o inimigo Bolsonaro.

O projeto só beneficia os já condenados pela arruaça do 8 de janeiro a penas desproporcionais.

* * *

Essa nota aí de cima diz que o Descondenado “continua difundindo a mentira”.

Nada de novo, tudo dentro da normalidade.

Excretar mentiras o dia inteiro é a atividade principal e predileta desse caneiro, que obedece rigorosamente a todas as determinações de sua cuidadora.

DEU NO X

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

BARRY LYNDON (1975) – UM ÉPICO POUCO LEMBRADO DO MESTRE KUBRICK

Barry Lyndon: cena de batalha externa filmada na Irlanda

BARRY LYNDON é uma das obras-primas do gênio da diversificação, Stanley Kubrick, pouco lembrada, mas memorável, com todo o apuro técnico kubrickiano elevado ao infinito. Uma história dramática e pungente contada com a estética e os planos mais aprimorados que o cinema já conheceu.

Aqui temos talvez o mais belo filme de batalha de todos os tempos, com uma fotografia e uma direção de arte única, levando o telespectador à sensação de estar dentro de tudo aquilo que ocorre num roteiro maravilhoso, de uma história contada em mais de três horas que não cansa, ainda temos um elenco espetacular, com ótimas performances.

Barry Lyndon é a história de um ambicioso irlandês sem futuro, ou a esperança de que ele pretenda alcançar uma alta posição social, tornando-se parte da nobreza inglesa do século XVIII. Para Lyndon (Ryan O ‘Neal), as respostas sobre como alcançar o poder e suas ambições são simples: de qualquer maneira possível. Sua ascensão à riqueza em uma suntuosa revisão realizada por Stanley Kubrick baseado no romance de William Makepeace (1811-1863), As Memórias de Barry Lyndon.

Para a criação desta inteligente sátira, ganhadora de quatro prêmios da Academia em 1975, Kubrick encontrou inspiração nas obras dos pintores da época, colocando em exposição o excelente ambiente cinematográfico que em todos os aspectos alicerçam o filme. Os aspectos técnicos, objetivos, pioneiros de utilização das câmeras foram desenvolvidos e utilizados para fotografar ao ar livre e nos interiores, obtendo um efeito de luz natural. Barry Lyndon permanece como um filme de vanguarda que recupera um período da história como nunca visto na tela grande. Uma obra-prima de um realizador cujos filmes são todos magníficos.

Mas o grande triunfo de Barry Lyndon vai além de sua inebriante história de ascensão e queda. Filmado quase que inteiramente em locação na Irlanda – tanto exteriores quanto interiores – a película é uma viagem fantástica, que realmente faz o espectador mergulhar na ambientação do século XVIII como nenhum outro filme havia feito ou viria a fazer.

Genialmente Stanley Kubrick determinou, para desespero de seu diretor de fotografia John Alcott (que trabalhara com ele em Laranja Mecânica e 2001- Uma Odisseia no Espaço), que, sempre que humanamente possível, a iluminação fosse 100% natural. Assim, na grande maioria das tomadas, a iluminação ou é gerada pelo sol ou por velas. Nas tomadas exteriores, durante o dia, o resultado é belíssimo, de uma naturalidade que é difícil de ver em épicos. As cores saltam aos olhos e as tomadas em plano geral são de uma perfeição técnica e simetria sem par.

Reparem na composição das sequências, com a obsessão de Stanley Kubrick por paralelismos. Normalmente, o lado esquerdo da tela emula o direito e vice-versa, mas aqui o diretor consegue ir mais além ainda, quebrando o paralelismo absoluto com pequenos desvios, pequenos desequilíbrios da encenação.

Mas são as cenas de interiores que realmente tiram Barry Lyndon do lugar comum. Sem luz artificial, Alcott teve que se reinventar com a claridade entrando pela janela, frestas aqui e ali e muita contra luz. E, se tirar uma foto de um ambiente iluminado com velas é um trabalho hercúleo, imagine fazer o mesmo com uma câmera de filmar, para se alcançar um resultado aceitável. E o uso de velas permeia todo o filme e isso funciona não só para envolver o espectador na vida do século XVIII como, também, para criar imagens amareladas irretocáveis, além de sombras fantasmagóricas, talvez um prenúncio do destino dos personagens. Cada sequência parece ser tirada de pinturas clássicas, como as de William Hogarth, tamanha é a precisão do trabalho de Kubrick e Alcott.

O uso do som diegético também é fundamental para esse envolvimento e Kubrick faz questão de nos deixar ouvir passos pisando na grama, cascos de cavalo tocando o solo e o arrulhar de pombos na lenta, mas envolvente cena de ação final dentro de um enorme celeiro. E, em cima disso tudo, Kubrick ainda se esmera na escolha de uma trilha sonora clássica – Bach, Vivaldi, Mozart, Schubert e especialmente Sarabande, de Handel – que acompanha a progressão e regressão da complicada vida do protagonista.

É difícil escolher o melhor filme desse fantástico diretor, mas Barry Lyndon talvez seja o verdadeiro ponto alto de sua carreira. A afirmação é polêmica, especialmente diante de sua curta, mas quase irretocável filmografia. No entanto, se o cinéfilo der uma chance a esse filme, que exige paciência e calma, tenho certeza que, se ele já não está dentre os maiores em sua lista, subirá algumas colocações.

Assistindo a Barry Lyndon, com a sua exuberante e panorâmica fotografia, quase toda realizada em locações externas, principalmente as cenas de batalha, fica difícil de acreditar que o cinema não tenha perdido sua narrativa pungency e seu encanto penetrante, com essas porcarias que são lançadas nos serviços streaming todos os dias, com seus heróis decadentes e babacas.

Barry Lyndon – Official Trailer [1975] HD

BARRY LYNDON (1975) – Crítica

COMENTÁRIO DO LEITOR