Arquivo diários:2 de setembro de 2024
PROMOÇÕES E EVENTOS
XICO COM X, BIZERRA COM I
DA SÉRIE: MEUS BREVES CONTOS
CONTO 5 – POSTES BÊBADOS
Estava tão bêbado que até os postes mais sóbrios cambaleavam à sua frente, bêbados que pareciam estar. Ainda assim, seguiu ao encontro dela, daquela que lhe fazia beber. Sua alma não era pequena – veio-lhe Pessoa à mente. Jogaram as farpas e senões na lixeira mais próxima e viveram uma noite feliz. Dia seguinte, ele e os postes, não mais bêbados, acordaram de ressaca …
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DEU NO JORNAL
MONOPÓLIO DA MENTIRA
Roberto Motta

“Disseminação de notícias falsas” é um termo novo para uma prática milenar: a de espalhar mentiras, boatos e calúnias.
Essas coisas são tão antigas quanto a humanidade.
Mentiras sempre existiram na política. Só que, até pouco tempo, eram disseminadas principalmente pela grande mídia, e nenhum de nós, comuns mortais, sequer suspeitava que ouvia mentiras.
As redes sociais mudaram isso.
Agora somos todos produtores de notícias, cidadãos-jornalistas. Qualquer um pode reportar um fato. E todo cidadão também pode – é evidente – contar uma mentira.
Muitos poderosos não aceitam isso. Para essas pessoas iluminadas só a grande mídia pode dar notícias, e a liberdade para mentir tem que ser monopólio da mídia e do Estado. Por isso criaram uma exigência de verificação da verdade para as postagens online. Dizem que é preciso garantir que tudo o que está nas redes sociais é 100% verdadeiro.
É óbvio que isso é impossível. A própria imprensa, vez por outra, divulga notícias erradas ou até mesmo mentiras, acidentalmente ou de propósito.
Um dos casos mais recentes – e bizarros – foi o do laptop de Hunter Biden, o filho de Joe Biden. O laptop, deixado para conserto em uma loja e abandonado lá, continha toneladas de material altamente comprometedor contra Biden filho e Biden pai. O escândalo estourou às vésperas da eleição americana de 2020 e poderia ter significado a vitória de Trump.
A grande mídia, quase unanimemente, afirmou que se tratava de fake news. Vários veículos de imprensa importantes classificaram tudo como uma trama produzida pela Rússia em colaboração com Donald Trump. O jornal The New York Post teve sua conta no Twitter cancelada por insistir em dizer que a história era legítima.
Passadas as eleições – com a vitória de Biden, claro – a mídia voltou atrás e admitiu que a história era verdadeira.
Há dezenas de exemplos recentes como esse, nos EUA e no Brasil.
“Desinformação” não é um problema novo, e muito menos algo que diz respeito especificamente às redes sociais.
“Desinformação” é a distorção ou omissão deliberada de fatos e informações importantes, feita geralmente com o objetivo de obter poder e riqueza ou prejudicar um adversário. É praticada por poderosos desde o início dos tempos. É constantemente praticada pelo próprio Estado.
A ênfase atual no “combate à desinformação” é apenas a reação do Estado e da grande mídia – o primeiro cada vez mais autoritário, a segunda cada vez mais subserviente ao primeiro – para tentar calar, desmobilizar ou mesmo destruir as redes sociais e a liberdade de expressão online.
Para o nosso bem, claro.
“Combate à desinformação” é apenas um apelido fofo e politicamente correto para a horrorosa prática da censura.
PENINHA - DICA MUSICAL

