CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

SOCIALISMO É SEMPRE UM FRACASSO ECONÔMICO: O EXEMPLO DA VENEZUELA

Alan Ghani

Nicolás Maduro em discurso para campanha presidencial. Na imagem, uma representação de Hugo Chávez.

Mesmo com a catástrofe econômica e social da Venezuela, as ideologias socialistas ainda sobrevivem no Brasil. Não é incomum professores de história, geografia e literatura propagarem ideias marxistas na cabeça dos estudantes. Nas escolas, em cursinhos pré-vestibulares e faculdades, o socialismo ainda faz sucesso em pleno século XXI. 

Tenho certeza de que o leitor já foi alvo de doutrinação ideológica em algum momento da sua vida acadêmica (ou de seus filhos). 

Recentemente, viralizou nas redes sociais um vídeo de estudantes universitários cantando uma música com o seguinte refrão: “sou do levante, tô com maduro”. O vídeo é horroroso, e mostra a decadência do ensino universitário. Infelizmente, a cena não é exceção na vida acadêmica brasileira.

É espantoso como muitos estudantes, professores, políticos e partidos ainda apoiam o regime venezuelano, apesar de toda destruição econômica produzida pela ditadura bolivariana socialista.

Desde 2014, o PIB da Venezuela caiu 70%, a inflação acumulou alta de 6.042.231.313.050% (mais de 6 trilhões!), e a taxa de desemprego chega a quase 40% (último dado do mercado de trabalho é de 2018 do FMI).

Elaborado pelo autor

Esses indicadores resumem a capacidade da esquerda de destruir um país. Hoje, a Venezuela conta com 95% da população abaixo da linha da pobreza, e quase 8 milhões de pessoas já deixaram o país.

O Brasil financiou a ditadura

Para nós, brasileiros, a tragédia se torna ainda maior, porque os governos petistas não só apoiaram Hugo Chávez e Nicolás Maduro, como também ajudaram a financiar a ditadura bolivariana com empréstimos do BNDES, subsidiados com os impostos pagos pelo povo brasileiro.

De outro modo: nosso dinheiro serviu para sustentar as mordomias e luxos do establishment chavista, enquanto a polícia política de Maduro prendia e matava opositores, e a ditadura produzia miséria e caos econômico.

Esse apoio não ocorreu apenas no passado, mas no presente – e não apenas com a Venezuela. Recentemente Maduro foi recebido no Brasil com tapete vermelho pelo governo Lula. Na ocasião, Lula relativizou a ditadura de Maduro, dizendo que a “democracia na Venezuela era relativa”. A fala causou indignação de muitos brasileiros.

Nesta semana, o apoio continuou. Lula disse que a eleição venezuelana foi normal, apesar de todas as evidências de fraude, perseguição política, inclusive com prisões e assassinatos. Na mesma linha, o PT, partido do presidente, sustentou oficialmente a lisura do pleito e a vitória de Maduro.

Evidentemente, se perguntarmos para os aliados de Maduro como conseguem apoiar um regime que só gerou miséria e mortes, já sabemos a resposta. Provavelmente, vão dizer que a culpa é do imperialismo americano, do fascismo, do Bolsonaro, do capitalismo, da queda do preço do petróleo, do Trump, e por aí vai…

As mesmas desculpas absurdas, sem lastro na realidade, são utilizadas para justificar o fracasso perpétuo dos regimes comunistas. 

Nunca o fracasso socialista é culpa do próprio sistema, que não permite liberdade de expressão, não respeita o direito de propriedade, não premia a meritocracia – ao contrário, favorece apenas os amigos do rei -, e afronta os direitos políticos e civis da população. Esse conjunto de características presentes nos regimes socialistas, invariavelmente levam à geração de miséria e mortes.

É claro que os jurássicos marxistas vão dizer que, na verdade, o comunismo fracassou porque nunca foi bem aplicado. É a desculpa cínica e perfeita para implementar sempre um projeto totalitário, que só favorece a burocracia estatal, detentora do poder de fato, na exploração de toda a sociedade.

A culpa do fracasso econômico e social da Venezuela não é exclusivamente de Maduro, mas de um sistema político-econômico que é uma fábrica de produção de ditadores, como Chávez e Maduro. 

É bom lembrar – antes que a militância progressista e socialista comece a se limpar, fazendo críticas a Maduro – que o socialismo bolivariano não começou com o atual ditador, mas com Hugo Chávez.

Chávez foi viabilizado com o apoio moral e financeiro da esquerda brasileira nos bastidores do Foro de São Paulo.

Não adianta agora apagarem o passado, porque há inúmeros vídeos registrando esse suporte moral e ideológico.

É até possível burlar eleições, mas ainda não é possível fraudar a nossa memória, que recorda o apoio de parte da esquerda brasileira ao chavismo. Aliás, a maior prova de fraude nas eleições venezuelanas é um simples questionamento: qual presidente seria reeleito com inflação acumulada de mais de 6 trilhões, queda do PIB de 70% e desemprego de 40%? Acho que nenhum povo no universo é tão masoquista a este ponto. 

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

EXTINÇÃO DA CLASSE BANCÁRIA

Cena da peça “Senhora de Engenho”

Entre 1983 e 1994 deixaram os quadros do Banco do Brasil nada menos que 141.5468 funcionários, sob a égide do PDV – Plano de Demissões Voluntárias.

Na época todos que se despediram da Classe Bancária partiram na vantagem de botar no bolso boa quantia em dinheiro e se estabelecerem em alguma forma de comércio ou profissões.

Muitos deram com os burros n’água, à falta de experiência, depois de tantos anos de Banco, mas outros seguiram suas carreiras paralelas com vigor e tempo para se aplicarem, pois com duas atividades a luta havia sido ferrenha.

Os sociólogos só agora estudaram que com esse golpe a classe bancária se enfraqueceu de tal forma que deixou de ser aquele centro de desenvolvimento cultural e esportivo que tanto se apreciava.

Lembro-me que nos anos da década de 50 os bancários do Recife ainda se gabavam de manter a Liga Bancária de Futebol, fazendo interessantes campeonatos.

Dalí se transferiram jogadores como Expedito Fernandes de Almeida, do velho City Bank e Lauro de Castro Monteiro, do Banco do Brasil, que se integraram à equipe do Santa Cruz Futebol Clube.

Na parte cultural os bancários chegaram a apresentar magnífico movimento teatral, quando, inclusive, foi exibida, no Teatro Santa Isabel a peça de Mário Sette, “Senhora de Engenho”, dirigida por Hermógenes Viana.

A propósito, foi convidado para compor a trilha-sonora o então bancário Lourenço da Fonseca Barbosa – Capiba – daí surgindo um das mais notáveis páginas da canção popular do Brasil, “Maria Betânia”, que pela voz de Nelson Gonçalves, invadiu o País.

Hoje, com perdas tão significativas a classe bancária emagreceu mortalmente porque com a chegada da Tecnologia da Informação os computadores contribuiram para liquidar de vez com a valorosa classe bancária, hoje praticamente inexistente.

Eu, que por mais de 30 anos, fui um orgulhoso bancário e dois dos meus filhos também: Gustavo Jorge, do Banco Mercantil de Pernambuco e Carlos Eduardo, também, até aposentar-se no cargo de Superintendente do Banco Itaú.

Nunca pude imaginar que viesse um dia a constatar a quase completa extinção da classe bancária.

PENINHA - DICA MUSICAL