DEU NO JORNAL

DEU NO X

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

SAL – O QUE DÁ SENTIDO E GOSTO À VIDA

Sal o tempero da vida

Na primeira fase da existência é incolor, e, por vezes, inodoro.

Nas fases seguintes pode ser transformado na principal razão da vida de muitos.

Transforma tudo, dando-lhe gosto, sabor e razão de ser.

Razão de ser, das coisas.

Ninguém gosta do insosso. Sem sal. Sem gosto, e sem vida.

Também não faz sentido usar o sal além do necessário e suportável. Não faz bem à saúde dos hipertensos.

Antes água, no futuro sal, vai além das necessidades, preservando sabores e razão de ser.

Água virando sal

Usado no batismo, permitiu-se pela infinita utilidade, entrar no linguajar inadequado, para pôr fim a vida – “passar o sal”!

Vida, comida, mesa – tudo depende do sal.

Foto 3 – Sal dá sentido e vida ao peixe morto

Antes água incolor, por vezes, inodoro.

O sal é vida. Antes, água!

DEU NO JORNAL

O XIBUNGO IDEAL

O ex-deputado Jean Wyllys, que abandonou o mandato e saiu do País alegando “medo” de Bolsonaro, arrumou o que queria: uma boquinha no governo Lula.

Vai ocupar um carguinho na Secretaria de Comunicação.

* * *

A postura escrachada desse baitola é a cara do governo petralha.

Pura zona e esculhambação.

É a figura ideal pra ocupar um cargo no governo do Ladrão Descondenado.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS – Maria Baderna

Marietta Baderna Giannini nasceu em 1828, na Itália. Famosa bailarina veio para o Brasil em 1849 e causou tamanho rebuliço na dança e costumes da época, fazendo com que seu sobrenome familiar entrasse no vocabulário brasileiro como sinônimo de bagunça, confusão, desordem. Já em 1889 o dicionário de Antônio Joaquim Macedo Soares registrava a palavra “Baderna” como “súcia dançante”. Depois a palavra perdeu a referência a dança e passou a designar bagunça em geral, até tornar-se um insulto, conforme registra o Dicionário Brasileiro de Insultos. Baderneiro é quem “gosta de aprontar confusão. Vem do nome próprio ‘Baderna’, pelo qual era conhecida uma bailarina que esteve no Rio de Janeiro em 1851. Essa senhora chamada Baderna, por certo, provocou alguma estrepolia envolvendo várias pessoas e tornando sua ação muito visível. O seu papel de provocadora de bagunça foi mais forte do que seu trabalho de atriz”.

Esta é a história da bailarina italiana, bem-sucedida na carreira artística nos palcos da Europa, que, no Brasil foi alijada do palco e caiu no conceito da elite na mesma proporção em que crescia no gosto popular. Conquistou um séquito de admiradores chamados de “badernistas”, logo rebaixados a “baderneiros”. que delirava com sua dança e gritava “baderna!, baderna!”, junto aos aplausos, deixando as damas e cavalheiros da colônia ainda mais furiosos. É também a história de uma palavra antiga e usada apenas no Brasil, além de ensejar uma reflexão sobre a origem das palavras, dos sentidos que algumas adquirem conforme seu uso e circunstâncias.

Ainda criança manifestou inclinação para a dança e teve a sorte de ser estimulada pelo pai nessa arte. Estreou cedo nos palcos da cidade de Piacenza e pouco depois entrou para o corpo de baile do Teatro Scala de Milão. Aos 19 anos apresentou-se numa temporada de sucesso no Teatro Covent Garden, de Londres e aos 21 já era uma “prima ballerina assoluta”. Pertencia a uma família da alta burguesia da Lombardia. Seu pai -Antônio Baderna- era médico, músico amador e revolucionário do movimento republicano, que enfrentou a ocupação austríaca na Itália. Após o fracasso da revolução de 1848, ela recebeu um convite para se apresentar no Rio de Janeiro. Seu pai, com dificuldades de viver na Itália, aproveitou a oportunidade e vieram para o Brasil.

No Rio de Janeiro, a estreia no Teatro São Pedro de Alcântara se deu em 29/9/1849, com o balé “Il ballo dele fate” (O balé das fadas). foi um sucesso retumbante, tal como ocorria na Europa. O jornal “Correio Mercantil” deu-lhe matéria, chamando-a “a rainha das fadas. Mas a moça, como o pai, era rebelde não apenas na política, mas também nos costumes. Aos poucos, ela passou a gostar dos ritmos afro-brasileiros dos escravos e do povo: lundu, umbigada e cachucha, incorporando-os ao seu balé. Aqui começa a radical transformação da palavra. Segundo seu biógrafo Silverio Corvisieri: “No começo, os cariocas usavam o termo baderna para indicar coisas muito belas. Somente depois de a dança ser considerada fator de corrupção da juventude, a palavra assume os significados atuais”.

A bailarina foi se aclimatando aos costumes da sociedade carioca que se formava. Gostava de festejar, de beber, namorar e, por mais que dançasse nos salões tradicionais, apreciava bastante as manifestações culturais dos negros e do povo da rua. Foi nas ruas que conheceu a resistência dos escravos, e se apaixonou pelas danças e festejos. A sensualidade e a força dos ritmos e danças africanas rapidamente foram assimiladas pela bailarina, que passou a incorporar à delicadeza do balé os passos das danças populares. Ao término das apresentações, seu fã clube, os baderneiros, saiam pelas ruas batendo os pés e gritando o nome da bailarina.

O interesse pela sua história se deu em 1987, com a curiosidade do jornalista Moacyr Werneck de Casto ao consultar a palavra “Baderna” no dicionário e ver a menção sobre a bailarina. Escreveu um artigo fantasiando a vida da bailarina e “sem querer, acertei no essencial. Baderna foi mesmo ativa politicamente. Coloquei-a lutando ao lado de Bento Gonçalves e como subversiva nas ruas do Rio. Mas sua história real é mais interessante”. Em Milão, o escritor (e ex-deputado) Silverio Corvisieri também achou a história interessante e iniciou uma pesquisa de fôlego sobre a bailarina. Tal pesquisa resultou no livro Maria Baderna: a bailarina de dois mundos, publicado pela Editora Record em 2001.

O livro faz uma reconstrução histórica do Rio de Janeiro; do seu cotidiano em meados do século XIX. Relata que a bailarina era bastante conhecida do público; foi amiga do ator João Caetano e era elogiada por escritores e jornalistas, como José de Alencar e José Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco. Traça o perfil de uma autêntica heroína que enfrentou o preconceito com sua dança “subversiva” e revolucionou os costumes da época. O autor diz que Marietta, de personalidade rebelde, vivia de maneira excessivamente liberal para o Brasil de D. Pedro II. Há registros de que, certa vez, tendo havido atrasos de pagamento da companhia de danças, ele organizou uma greve e promoveu agitações que foram identificadas como “da turma da Baderna e seus baderneiros”.
Em 2023 sua tetraneta Paula Giannini lançou o livro Baderna: o memoricídio no dicionário pela Editora Palco das Letras. Paula fez um resgate sobre a memória de sua tetravó, uma bailarina de grande sucesso na Europa, aqui teve seu nome torcido e retorcido e continua desconhecido do público.

Maitê Proença fala sobre Maria Baderna:

DEU NO X

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

REFORMA MORAL

Lembro que Lula perguntou: “cadê as mulheres de grelo duro?”. A ideia era, com isso, incentivar que tais mulheres pressionassem o STF em seu favor. Não preciso de grelo duro nenhum porque uma bimba mole resolveu, tranquilamente, as pretensões desse canalha. Talvez a pergunta que se pudesse fazer, hoje, seria assim: “cadê os homens de ovo roxo?”. Estendo questionamento para o congresso nacional. Por uma simples razão: a quantidade de mulheres eleitas é muito menor do que a dos machos e entra legislatura e sai legislatura e o congresso continua subserviente representando eleitores que não sabem o significado da porra de um voto.

Quem está no congresso, salvo raras exceções, é um “penduricalho de forca”, um corrupto como Renan Calheiros que tem seus processos arquivos no STF por prescrição. O STF deixa o processo caducar e depois manda arquivar. Renan fica um instrumento nas mãos do STF. Na faz nada que incomode as decisões arbitrárias daquela corte. Como Renan há muitos e é nesse campo que o STF se impõe: arquiva o processo e ganha um aliado. No meu entendimento a culpa exclusiva disso é do eleitor, ou seja, do sacana que vende voto, do sacripanta que vota em corrupto em troca de um milheiro de tijolos, de um saco de cimento e vai por aí.

Não sei se falta macho no senado, mas sei que falta vergonha. Falta dignidade. Falta comprometimento com a sociedade. Sempre foi assim, mas depois de Lula isso piorou de vez, por dois motivos: o primeiro é que, como uma vil prostituta, eles se venderam recebendo propinas no mensalão, no petrolão, Renan levou R$ 12 milhões na Transpetro, Sarney levou R$ 7 milhões, etc. isso não cria parceira, cria cumplicidade. A segunda questão é que o aparelhamento do STF induz a decisões simpáticas ao corrupto mor. Daí ninguém tem coragem de abrir um processo de impeachment contra algum ministro do STF. Os caras devem demais na justiça e são estes ministros os responsáveis pelo julgamento da ação contra eles. Então, é simples: ou faz o que se quer ou entra numa auditoria.

Alcolumbre e Maia procuraram o STF para permanecerem como presidente do congresso e da câmara. A constituição diz que não pode, mas Gilmar Mendes proferiu um voto dizendo que “mesmo ao arrepio da lei” era possível essa permanência. Lewandowski julgou o impeachment de Dilma e na constituição é dito que o presidente impedido terá seus direitos políticos cassados por oito anos. Esse cafajeste deu voz de prisão a um advogado que disse ser o “STF uma vergonha” e se formos olhar a constituição, é fácil ver que apenas em casos de flagrante delito ou por ordem da autoridade judicial competente, ou seja, tem um mandato de prisão contra o cara, mais aqui, não faz diferença.

Tudo isso foi dito para falarmos um pouco do ministro Barroso que num congresso da UNE declarou que “nós derrotamos o bolsonarismo”. Ato falho seu ministro? Se o Brasil fosse um país sério, era simples abrir um processo de impeachment, mas Pacheco não aprova. O ministro Barroso violou regras constitucionais porque eles não podem fazer política partidária. Barroso faz, assim como todos que ali chegaram pelas mãos do presidente atual. Coragem para abrir um processo de impeachment? Rodrigo Pacheco não. O que tem são interesses difusos.

A questão principal é tudo depende do eleitor. Nós precisamos conscientizar as pessoas da importância da Lei de Ficha Limpa. Uma conquista popular que está sendo avacalhada constantemente. Gilmar Mendes, por exemplo, já disse que esta lei foi elaborada por um bando de bêbados. Na cabeça dessa gente o que é sensato é tudo aquilo que eles fazem. Obrigaram-nos a acatar coisas que não queremos, empurram-nos, goela abaixo, um bandido para governar o país. Sabemos que vai piorar, diariamente.

No fundo, não pouco importa se o cara tem o ovo roxo. O que importa é que o senado não tem maioria para aprovar o impeachment de nenhum ministro. O presidente do senado não faz porque sabe que há maioria e ele, simplesmente, não quer se expor. Afinal, ele precisa do STF para cobrir suas falcatruas.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

UM PASSEIO NO FUTURO

Arte do amigo e conterrâneo Luiz Rabelo

Usando um aplicativo
Envelheci trinta anos
E vi os terríveis danos
Em meu rosto, outrora altivo.
Fiquei muito pensativo
Com minha senilidade,
Percebi a vaidade
Ao lado me consolando:
– Meu senhor, tá acabando
Seu tempo de validade!

O tempo me projetou
Na rapidez de um passe
E fez com que eu passasse
Por onde ninguém passou.
Perguntei: – Onde é que estou?
Na terra dos marcianos?
E uns seres soberanos
Tentavam me explicar:
– Vais chegar neste lugar
Só daqui a trinta anos!

Quase sonhando acordado
Com meu retrato na tela,
Vendo a tristonha aquarela
Fiquei impressionado.
Quis voltar ao meu passado
Para me sentir seguro,
Entre a dúvida e o apuro
Comecei a me benzer
Para nunca mais querer
Passear pelo futuro.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X